Galera

Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema

Esse é nosso lema!!

Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles

BOAS VINDAS!

Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha

Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As coisas mais simples são os melhores presentes.

Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;

Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;

Harmonia, paz e alegria sempre.

Silvana Mara dias Souza

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Eu não visto 38. E daí?

Não importa que corpo você tenha, insistem em fazer com que você se sinta infeliz com ele

Como reagir a um mundo que insiste em fazer com que você se sinta infeliz com seu corpo, não importa que corpo você tenha!

As mulheres de proporções “perfeitas” estão em todas as revistas, anúncios, catálogos, comerciais de TV: 90 de busto, 60 de cintura, 90 de quadril, todas vestindo o desejadíssimo manequim 38. Elas não são nem tão magras quanto as modelos de passarela nem tão voluptuosas como as mulheres fruta. Elas são equilibradas. Elas são inatingíveis. Elas vendem saúde, o sorriso é branquíssimo, o bronzeado vive em dia, uma pele sem manchas, uma bunda durinha e curvas perfeitas. Elas são um sonho. Elas são o que você não é. Elas são, aliás, algo ainda pior: elas são o que você poderia ser. A mulher ideal.
Bastava só um remedinho a mais, uma dieta um pouco mais forte, horas e dias extras na academia, um tratamento estético especial. Porque o que elas fazem é deixar as garotas “reais”, nós, com água na boca, famintas por todos aqueles atributos estampados ou projetados na tela. Ah, como elas fazem a gente viver de mal com a gente, não é? Você não se sente assim? Um pouco? Muito? 


Por que isso é tão comum?

De acordo com um levantamento da antropóloga norte-americana Jean Kilbourne, que analisa a imagem do corpo feminino na publicidade há mais de duas décadas, somos bombardeadas a cada semana por cerca de 3 mil anúncios publicitários que trazem modelos (mulheres ou homens) extremamente manipulados por programas de edição de imagem. Gente sem uma ruga, cicatriz ou imperfeição – além de serem quase sempre pessoas brancas e extremamente magras, cujo biotipo “small” (pequeno) diz respeito geneticamente a apenas 5% da população. Depois disso, como é que os outros 95% vão se sentir normais?
Eles não se sentem. Quando tinha 20 e poucos anos, a cantora paraense Gaby Amarantos, 33, vivia às turras com o espelho. “Só me vestia de preto”, diz. “Achava que menina gordinha devia usar preto porque fazia parecer mais magra.” Na época, teve depressão e desenvolveu bulimia. “Eu achava que não tinha nenhuma chance, que, para ser cantora, ter namorado e uma vida legal, uma mulher tinha que ser magra.”

Insatisfação crônica

Com toda essa pressão social, a preocupação com o corpo não é, nem de longe, privilégio de meninas gordinhas. A designer Julia Rocha, 28 anos, uma das garotas que ilustram estas páginas, é um exemplo disso. “Uso manequim 40, 42, mas definitivamente não me sinto bem resolvida com o meu corpo.” O que a incomoda: “Tenho quadril demais, culote. Às vezes me sinto flácida. Nunca usei um vestido tubinho na vida”.
Apesar de muitas vezes ficar brigando com o espelho, Julia sabe que sua paranoia tem raízes culturais e psicológicas. “A gente lida com muita pressão, ainda mais aqui no Rio de Janeiro. Você está sempre na praia, cercada de pessoas lindas. Tem dias em que me sinto um lixo. Mas sei que tem a ver com a minha cabeça. Quando estou bem, não me sinto mal com meu corpo.” Na busca por esse acordo com a autoestima, a designer decidiu reencontrar a própria beleza e topou ser retratada nua pelo fotógrafoJorge Bispo no projeto Apartamento 302 [leia box abaixo]
Em vez de encarar a câmera fotográfica, a socióloga Kjerstin Gruys escolheu outra estratégia: não olhar. Nem para o espelho. Faltavam seis meses para o dia do seu casamento e ela vivia um roteiro clássico de preocupações: queria emagrecer e não conseguia. A pele tinha marcas e não deveria ter marcas. O cabelo podia ser outro, o mundo era injusto, o universo era uma praga. Era março de 2011 e Kjerstin tinha acabado de tirar um dia para provar o vestido de noiva. Na loja, viu um desastre em tecido branco e forma de mulher. Nada cabia, nada ficava bom, por que tudo estava sempre tão errado?


Na manhã seguinte, a norte-americana, uma ex-vendedora de butique, acordou, olhou para o espelho e tomou uma decisão: não olhar mais para o espelho. Por um ano. Ela iniciou, então, um mês de treinamento. Aprendeu a escovar os dentes sem deixar marca de pasta na bochecha, a pentear os cabelos, a botar a lente de contato, a passar maquiagem, a ajustar a roupa. E criou um blog para registrar o desafio, o Mirror Mirror, Off the Wall.
A experiência transformou a vida de Kjerstin. A blogueira casou, manteve o site, ganhou atenção da imprensa mundial, prepara um livro relatando suas memórias do projeto e, acima de tudo, encontrou um sentido na vida: alertar contra a paranoia da beleza perfeita. Tornou-se, por fim, uma investigadora desse inimigo com que você, eu e metade do mundo convivemos centenas de vezes, todos os dias: o nosso reflexo.
“No dia em que eu olhei um espelho pela primeira vez depois de um ano longe deles”, escreve Kjerstin em seu site, “a coisa que mais me surpreendeu agradavelmente foi descobrir que as minhas primeiras observações não foram sobre o tamanho do meu corpo. Foram sobre a cor da minha pele!” Ela tinha percebido, após atravessar sua missão pessoal, que não havia ficado mais magra, mais loira, mais alta, mais bonita ou mais feia. Sem espelho, sem vaidade desequilibrada e sem pressão social, Kjerstin ficou mais... leve. 
A cantora Preta Gil, 37 anos, é um símbolo de quem já passou por esse processo de intenso sofrimento e inadequação para chegar à reafirmação de um físico natural. “Sofri todo tipo de bullying por ser negra e gordinha”, diz. “Mas há sete anos estou em paz com meu corpo.” A moça, que hoje veste um mais que assumido manequim 46, lançou mês passado uma coleção de roupas plus size para a marca C&A. “Percebi que era amada pelos meus fãs, pelo meu marido, pelo meu filho. Por que só eu não ia me amar?”
Nesse meio-tempo, em 2010, Preta ganhou um processo contra o programa Pânico na TV!, que exibiu imagens em que ela tomava um caldo na praia de Ipanema. A piada mostrava uma sósia “encalhada” na areia, sendo retirada por um trator. Os humoristas foram condenados a pagar R$ 100 mil por danos morais. Dois anos antes, Preta já havia acionado o Google na Justiça. O motivo: o buscador associava seu nome a “atriz gorda”. Assim, virou uma espécie de ícone de mulher que briga para ser o que é. “Sei que tenho um papel político nessa luta e isso me deixa feliz”, afirma. 

