Galera

Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema

Esse é nosso lema!!

Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles

BOAS VINDAS!

Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha

Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As coisas mais simples são os melhores presentes.

Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;

Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;

Harmonia, paz e alegria sempre.

Silvana Mara dias Souza

sexta-feira, 15 de março de 2013

Cuide bem da sua saúde!


Comparamos rótulos de 8 alimentos para mostrar o que você tem comido sem saber
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Há um ditado que diz que cada pessoa escolhe a sua própria droga: seja ela café, açúcar, sal, gorduras, esporte em excesso, adrenalina, sexo, cigarro, ou todas as outras do time das ilícitas. Acredita-se que dificilmente alguém sai ileso quando o quesito é adotar algo que contribua para algum tipo de efeito positivo no organismo. Concordamos com o fato de que esse é um direito do qual as pessoas não deveriam abrir mão: cada um sabe da sua existência e cuida dela como acha melhor. Acontece que, muitas vezes, estamos tão distraídos com outras coisas que acabamos nosenvenenando inconscientemente. Muitas vezes até sabemos dos danos, mas não queremos nos aprofundar muito nesse conhecimento.
Uma das formas de “entorpecimento alienado” costuma se dar nas escolhas do que colocamos nos nossos pratos todos os dias. Sem dúvida, os alimentos industrializados foram um passo sensacional na evolução de uma sociedade que não tem tempo/vontade para cozinhar a comida em casa. Por isso, antes que você ache que lá vem mais um discurso ecochato, avisamos: odiamos ecochatice. O que a gente quer com esse post é fazer um alerta sobre o fato que estamos nos envenenando, e que a maioria das pessoas não tem consciência desse fato.
Confiamos nas marcas/governo e nem paramos para dar uma olhada nos rótulos das comidas que muitas vezes são tudo, menos alimento. Assim engordamos, ficamos doentes, perdemos vitalidade por falta de consciência. Vale lembrar que nosso objetivo aqui também não é atacar nenhuma marca de produto industrializado; eles não estão fazendo nada de ilegal – errado somos nós que compramos sem pensar. A ideia é questionar: por que tantos químicos e conservantes? Se algumas marcas utilizam produtos mais naturais, por que as outras não seguem o exemplo? Pra que colocar tanto açúcar disfarçado nas comidas? (muitos produtos tem na lista o açúcar como primeiro ingrediente – e os ingredientes são organizados por quantidade, ou seja, se o açúcar está em primeiro, significa que a base do produto é açúcar.)
Em meio a itens disfarçados de comida, há uma infinidade de substâncias químicas como aromatizantes, corantes, antioxidantes, conservantes, estabilizantes e acidulantes que, com consumo exagerado, causam os mais diversos danos aos nossos corpos – desde obesidade, passando por câncer, até enxaquecas e Alzheimer . Esses inimigos são identificados nos rótulos, muitas vezes em letras miúdas, para desmotivar a leitura.
No entanto, se abdicar dos alimentos industrializados não é algo a se considerar, o que fazer para minimizar esse problema? A mudança de hábito é simples: começar a ler a tabela de ingredientes que obrigatoriamente vem em todos os alimentos que compramos. Com esse hábito, você vai perceber que nem todas as marcas/produtos são ruins; algumas delas, conseguem produzir alimentos gostosos sem forçar a barra nas substâncias químicas. Uma regra super básica que funciona na hora de escolher é pensar: se você não sabe o que é aquele ingrediente, seu corpo também não vai saber. Ou seja, privilegiar ingredientes reais/naturais é sempre a melhor decisão.
Para você entender melhor, fomos ao supermercado e saímos fotografando alguns rótulos. Para cada alimento que qualquer pessoa em sã consciência deveria evitar, mostramos que há sim escolhas mais inteligentes e que nem sempre são mais caras. Veja só: (obs: a ideia desse post não é fazer uma análise nutricional complexa dos alimentos, e sim despertar as pessoas para a importância de ler rótulos. Há muito mais coisas que devem ser analisadas além dos ingredientes, como níveis de gordura saturada, sódio, entre outros, mas essa abordagem fica para um próximo post.)

1. Margarina X Manteiga


A mídia em geral tenta passar a imagem de que a margarina é mais saudável mas, basta uma rápida olhada no rótulo para se assustar: a “inocente” margarina é formada basicamente por ingredientes químicos que não conhecemos. A manteiga da marca fotografada é totalmente diferente: leva dois ingredientes e ambos são conhecidos pela gente.

2. Iogurte com sabor X Iogurte natural

Os dois iogurtes que fotografamos são da mesma marca. O primeiro, porém, tem uma lista de componentes químicos gigantescas – tudo para dar um sabor de cenoura e mel – enquanto o outro é basicamente leite e fermento. Ok, você quer seu iogurte docinho? Compra mel natural e mistura uma colherona. Vale também colocar frutas e granola. Você vai deixar de ingerir um monte de coisas artificiais somente nessa mudança básica.

