Galera

Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema

Esse é nosso lema!!

Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles

BOAS VINDAS!

Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha

Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As coisas mais simples são os melhores presentes.

Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;

Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;

Harmonia, paz e alegria sempre.

Silvana Mara dias Souza

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Comer para reunir.

O hábito de comer em conjunto têm vários significados como aproximar laços, conversar e olhar nos olhos




Texto: Uma das maiores funções da refeição é consolidar o grupo, reforçar os laços sociais
Foto: Cris Berger
Comer junto é um ato que ocorre desde que o homem é homem. A comida é um anúncio de que o convidado é, antes de mais nada, bem-vindo. Alguns estudiosos vão mais longe e defendem que toda a existência humana pode se resumir em dois grandes prazeres: a comida e o sexo. "Comemos para sobreviver e fazemos sexo para que sobreviva a espécie", diz o sociólogo Henrique Carneiro, da Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, e autor de Comida e Sociedade, Uma História da Alimentação.
Acontece que a comida e o ato de se alimentar, para os homens, não ficaram restritos à sobrevivência. "O alimento é a liga entre várias necessidades: a fome do corpo, a vontade de ter boa companhia, o ato de compartilhar um prazer, além dos significados festivos e religiosos”, diz Rui Murrieta, biólogo do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da Universidade de São Paulo.
Comer para compartilhar
Uma das maiores funções da refeição coletiva é consolidar o grupo, reforçar os laços sociais. Convidamos alguém para se sentar em nossa mesa porque a queremos por perto. E isso ocorre o tempo todo: aniversário do sobrinho, Natal, casamento do primo, campeonato de futebol e despedidas. Mas pode ser também um café da manhã corrido com o companheiro, mas que não deixa de ser a dois e de significar o compartilhamento de mais um dia.
Em algumas celebrações, o ingrediente principal é a fartura. Comer e beber em quantidade é sinal de vitória e alimenta a esperança de dias melhores. "Desde os romanos, no mundo ocidental, a celebração é farta e envolve muitas pessoas. Distribui-se a comida para que todos sobrevivam juntos e, por isso mesmo, comer pouco é uma ofensa", diz Rui Murrieta.
Há encontros em que a comida representa, ainda, um ingresso para novos círculos sociais, um elo para que alguém se aproxime. Assim nascem amizades, em atos que misturam oferenda e solidariedade. Mas ninguém se senta à mesa, come e vai embora, sem dar um pio. Conversar faz parte da experiência de repartir a comida, afinal nos alimentamos não só do que comemos, mas também ao saborear os afetos e as relações que sabemos existir entre os convivas.
Para além da comida, há ainda um outro marco maior: o olhar nos olhos, o riso e tudo o que envolve o alimento. Tem também a oferta de quem elabora o jantar, "porque é uma maneira de não ser esquecida", diz a jornalista Patrícia Cornils. Tudo isso é o que une as pessoas, desde tempos de Baco e Dionísio, à volta da mesa.

Para saber mais

Livros 
Comida e Sociedade - Uma História da Alimentação, Henrique Carneiro, Campus
História da Alimentação, direção de Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari, Estação Liberdade
História da Alimentação no Brasil, Luís da Câmara Cascudo, Global
Arqueologias Culinárias da Índia,
Fernanda de Camargo-Moro, Record

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dos desejos novos.


Desejo percepção aflorada para tatear o caminho. Desejo tantos abraços que viram ninho e fazem o sentimento voar. Desejo desejos frescos, revigorados, restaurados dentro de uma esperança que faz cosquinha e arranca riso, que faz o riso virar lar. Desejo abrir os frascos das vontades guardadas, das querências amassadas, das promessas vencidas e libertar tudo o que ainda aprisiona o que sinto. Desejo um olhar novo todo dia, que não se canse mesmo quando os amanheceres não acordem uma manhã de sol. Desejo confiança nas voltas do mundo, desejo menos pessoas rasas e mais sentimentos profundos. Desejo saber-me também através dos outros, desejo completar-me através de mim, desejo tornar o sim uma visita frequente nas minhas decisões, as vestindo de consequências positivas. Desejo permanecer intuitiva, continuar viva dentro de alguma poesia, de todas as músicas, de algumas ondas, de tantos amores, tornando minha realidade lúdica a cada respiração do tempo. Desejo colo do destino, cafuné que faz sonhar antes de dormir. Desejo encontros, encantos, embalos e qualquer movimento que facilite meu acesso à paz. Desejo mais mãos dadas e menos julgamento, mais riso frouxo e menos cobrança, mais passeios dentro da nossa criança para perceber-nos frágeis. Desejo colecionar horizontes pata entender o pôr do sol e assim, saber o valor de cada nova manhã. Desejo que minhas escolhas dancem no ritmo da sorte e que meu norte não se distancie do caminho, acreditando nos atalhos do coração que me guiam rumo à direção que acolhi por dentro. Desejo aceitar a falta de resposta para os assuntos que ainda não sei formular as perguntas. Desejo vagar dentro dos meus desejos, devagar, para percebê-los tão meus que já se solidificam dentro dos sonhos. Desejo que as decepções não cortem tanto e que se assim for, que todo o pranto se converta em lição bem bonita, que daria até pra fazer uma melodia. Porque nada melhor que fazer ironia com a tristeza para diminuir o aperto das dúvidas da vida. Desejo que, sempre que o silêncio for maior e o choro engasgar a garganta da alma, eu possa ter a serenidade de saber-me eu, resgatando de dentro a força que me habita e descansa, por vezes, em algum canto dormente do meu corpo. Desejo sabedoria para analisar corretamente os desvios, desejo um oceano inteiro e seus desafios e não somente costear as possibilidades mais valiosas que eu me deparar pela frente. Desejo céu com cortina de estrelas pra iluminar mais os medos que acordam de noite. Desejo estar mais relaxada dentro de mim, sabendo-me normal dentro das minhas fraquezas. Desejo seguir vivendo assim, de maneira intensa que mais parece levar um mês dentro de um dia, que gosta de pescar nostalgia boa pra tornar lembrança presente de novo. Desejo jogar a rede no mar para arrastar pra perto um tanto de afeto que estava afogado. Que estejamos abertos, que saibamos o alfabeto inteiro antes de pronunciar as palavras. Que estejamos atentos para saber perceber que dentro de um olhar inteiro, pode se pronunciar também tudo que não é dito. E desejo nunca perder esse meu jeito exagerado e até meio desajeitado de querer abraçar o mundo, de cuidar de todos, mesmo quando muitas vezes esqueça de mim. Desejo sinceramente um "novo ano novo", onde possamos gentilmente abrir mão do "não" e saber-nos gratidão dentro da simplicidade de um sim.

Lilian Vereza

domingo, 12 de janeiro de 2014

O lado bom da preguiça!