“Existe uma espécie de complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus corpos” Marle Alvarenga, nutricionista

O que não quer dizer que ela não tenha sofrido, e muito, em busca do tal manequim perfeito. “Vestia 38. Depois que engravidei, aos 20 anos, passei por uma operação de vesícula, engordei 30 quilos e fiquei anos lutando contra isso. Fiz duas lipos e me arrependo. Tomei remédios, um absurdo”, conta. Preta se prepara para lançar um disco este mês, em que reforça sua bandeira da aceitação. Vai se chamar Sou como sou
Não é difícil entender como Preta Gil entrou nessa. “Existe uma espécie de complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus corpos”, afirma a nutricionista Marle Alvarenga, diretora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta). “O número de revistas e livros de dietas cresceu exponencialmente desde os anos 80. Existe um mercado que vive dessa insatisfação feminina. Até médicos. Muitos lucram com promessas de milagre.”
Um dos “remédios da moda” para surrupiar uns quilos da balança é uma injeção indicada para quem tem diabetes. “É melhor nem colocar o nome da substância na revista”, diz Marle. “A paranoia é tão grande que, mesmo não aprovado pela Anvisa, a agência que regula os medicamentos no país, e mesmo sem saber exatamente quais são seus efeitos colaterais, algumas pessoas arriscam. É absurdo.”
Aviso sério. Quem quer realmente entrar em uma calça 38 não vai conseguir fazendo uma dieta atrás da outra. “Todo mundo precisa comer de forma saudável. Fazer regimes de abstinência e depois compensar comendo tudo o que não comeu no dia seguinte causa problemas graves”, explica a nutricionista. “Entre outras coisas, isso faz com que seu corpo não emagreça. E é preciso entender que ser magra não tem nenhuma ligação com ser saudável.” A afirmação pode parecer óbvia, ou escandalosa. Afinal, estamos acostumadas a associar magreza com saúde desde que nascemos. “O que mede a saúde de alguém não é o peso”, prossegue Marle. “Mas a taxa de açúcar no sangue, a hereditariedade, uma série de fatores que não podem ser medidos pelo peso. Muitas vezes emagrecer pode ser tudo, menos saudável.”
Atenção para as palavras da nutricionista: “Não existe nenhum remédio que vá te fazer entrar em uma calça 38 se esse não for o seu biotipo”. Ela disse nenhum, percebeu? 
“Vivemos a era da esteticomania”, afirma a filósofa Marcia Tiburi. Uma época em que o que importa é o corpo que você vai exibir, seja em uma coluna social ou no Facebook. “E não é só o corpo. É tudo o que pode ser transformado em imagem. Você precisa exibir um corpo perfeito, um carrão, tudo que forme um conjunto de imagens considerado poderoso”, explica.

Esteticomania e gordofobia

Marcia acredita que o corpo é visto como uma religião. E, como em toda religião, o sacrifício é valorizado. “Por isso, uma mulher que não faça dieta é vista como ‘desleixada’. Se ela não se sacrifica, é como se fosse infiel. A gordura é vista como excesso. O sacrifício, seja na academia ou para fazer dietas bizarras, é muito valorizado. Se você não faz esse sacrifício, é visto como um ser menor.”
A cantora Gaby Amarantos lembra que, além de ter tido bulimia, tomou remédios e até se submeteu a uma cirurgia de lipoaspiração para tentar se livrar da culpa de ter o corpo “fora de forma”. “Fazer essa plástica é uma das coisas das quais mais me arrependo”, conta. “Fiquei cheia de cicatrizes, doeu. Foi muito violento.” Hoje, aos 33 anos, depois de ter um filho, conta que finalmente se libertou. “Vi que perdi muito tempo da minha vida sendo infeliz e me aceitei completamente. Uso a roupa que quero, mesmo que tenha que mandar fazer. Rebolo no palco, me sinto sensual. As pessoas acham que se você não é magra você tem que ser infeliz. Eu não sou infeliz.”

“É como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo por uma medição” Marcia Tiburi, filósofa

O problema é que ser chamada de gorda continua sendo um insulto. E daqueles. “Não sei te dizer quantas vezes por dia sou xingada na internet”, conta Lola Aronovich, autora do blog Escreva Lola Escreva. “E, quando querem me ofender, o que eles escrevem? Escrevem que sou horrorosa e gorda.” O preconceito físico é um dos assuntos preferidos de Lola, uma professora universitária especialista em literatura inglesa que também já foi sugada pela paranoia dos regimes. “Tomei inibidores de apetite dos 22 aos 29 anos, entrava e saía de regime e não conseguia emagrecer.” Hoje, ela não sabe quanto veste e dedica parte do seu tempo a estudar o tema. “Se eu, que tenho 45 anos, me sinto oprimida, imagina uma adolescente? Recebo cartas de meninas que se sentem cobradas e excluídas por não terem o corpo que imaginam ser o ideal.”
Para Marcia Tiburi, esse olhar cheio de crueldade – e com uma fita métrica embutida – sobre o corpo feminino é uma espécie de negação da vida. “É como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo por uma medição”, explica. “Como um vendedor de caixão que quer saber ‘se esse corpo cabe’ naquela caixa. É um corpo cadáver, então, já que só se valoriza o peso, o tamanho. Dentro dessa esteticomania, a mulher valorizada é aquela que consegue controlar o seu corpo. Um caixão é uma calça 38.”
No início da adolescência, lá pelos seus 13 anos, a atriz Gabriela Haviaras vestia manequim 34. Rapidamente, com o crescimento precoce, passou a usar 40. “Morria de vergonha de ir à praia”, conta a carioca. Aos 20 anos, seu comportamento começou a mudar. A aceitação do tipo físico chegou com o esporte. “Comecei a fazer ioga. Vi que o meu corpo era bonito, que tinha elasticidade. Quando você está saudável, você fica naturalmente bonita, independentemente do seu peso”, diz. “Acho um absurdo essa imposição para que a gente tenha que vestir 36 e 38. Isso não faz parte da nossa cultura. Sou uma brasileira típica. Tenho quadril largo.”
A artista plástica Nathalie, francesa que mora no Brasil há dois anos e que também ilustra esta reportagem, tem 30 anos. E já percebeu que tentar entrar em uma calça 38 é bobagem. “Nem sei quanto visto. Acho que é 42... Mas fico chocada ao ver a obsessão pelo corpo que existe no Brasil. Talvez nos Estados Unidos, onde já morei, seja igual. Mas é seguramente pior do que na Europa.” Faz sentido, já que Brasil e Estados Unidos são os campeões mundiais de cirurgia plástica. “As pessoas procuram perfeição. Mas, se você procura perfeição, nunca vai estar feliz”, diz. “A perfeição não existe.” Nem se você vestir 38.

Publicado por: http://revistatpm.uol.com.br/revista/123/reportagens/eu-nao-visto-38-e-dai.html  
* Colaborou Gabriela Sá Pessoa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Você também vai envelhecer. Aceite!

Cabelo branco, experiência, ruga, bigode chinês, história pra contar, flacidez. Hein?