3. Suco de laranja de marcas diferentes


Nesse caso, analisamos 2 sucos de laranjas de marcas diferentes (o primeiro de soja, e o segundo não). No primeiro caso, além de ter um monte de conservantes químicos, o primeiro ingrediente é açúcar: ou seja, açúcar é a base desse produto – diferente do segundo, cuja água, suco concentrado e polpa de laranja vêm antes do açúcar, ou seja, são os ingredientes principais. O sabor dos dois é praticamente o mesmo, mas o seu corpo com certeza percebe a diferença no primeiro gole.

4. Macarrão instantâneo normal X Macarrão instantâneo orgânico

Quem nunca recorreu a um macarrão instantâneo numa hora crítica de fome? Não, não queremos que você pare com esse hábito. Apenas queremos mostrar que há opções mais inteligentes. Os ingredientes do primeiro produto estavam numa fonte tão pequena, que mal apareceram na foto (será que é proposital?). Não importa – o importante é perceber a diferença entre o mesmo produto de marcas diferentes. No segundo, apesar de conter diversos ingredientes, eles são 99% naturais e sabemos do que se trata – bom sinal.

5. Chocolate em pó de marcas diferentes

Como dissemos, os ingredientes dos alimentos são listados conforme a quantidade existente. Então obviamente, quando queremos comprar um achocolatado em pó, o ingrediente em maior quantidade tem que ser açúcar. OH WAIT! Açúcar? Isso mesmo. O primeiro chocolate analisado na foto tem açúcar como base – ou seja, você está comprando açúcar com um pouco de chocolate, e não o contrário. Diferente do segundo que tem em sua maioria cacau em pó solúvel.

6. Ketchup de marcas diferentes


Mesmo alimentos como o ketchup, que não escondem de ninguém que fazem parte das junk foods, têm opções mais saudáveis. Analisamos essas duas marcas e a primeira contém muito mais substâncias químicas do que a segunda.

 7. Barra de Cereal de marcas diferentes


E então você vai no mercado e escolhe uma barrinha crente que está fazendo uma escolha super saudável. Mas se lesse o rótulo teria uma surpresa. O primeiro produto da foto já começa mal: o ingrediente que ela tem em maior quantidade é o xarope de glicose, que nada mais é do que um xarope de milho rico em frutose. Extraído do amido, é um adoçante potente e ainda mais barato do que o açúcar tradicional, e aumenta o nível de triglicerídeos no sangue e estimula a obesidade. Ou seja, você compra uma barrinha achando que está dentro da dieta, mas na verdade é uma armadilha. Tirando isso, basta correr os olhos na lista para identificar mais um monte de ingredientes químicos. A segunda marca é muito diferente: tem como base aveia laminada integral e mais um monte de grãos, como toda barra de cereal deveria ser.

8. Tempero artificial X tempero natural


Daí você decide que quer seu arroz um pouco mais temperado, e investe seu dinheiro nesses temperos prontos. Além de terem como base sal, eles contém um vilão que se esconde por trás de muitos alimentos nas gôndolas do mercado: um realçador de sabor chamado Glutamato Monossódico, tradicional da culinária chinesa. O glutamato é considerado uma excitotoxina, ou seja, ele superexcita as células nervosas, pois é utilizado como um transmissor de impulsos nervosos. O consumo excessivo e/ou frequente desta substância tem sido associado à certas doenças neurológicas como: Alzheimer, Parkinson, dificuldade de aprendizado, hiperatividade e enxaquecas. Na dúvida, vá nos ingredientes que sua mãe e avó sempre usaram: a cebola e o alho.
Esses são apenas alguns exemplos diante da imensidão de escolhas que o supermercado oferece todos os dias. Agora a escolha é sua – vai querer investir o seu dinheiro em qual marca? Precisamos incentivar a compra dos produtos que são mais conscientes e naturais e deixar de comprar aqueles que apelam nas substâncias químicas, pois só assim a mudança será gerada. Se deixarmos de comprar produtos de marcas que não estão nem um pouco interessadas na saúde dos seus consumidores, eles terão que correr atrás para acompanhar as exigências dos consumidores.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Pra comemorar o Dia da Poesia!