Na medida certa, a preguiça renova as energias e dá um baita descanso para a cabeça. Entenda por que não é pecado deixar para amanhã o que você pode fazer hoje

Mariana Sgarioni
A má fama da preguiça esconde os benefícios da "arte da não fazer nada"
Foto: Vida Simples
Vamos esclarecer uma coisa: preguiça é a arte de não fazer rigorosamente nada. Isso quer dizer nada de oficialmente produtivo, bem entendido. A hora da preguiça pode ser um momento de contemplação. Pode ser coçar as costas por horas a fio. Pode ser tirar uma soneca. Afinal, cada um faz nada do jeito que achar melhor. O que importa é apreciar esse momento de devaneio, de recolhimento e quietude como algo que pode - e deve - ser incorporado a sua vida.

A má fama da preguiça é algo que vem passando de geração para geração e foi construída ao longo dos tempos, atingindo em cheio o Ocidente mais especificamente a partir da Era Cristã - sim, porque, na Grécia antiga, aqueles que ficavam largadões, dando asas ao livre pensamento, eram considerados seres especiais, que ficavam mais próximos dos deuses.

A obrigação de se divertir

"Numa sociedade como a nossa, que vive debaixo da égide do capital, as pessoas são meros instrumentos de acumulação. É como se não houvesse lugar para quem resolver ficar fora do mercado de trabalho, ainda que seja por breves momentos", explica Olgária Mattos, professora de filosofia da USP. "Mesmo no lazer, estamos contaminados por essa cultura do trabalho. Ficar em casa, ler, dormir ou se recolher para o descanso geralmente são consideradas opções para as pessoas solitárias, pouco criativas e desinteressantes. Lamentavelmente, há uma cobrança geral por ter o que fazer", completa.
Prova disso são as pessoas que tiram férias e se queixam que voltaram ainda mais cansadas do que quando saíram. Entupir-se de programas, passeios, visitas a museus, parques de diversões e uma infinidade de atrações é como se fosse uma obrigação - é a reprodução da lógica do mercado de trabalho nas horas vagas. Todas essas opções de entretenimento podem ser muito atraentes, mas elas não precisam preencher o tempo todo. "Saborear o momento presente via reflexão, contemplação e devaneio é uma das mais genuínas formas de encontrar quietude interna, um grande prazer da vida. E vamos admitir que é bem mais difícil encontrar essa mesma quietude num shopping center ou um parque temático, por exemplo", diz Martin Seligman, psicólogo americano da Universidade da Pensilvânia que estuda e pesquisa nada menos do que a tão sonhada busca pela felicidade.

Morosidade que faz bem

Quem cultiva a arte de não fazer nada tem bons motivos para comemorar. Os pesquisadores alemães Peter Axt e Michaela Axt- Gadermann passaram anos estudando o assunto e chegaram às seguintes conclusões, publicadas no livro The Joy of Laziness ("A alegria da preguiça", ainda sem edição brasileira): levantar cedo causa estresse e prejudica a saúde; uma soneca no meio do dia ajuda a prolongar a vida; e, se o objetivo for viver mais, então você deve evitar o excesso de exercícios físicos.

Outros cientistas, estes da Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos, acompanharam mais de 12 mil pessoas durante nove anos e chegaram à conclusão de que aquelas que se entregavam ao repouso nas férias tinham menos chance de sofrer de problemas cardíacos.
Além de ajudar a viver mais, a moleza pode inspirar a genialidade. Pelo menos é o que garante o procrastinador convicto Tom Hodgkinson, jornalista britânico, autor do livro que carrega o sugestivo título Como Não Fazer Nada. "René Descartes não saía cedo da cama nem por um decreto. Deixaram ele ficar ali, pensando. Se ele tivesse levantado muito cedo, acabaria ocupado demais com tarefas rotineiras, e não teria tempo de perceber e propagar ao mundo a teoria de que existimos porque pensamos", teoriza. Isso para não falar do patrono desta reportagem, Dorival Caymmi, que, dizem, sequer saiu da rede para compor algumas das mais lindas canções de que se tem notícia.
Não tenha medo de procrastinar... Sair da cama mais tarde pode fazer muito bem!
Foto: GettyImages

Mais qualidade e menos quantidade

Aderir à indolência é uma arte. E, como tal, deve ser feita sem preocupações. Caso contrário, ela não trará nenhum efeito benéfico nem para a mente nem para o corpo. Mas o que fazer então? Entregar-se de corpo e alma à frouxidão total dos músculos? Não é bem assim. Até porque é bom lembrar que moleza em excesso pode ser sinal de depressão, uma doença séria que requer cuidados médicos.
Mas um bom passo para começar a admitir uma dose de preguiça gostosa na vida seria tentar diminuir o número de tarefas a cumprir diariamente - mais qualidade com menos quantidade. Você já deve ter ouvido isso em algum lugar, inclusive. Demócrito, pensador grego do século 5 antes de Cristo, já dizia que ninguém pode ser feliz tendo muitas coisas a fazer. "Ocupe-se pouco para ser feliz", escreveu.

Entregue-se sem culpa

Imaginar nossa vida com espaço para a preguiça pode ser meio complicado. Toda vez que estamos de bobeira, olhando para o alto, a primeira sensação que bate é "será mesmo que não tenho nada para fazer?" E vem a danada da culpa.
Mas, antes de assumir a culpa de que há milhões de afazeres no mundo à sua espera e levantar-se correndo da rede, vale uma breve reflexão. São só alguns minutinhos, não se preocupe. Mas eles podem valer muito, acredite!

Preguiça demais às vezes é depressão. Conheça os principais sintomas:

ISOLAMENTO - fique atento aos exageros da introspecção.
MELANCOLIA - uma pontinha indefinida de tristeza durante 15 dias ou mais.
DESINTERESSE - a falta de entusiasmo para coisas boas da vida, como se divertir e namorar, deve acender uma luzinha.
ESTRANHAMENTO - sensações que dificultam a execução de atividades normais.
FADIGA - pouca energia para enfrentar o dia-a-dia e indisposição até para imaginar algum tipo de ação.
POUCA CONCENTRAÇÃO - dificuldade de raciocínio, de estabelecer uma meta, de manter o foco.
ANSIEDADE - irritabilidade excessiva, falta de confiança no amanhã e insegurança na hora decidir.
SONO OU INSÔNIA - os extremos: querer se entregar ao sono o tempo todo ou varar a noite ligadão.
MORBIDEZ - pensamentos freqüentes na morte e idéias recorrentes de suicídio.
APETITE MALUCO - fome de leão ou então a inapetência total ¿ até para aquela comidinha predileta.

Fonte: Ricardo Moreno, coordenador do grupo de doenças afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sou assim!

"Sou assim, feita de remendos e retalhos.
Às vezes a costura fica a mostra; noutras, a tinta demora a secar, a cola escorre, mas, entre um recorte e outro, preparo os ouvidos para a ordem inevitável: 
“Levanta-te e anda”! 
E quando abro a porta, coloco as inquietações entre parênteses, e vejo a claridade do dia amanhecer-me para uma nova história."

Aila Sampaio

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Qual o verdadeiro valor do dinheiro?