05.10.2012 | Texto por Letícia González

Nome: Céu - Idade: 32 anos - Profissão: cantora - Medo de envelhecer: “Ficar surda” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Arranquei, mas o segundo deixei por medo de que viessem outros”
Um dia ela acorda e o rosto caiu. A bunda também. O fôlego acabou, ninguém mais virou o pescoço na rua e os fios brancos tomaram conta. Na cabeça da mulher brasileira há espaço para esses e muitos outros medos quando o assunto é envelhecer. Eles moram escondidos atrás do “eu não penso muito no assunto” e são responsáveis por deadlines autoritários (precisa ter tudo antes dos 35), angústias e gastos altos com o dermatologista. E o mais surpreendente: as preocupações com o envelhecimento começam cedo. Muito cedo.
Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha em dezembro de 2011 em São Paulo, quase metade dos entrevistados entre 16 e 25 anos confessou ter medo da velhice. Entre os maiores de 56 anos, no entanto, apenas um quarto admitiu sentir o mesmo.
Para entender por que o medo e as expectativas em relação à velhice começam tão cedo, Tpm ouviu mulheres de perfis diferentes: a cantora Céu, 32 anos, a atriz Isabel Wilker, 27, a jogadora de vôlei Jaqueline Carvalho, 28, e a chef Renata Vanzetto, 24. Falaram de perdas e ganhos, rugas, trabalho, família e do “fim” – a morte ainda é um tabu poderoso.
O Brasil é campeão mundial em cirurgia de pálpebras. No Botox, perdemos apenas para os Estados Unidos
Jovens, elas são o retrato da geração que investe em beleza preventiva, amparada pela oferta de produtos e pela orientação médica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros vivem 25,4 anos a mais hoje do que em 1960. Mas, a julgar pelo boom de intervenções estéticas, é como se não tivessem se acostumado à nova realidade. O país é o número um do mundo na blefaroplastia, cirurgia que tira a pele envelhecida das pálpebras, e também no enxerto de gordura no rosto, usado para preencher rugas. Os dados, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), mostram também que, no uso da toxina botulínica, ficamos atrás apenas dos Estados Unidos. Para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não há restrições para a aplicação do Botox a partir dos 30 anos – seu uso “preventivo” tenderia a ser mais eficaz do que aplicações iniciadas aos 40. 
Mesmo quem não procura fazer o impossível, parar a natureza, tenta atenuar os efeitos do tempo. Renata, nascida e criada na praia, não toma mais sol sem protetor. Por outro lado, se apoia no metabolismo acelerado para comer até quatro porções de chocolate por dia. Daqui a dez anos, ela sabe, o corpo pode não aguentar o mesmo ritmo. “Minha mãe não come carboidratos à noite há mais de 20 anos. Sinto que um dia também farei sacrifícios.” Jaqueline e Isabel usam creme antissinais desde que completaram 25 anos. Céu tenta preparar o espírito para a mudança de visual. “Aos 40, espero estar de bem com as minhas ruguinhas”, diz. O que, em especial num país como o Brasil, não é tarefa assim tão fácil.
“Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para cada momento” Céu, cantora 
“A juventude aqui é apresentada como a verdade através da qual se consegue visibilidade, estima e aceitação social”, explica o psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Sócrates Nolasco. O que agrava o quadro, segundo ele, é a falta de postura crítica do brasileiro. “Somos incapazes de relativizar as cobranças que recebemos da publicidade, e buscamos sempre a aceitação do grupo”, diz. “O brasileiro sozinho é malvisto e, por isso, passa maior parte do tempo dentro de algum grupo. A demora para se emancipar emocional e financeiramente da família colabora para que [as pessoas] não aprendam a ter opinião própria.” 
Alex Batista

Nome: Isabel Wilker - Idade: 27 anos - Profissão: atriz - Medo de envelhecer: “Não me tornar uma grande atriz” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não dei bola”
Limites da medicina
Talvez as coisas estejam começando a mudar. Em julho deste ano, o Conselho Federal de Medicina emitiu um parecer em que não reconhece terapias antienvelhecimento que se utilizam de hormônios. O argumento é que esses tratamentos – que usam testosterona, cortisona, melatonina – não têm benefícios comprovados e trazem riscos aos pacientes. No texto, além de causar um revés importante em um tratamento que vinha se popularizando no Brasil, o conselho foi além e lembrou: “O envelhecimento é uma fase do ciclo normal da vida, não devendo ser considerado doença que necessita intervenção medicamentosa”.
Ainda assim, os consultórios de dermatologia estão lotados de pessoas querendo parar a ação do tempo. E a especialidade cresce em ritmo acelerado. De 2010 para 2011, a procura pelo teste que confere o título de dermatologista cresceu 40%, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um levantamento feito pela entidade mostra que a grande maioria de seus membros atende à demanda por juventude: 84% aplicam toxina botulínica em seus consultórios. O Botox é o tratamento mais popular para atenuar o envelhecimento cutâneo no Brasil, seguido de preenchimento com ácido hialurônico e laser. A SBD orienta os médicos a sugerir intervenções apenas depois de ouvir a queixa do paciente. Na prática, não é sempre isso o que acontece. 
A antropóloga Mirian Goldenberg sabe como é isso. Aos 40 anos, ela foi pela primeira vez à dermatologista querendo orientações sobre hidratação e proteção contra o sol. Lá, ouviu uma lista de defeitos que não enxergava em si mesma. “Ela me sugeriu preenchimento ao redor dos lábios, Botox na testa e correção nas pálpebras. Eu não via nada daquilo no meu rosto!”, lembra. Nos seis meses que se seguiram à consulta, Mirian entrou em crise – e depois a superou, sem ter feito nenhuma intervenção no rosto. 
“O botox diminui o ritmo do envelhecimento, só. A ideia nunca é ter 50 e parecer 20”, Bruna Felix Bravo, dermatologista
Outro aspecto em que teoria e prática diferem é o momento certo de parar. “[O Botox] apenas ajuda a diminuir o ritmo do envelhecimento. A ideia nunca é ter 50 parecendo 20”, afirma a dermatologista Bruna Felix Bravo, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio de Janeiro. Mas, como a decisão obedece a uma vontade estética, exageros são comuns mesmo com orientação médica. “Não gostaria de ser uma dessas pessoas que lutam com força contra os anos”, afirma a cantora Céu. “Elas não ficam com cara de mais novas. Só ficam com cara de quem está lutando.”
Essas senhoras da revolução botulínica de que Céu fala são um elemento novo no cenário urbano brasileiro. Mas, se as injeções semestrais podem trazer satisfação pessoal a mulheres desgostosas de suas rugas, elas são vistas com ressalvas por quem estuda o assunto.
É o caso da antropóloga Andrea Lopes, doutora em gerontologia e coordenadora do grupo Envelhecimento, Aparência, Imagem e Significativo, da Universidade de São Paulo (USP). “Faltam imagens reais e, principalmente, diferentes umas das outras”, pontua. Em vez de diversidade, temos uma bipolarização. Até a década de 70, ser velho era sinônimo de decadência, doença, asilo. Aí, no final do século 20, surge uma imagem superpositivada, dos velhinhos que podem tudo. São duas inverdades cruéis com quem tem de envelhecer”, diz.
Essas pessoas que têm de envelhecer, no caso, são todas. Você, eu, todo mundo. Por mais difícil que pareça. Num encontro de amigas, a jogadora Jaqueline quase jogou um celular longe quando uma delas incluiu sua foto em um aplicativo que envelhece retratos. “Eu aparecia grisalha, cheia de rugas. Saí gritando ‘tira isso da minha frente!’.” Por mais que recuse essa imagem, Jaque não sabe ao certo como vai encarar a mudança no rosto. Se espelha em Luiza Brunet (leia a entrevista nas Páginas Vermelhas), mas reconhece que ela é exceção. 
“Temos duas imagens irreais: a da decadência e a dos velhinhos que podem tudo”, Andrea Lopes, antropóloga
De fato, o modelo da maturidade é algo que precisa ser reinventado. “Inclusive porque as pessoas que estão entrando nos 60 anos cresceram num mundo que exaltou a juventude. Elas não são um bom exemplo de como lidar com o tempo”, lembra Andrea. A exaltação a que se refere é a de ícones como os Beatles e Elvis Presley, de bordões como “Não confie em ninguém com mais de 30”, “O Brasil é o país do futuro” e da revolução dos costumes, movimentos em que os jovens encamparam o poder e transformaram pais e avós em imagens a não ser seguidas.
Alex Batista