Benditas

Zélia Duncan

Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas

A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma

quarta-feira, 13 de março de 2013

Lazer e qualidade de vida



Viver por mais tempo é uma conclusão de vários estudos sobre a longevidade do ser humano. Já que estamos vivendo mais, a questão que se coloca é: como viver melhor?
Ogata & de Marchi, em seu livro Wellness – Seu guia de bem-estar e qualidade de vida(2008), ensinam que o bem-estar depende diretamente de nosso estilo de vida, sendo que cinco fatores tem uma grande significância:
1º – carga genética – representa 30% de nossa capacidade de estar saudável e representa a predisposição para a saúde ou a doença;
2º – circunstâncias sociais – representam 15% e estão relacionadas à educação, emprego, moradia, renda e coesão social;
3º – condições ambientais – relacionados com os riscos dos locais onde se vive e trabalha: representam 5%;
4º – escolhas comportamentais – são as mais importantes e correspondem a 40% do total e se relacionam às nossas práticas de comportamento e ao nosso estilo de vida; e,
5º – cuidados médicos – correspondem aos 10% restantes.
A análise destas porcentagens, ainda segundo os autores, significa: o ser humano tem o poder de controlar mais de 50% da sua qualidade de vida, bem-estar e saúde.
Convém lembrar que todo ser humano tem oito áreas para administrar em sua vida: física, emocional, intelectual, profissional, financeira, lazer, relacionamentos (inclusive a família) e espiritual.
Com as atribulações de um mundo globalizado, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o trabalho e a manutenção de suas atividades laborais e em busca de mais e melhores qualificações e acabam se esquecendo do equilíbrio que deve haver entre aquelas oito áreas.
E o lazer é uma delas.
Infelizmente, muitas pessoas acreditem que o lazer se resume, simplesmente, a tirar férias ou gastar dinheiro indo para locais paradisíacos ou frequentando restaurantes estrelados pelo guia Michelin.
Se formos consultar a literatura, vamos perceber que lazer é muito mais do que isso.
Talvez a melhor descrição seja a de Joffre Dumazedier, que afirma: o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver a sua informação ou formação desinteressada, sua participação social ou a sua livre capacidade criadora depois de se livrar ou se desembaraçar das suas obrigações profissionais, familiares e sociais.
A prática de uma atividade de lazer leva o ser humano a um estado de satisfação, prazer e felicidade e contribui para o seu desenvolvimento pessoal e social.
Dumazedier também ensina os interesses das pessoas em praticar o lazer, os quais podem ser de cinco naturezas:
1ª – interesse físico
Representado pela prática de alguma atividade física independentemente de sua natureza: caminhada, corrida, tênis, squash, patinação, dança, atividade de aventura, esportes coletivos (vôlei, futebol), etc.
2ª – interesse artístico
A pessoa se dedica à prática de alguma manifestação artística, como cinema, teatro, etc.
3ª – interesse manual
Neste caso o prazer está ligado ao uso das mãos, como tocar algum instrumento musical (violão, harpa, bateria, instrumentos de sopro), pintura em suas diferentes manifestações, escultura, confecção de roupas, objetos, etc.
4ª – interesse intelectual
O prazer é alinhado ao uso do pensamento. Neste grupo de atividades incluem-se o xadrez, palavras cruzadas, sudoku, escrever artigos, livros, crônicas, ou ainda, ministrar palestras, cursos e workshops.
5ª – interesses sociais
Festas, encontros, celebrações, constituem interesse onde as pessoas aumentam sua satisfação prazer e felicidade através de sua plena capacidade de relacionamentos e sociabilização.
A prática de uma atividade de lazer traz inúmeros benefícios para as pessoas, tais como:
  • melhora do bom humor;
  • aumenta o entusiasmo pela vida;
  • fortalece o sistema imunológico;
  • eleva a autoestima;
  • reduz a obesidade;
  • combate o estresse ruim;
  • aumenta a longevidade;
  • reduz os riscos de desenvolver doenças, como a depressão;
  • estimula a sociabilização;
  • desenvolve a criatividade;
  • contribui para o bem-estar geral;
  • necessário para a manutenção e promoção da saúde; e,
  • contribui para a recuperação de pacientes que sofreram derrames cerebrais, pacientes internados em UTIs e no tratamento de crianças com problemas psiquiátricos.
Cada pessoa deve procurar alguma atividade que lhe faça bem. Por exemplo: se você é um atleta de final de semana e vai jogar futebol com os amigos por duas horas, pode ser que você passe o resto da semana sofrendo de dores musculares. Será que isso é lazer?
Por isso cada um deve estar ciente que a escolha de uma atividade de lazer é individual; a minha escolha pode não ser a sua escolha.
O importante é que esta escolha esteja sempre sustentada pelo tripé satisfação, prazer e felicidade.
Repito, nossa qualidade de vida está em saber equilibrar nossas oito áreas. E a prática de uma atividade de lazer contribui para que este equilíbrio seja alcançado.

sexta-feira, 8 de março de 2013

As heroínas anônimas: 8 de março, Dia Internacional da Mulher



Posted: 07 Mar 2013 04:51 PM PST

Para o Dia Internacional da Mulher: Há tantas mulheres anônimas, sem registro nos livros ou na Wikipédia, tantas heroínas em silêncio, que agem como se fosse próprio do agir humano a doação