Compreenda o verdadeiro valor do dinheiro e valorize as atitudes que podem mudar o mundo


O dinheiro em si não é lá muita coisa: um pedaço de papel. O que conta é o valor que atribuímos a ele. Muito antigamente, quando precisávamos de algum produto ou serviço, saíamos com nosso gado ou nosso trigo para trocar. Dava o maior trabalho. Com o dinheiro, os negócios ficaram mais simples: um tanto de ouro e prata valia pela mercadoria. Mas isso foi muito antigamente, uns dois mil anos antes de Cristo, porque a economia hoje é bem mais sofisticada, o que, no caso, nada tem a ver com elegante: dos seis bilhões de habitantes do planeta, dois bilhões estão excluídos do cres-cimento econômico.
Para muita gente, isso independe de nossas atitudes, mas os fatos apontam no sentido oposto. Vale a pena prestar atenção nas palavras da norte-americana Hazel Henderson, uma das futuristas mais prestigiadas em todo o mundo. Nos livros "Construindo um Mundo Onde Todos Ganhem" e "Além da Globalização" (Cultrix-Amana-Key), ela mostra que a saída para a sinuca planetária está na aplicação de alguns conceitos-chave como cooperação e visão sistêmica (a velha e boa idéia de que neste mundo está tudo conectado).

Como Henderson, economistas ligados ao futuro alertam para a forma perigosa como o dinheiro se descolou da realidade. Comparam a economia global a um cassino onde as apostas diárias envolvem capital virtual, estimado em 80 a 100 trilhões de dólares, para um produto mundial de apenas 25 ou 30 trilhões de dólares. Além de arriscadas, as operações absorvem recursos que poderiam ser investidos em desenvolvimento social.

Cerca de 95% do dinheiro que circula hoje pelos bancos de comércio internacional não são destinados à compra de produtos tangíveis e sim à compra e venda do próprio dinheiro, travestido em mercadoria cara e rara, como aponta Peter Russel, físico, psicólogo e cientista da computação, no livro O Novo Negócio dos Negócios (Cultrix-Amana-Key). Por mais que estejamos distantes das altas folias financeiras, quem alimenta essa máquina em alguma instância somos todos nós, dependentes do dólar e dos arranjos que o favorecem continuamente no mercado mundial.

O que nos diz respeito diretamente é a convivência sustentável com o planeta. O mundo é bom, mas finito. Tudo o que ganhamos e gastamos implica em incontáveis custos ambientais - aqui mais, ali menos. Cabe a cada um a responsabilidade pela captação e pelo destino final do dinheiro.

Resgate da riqueza real

Força fluida que é, o dinheiro agora começa a seguir uma nova tendência, que o faz calar, obedecer e ajudar na transformação de vidas e valores, resgatando uma riqueza real - que não é a do dólar ou a do ouro. Somos levados a acreditar que nossa participação individual no mundo é irrelevante, mas, na prática, nossas ações influem em dimensão planetária.

"O bater de asas de uma borboleta na China pode causar um tornado no Kansas amanhã", na metáfora atribuída ao meteorologista Edward Lorenz, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Vivemos em rede, ligados uns aos outros seres e a toda a natureza, já sabemos disso, e tudo o que temos a fazer é agir de acordo.

Já age assim o consumidor ético, identificado em pesquisas mundiais. Entre os valores dessa tribo emergente, a dos chamados "criativos culturais", estão a crença em uma conexão entre todos os aspectos da realidade, o cultivo da espiritualidade e da conciliação (no lugar da competição), entre culturas, homens e mulheres, homem e natureza e ramos de negócios.

Ao mesmo tempo, a expressão "alma do negócio" ganha significado mais próprio: empresas aderem à espiritua-lidade não mais como modinha "nova era" - até porque de nova não tem nada essa sabedoria que transforma, aos poucos, os jeitos de liderar, os processos de trabalho e os resultados. Pesquisas da empresa de consultoria McKinsey & Co. mostram que quando a dimensão espiritual chega às companhias, a produtividade aumenta, enquanto as demissões e licenças médicas decrescem.

"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre." A sábia frase de Sêneca (c. 4 a.C. - 65), filósofo central do estoicismo romano, não podia ser mais afinada com os estudos dos futuristas contemporâneos.

Dê valor real ao dinheiro

Numa exposição recente, a cenógrafa e diretora de teatro Bia Lessa colocou lado a lado uma bala de revólver e duas apostas da megasena: o mesmo valor monetário é atribuído a um sonho de fortuna e à possibilidade da morte. Cada um decide o que fazer com o que tem no bolso: é isso que, no fim das contas, cria o valor que conta.

Da mesma forma, podemos zelar pela ética no nosso trabalho e na organização a que pertencemos. É difícil, porque a sociedade ainda é dependente dos recursos naturais, o que, por sua vez, produz débitos sociais, numa roda louca de causa e efeito. Mas é possível, e recomendável, identificar em que nível a empresa ou o negócio com o qual estamos envolvidos lida com o planeta e a família humana.

Não faz mais sentido acomodar-se na crença de que organizações ou autoridades cuidam disso para a gente: consciência humana é o ingrediente principal da macrotransição que o planeta pede, na análise do filósofo húngaro Ervin Laszlo, presidente do Clube de Budapeste (sociedade humanista internacional que entre seus integrantes conta com o Dalai Lama e o músico-ativista Peter Gabriel).

A tarefa de reestruturação global exige abordagens que transcendam valores monetários. Segundo Hazel Henderson, o PIB e outros indicadores que deixam de fora recursos naturais e humanos estão obsoletos, tanto para medir progresso quanto para orientar as economias do mundo. No cotidiano mais imediato não pode ser diferente: se nossa economia doméstica não é justa com a natureza e as outras pessoas, nosso dinheiro é de pouco valor, por maior que seja o saldo bancário.

Compre o que não corrompe

Num país como o Brasil, que ainda não atingiu níveis básicos de satisfação material, soa utópico pregar redução de consumo. Mas é urgente, se não consumir menos, consumir de maneira diferente, inteligente, buscando produtos e serviços que não agridam o ambiente, colaborem para a distribuição de renda, não usem mão-de-obra infantil e se alinhem ao conceito geral de sustentabilidade. Não basta ver o preço: por trás de cada mercadoria há outras informações importantes, à disposição de consumidores alertas.

Use os usados e troque o que dá para ser trocado

O homem ocidental médio consome hoje 100 vezes mais recursos que seu antepassado no começo da Revolução Industrial. No período, a população aumentou dez vezes. O resultado do cruzamento desses dois crescimentos é um aumento mil vezes maior do consumo.

Chique, hoje, é economizar matéria-prima para o mundo e contrariar a obsolescência planejada garimpando utilidades nos mercados de usados. Na última festa de entrega do Oscar, celebridades exibiram autênticos modelos vintage - ou roupa de segunda mão, em linguagem menos afetada. Faça como Hollywood: troque o shopping pelo brechó. E condicione-se desde já ao recondicionado, porque "a única economia realmente sustentável é aquela com crescimento material zero", como diz o economista Richard Douthwaite, no livro The Growth Illusion.