Nome: Jaqueline Carvalho - Idade: 28 anos - Profissão: jogadora de vôlei - Medo de envelhecer: “Perder a mobilidade” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Pintei”
Novas velhas
Uma maneira de encarar a questão, para muitas mulheres jovens, é procurar uma nova relação com a passagem do tempo. “Penso muito no assunto”, diz Céu. “Será que vou entender a hora de parar de fazer música? Será que vou querer curtir meus netos? Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para o momento”, afirma. Mesmo assim, os receios vêm junto. “Tenho medo de ficar surda, porque uso o fone in-ear e, quando o técnico erra, o som estoura dentro do ouvido. Também tenho medo de ter vícios de comportamento, de me tornar ainda mais esquecida do que sou.” Para Isabel Wilker, a aflição é profissional. “Tenho medo de chegar aos 50 e ver que não fui a boa atriz que quero ser.” 
O receio tem a ver com a fase atual da carreira. Há dois anos, ela decidiu seguir a profissão dos pais, os atores José Wilker e Mônica Torres. Está feliz com a decisão, mas se pergunta se não veio atrasada. “Bati o martelo com 25 anos, enquanto colegas estão na profissão desde os 18. Para alguns papéis, já sou velha”, conclui ela, que se formou em letras, iniciou um mestrado na área, foi modelo e apresentadora e fez cursos de interpretação em Londres. Aos 27, vê que o tempo de indefinições está chegando ao fim. “É como se você passasse a ter menos espaço de manobra”, afirma. E, ao mesmo tempo, sem poder olhar para trás e enxergar realizações importantes. “Fico nervosa”, solta, cerrando os dentes. 
“Para alguns papéis, já sou velha demais. Às vezes me sinto atrasada”, Isabel Wilker, atriz 
Sentir-se velha bem antes de sê-lo é algo que Jaque conhece bem. Por causa da carreira curta que o vôlei proporciona, a atleta precisa pensar, antes dos 30, na sua aposentadoria. “Estou mais perto do fim do que do início. Se sofresse uma contusão agora, teria que repensar o esporte”, pondera. 
A antropóloga Mirian Goldenberg aprofunda seus estudos no intervalo que existe entre a “era de ouro” dos 20 anos e a morte. E, se tudo der certo, ele pode ser grande. “Minha próxima pesquisa é sobre os aspectos positivos do envelhecimento. Os negativos existem, mas já foram muito abordados”, conta. Ela identificou que a fase dos 30 aos 50 é a mais sofrida para a mulher, nesse quesito. “Se ela tem 35 e quer ter filhos, sofre muito. Depois, aos 40, vê que passou a vida investindo no corpo e, de repente, se sente invisível. Já depois dos 50, vejo uma queda grande na frustração”, explica. Um dado inédito dessa pesquisa, no entanto, surpreende. “Quando pergunto para homens e mulheres de todas as idades quem envelhece melhor, todos respondem: ‘Os homens’. Mas hoje um grupo está discordando disso: são as mulheres de 60! Elas chegam lá e veem que estão ótimas, bem cuidadas, ativas, felizes, olham para o cara do lado e não o acham tão bem assim. Esse dado é revolucionário!” Estudando o tema há seis anos, a antropóloga criou uma espécie de manifesto pessoal contra a neura de envelhecer. “Se você vai viver até os 90 e começa a sofrer aos 20, pense bem...”
Alex Batista

Nome: Renata Vanzetto - Idade: 24 anos - Profissão: chef de cozinha - Medo de envelhecer: “Engordar” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não apareceu ainda”
A proximidade do fim
Isabel cresceu ouvindo a mãe dizer que envelhecer era uma droga, mas que a alternativa (morrer) era bem pior. Mesmo assim, só começou a pensar no assunto depois que a ideia da morte deu uma trégua. “Quando tinha 4 anos, um amiguinho morreu num acidente de carro. A partir dali, por anos, achei que fosse morrer a qualquer hora. Estava convencida de que não ia dar tempo de envelhecer”, lembra. Só depois de muita psicanálise, iniciada na infância, ela passou a entender que tem mais tempo para viver. E precisa, agora, lidar com ele.
Na vida da chef Renata, ao contrário, a morte entrou de supetão. Ela não pensava muito na finitude até que, em abril deste ano, perdeu o namorado, o italiano Luigi Nemi, em um acidente de mergulho no litoral paulista. Renata e Luigi moravam juntos havia um mês. “Ainda não sei que conclusões estou tirando dessa história, que me arrasou. Penso muito mais na fragilidade da vida, na morte e, às vezes, penso que ele vai ser o forever young, o cara que ficará sempre igual.” Em julho, ela incluiu uma menção a ele no cardápio de sobremesas de seu restaurante, o Marakuthai, onde se lê: “Os doces são uma homenagem a Luigi Maria Ucelli Di Nemi, que gostava de fazer doces porque, ao ver as pessoas comendo, elas sorriam... A vida é curta, comece pela sobremesa!”. 
“As mulheres de 60 são as únicas a dizer: os homens não envelhecem melhor, não”, Mirian Goldenberg, antropóloga
Depois do drama, Renata entende mais ainda que a vida depende do ângulo de visão. “Eu poderia ter me afundado, mas tentei encarar de forma natural. Agora, fiquei mais alerta, com mais medo. Ao mesmo tempo, comecei a entender que isso faz parte da vida, que muitas pessoas morrem todos os dias.” É essa mesma posição que ela decidiu adotar em relação ao envelhecimento: “Não tenho como fugir. Basta aceitar”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Você é livre? Mesmo?