Urariano Mota, Direto da Redação
Busco no google informações sobre o dia 8 de março. Entre 3.440.000 resultados recolho informações que não se harmonizam. No primeiro endereço, na wikipédia, leio que “O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917”.
No segundo endereço, me dizem que “no Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas”.
dia internacional mulher 8 marçoPara o Dia Internacional da Mulher: homenagem às milhares de heroínas anônimas. (Foto: Urariano Mota)
É provável que ambos resultados estejam certos, pois de comum acordo nos dizem que houve mulheres heroicas, de ação e personalidade coletiva a marcar este dia. E no entanto, eu não precisava ir tão longe, no espaço ou na história. Há tantas mulheres anônimas, sem registro nos livros ou na Wikipédia, tantas heroínas em silêncio, que agem como se fosse próprio do agir humano a doação. Aqui mesmo perto de casa, todos os dias vejo uma senhora que deve ter 80 anos (foto ao lado), a empurrar o seu filho maduro em uma cadeira de rodas pela calçada da praia.
Ela segue curvada, silenciosa empurrando a cadeira de rodas entre buracos e obstáculos. O filho velho acha tão natural o esforço da mãe, que está sempre a sorrir olhando o oceano. Essa velhinha, que digo?, essa magnífica senhora comove a tal ponto, que viro o rosto para o outro lado, para o mar, como a me dizer eu não posso vê-la, não posso nem devo, porque não conseguirei segurar a frase: “minha senhora, por favor, de onde retira tanta força? Me dê o seu lugar”. E sei que se assim eu fizesse, eu a incomodaria, porque é próprio dos heróis a discrição, o anonimato.
Sei que muita gente há de estranhar o sentido que extraio para heroína, herói. Para um quadro de amor do cotidiano, chamar uma velhinha de heroína parece exagero e inadequado. Pois o dicionário Aulete nos fala que herói é “homem notável por sua coragem, feitos incríveis, generosidade e altruísmo… Ver semideus”. Já o Houaiss delimita: “filho da união de um deus ou uma deusa com um ser humano; semideus .. indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem”.
Suportar uma sorte incomum… o que os dicionários registram está mais para mitologia e extraordinários, para indivíduos raros, distantes todos de todas as tardes na praia. Se mantenho o sangue-frio, digo que herói nessas definições é um conceito miserável de conteúdo de vida. Enquanto escrevo não me sai da cabeça o Noturno número 5 de Chopin para a visão dessa senhora a carregar o filho velho na praia. Aqui ( Veja o vídeo ) a música toca para a sua penitência oculta e contente. Não lhe tirem o fardo! ela não quer. Então eu sei que sem humanidade é um conceito de herói que não fala da entrega pessoal, de todos os dias, em silêncio, para que outros tenham a felicidade. Pois a sua, a desta senhora, é carregar o seu doce e suave fardo. Somente Chopin lhe fala, porque toca para que ela deslize entre pedras a carregar o maduro ex-feto, que não ganha independência, porque depende das velhas mãos. E tudo sem clarins ou trombetas.
Então me vem uma certa mulher do meu próximo romance, “O filho renegado de Deus”. Nele há uma página em que a personagem Maria consola o filho menino, que sofria ao ver a namorada sair com outros meninos:
“Ela lhe tocou nos cabelos e lhe deu um magnífico lanche de pão com açúcar. Assim mesmo, um sanduíche de bolachão aberto com açúcar espalhado dentro, logo ela, que o corrigia sempre quando ele reclamava do café aguado, ‘o seu pai não é usineiro’. Sim, mas para matar a dor a mãe era dona de usina, uma usineira próspera, e pouco lhe importava que mais tarde o café fosse mais amargo.
- Tome, foi feitinho agora pra você”.

segunda-feira, 4 de março de 2013

MILHO DE PIPOCA


"Milho de pipoca que não passa pelo fogo
Continua a ser milho para sempre."
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem
... Quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do
Mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma
Dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que
Seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa
Situação que nunca imaginamos: a dor.

Pode ser fogo de fora:
Perder um amor, perder um filho, o pai,
a Mãe, perder o emprego ou ficar pobre.

Pode ser fogo de dentro:
Pânico, medo, ansiedade, depressão ou
Sofrimento, cujas causas ignoramos.

Há sempre o recurso do remédio:
Apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento
Diminui. Com isso, a possibilidade da
Grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada
Dentro da panela, lá dentro cada vez
Mais quente, pensa que sua hora chegou:
Vai morrer. Dentro de sua casca dura,
Fechada em si mesma, ela não pode
Imaginar um destino diferente para si.

Não pode imaginar a transformação que
Está sendo preparada para ela.
A Pipoca não imagina aquilo de que ela é
Capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder
Do fogo a grande transformação acontece:
BUM!

E ela aparece como uma outra coisa
Completamente diferente, algo que ela
Mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o
Milho de Pipoca que se recusa a estourar.

São como aquelas pessoas que, por mais
Que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir
Coisa mais maravilhosa do que o jeito
Delas serem.
A presunção e o medo são a dura
casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já
Que ficarão duras a vida Inteira.
Não vão se transformar na flor branca,
Macia e nutritiva.
Não vão Dar alegria para ninguém.

(Extraído do livro: O Amor que Acende a Lua de Rubem Alves.)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Eu não visto 38. E daí?