Enquanto isso, a incerta economia argentina fomentou a propagação das feiras de escambo de produtos, serviços e saberes, que, à margem dos problemas da moeda, vêm melhorando a vida das hordas de confiscados, desempregados e excluídos em geral. O primeiro clube surgiu em 1995 em Bernal, província de Buenos Aires, com 20 pessoas trocando comida, roupa, artesanato, tratamentos e consertos domésticos. Hoje, há 15 mil clubes desse tipo no país, envolvendo diretamente seis milhões de pessoas e beneficiando 40% da população.

Já ouviu falar em "tupi", "zumbi", "chê" ou "pinhão"? São moedas sociais e circulam em feiras de trocas de várias regiões brasileiras. O Brasil tem 25 clubes de escambo solidário. "Sem assistencialismo, as pessoas resgatam sua dignidade", explica o contador Carlos de Castro, organizador dos clubes paulistas.

Dicas para montar um clube de trocas, passadas pelo agrônomo Fábio Luiz Burigo que organiza as feiras em Florianópolis: limitar o número de participantes (60 a 80 pessoas), para fortalecer a convivência; extrapolar a simples troca de bens e serviços, criando atividades que ampliem a qualidade de vida dos integrantes; valorizar novas idéias; evitar controle, cultivar um clima em que a incerteza faça parte do processo."Isso é vital no gerenciamento de mudanças evolutivas", diz ele.

Receba para compartilhar

Os cabalistas ensinam que o melhor jeito de ganhar dinheiro é deixar parte dele ir. Segundo essa tradição, o ato de doar cria um circuito dinâmico, sem o qual a energia monetária fica bloqueada. Como em qualquer circuito sobrecarregado, o resultado da acumulação é colapso e caos. Isso porque dinheiro, na Cabala, é manifestação material de energia divina. É uma bênção, ou uma espécie de empréstimo.
"Estamos todos no mesmo barco. Cada vez mais empresas se preocupam em canalizar o dinheiro como energia positiva, para ajudar terceiros", diz o professor Shmuel Lemle, do Centro de Cabala do Rio de Janeiro. Lemle lembra que abrir mão de parte do que chega às nossas mãos é trabalhar em benefício de todos e em benefício próprio.

Faça sua parte com fé

Exemplo máximo de atitude pessoal com a economia global, o pacifista Mahatma Ghandi escreveu que ninguém precisa entrar para a história para fazer o mundo melhor: "Seja você a mudança que quer ver no mundo". Hoje, uma ação individual mais comprometida com o conhecimento e a abundância conta com vento a favor, porque há uma conspiração universal fazendo o dinheiro mudar de mãos. A conspiração visível é o milagre da multiplicação das ONGs, de um lado, e a nova transdisciplinaridade, de outro. Só mesmo ciências cooperadas podem desfragmentar este mundo e fazer frente aos complexos problemas globais.

O que é mesmo que manda no mundo?

Alguns sinais de que o homem e o meio falam mais alto, enquanto o culto ao dinheiro arrefece Cooperação - A rede brasileira de socioeconomia solidária foi criada em 2000, com 80 entidades. Hoje, reúne 400 associadas envolvidas na construção de cadeias cooperativas, na divulgação e comercialização de produtos e na educação para um consumo mais ético (www.redesolidaria.com.br).

Simplicidade - Gastar menos é viver mais, crêem os militantes da Simplicidade Voluntária, um movimento que cresce nos Estados Unidos pregando vida frugal, combate ao consumo desprovido de significado e volta a valores essenciais - 28% da população americana já navega na contramão do consumo exagerado.

Criatividade - Está chegando ao mercado uma máquina que lava louça em três minutos e consome 2 litros de água, contra 18 litros dos modelos tradicionais. O gasto de energia é 80% menor, garante a empresa gaúcha Luxia, que investiu 500 mil dólares no projeto.

Solidariedade - O ex-beatle Paul McCartney cobrou 1 milhão de dólares para fazer um show exclusivo na festa de aniversário de Wendy Whitworth, produtora executiva do canal de TV CNN (presente-surpresa do marido). O cachê foi doado à Adopt-a-Minefield, uma instituição que ajuda vítimas de minas terrestres.

Escolha - Um refrigerador de ar a partir da evaporação da água foi desenvolvido em Campinas como alternativa ecológica ao ar-condicionado. O Ecobrisa é produzido pela empresa Vida e tem a chancela do Greenpeace. O consumo de energia é dez vezes menor que o de um aparelho tradicional.

Ética - O Fundo Ethical é o primeiro criado no país com base em critérios de responsabilidade ambiental, social e corporativa. Foi lançado no ano passado pelo Banco Real ABN AMRO Bank, valorizando práticas éticas. As empresas são selecionadas por um conselho multidisciplinar, formado por gente especializada em meio ambiente e gestão corporativa e financeira.

Valores - Pesquisa da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais de São Paulo mostrou que 84% dos analistas consideram as informações sociais em mais da metade de suas avaliações. A maioria (79%) diz que informações de natureza social, ambiental, cultural ou comunitária podem alterar o preço dos papéis de uma companhia.

Transparência - A adoção de boas práticas de governança corporativa se traduz em ganhos para as empresas: valorização de preço das ações, aumento do volume negociado e queda de volatilidade. É o que atesta estudo recente (março) feito pelo professor Antonio Gledson de Carvalho, da USP, a pedido da Bovespa.

Parcimônia - A Ong Água e Cidade desenvolveu metodologia para avaliar e quantificar o compromisso de empresas com o uso racional da água. O grupo já formou 1 046 "gestores da água" - funcionários preparados para coordenar ações dentro de seus locais de trabalho e medir resultados (www.aguaecidade.org.br).

Troca - A fábrica de papel Ripasa vem melhorando a vida de catadores de lixo - e vice-versa. Depois de dar treinamento aos 30 integrantes da cooperativa de reciclagem do município de Embu, SP, a empresa passou a comprar deles todo o material de papel e cartão arrecadado. O trabalho de separação e venda rende a cada catador cerca de dois salários por mês.

Consciência - A Companhia Suzano desenvolveu o primeiro papel offset reciclado em escala industrial, disponível para o segmento gráfico. O Reciclato vem quebrando preconceitos em toda a cadeia de produção. Ao produzir 400 toneladas/mês de papel, a empresa retira 100 toneladas de lixo das ruas por mês.

Limpeza - A ThyssenKrupp Elevadores já recicla 100% dos resíduos da sua fábrica. O programa de autogestão ambiental da múlti alemã incluiu a despoluição de um lago na área da empresa, em Guaíba, RS.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pensando as avessas!

"Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!"