Se alguém acredita que vai encontrar numa revista, qualquer revista, a fórmula para:
·         1) ficar jovem para sempre,
·         2) botar silicone sem risco,
·         3) barriga zerada com aula de 8 minutos,
·         4) ser linda, poderosa e feliz, aos 20, 30 e 40 anos,
·         5) looks certeiros para ter sucesso no trabalho,
·         6) pílulas que vão deixar cabelo, pele e corpo perfeitos,
·         7) feitiço do tempo: tudo para adiar (e muito) sua plástica,
·         8) ler nas cartas como despertar sua força interior,
·         9) ter qualquer homem, um superemprego, todo o tempo do mundo,
·         10) alcançar sucesso, dinheiro, glamour... e todos os homens a seus pés,
·         11) fazer qualquer homem se comprometer,
·         12) a plástica light,
·         13) desvendar 100 dilemas amorosos,
·         14) superar a ex dele na cama,
·         15) etc. etc. etc.
Enfim, se alguém acredita mesmo que isso tudo seja possível ou ao menos razoável, não precisa de uma revista. Precisa de ajuda profissional. Urgente. Então por que, com uma ou outra exceção, se insiste nessa cantilena? Pois é, todos os desatinos acima, absolutamente todos, estamparam capas recentes de publicações femininas. Inclusive a "plástica light" – que certamente engorda menos que a "plástica regular" e talvez mais que a "plástica zero".
Olhando por outro ângulo: se uma empresa decidisse usar uma dessas frases para vender seu produto, o Procon entraria em ação. Propaganda enganosa. Essas promessas funcionam como uma versão cor-de-rosa daqueles anúncios antigos, em que médicos defendiam os benefícios do cigarro à saúde do fumante.
Se você está aqui (ótimo, teria sido estranho falar sozinho até agora), é porque quer ficar longe dessa conversa de comadres. Prefere ser tratada como mulher, não como mulherzinha. E você não está sozinha. Só de Tpm são 49 mil exemplares impressos, mais 40 mil seguidores no Twitter, 18 mil no Facebook e 230 mil visitantes no site.
Uma turma que se espanta quando lê "operação biquíni" na caixa de cereais (você só queria tomar seu café da manhã sossegada). Que quer autonomia para decidir o que fazer com o próprio corpo. Não se conforma em ganhar menos que o cara na mesma função. E ainda estranha tanta mulher meio pelada fazendo o papel de cenário em programas de TV. Daí o Manifesto Tpm, escrito a muitas mãos aqui na redação dirigida pela Carol Sganzerla, com participação especial de Paulo Lima, Ciça Pinheiro, Nina Lemos, Rafaela Ranzani, Ana Paula Wheba e Denise Gallo.
Contra os novos clichês femininos e os velhos estereótipos, que cismam em se reinventar desde o tempo de nossas avós (aliás, devidamente homenageadas nas fotos do manifesto). Contra qualquer tentativa de enquadrar a mulher em um padrão, cercar seu desejo e diminuir suas possibilidades. Essas ideias dão o tom a uma série de eventos, açães e reportagens pelas próximas edições.
Se liberdade é ser a mulher que você quer ser, diz aí: você é livre?
Fernando Luna  diretor editorial


http://revistatpm.uol.com.br/manifesto/index.php

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quer mudar? Desequilibre-se!



Tenho a convicção, e já a expressei diversas vezes em meus textos, que mudanças estão sempre ocorrendo, seja no nosso corpo, no ambiente do lar, do trabalho, etc.
Contudo, muito do não mudar está diretamente relacionado aos nossos modelos mentais.
Fredy Kofman afirma que nossos modelos mentais possuem um mecanismo interno de autopreservação. Da mesma forma que o corpo possuem sistemas que conservam a temperatura corpórea ou o pH (equilíbrio entre acidez e alcalinidade), nossa mente possui dispositivos que mantem nossas crenças, opiniões e condutas.
É este “sistema imunológico” o responsável para que as mudanças não ocorram. E isto é feito como uma tentativa de conservar, por todos os meios, este equilíbrio. Como se fosse um termostato que liga a calefação ou o ar condicionado, de forma automática, quando a temperatura ambiental se desequilibra, o ser humano também age de forma automática (ou inconsciente) para manter certas constantes em sua vida.
Talvez por isso existam pessoas que se estressam apenas ao ouvir um “você precisa mudar”. Consciente ou inconscientemente, sua mente gera “forças antagônicas” (mudar/não mudar) que tendem a manter a coisa em equilíbrio.
Robert Kegan & Lisa L. Lahey, em seu livro How the way we talk can change the way we work. Seven languages for transformations Afirmam: “se quisermos entender o desenvolvimento da mudança, devemos prestar mais atenção às nossas poderosas inclinações para NÃO mudar. Essa atenção nos ajuda a descobrir dentro de nós mesmos a força e a baleza de um sistema imunológico oculto, o processo dinâmico por meio do qual tendemos a impedir a mudança, por meio do qual fabricamos continuamente os antígenos da mudança. Se conseguirmos destravar este sistema, liberaremos novas energias para apoiar as novas formas de ver e de ser.”
Estamos no mês de fevereiro de 2013. Tenho dois netos que, no período de dois meses, completam um ano de idade. Nesta altura da vida deles, estão descobrindo como se manter em pé e dar os primeiros passos, até então se apoiando em cadeiras, mesas, paredes, etc.
Eles irão, como nós, aprender a andar sem apoios, apenas mantendo o equilíbrio. Irão mudar, embora de forma inconsciente, a sair do engatinhar para o andar.
Mas nós, agora adultos, podemos conscientemente entender que o andar exige uma mudança do sentido de equilíbrio.
Faça a seguinte experiência: abra ligeiramente as pernas e distribua seu peso sobre os dois pés de forma equitativa. O que acontece? Você percebe que é impossível dar um passo à frente, atrás ou para os lados.
Se você quiser se movimentar e avançar em qualquer direção você precisa se “desequilibrar”, isto é, sair daquela, posição estável, colocar todo o seu peso sobre um de seus pés para “destravar” o outro pé, ou seja, tirá-lo do chão para que o movimento se inicie. A Física chama isso de sair da inércia e colocar-se em movimento.
Em resumo: para que eu me movimente, necessito abandonar o equilíbrio, sair daquela “zona de segurança” que me mantem “travado”.
Para mim, o exemplo acima reflete bem a ideia do porquê qualquer mudança é difícil na vida das pessoas.
Talvez isto faça com que entendamos que não basta apenas ter vontade de mudar. Talvez seja muito mais importante procurarmos, primeiro, as razões pelas quais não mudamos e, a partir daí, busquemos o “botão” do desequilíbrio que nos fará mudar.
Como tenho por hábito caminhar, procuro aplicar sempre este tipo exemplo quando necessito mudar algo, seja em mim ou nas minhas atividades.
Não queira negar o fato que as mudanças estão ocorrendo continuamente e que elas fazem parte constante do nosso viver. Aliás, Darwin, o famoso naturalista britânico, afirmava: “não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor corresponde às mudanças.”
O mundo muda com tanta rapidez que o mundo em que nascemos não é o mundo em que vivemos e não será o mesmo quando morrermos.
Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O bom uso da rede

Fuja do lugar-comum, evite a informação fast-food. Prefira textos longos que ampliam o repertório e aumentam o seu conhecimento

Gil Giardelli (redacao.vocesa@abril.com.br)  10/07/2012
Crédito: Ilustrações: Thales Molina
Apesar da notável facilidade com que o brasileiro se apropria das mídias sociais, é triste ver como o comportamento das pessoas na web é infantil. Como criancinhas peraltas, xingamos, baixamos o nível e ofendemos a tudo e a todos.