Não importa que corpo você tenha, insistem em fazer com que você se sinta infeliz com ele

Como reagir a um mundo que insiste em fazer com que você se sinta infeliz com seu corpo, não importa que corpo você tenha!

As mulheres de proporções “perfeitas” estão em todas as revistas, anúncios, catálogos, comerciais de TV: 90 de busto, 60 de cintura, 90 de quadril, todas vestindo o desejadíssimo manequim 38. Elas não são nem tão magras quanto as modelos de passarela nem tão voluptuosas como as mulheres fruta. Elas são equilibradas. Elas são inatingíveis. Elas vendem saúde, o sorriso é branquíssimo, o bronzeado vive em dia, uma pele sem manchas, uma bunda durinha e curvas perfeitas. Elas são um sonho. Elas são o que você não é. Elas são, aliás, algo ainda pior: elas são o que você poderia ser. A mulher ideal.
Bastava só um remedinho a mais, uma dieta um pouco mais forte, horas e dias extras na academia, um tratamento estético especial. Porque o que elas fazem é deixar as garotas “reais”, nós, com água na boca, famintas por todos aqueles atributos estampados ou projetados na tela. Ah, como elas fazem a gente viver de mal com a gente, não é? Você não se sente assim? Um pouco? Muito? 


Por que isso é tão comum?

De acordo com um levantamento da antropóloga norte-americana Jean Kilbourne, que analisa a imagem do corpo feminino na publicidade há mais de duas décadas, somos bombardeadas a cada semana por cerca de 3 mil anúncios publicitários que trazem modelos (mulheres ou homens) extremamente manipulados por programas de edição de imagem. Gente sem uma ruga, cicatriz ou imperfeição – além de serem quase sempre pessoas brancas e extremamente magras, cujo biotipo “small” (pequeno) diz respeito geneticamente a apenas 5% da população. Depois disso, como é que os outros 95% vão se sentir normais?
Eles não se sentem. Quando tinha 20 e poucos anos, a cantora paraense Gaby Amarantos, 33, vivia às turras com o espelho. “Só me vestia de preto”, diz. “Achava que menina gordinha devia usar preto porque fazia parecer mais magra.” Na época, teve depressão e desenvolveu bulimia. “Eu achava que não tinha nenhuma chance, que, para ser cantora, ter namorado e uma vida legal, uma mulher tinha que ser magra.”

Insatisfação crônica

Com toda essa pressão social, a preocupação com o corpo não é, nem de longe, privilégio de meninas gordinhas. A designer Julia Rocha, 28 anos, uma das garotas que ilustram estas páginas, é um exemplo disso. “Uso manequim 40, 42, mas definitivamente não me sinto bem resolvida com o meu corpo.” O que a incomoda: “Tenho quadril demais, culote. Às vezes me sinto flácida. Nunca usei um vestido tubinho na vida”.
Apesar de muitas vezes ficar brigando com o espelho, Julia sabe que sua paranoia tem raízes culturais e psicológicas. “A gente lida com muita pressão, ainda mais aqui no Rio de Janeiro. Você está sempre na praia, cercada de pessoas lindas. Tem dias em que me sinto um lixo. Mas sei que tem a ver com a minha cabeça. Quando estou bem, não me sinto mal com meu corpo.” Na busca por esse acordo com a autoestima, a designer decidiu reencontrar a própria beleza e topou ser retratada nua pelo fotógrafoJorge Bispo no projeto Apartamento 302 [leia box abaixo]
Em vez de encarar a câmera fotográfica, a socióloga Kjerstin Gruys escolheu outra estratégia: não olhar. Nem para o espelho. Faltavam seis meses para o dia do seu casamento e ela vivia um roteiro clássico de preocupações: queria emagrecer e não conseguia. A pele tinha marcas e não deveria ter marcas. O cabelo podia ser outro, o mundo era injusto, o universo era uma praga. Era março de 2011 e Kjerstin tinha acabado de tirar um dia para provar o vestido de noiva. Na loja, viu um desastre em tecido branco e forma de mulher. Nada cabia, nada ficava bom, por que tudo estava sempre tão errado?