- Lígia Guerra -

domingo, 5 de janeiro de 2014

Viviane Mosé


Gente é mais ou menos como rio:
Tem os que gostam de perigo e se lançam de grandes alturas
Tem os de muitos braços que atiram pra todos os lados
Tem os de muitos redemoinhos que comem bois e gente
Tem os que gostam demais de si e viram lago
Tem os que só sabem correr parados
São os empoçados os pantaneiros os alagados
Tem os que transam com a terra formando ilhas
O fundo de alguns é de pedra. Tem os de peixes coloridos
Outros têm água clarinha. E tem gente córrego seco
E tem gente riacho escuro. Alguns a terra engole vivos
E tem até rio que corre pra trás
O rio que eu sou nasceu em janeiro

Tem gente que tem o costume de vazar pelos cantos.
No começo vaza calada. Aos poucos. Aos pingos.
Mas se pega gosto principia o derrame.
Escorre quando fala. Escorre quando anda.
Não tem mais braço nem cabelo que segure.
Parece que vicia em ficar transbordada.

Mas tem gente que quando transborda é pra dentro
E corre o risco de ficar represada. E represa, você sabe.
Se aumenta muito arrebenta.

Mas se a pessoa ensaia um jeito de derramar pra fora
Aí vai fazendo leito. Vai abrindo seu caminho na terra
E a terra parece que se abre para ela passar. Às vezes não.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Arte de viver!

14 Maneiras de dar as boas vindas a 2014 por Sri Sri Ravi Shankar:

1. Resolva ser feliz;
2. Sonhe o impossível;
3. Cultive o hábito de ouvir;
4. Faça da meditação uma parte da vida;
5. Siga a Verdade;
6. Compartilhe sua alegria;
7. Renove seus pensamentos;
8. Seja Sincero;
9. Aprenda a perdoar;
10. Pare de se preocupar;
11. Tenha senso de humor ;
12. Tome responsabilidade ;
13. Seja sempre um estudante;
14. Espalhe a felicidade.


Vamos praticar!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

DESEJO DE ANO NOVO!

"...Quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
Que não se encanta com triunfos, 
não se considera eleita antes da hora,
Não foge de sua mortalidade, 
Defende a dignidade dos marginalizados,
E deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.''

Rubem Alves

domingo, 29 de dezembro de 2013

Em 2014 planeje-se para ajudar o lugar onde você vive e quem vive nele!


Confira sete atitudes que podem fazer a diferença no novo ano


Em 2014 planeje-se para ajudar o lugar onde você vive e quem vive nele Arte Valquíria Ortiz/Agência RBS
Além das listinhas de metas pessoais, planeje-se para ajudar o outroFoto: Arte Valquíria Ortiz / Agência RBS
Doe sangue
Todos os dias do ano pacientes precisam de transfusão - sejam vítimas de acidente, durante uma cirurgia ou portadores de doenças como hemofilia, leucemia e anemias. Doar sangue é um ato simples, seguro e que não provoca risco ou prejuízo à saúde. 

Segundo o Ministério da Saúde, se cada pessoa saudável doasse sangue pelo menos duas vezes ao ano, os hemocentros teriam hemocomponentes suficientes para atender a toda população. Segundo Thayse Molinari, da captação de doadores da Hemosc de Blumenau, em 2013 mais de 20 mil pessoas fizeram sua doação. 

- A nossa meta mensal de 1,6 mil bolsas foi atingida e superada, mas mesmo assim não é o suficiente. Muitas vezes uma tipagem específica termina antes e é preciso reforçar as campanhas e pedidos de doação. São 24 mil doadores cadastrados, mas as doações não são periódicas - revela. 

Ficou interessado em doar? No fim de ano o Hemosc estará fechado apenas nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. Nos demais dias o atendimento segue de segunda a sexta, das 7h15min às 18h30min, e aos sábados, das 8h às 11h. 

Voluntarie-se 
A palavra doação não precisa ser sinônimo de dinheiro. Dedicar um espaço na agenda para fazer o bem ao outro é uma das atitudes simples que podem fazer de 2014 um ano melhor. Ensinar algo, auxiliar em um evento beneficente ou simplesmente ir até uma associação para saber do que as pessoas precisam pode enriquecer a vida de quem ajuda e de quem recebe. 

A presidente da Fundação Pró-Família e diretora geral da Secretaria de Desenvolvimento Social de Blumenau, Karin Zadrosny Gouvêa da Costa, destaca que há diferentes formas de doar seu tempo para ajudar alguém: 

- Só na Fundação temos 105 núcleos para crianças e adolescentes, 114 núcleos dedicados aos idosos em 32 bairros de Blumenau, além do Clube de Mães e demais ações que precisam de voluntários. O indivíduo não faz o bem apenas para o outro, ele acaba se sentindo bem ao ser útil e ajudar ao próximo - ressalta. 

Desperdice menos comida 

De acordo com dados do relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 13,6 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil. Esta realidade parece um dado distante, mas o desperdício dos brasileiros bem alimentados seria suficiente para zerar este número. 

Pequenas atitudes na hora da alimentação podem ajudar a diminuir o extravio. A engenheira química da AFK Consultoria e Assessoria de Blumenau, Andressa Fabiana Kammers, dá algumas dicas: 

- Com a couve, por exemplo, é possível fazer sopa com o talo e sucos com as folhas. Tudo pode ser reaproveitado. O importante é não comer com os olhos. O almoço representa 40% da dieta diária, mas é importante não exagerar na hora da refeição - ressalta. 

Use menos copinhos plásticos 
Você já parou para pensar no monte de resíduo descartado no fim de um ano se você usar um copinho descartável todo dia? Segundo a Associação Brasileira de Limpeza Pública, a Abrelpe, hoje 720 milhões de copos são descartados diariamente pelos brasileiros (ou seja, você provavelmente usa uns três por dia). O número pode ser reduzido com ações simples como o uso de uma caneca ou um copo reutilizável. 

Segundo o gerente de Resíduos Sólidos da Samae, João Carlos Franceschi, estima-se que 25% do volume total de resíduos de Blumenau sejam de plástico, aproximadamente 1,7 mil toneladas mensais. E jogar o copinho na cesta destinada à reciclagem não é a solução do problema.

-  Numa estimativa, acreditamos que por mês 2,4 mil toneladas de material potencialmente reciclável são descartadas no aterro sanitário. 

Viva menos no plano virtual 
Estar superconectado e atento aos alertas dos aplicativos e às atualizações das redes sociais pode fazer de você um bom usuário - mas talvez não seja muito bacana com seus amigos reais. Na opinião do especialista em Novas Mídias Moisés Cardoso, as pessoas estão praticamente 24 horas conectadas através do celular, seja no 3G ou em locais com wi-fi: 

- Antes as pessoas ficavam presas à mesa do computador, mas hoje tudo está disponível em um toque de celular. Els tiram fotos na praia, fazem check-in em todos os lugares, parecem marcar território, e deixam de aproveitar o momento. É preciso deixar de compartilhar postagens e começar a compartilhar a presença mesmo - alerta. 

Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o percentual de brasileiros com telefone celular subiu de 36,6%, em 2005, para 69%, em 2011. Diminuir o tempo online pode ajudar a ter contatos pessoais. Em vez de ficar horas conversando com os amigos via Facebook, que tal marcar um café?

Use menos o carro
Os veículos são responsáveis por grande parte da poluição (e do estresse também). Que tal deixar o seu mais vezes na garagem? Proponha a amigos e vizinhos o rodízio de carona, use mais o transporte público e vá a pé ou de bicicleta sempre que possível. 

Os dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que em Blumenau o número de carros já passa de 150 mil, uma média de um a cada dois habitantes. Que tal pensar melhor na hora de tirar o carro da garagem? Deixar o carro uma vez por semana em casa pode fazer a diferença no número de veículos circulando por aí. 

Seja mais gentil 

Ceder lugar para o idoso, dar a preferência para alguém no trânsito ou abrir a porta do elevador para um vizinho não custa nada e ainda pode deixar o dia de outra pessoa melhor. Vale um esforço fazer com que a rotina, o estresse e os compromissos não deixem palavras como bom dia, por favor e obrigado de fora do dia a dia. 

A psicóloga especialista em comportamento organizacional Luciane Gobbo Brandão ressalta que pessoas cordiais tem bom relacionamento interpessoal: 

- O indivíduo gentil se coloca no lugar do outro, busca ver a ótica do próximo. O outro não consegue ser hostil quando você o trata bem. O ato também estimula a recíprocidade.
JORNAL DE SANTA CATARINA

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Almas Perfumadas (Carlos Drummond de Andrade)

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.

Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro
Carlos Drummond de Andrade

domingo, 22 de dezembro de 2013

DESEJO DE NATAL!

"Meu desejo, nesse Natal, é que os amigos estejam sempre por perto. Que compartilhem comigo da alegria de viver com curiosidade, que seja crescente a vontade de se assombrar e de se surpreender com as pequenas coisas do cotidiano.
Desejo mais: que nos brindemos com mais generosidade; que erremos mais e que julguemos menos. Que tenhamos a clareza de nos perceber como seres errantes, contraditórios, com vontade de acordar melhores todos os dias.
Que os nossos desejos sejam pedestres e os nossos sonhos alucinados e que, no momento em que comemoramos a vida, nos enxerguemos parte desse mistério de almas que geram almas e movimentam o mundo.
Um Natal de muita paz para todos nós!" Andréa Pachá

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O que é amorosidade?

Saiba mais sobre a amorosidade, essa característica que garante amor e liberdade para tornar as relações mais agradáveis


A amorosidade é companheira a liberdade e do querer bem sem posses
Pessoas amorosas são amadas porque são amorosas e são amorosas porque não têm medo de ser amadas. Mas é importante esclarecer que ser digno de amor não é ser bonzinho para fazer amigos e influenciar pessoas. Isso é ser polido, amável. "A polidez é um simulacro da moral", afirma o filósofo André Comte-Sponville, que se deu ao trabalho de escrever o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

Para melhor entendimento, podemos beber da fonte do mundo grego antigo, simples e coerente, e reduzir a essência do amor a três tons primários: Eros, Philia e Ágape.

O mais primitivo tipo de amor seria erótico. Egoísta, incompleto, é uma espécie de desejo pela falta. A palavra vem de Eros, deus do amor, fruto da união de Pênia, a penúria, com Poros, o faustoso. Filho pobre e sempre faminto, herda do pai a atração pelo belo e pelo bom; é sagaz, caçador, e está sempre a maquinar planos e a desejar mais e mais.

Mas a amorosidade só começa a se manifestar através do segundo modelo, o amor Philia, que é fraternal, companheiro. Menos estimulado pela posse, esse tipo de sentimento cristaliza- se pela amizade, e seu prazer deriva do simples ato de estar junto, de compartilhar momentos. É generoso, mas tem lá seu lado egoísta, que deriva do fato de que ao servir ao amigo se sente prazer, por isso serve.

Bem acima dessas coisas mundanas, encontramos o amor Ágape, que eleva o amor a um estado divino, imaculado. Na verdade, ele vai além do amor, é universal, sem predileção nem eleição, é inteiramente desinteressado. É a aceitação invariável do outro, seja ele quem for, amigo, inimigo ou indiferente.

Quem vive em estado de amor e tem amorosidade como filosofia experimenta o amor Ágape todos os dias. "Na essência, todos os seres humanos são idênticos. Na verdade, somos todos parte do Um", conclui Erich Fromm, para explicar a amorosidade. "Ser amado precede a graça de amar e prepara o estado de amor", pensa Comte para explicar a origem de tudo.

Platão, em O Banquete, põe à mesa duas soluções para explicar a amorosidade: como não podemos fugir de nossa incompletude, temos que direcionar nosso amor para outros corpos e gerar filhos. Ou então expressá-lo por meio da arte, política, poética, ciências, filosofias, sempre dando prioridade ao belo.

A amorosidade é libertária. Ela é uma condição humana elevada que aproxima as pessoas do conjunto de virtudes, pois nela estão incluídos o cuidado, o respeito, a confiança. Se Eros, Philia e Ágape são deuses que personificam o amor, a amorosidade é a qualidade que eleva os humanos à condição de deuses.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A preocupação excessiva com a aparência física.

Há nas sociedades contemporâneas uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética.Vivemos numa busca desenfreada da beleza, com uma vaidade excessiva, sob influência da televisão, de revistas, filmes, propagandas… que veiculam imagens de corpos perfeitos.