Como adolescentes baderneiros, pichamos as paredes digitais com um conteúdo de quinta categoria. Muitas vezes, nos comportamos como chipanzés replicadores. As pessoas se viciaram em compartilhar e a se deter em conteúdos “vazios”.

Falam de tudo, mas não sabem de nada. É o conteúdo fast-food requentado da web. As pessoas estão preguiçosas, acomodadas e imediatistas na grande rede. Vai uma foto fofinha ou a última moda em tintas para unhas? Quando foi concebida, a internet era o sonho da democracia, das pessoas conectadas em rede para receber educação. Paira uma sensação de fracasso.

Há indícios de que o mau uso da rede prejudica as pessoas. A Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, fez uma pesquisa usando como base 1 000 universitários de 37 países. O grupo foi impedido de usar tecnologia.

Ao final do estudo, 79% dos estudantes mostraram sintomas análogos aos das síndromes de abstinência química: desespero, “esvaziamento”, ansiedade e isolamento. Considere ainda que o conteúdo disponível na internet está longe de ser livre. Gigantes como Facebook e Google utilizam algoritmos para selecionar o seu conteúdo. Suas buscas são dirigidas.

Bem-vindos ao efeito túnel: só interagimos com pessoas parecidas, que compartilham opiniões semelhantes. Na ditadura digital, quando você não curte uma opinião discordante, o unfollow é a serventia da casa. Como profissional, você não deve perder a chance de interagir com pessoas diferentes. Das ideias opostas nasce a inovação. Dos questionamentos, criam-se soluções. Da insatisfação, surge a mudança. A descoberta é a base do crescimento.


Fuja do lugar-comum. Evite a informação fastfood. Leia textos longos que acrescentem ao seu conhecimento, que tragam reflexões. Fuja das toneladas de informações sem sentido que o sufocam a cada segundo. Faça uma coisa de cada vez. Dê atenção total às tarefas para concluí-las o quanto antes. Você vai ter mais tempo para ver a vida lá fora. Porque neste mundo você pode ser um chipanzé ferramenteiro ou um pensador estrategista. Um curador de conhecimento do século 21 ou um fanfarrão das redes com cabeça de século 20.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Não perca tempo!

Texto de Regina Brett, 90 anos de idade

A vida não é justa, mas ainda é boa.
Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .
Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.
Pague o total de seus cartões de crédito, nunca o mínimo.
Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.
Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.
Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
Quanto a chocolate, é inútil resistir.
Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.
Respire fundo. Isso acalma a mente.
Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre..
Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
Use os lençóis bonitos, use sua roupa mais linda. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.
O órgão sexual mais importante é o cérebro.
Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
Enquadre todos os assim chamados “desastres” com estas palavras ‘Em cinco anos, isto importará?’
Sempre escolha a vida.
O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
Acredite em milagres.
Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
Envelhecer ganha da alternativa — morrer jovem.
Suas crianças têm apenas uma infância.
Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os dos outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.
Acredite, o melhor ainda está por vir.
Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
Produza!
A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O que você gostaria de fazer se o dinheiro não existisse?


Criolo já dizia que o dinheiro veio pra confundir o amor, e essa é uma grande verdade. Somos vítimas de todo um sistema que nos ensina, desde a escola, que devemos nos enquadrar em profissões pré-definidas, que devemos ser apenas mais uma peça substituível no mercado de trabalho. Mas, o fato de termos sido vítimas, não quer dizer que tenham que continuar sendo vítimas. Felizmente, a geração de hoje cada dia mais desperta para o fato de que podemos sim aliar trabalho ao prazer, e que se fizermos algo com amor e com gana, o dinheiro é só uma consequência natural.
Por isso, ficamos felizes de encontrar esse vídeo com narração de Allan Wats que fala exatamente desse tema e lança uma provocação  daquelas doídas em todos nós: O que você gostaria de fazer se o dinheiro não existisse? A linha de raciocínio do vídeo ainda lança outras questões totalmente pertinentes, cuja reflexão final é: ”O que estou fazendo com a minha vida? O que eu estou buscando?”
Vale a pena reservar 3 minutos do seu tempo para assistir a esse vídeo. Pode vir a ser a melhor parte do seu dia.



Se quiser ver a versão original sem legendas em português, clique aqui.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Universo da Normose!

Somos assim.
Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. 
Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

Rubem Alves

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Respeito realmente é tudo. Viva a dignidade da Diversidade!

Casamento é sempre igual – não importa o sexo dos noivos

23/01/2013 | 18:11 | MARGARIDA TELLES |

http://edgblogs.s3.amazonaws.com/mulher7por7/files/2013/01/casamento2-300x226.jpg
Quando vejo manifestações contra o casamento gay, não consigo entender o que passa pela cabeça dos manifestantes. Juro que me esforço. Sou formada em Ciências Sociais e aprendi que devemos ver os fatos sociais como coisas, como dizia um dos pais da sociologia, Émile Durkheim. Seguindo esse método, até entendo que alguém possa achar ruim que um amigo próximo ou familiar case com outra pessoa do mesmo sexo. Existem os argumentos religiosos, as pressões por constituir uma família nuclear e o medo que a pessoa tenha uma vida mais difícil por causa do preconceito que possivelmente enfrentará. (adendo: pessoalmente não concordo com nada disso). Mas ser contra o casamento gay por princípio? Ser contra pessoas que você não conhece se casarem com pessoas que você não conhece? Mesmo?
Alguns argumentam que, ao permitir a união estável, um governo já faz o bastante. Estaria assim garantindo direitos básicos para um cônjuge, como uma eventual herança. Acho isso bom, mas não o bastante. Eu mesma já moro com o meu namorado, mas quero um dia oficializar a nossa relação. Pra mim, isso é importante. Acredito que o amor deve ser celebrado e compartilhado – e adoro uma festa. Se eu sonho com o meu casamento desde pequena, por que a minha amiga que gosta de meninas não pode fazer o mesmo? Não é um capricho ou um detalhe. Casar com a pessoa que você ama, independentemente de cor, orientação sexual ou classe econômica é, na minha opinião, um direito.
Por isso hoje me emocionei com um vídeo lindo sobre o casamento de dois namorados, o Alécio e o Luiz Felipe. O Bruno Astuto, colunista da revista, já falou sobre isso. Os noivos trabalham no Itamaraty e se conheceram em um show, em 2008. Namoraram, juntaram os trapos e no ano passado casaram em uma cerimônia para 250 convidados. O mais lindo do casamento pra mim foi ver como é sempre a mesma coisa, não importa o sexo dos noivos: pais emocionados, lágrimas, daminhas e pajens descontroladas, decoração linda e muito amor.
Confira o vídeo abaixo, divulgado em novembro do ano passado.