Na manhã seguinte, a norte-americana, uma ex-vendedora de butique, acordou, olhou para o espelho e tomou uma decisão: não olhar mais para o espelho. Por um ano. Ela iniciou, então, um mês de treinamento. Aprendeu a escovar os dentes sem deixar marca de pasta na bochecha, a pentear os cabelos, a botar a lente de contato, a passar maquiagem, a ajustar a roupa. E criou um blog para registrar o desafio, o Mirror Mirror, Off the Wall.
A experiência transformou a vida de Kjerstin. A blogueira casou, manteve o site, ganhou atenção da imprensa mundial, prepara um livro relatando suas memórias do projeto e, acima de tudo, encontrou um sentido na vida: alertar contra a paranoia da beleza perfeita. Tornou-se, por fim, uma investigadora desse inimigo com que você, eu e metade do mundo convivemos centenas de vezes, todos os dias: o nosso reflexo.
“No dia em que eu olhei um espelho pela primeira vez depois de um ano longe deles”, escreve Kjerstin em seu site, “a coisa que mais me surpreendeu agradavelmente foi descobrir que as minhas primeiras observações não foram sobre o tamanho do meu corpo. Foram sobre a cor da minha pele!” Ela tinha percebido, após atravessar sua missão pessoal, que não havia ficado mais magra, mais loira, mais alta, mais bonita ou mais feia. Sem espelho, sem vaidade desequilibrada e sem pressão social, Kjerstin ficou mais... leve. 
A cantora Preta Gil, 37 anos, é um símbolo de quem já passou por esse processo de intenso sofrimento e inadequação para chegar à reafirmação de um físico natural. “Sofri todo tipo de bullying por ser negra e gordinha”, diz. “Mas há sete anos estou em paz com meu corpo.” A moça, que hoje veste um mais que assumido manequim 46, lançou mês passado uma coleção de roupas plus size para a marca C&A. “Percebi que era amada pelos meus fãs, pelo meu marido, pelo meu filho. Por que só eu não ia me amar?”
Nesse meio-tempo, em 2010, Preta ganhou um processo contra o programa Pânico na TV!, que exibiu imagens em que ela tomava um caldo na praia de Ipanema. A piada mostrava uma sósia “encalhada” na areia, sendo retirada por um trator. Os humoristas foram condenados a pagar R$ 100 mil por danos morais. Dois anos antes, Preta já havia acionado o Google na Justiça. O motivo: o buscador associava seu nome a “atriz gorda”. Assim, virou uma espécie de ícone de mulher que briga para ser o que é. “Sei que tenho um papel político nessa luta e isso me deixa feliz”, afirma. 

“Existe uma espécie de complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus corpos” Marle Alvarenga, nutricionista

O que não quer dizer que ela não tenha sofrido, e muito, em busca do tal manequim perfeito. “Vestia 38. Depois que engravidei, aos 20 anos, passei por uma operação de vesícula, engordei 30 quilos e fiquei anos lutando contra isso. Fiz duas lipos e me arrependo. Tomei remédios, um absurdo”, conta. Preta se prepara para lançar um disco este mês, em que reforça sua bandeira da aceitação. Vai se chamar Sou como sou
Não é difícil entender como Preta Gil entrou nessa. “Existe uma espécie de complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus corpos”, afirma a nutricionista Marle Alvarenga, diretora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares (Genta). “O número de revistas e livros de dietas cresceu exponencialmente desde os anos 80. Existe um mercado que vive dessa insatisfação feminina. Até médicos. Muitos lucram com promessas de milagre.”
Um dos “remédios da moda” para surrupiar uns quilos da balança é uma injeção indicada para quem tem diabetes. “É melhor nem colocar o nome da substância na revista”, diz Marle. “A paranoia é tão grande que, mesmo não aprovado pela Anvisa, a agência que regula os medicamentos no país, e mesmo sem saber exatamente quais são seus efeitos colaterais, algumas pessoas arriscam. É absurdo.”
Aviso sério. Quem quer realmente entrar em uma calça 38 não vai conseguir fazendo uma dieta atrás da outra. “Todo mundo precisa comer de forma saudável. Fazer regimes de abstinência e depois compensar comendo tudo o que não comeu no dia seguinte causa problemas graves”, explica a nutricionista. “Entre outras coisas, isso faz com que seu corpo não emagreça. E é preciso entender que ser magra não tem nenhuma ligação com ser saudável.” A afirmação pode parecer óbvia, ou escandalosa. Afinal, estamos acostumadas a associar magreza com saúde desde que nascemos. “O que mede a saúde de alguém não é o peso”, prossegue Marle. “Mas a taxa de açúcar no sangue, a hereditariedade, uma série de fatores que não podem ser medidos pelo peso. Muitas vezes emagrecer pode ser tudo, menos saudável.”
Atenção para as palavras da nutricionista: “Não existe nenhum remédio que vá te fazer entrar em uma calça 38 se esse não for o seu biotipo”. Ela disse nenhum, percebeu? 
“Vivemos a era da esteticomania”, afirma a filósofa Marcia Tiburi. Uma época em que o que importa é o corpo que você vai exibir, seja em uma coluna social ou no Facebook. “E não é só o corpo. É tudo o que pode ser transformado em imagem. Você precisa exibir um corpo perfeito, um carrão, tudo que forme um conjunto de imagens considerado poderoso”, explica.