Aimagem da “eterna” juventude, associada ao corpo perfeito e ideal, atravessa todas as faixas etárias e classes sociais, compondo de maneiras diferentes diversos estilos de vida. O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa autoestima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. A exacerbação dessa forma de pensar e sentir, pode trazer consequências muito grandes, como transtornos alimentares ( anorexia, bulimia… ),inseguranças e muito sofrimento quando a pessoa deixa de ser admirada fisicamente ou envelhece.
A preocupação excessiva com a aparência é fruto de uma sociedade que valoriza em excesso as aparências. A quantidade de exercícios físicos, o tempo gasto para embelezar o corpo, o número crescente de cirurgias plásticas, o vale tudo para emagrecer, embelezar, rejuvenescer, bronzear, esticar, aumentar ou diminuir. E por que essa “neura” com a beleza? No fundo, acreditamos que se tivermos um corpo bonito iremos atrair e conservar o amor de alguém.
Cada vez mais, meninas e mulheres se submetem a tratamentos diversos para emagrecer, alisar os cabelos e perder peso. Na busca incessante pela “beleza ideal”, vale qualquer sacrifício. Importante lembrar que essa obsessão pela beleza, vem se tornando cada vez mais frequente nos homens também.
Vivemos a era do corpo perfeito, da estética sem ética. Para muitas pessoas, sustentar o mito da beleza é o mais importante, e mesmo assim nunca ficam totalmente satisfeitas. Assim pensamos mais no corpo do que na saúde, mais nas roupas do que na sabedoria, porque as aparências não revelam o que a pessoa é de verdade.
Parece que, para as criaturas portadoras desse dote inato (que todas se esforçam ao máximo para aprimorar), estão escancaradas as portas do sucesso, do amor e do dinheiro.
É profundamente necessária uma tomadade consciência, de que os cuidados com o corpo não devem ser dessa forma tão intensa e ditatorial como se tem apresentado nas últimas décadas, pois devemos sempre respeitar os limites do nosso corpo e a nós mesmos.
Essas buscas atendem muito mais às nossas necessidades de relacionamento e as nossas necessidades profundas. Qualquer relação que supervaloriza o físico cria uma insegurança profunda nos parceiros.
O cuidado com o corpo, seu embelezamento, sua higiene, os perfumes, as roupas e seus enfeites podem ser importantes, mas a relação humana vai, além disso. O único fator de aproximação entre as pessoas não é a beleza física, ela pode até contribuir num primeiro momento para a atração, mas há outros fatores mais importantes que devem ser cultivados para a possibilidade de êxito nos relacionamentos.
Acreditamos que o amor acontece na superficialidade estética e nos esquecemos que o companheirismo, a aceitação das diferenças, a alegria, o dom de admirar o outro, a capacidade de diálogo, o interesse pelo outro, o bom humor, o entusiasmo, o respeito e o apoio à felicidade do outro, a amabilidade, o afeto, o acolhimento, a ternura, são laços muito fortes, e meios muito mais intensos e definitivos na construção de um verdadeiro relacionamento.
Texto de Solange Quintaniha
Psicóloga Médico-Hospitalar, Psicanalista e Psicóloga Motivaciona

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pare de querer controlar tudo!


Que tal para de querer controlar tudo o que acontece ao seu redor e soltar as rédeas da sua vida?


Liane Alves

O controle rígido está baseado no desejo de manipulação em benefício próprio
Foto: Marcos Lima
O preço do controle é a eterna vigilância. E esse estado de atenção tenso e preocupado causa um enorme desgaste emocional. Uma vida assim engessada também pode ficar cinza e monótona, e se tornar um grande convite à depressão e ao desânimo.
Para o controlador, não há espaço para que as coisas se modifiquem. Nem criatividade para buscar novas soluções diante do inesperado. Segundo a psicoterapeuta Irene Cardotti, "o controle vivenciado dessa maneira, rígida, férrea, está baseado apenas no desejo de manipular pessoas e situações em nosso próprio benefício", avalia a psicoterapeuta Irene Cardotti.

Uma boa maneira de se deter é enxergar nas atitudes de uma pessoa próxima o próprio jeito de ser e reagir. Enxergar as manias, o amor a detalhes, o perfeccionismo e a eterna tensão num outro controlador ajuda a nos conscientizar de nossas próprias características. A aparência física também dá pistas preciosas: músculos tensos e rígidos, peito projetado para a frente, maxilar travado ou corpo muito denso podem igualmente indicar sinais de um controlador contumaz, avalia Irene, que também é especialista em bioenergética.

Mas por que será que somos assim?

Duas emoções básicas movem o comportamento humano: o medo da dor e o prazer. E elas também alicerçam o nosso desejo de controlar. "Queremos manipular por medo de que as coisas fujam do nosso controle e nos causem sofrimento. O que não percebemos é que esse desejo nos aflige tanto ou mais do que o sofrimento que teríamos se deixássemos as coisas tomarem seu próprio rumo", diz Irene.

Ao mesmo tempo, desde os primórdios da psicanálise, seu criador, Sigmund Freud, afirmava que o controle também tinha a ver com o prazer em exercer poder. E alguém que domina e controla uma situação pode obter muita satisfação com isso.

A questão é que essa sensação que nos alivia se baseia numa ilusão: a de que realmente conseguimos controlar a vida. A existência, porém, se revela bem mais indomável e resistente do que podemos imaginar.

Devemos reconhecer os eventos aleatórios que contribuem para o sucesso
Foto: Marcos Lima
O jogo do acaso
É possível que estejamos sob o jugo de forças e leis capazes de tirar o controle de nossas mãos, especialmente quando não as conhecemos direito. "Acredito que seja importante planejar a vida, se o fizermos de olhos bem abertos. Devemos identificar e agradecer a sorte que temos e reconhecer os eventos aleatórios que contribuem para o nosso sucesso", diz o professor e matemático norte-americano Leonard Mlodinow, que escreveu um livro, O Andar do Bêbado, onde analisa algumas das leis pouco conhecidas que atuam na nossa vida, como a da aleatoriedade.

Se engessamos a existência na maneira como achamos que as coisas devem acontecer, diminuímos as chances da aleatoriedade, ou o acaso, se manifestar - uma perda lastimável, de acordo com Mlodinow. "Acho que o universo é bem mais criativo do que eu. Planejo, organizo, faço cálculos mas, se observo uma mudança de rumo, não a descarto imediatamente. Primeiro vejo se o quadro geral pode se beneficiar com ela. O engraçado é que na maioria dos casos a interferência se revela positiva", afirma o analista de sistemas Celso Ayres.

Outra lei que é a maior casca de banana em nossos desejos de manipulação é a polêmica Lei de Murphy. Pode anotar no seu caderninho: quando o controle é excessivo, o tiro sai pela culatra.

Perdemos a sabedoria de que existe o momento de assumir responsabilidades, planejar, organizar e realizar. Mas que também pode haver outros para soltar as rédeas, relaxar, criar e aprender com o que se apresenta. E que é saudável ter essa possibilidade bem presente e viva nas nossas escolhas e decisões. Deixe acontecer - pelo menos de vez em quando, claro.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

IMAGINE.


Nossa capacidade de imaginar, por mais simples que pareça, pode mudar toda uma realidade. É só não perdê-la de vista.


Eugenio Mussak

Fui assistir à conferência do Mario Vargas Llosa no Teatro Geo, em São Paulo. Era a abertura do Fronteiras do Pensamento e o auditório estava lotado. E Llosa não decepcionou. Falou sobre seu novo livro, ainda inédito no Brasil, cujo título é Sociedade do Espetáculo. Contou que foi estimulado a escrevê-lo depois de visitar a Bienal de Veneza, onde percebeu que as obras expostas pareciam ter menos compromisso com a arte, e mais com o espetáculo. "Eu não levaria nada daquilo para casa", disse. E começou um bem organizado discurso a favor da cultura, como elemento transformador, ao mesmo tempo em que questionava o espetáculo pelo espetáculo, aquele sem compromisso com a qualidade, com o belo ou com a densidade artística, cuja missão é a de elevar a qualidade do humano.