O que você achou? Aqui o seu comentário é sempre bem vindo, mesmo que seja contrário ao meu. Só não pode faltar respeito, ok?

http://edgblogs.s3.amazonaws.com/brunoastuto/files/2012/05/alecio-e-luiz-felipe-casal-gay-de-brasilia.jpg

Alécio Guimarães, oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), e Luiz Felipe Czarnobai, diplomata da mesma casa, nunca se cruzaram pelos corredores do trabalho em Brasília, mas, desde que se conheceram num show em 2008, não se desgrudaram mais. Em dezembro, eles oficializaram a união civil em cartório e, no último sábado, aconteceu a cerimônia tradicional com a bênção dos pais de ambos e festa para 250 convidados.
“Não tem nada a ver com o mês das noivas, mas de disponibilidade do local, mesmo porque é tudo absurdamente mais caro”, diz Alécio. “Estamos há oito meses vivendo os detalhes do casamento. Vai ter testemunha, pajem, gazebo, juíza de paz e as daminhas de honra vão levar as alianças”.
O casal garante que o assunto é recorrente no Palácio do Itamaraty, com muitos colegas de trabalho assumidos. “O Itamaraty é muito conservador em muitos aspectos, mas em outros é bastante liberal. Todo mundo sabe que somos namorados e isso é natural, mas temos a consciência de que isso serve como exemplo para alguns casais que vivem num ambiente que não favoreça a liberdade”, afirma Felipe. A lua de mel será no Havaí. Eles têm planos de morar no exterior e futuramente adotar um filho.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

ONU lança campanha e pede opinião de todas as pessoas sobre o que é necessário para um mundo melhor.


As Nações Unidas, em parceria com a Fundação World Wide Web, e o Instituto de Desenvolvimento Internacional, com o apoio de parceiros em todo o planeta, está realizando uma pesquisa com todas as pessoas para saber quais são suas prioridades na construção de um mundo melhor.  Os resultados desta pesquisa serão compartilhados com os líderes mundiais que definirão a agenda de desenvolvimento global pós-2015, que vai ampliar os resultados dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, enfrentar as desigualdades que ainda persistirem e os novos desafios que afetam o planeta.
A ONU quer que esta nova agenda resulte de um processo realmente aberto e inclusivo, que envolva pessoas de todas as partes do mundo e de todos os grupos sociais e, por isso, está realizando uma pesquisa mundial batizada de “Meu Mundo”, criada como uma ferramenta para incluir a voz de todos neste diálogo global.
“Meu Mundo” é uma pesquisa de múltipla escolha que permite a todos dizer às Nações Unidas, e aos líderes globais – e, em particular, ao Painel de Alto Nível do Secretário-Geral – quais devem ser os principais assuntos a serem tratados pela agenda pós-2015. “Meu Mundo” pergunta a cada pessoa quais são os seis temas, de um total de 16, que considera mais importante para que a vida de todos seja melhor.
Não perca a chance de participar e dar sua opinião para a construção de um mundo melhor. Clique aqui e opine.


A ONU quer ouvir a sua voz. Acabo de definir minhas prioridades para um mundo melhor. Vote você também! http://www.myworld2015.org/?ballot=51018e69589aca0200000096 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“A felicidade não é um direito”


Andréa Pachá:

Em livro, juíza reúne dramas das famílias brasileiras  MAURÍCIO MEIRELES

 "Viver na corda bamba é da condição humana", diz a juíza Andréa Pachá (Foto: Divulgação)
As famílias mudam, o amor acaba, os filhos sofrem. Às vezes o fim é tão tempestuoso que parece roteiro de cinema. A juíza titular da 4ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro, Andréa Pachá percebeu isso. Depois de 15 anos trabalhando em varas de família, a ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça viu histórias de casais sofrendo ao deparar com o fim do amor. Também assistiu de sua cadeira as mudanças na família brasileira. Um dia, resolveu contar no seu Facebook – preservando as identidades – as histórias mais comoventes, engraçadas ou revoltantes. Foi um sucesso. Apareceram mensagens do Brasil inteiro de pessoas identificadas com os dramas. Agora essas histórias foram reunidas no livro A vida não é justa (Agir, 190 páginas, R$ 29,90), no momento sendo adaptado para uma série de TV ainda sem previsão de lançamento. Entre os casos, estão o casal que procurou a Justiça para decidir a escola do filho, o amigo que virou pai na prática lutando para não perder a guarda do menino e a mãe que se livrou da depressão tentando reaver as três crianças. Testemunha privilegiada de pelo menos 18 mil audiências sobre questões familiares, Andréa Pachá conseguiu selecionar para o livro 33 casos, num resumo bem contado de cenas dramáticas e, ao mesmo tempo, universais. "Viver na corda bamba é da condição humana, e isso a Justiça não pode resolver", disse, durante a entrevista que você confere abaixo. 
ÉPOCA – Por que a senhora resolveu compartilhar essas histórias? 
Andréa Pachá –
 Comecei a trabalhar em varas de família há 18 anos e sempre achei que aquelas histórias precisavam ser contadas. Acompanhava as audiências lamentando não poder registrar aquilo com uma câmera, já que tudo corre em segredo de Justiça. Elas eram tão densas, que no começo jamais pensei que a escrita pudesse dar conta da dimensão delas. Com todo esse tempo de carreira, comecei a notar uma repetição dos dramas porque é o jeito como as pessoas reagem ao deparar com o fim do amor. O legal dessas histórias é ver que a angústia não é só sua. Vivemos a dor individualmente, mas ela não é nossa exclusividade. Muitos dos personagens usam a audiência para dividir seu momento de dor. 
ÉPOCA – Ao se posicionar sobre algumas histórias, a senhora não ia além do papel de um juiz?
Pachá – Não sei exatamente. Eu sei que a função do juiz é solucionar conflitos. Minha experiência na Vara de Família mostra o Estado tentando devolver às partes a capacidade de resolver seus problemas. Não acho correto o Estado interferir na esfera privada se as pessoas têm capacidade para isso. Mas ocorre muitas vezes o contrário, uma terceirização de responsabilidades pessoais, como o caso dos pais que procuraram a Justiça para escolher a escola do filho. Outro ponto, na Vara de Família, são as pessoas que chegam com a angústia do fim do amor. Elas sempre saem da audiência com a sensação de que não foi feita justiça, o que faz sentido porque a solução desses problemas não é judicial. Não há juiz no mundo que possa arbitrar sobre o fim do amor. Este é um conflito que, com o tempo, o casal vai resolver. Por isso o título do livro: A vida não é justa. Não é justa mesmo. A expectativa de que um juiz vai reparar a dor que você sente no fim de uma relação é uma mentira.
ÉPOCA — Nas histórias do livro, a impressão é que muitos casais usam o conflito judicial para continuar perto um do outro.
Pachá – 
Exato. É como se o conflito fosse a única possibilidade de encontro. Isso acontece muito. Vários casais recusam uma solução consensual para o divórcio por achar que, na Vara de Família, o amor vai voltar. Como desculpa para a briga, entram o patrimônio, os filhos. Engraçado como esses dramas dialogam com o leitor. Quando comecei a publicar no Facebook, os textos se espalharam. Comecei a receber emails de outros Estados. Pessoas dizendo que a história que eu havia escrito era a história do seu divórcio. Natural. Os enredos se repetem. Mesmo assim, foi uma surpresa ver que extrapolaram o mundo do Direito.
ÉPOCA – O que mudou nas relações familiares no Brasil?
Pachá –
 Assim que virei juíza, em 1994, a Constituição era muito recente. Foi uma avalanche de pedidos de reconhecimento de paternidade porque antes um pai não podia registrar um filho fora do casamento. O Estado parou de proteger o casamento fechado, vertical, machista. E passou a defender a dignidade. Hoje as relações homoafetivas são um fato. A paternidade socioafetiva – quando a Justiça reconhece a paternidade de alguém que não é o pai biológico – também é cada vez mais comum. Mas também tenho a impressão de que os adolescentes engravidam de uma maneira muito maior do que eu percebia antes. Como eles não costumam estar preparados, são os avós ou pais que assumem a responsabilidade. O amadurecimento vem cada dia mais tarde. Minha impressão é que, enquanto a liberdade avançou, mais pessoas perderam a capacidade de andar com as próprias pernas. Não é à toa que muitos jovens vivem na casa dos pais até bem tarde. O juiz hoje precisa se adaptar e olhar sem preconceito para essas novas composições.
ÉPOCA – O que mais fragiliza as relações familiares?
Pachá –
 Vivemos em um momento de massificação e consumo tão exagerados que as próprias relações viraram objeto de consumo. É como se o outro não fosse igual a você na hora de criar um vínculo e ter um projeto de vida em comum – o que era um princípio do casamento, em tese pautado pelo amor. O outro virou um mero objeto de satisfação. As separações aumentam. Claro que foi bom desburocratizar o divórcio, eu comemorei. Mas há ocasiões em que o tempo é o melhor conselheiro para os conflitos. Não é na primeira intransigência que você vai ao cartório e se divorcia. Hoje há um divórcio fast-food para uma sociedade fast-food. Acredito que é preciso reencontrar em nossa vida os valores humanos. Por que vivemos juntos, em sociedade? É impossível viver junto sem tolerância e compreensão. E estamos desaprendendo a viver assim. Quando você estabelece que seu objetivo de vida é o seu prazer, você perde o olhar para quem está perto. Aí fica impossível viver junto. Não podemos nos ocupar só do nosso desejo.
ÉPOCA – Como ficam os filhos em meio às relações complicadas?
Pachá – 
Essa é a grande preocupação do Judiciário. Os filhos também viraram um projeto de consumo. Uma vez falei para um casal jovem: “Vocês achavam que ter filho era igual às revistas?” O padrão imposto pelo consumo mostra todo mundo saindo da sala de parto sorridente e maquiado. Esses casais jovens querem brincar de casinha. Idealizam o relacionamento como se acordassem todo dia com trilha sonora. Criança só aprende se alguém ensinar limites e valores construídos pela civilização. Como criar um adulto autônomo sem essas referências? É muito triste quando uma criança passa a infância na Justiça por imaturidade dos pais, que a disputam como um objeto. Quando se vê, ela chegou aos 18 anos e o tempo da infância e da adolescência se foi. Nenhuma reparação pode ser feita, embora alguns filhos tentem.
ÉPOCA – Os filhos também vão à Justiça em busca de reparação dessa relação interrompida?
Pachá –
 Sim, acontece. Mas as reclamações sempre envolvem o patrimônio, porque é isso que os filhos aprendem em casa. É como se o afeto pudesse ser compensado com dinheiro. Eu não alimento esse tipo de decisão judicial, porque afeto não se remunera. Acredito que alguns desamparos são estruturantes na nossa formação. Todo ser humano é sozinho. Não é culpa de ninguém que você se sinta abandonado. Você precisa lidar com isso. É uma forma de crescer como adulto que sabe seus limites e ansiedades. Viver na corda bamba é da condição humana. A felicidade não é um direito, muito menos uma obrigação. Compreender nossa humanidade nos faz mais responsáveis pelo nosso destino. Essas indenizações por abandono não reparam nada. Acho que elas alimentam a percepção de que com dinheiro tudo pode ser resolvido. As pessoas acham, como Nelson Rodrigues, que dinheiro compra tudo – até amor verdadeiro.
ÉPOCA – É verdade que a maior parte das separações não consensuais é feita pelas mulheres?
Pachá –
 Em uma das histórias eu trato desse assunto. Quando a mulher deixa de amar, ela pede a separação. É muito difícil ela empurrar um casamento com a barriga. Poucas vezes vi um homem terminar porque deixou de amar. Ele, normalmente, se separa para viver com outra. Ou porque a mulher não o agüenta mais. Isso faz parte da cultura do amor romântico. A mulher não consegue viver um relacionamento sem amor. Para o homem, é diferente. O casamento é uma questão prática.
ÉPOCA – É mais difícil então para a mulher viver o fim do amor?
Pachá –
 Sim. Quando ela deixa de ser amada, sofre muito. Já vi uma mulher se humilhar por ciúmes em uma audiência. Até um texto do Roland Barthes [intelectual francês] eu li para ela, sobre o assunto. Mas é interessante ver esses conflitos tão em carne viva. Nesses anos todos, não houve um dia em que eu tenha saído desanimada de casa.
ÉPOCA – Há algo em comum nessas histórias?
Pachá –
 Muito. Quem ainda ama costuma achar que é possível manter a relação com o amor que só ela sente. É como se a pessoa tivesse condições de amar pelos dois. Só que não tem jeito. Quem não ama não ama. É duro lidar com isso, porque não depende de você. Ninguém escolhe o momento em que o amor acabar e, culturalmente, não nos preparamos para quando o fim chega. Nossa cultura é a do amor romântico, em que só a morte é o ponto final. Por isso, quando o amor acaba há uma dose de culpa, medo de ter errado. Depois vem a angústia de tentar manter a relação. Todas essas histórias com finais tristes tiveram começos felizes. Se você pergunta para um casal quando eles se apaixonaram, os dois se lembram do coração pulando. Mas nenhum consegue ver quando chega o fim. Não há algo como “Meio dia, do dia 10 de janeiro, eu deixei de amar.”
ÉPOCA – A senhora é casada? Depois de ver todas essas histórias, ainda consegue acreditar no casamento?
Pachá –
 Sou casada há quase 20 anos! (risos) Tenho dois filhos. Sou otimista em relação ao ser humano. As relações que vivemos, mesmo quando acabam, são verdadeiras. Quanto menos se idealiza um relacionamento, mais feliz se consegue ser. Penso que o bom do casamento é aquele amor pedestre, compreensivo. Não tem trilha sonora ou café na cama. Às vezes, as pessoas acordam de mau humor ou a casa fica desarrumada. Os conflitos existem. Se por um lado os divórcios cresceram, por outro também aumentou o número de casamentos – formais e informais. Faz parte da nossa condição buscar alguém para compartilhar a vida.