Esteticomania e gordofobia

Marcia acredita que o corpo é visto como uma religião. E, como em toda religião, o sacrifício é valorizado. “Por isso, uma mulher que não faça dieta é vista como ‘desleixada’. Se ela não se sacrifica, é como se fosse infiel. A gordura é vista como excesso. O sacrifício, seja na academia ou para fazer dietas bizarras, é muito valorizado. Se você não faz esse sacrifício, é visto como um ser menor.”
A cantora Gaby Amarantos lembra que, além de ter tido bulimia, tomou remédios e até se submeteu a uma cirurgia de lipoaspiração para tentar se livrar da culpa de ter o corpo “fora de forma”. “Fazer essa plástica é uma das coisas das quais mais me arrependo”, conta. “Fiquei cheia de cicatrizes, doeu. Foi muito violento.” Hoje, aos 33 anos, depois de ter um filho, conta que finalmente se libertou. “Vi que perdi muito tempo da minha vida sendo infeliz e me aceitei completamente. Uso a roupa que quero, mesmo que tenha que mandar fazer. Rebolo no palco, me sinto sensual. As pessoas acham que se você não é magra você tem que ser infeliz. Eu não sou infeliz.”

“É como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo por uma medição” Marcia Tiburi, filósofa

O problema é que ser chamada de gorda continua sendo um insulto. E daqueles. “Não sei te dizer quantas vezes por dia sou xingada na internet”, conta Lola Aronovich, autora do blog Escreva Lola Escreva. “E, quando querem me ofender, o que eles escrevem? Escrevem que sou horrorosa e gorda.” O preconceito físico é um dos assuntos preferidos de Lola, uma professora universitária especialista em literatura inglesa que também já foi sugada pela paranoia dos regimes. “Tomei inibidores de apetite dos 22 aos 29 anos, entrava e saía de regime e não conseguia emagrecer.” Hoje, ela não sabe quanto veste e dedica parte do seu tempo a estudar o tema. “Se eu, que tenho 45 anos, me sinto oprimida, imagina uma adolescente? Recebo cartas de meninas que se sentem cobradas e excluídas por não terem o corpo que imaginam ser o ideal.”
Para Marcia Tiburi, esse olhar cheio de crueldade – e com uma fita métrica embutida – sobre o corpo feminino é uma espécie de negação da vida. “É como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo por uma medição”, explica. “Como um vendedor de caixão que quer saber ‘se esse corpo cabe’ naquela caixa. É um corpo cadáver, então, já que só se valoriza o peso, o tamanho. Dentro dessa esteticomania, a mulher valorizada é aquela que consegue controlar o seu corpo. Um caixão é uma calça 38.”
No início da adolescência, lá pelos seus 13 anos, a atriz Gabriela Haviaras vestia manequim 34. Rapidamente, com o crescimento precoce, passou a usar 40. “Morria de vergonha de ir à praia”, conta a carioca. Aos 20 anos, seu comportamento começou a mudar. A aceitação do tipo físico chegou com o esporte. “Comecei a fazer ioga. Vi que o meu corpo era bonito, que tinha elasticidade. Quando você está saudável, você fica naturalmente bonita, independentemente do seu peso”, diz. “Acho um absurdo essa imposição para que a gente tenha que vestir 36 e 38. Isso não faz parte da nossa cultura. Sou uma brasileira típica. Tenho quadril largo.”
A artista plástica Nathalie, francesa que mora no Brasil há dois anos e que também ilustra esta reportagem, tem 30 anos. E já percebeu que tentar entrar em uma calça 38 é bobagem. “Nem sei quanto visto. Acho que é 42... Mas fico chocada ao ver a obsessão pelo corpo que existe no Brasil. Talvez nos Estados Unidos, onde já morei, seja igual. Mas é seguramente pior do que na Europa.” Faz sentido, já que Brasil e Estados Unidos são os campeões mundiais de cirurgia plástica. “As pessoas procuram perfeição. Mas, se você procura perfeição, nunca vai estar feliz”, diz. “A perfeição não existe.” Nem se você vestir 38.

Publicado por: http://revistatpm.uol.com.br/revista/123/reportagens/eu-nao-visto-38-e-dai.html  
* Colaborou Gabriela Sá Pessoa

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Você também vai envelhecer. Aceite!

Cabelo branco, experiência, ruga, bigode chinês, história pra contar, flacidez. Hein?