O discurso dele foi ótimo, e concordo com ele, pois também não gosto da banalização de qualquer coisa, quanto mais da arte e da cultura. Obras de todas as áreas da arte podem até chocar - aliás, essa é uma de suas funções. Mas, por favor, que choquem pelo motivo e da maneira certa, pelo incômodo da mensagem, pelo inesperado da forma, pelo inusitado da estética. Que o choque venha daí, e não do mau gosto, da ofensa aos sentidos, da falta total de significado, do apenas querer ser diferente. A verdade pode ser confrontada, pois não é absoluta, mas a inteligência não aceita ser ofendida. Llosa preocupa-se que a sociedade contemporânea esteja sendo mais atraída pela superficialidade do espetáculo que nos entretém do que pela profundidade da cultura que nos faz pensar. Eu também.

Mas, apesar de toda a erudição, foi uma frase, dita no meio de um longo discurso e perdida entre tantos pensamentos, que ficou reverberando em minha cabeça quando voltava para casa: "Que pequeno e medíocre é o mundo real quando comparado com o que nossa imaginação pode criar".

O escritor me deixou pensando seriamente sobre o valor da imaginação, sobre como podemos fazer para enriquecê-la e, mais ainda, como utilizá-la para melhorar a realidade, essa que nos cerca, nos protege e nos atormenta. Será possível melhorar a "qualidade" da imaginação humana? Será que, com o tempo, paramos de imaginar e nos tornamos prisioneiros desse mundo pequeno e medíocre? Naquela noite, dormi tarde.


Um pequeno esforço

Enquanto tentava dormir, entre outras memórias, lembrei-me da emoção que senti certa vez, quando cruzei a Central Park West na altura da W 72nd St. e entrei no Central Park de Nova York pelo portão que leva a um jardim chamado Strawberry Fields. A primeira coisa que vi foi um círculo na calçada, uma mandala com raios concêntricos, desenhados com pequenos mosaicos portugueses brancos e pretos, em cujo centro está escrita apenas a palavra Imagine!. Esse jardim fica quase em frente ao Dakota Apartments, famoso por ter sido o último lar de John Lennon, e também o local de sua morte. Alguns anos antes, Lennon havia lançado um disco solo, que trazia a música Imagine, que também dava nome ao álbum. Consta que ele, no começo, não acreditava muito no sucesso do disco, mas a canção foi eleita pela revista Rolling Stone a terceira maior música de todos os tempos, e até hoje é reconhecida como uma espécie de hino à paz.

Sua mensagem propõe que imaginemos que as fronteiras, as posses, a ganância e a religião - os grandes causadores de conflitos - não existem, e por isso o mundo vive em paz.

Essa música é realmente belíssima, não há quem não se emocione com sua letra e sua melodia, simples e profundas. Até porque é difícil ser contra o que ela defende - a paz. Entretanto, a música é portadora de uma segunda mensagem, que passa despercebida: imagine. Antes de ser uma ode à paz, Imagine poderia também ser vista como um tributo à maravilhosa qualidade excessivamente humana, que é a capacidade de imaginar. "É fácil se você se esforçar", diz o ex-beatle, e acerta em cheio. Às vezes não nos esforçamos para imaginar nossas infinitas possibilidades, e perdemos uma parte importante de nós.


Para que serve imaginar
No filme À Procura da Felicidade, Will Smith representa Chris Gardner, um homem que atravessa um período turbulento, em que é abandonado pela esposa e enfrenta uma grave crise financeira. Chega ao ponto de ser despejado e ter de dormir com o filho Christopher de cinco anos em abrigos e estações de trem. Como muitos dos filmes do gênero "superação", este é baseado em uma história real, e o herói vira o jogo e, após ser aprovado para trabalhar em uma corretora de valores, torna-se um milionário.

Mas o fato relevante é como ele usava a imaginação para fazer duas coisas: convencer-se da possibilidade de mudança da situação, e conseguir sobreviver às dificuldades pelas quais estava passando. Na primeira noite em que dormiu no banheiro público do metrô, criou uma brincadeira com o filho, na qual eles imaginavam que fugiam de dinossauros e se salvavam protegendo-se em uma pequena caverna. A imaginação o salvou do dinossauro da desesperança e manteve intacta a relação pai/filho.

E não é só Hollywood que enaltece a . A frase mais conhecida de Einstein é aquela em que diz: "A é mais importante que o conhecimento". O físico estava se referindo à limitação do conhecimento científico, enquanto declarava que a imaginação seria um território ilimitado. Nada mais certo. De certa forma, podemos dizer que tudo o que existe de concreto no mundo, e que foi feito pelo homem, é descendente direto daimaginação humana. Sem imaginação a arte seria manca e monótona, a ciência seria primitiva e pequena, e até as relações humanas seriam previsíveis e insatisfatórias. Se é que essas coisas existiriam.

Por isso, imagine. Liberte a criatividade da mesmice, da impossibilidade e do limite. Todos são inimigos da imaginação, e também do progresso e da felicidade. Imaginar é usar a faculdade mental de criar imagens com as quais não se teve uma experiência direta. E isso tem uma imensa virtude. A de gerar a energia necessária para que a transformação da imagem mental em algo real aconteça. Não existe nada feito pelo homem que não tenha começado com uma imagem mental.

A imaginação, junto com a curiosidade e a transgressão, é uma qualidade infantil. Como as crianças ainda não foram apresentadas inteiramente à realidade, só lhes resta imaginar. Elas criam seu universo imaginário e vivem nele a aventura da felicidade. Sim, precisamos da imaginação para sermos felizes, pois este é o antídoto para a dureza da tal realidade. Mas o tempo passa e trata de nos fazer íntimos da realidade. Isso não é ruim, mas tem seu lado perverso: passamos a acreditar que a realidade é mais poderosa que a imaginação. O resultado é o calo da alma, que nos enrijece e limita nossos movimentos.

No dia em que paramos de acreditar na possibilidade da criação de um mundo melhor, começamos a morrer. Convença-se que a vida é injusta e ela assim será, e sempre contra você. Imagine um mundo mais justo e ele começará a existir. Eu me nego a me conformar com o mundo pequeno e medíocre a que Vargas Llosa se refere. Prefiro imaginar algo melhor, em que as pessoas têm oportunidades equivalentes, os mesmos direitos, e exercem seu direito de aproveitá-los ou não. Alguns dirão que sou ingênuo. Outros, que sou visionário.

Na verdade, estou sempre disposto a imaginar que a vida vale a pena, e que se existe a tristeza é só para que possamos entender a alegria. Imagino que a intolerância, a arrogância, o orgulho e a maldade são sintomas da fase evolutiva inferior em que ainda nos encontramos. E imagino que vamos evoluir. Prefiro imaginar que um mundo melhor é, sim, possível, e assumo minha parcela de responsabilidade para ajudar a construí-lo. Imagine, e você se arrisca a conseguir. Não imagine, conforme-se, e você estará condenado à mesmice. Imagine e organize-se para tornar a imaginação realidade, e algumas coisas fantásticas começarão a acontecer. "Você pode achar que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único e você ainda vai se juntar a nós".


Eugenio Mussak escreve aqui desde a primeira edição. E nos ajuda, todos os meses, a nunca parar de imaginar.