05.10.2012 | Texto por Letícia González

Nome: Céu - Idade: 32 anos - Profissão: cantora - Medo de envelhecer: “Ficar surda” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Arranquei, mas o segundo deixei por medo de que viessem outros”
Um dia ela acorda e o rosto caiu. A bunda também. O fôlego acabou, ninguém mais virou o pescoço na rua e os fios brancos tomaram conta. Na cabeça da mulher brasileira há espaço para esses e muitos outros medos quando o assunto é envelhecer. Eles moram escondidos atrás do “eu não penso muito no assunto” e são responsáveis por deadlines autoritários (precisa ter tudo antes dos 35), angústias e gastos altos com o dermatologista. E o mais surpreendente: as preocupações com o envelhecimento começam cedo. Muito cedo.
Em uma pesquisa realizada pelo Datafolha em dezembro de 2011 em São Paulo, quase metade dos entrevistados entre 16 e 25 anos confessou ter medo da velhice. Entre os maiores de 56 anos, no entanto, apenas um quarto admitiu sentir o mesmo.
Para entender por que o medo e as expectativas em relação à velhice começam tão cedo, Tpm ouviu mulheres de perfis diferentes: a cantora Céu, 32 anos, a atriz Isabel Wilker, 27, a jogadora de vôlei Jaqueline Carvalho, 28, e a chef Renata Vanzetto, 24. Falaram de perdas e ganhos, rugas, trabalho, família e do “fim” – a morte ainda é um tabu poderoso.
O Brasil é campeão mundial em cirurgia de pálpebras. No Botox, perdemos apenas para os Estados Unidos
Jovens, elas são o retrato da geração que investe em beleza preventiva, amparada pela oferta de produtos e pela orientação médica. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros vivem 25,4 anos a mais hoje do que em 1960. Mas, a julgar pelo boom de intervenções estéticas, é como se não tivessem se acostumado à nova realidade. O país é o número um do mundo na blefaroplastia, cirurgia que tira a pele envelhecida das pálpebras, e também no enxerto de gordura no rosto, usado para preencher rugas. Os dados, da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), mostram também que, no uso da toxina botulínica, ficamos atrás apenas dos Estados Unidos. Para a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), não há restrições para a aplicação do Botox a partir dos 30 anos – seu uso “preventivo” tenderia a ser mais eficaz do que aplicações iniciadas aos 40. 
Mesmo quem não procura fazer o impossível, parar a natureza, tenta atenuar os efeitos do tempo. Renata, nascida e criada na praia, não toma mais sol sem protetor. Por outro lado, se apoia no metabolismo acelerado para comer até quatro porções de chocolate por dia. Daqui a dez anos, ela sabe, o corpo pode não aguentar o mesmo ritmo. “Minha mãe não come carboidratos à noite há mais de 20 anos. Sinto que um dia também farei sacrifícios.” Jaqueline e Isabel usam creme antissinais desde que completaram 25 anos. Céu tenta preparar o espírito para a mudança de visual. “Aos 40, espero estar de bem com as minhas ruguinhas”, diz. O que, em especial num país como o Brasil, não é tarefa assim tão fácil.
“Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para cada momento” Céu, cantora 
“A juventude aqui é apresentada como a verdade através da qual se consegue visibilidade, estima e aceitação social”, explica o psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Sócrates Nolasco. O que agrava o quadro, segundo ele, é a falta de postura crítica do brasileiro. “Somos incapazes de relativizar as cobranças que recebemos da publicidade, e buscamos sempre a aceitação do grupo”, diz. “O brasileiro sozinho é malvisto e, por isso, passa maior parte do tempo dentro de algum grupo. A demora para se emancipar emocional e financeiramente da família colabora para que [as pessoas] não aprendam a ter opinião própria.” 
Alex Batista

Nome: Isabel Wilker - Idade: 27 anos - Profissão: atriz - Medo de envelhecer: “Não me tornar uma grande atriz” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não dei bola”
Limites da medicina
Talvez as coisas estejam começando a mudar. Em julho deste ano, o Conselho Federal de Medicina emitiu um parecer em que não reconhece terapias antienvelhecimento que se utilizam de hormônios. O argumento é que esses tratamentos – que usam testosterona, cortisona, melatonina – não têm benefícios comprovados e trazem riscos aos pacientes. No texto, além de causar um revés importante em um tratamento que vinha se popularizando no Brasil, o conselho foi além e lembrou: “O envelhecimento é uma fase do ciclo normal da vida, não devendo ser considerado doença que necessita intervenção medicamentosa”.
Ainda assim, os consultórios de dermatologia estão lotados de pessoas querendo parar a ação do tempo. E a especialidade cresce em ritmo acelerado. De 2010 para 2011, a procura pelo teste que confere o título de dermatologista cresceu 40%, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um levantamento feito pela entidade mostra que a grande maioria de seus membros atende à demanda por juventude: 84% aplicam toxina botulínica em seus consultórios. O Botox é o tratamento mais popular para atenuar o envelhecimento cutâneo no Brasil, seguido de preenchimento com ácido hialurônico e laser. A SBD orienta os médicos a sugerir intervenções apenas depois de ouvir a queixa do paciente. Na prática, não é sempre isso o que acontece. 
A antropóloga Mirian Goldenberg sabe como é isso. Aos 40 anos, ela foi pela primeira vez à dermatologista querendo orientações sobre hidratação e proteção contra o sol. Lá, ouviu uma lista de defeitos que não enxergava em si mesma. “Ela me sugeriu preenchimento ao redor dos lábios, Botox na testa e correção nas pálpebras. Eu não via nada daquilo no meu rosto!”, lembra. Nos seis meses que se seguiram à consulta, Mirian entrou em crise – e depois a superou, sem ter feito nenhuma intervenção no rosto. 
“O botox diminui o ritmo do envelhecimento, só. A ideia nunca é ter 50 e parecer 20”, Bruna Felix Bravo, dermatologista
Outro aspecto em que teoria e prática diferem é o momento certo de parar. “[O Botox] apenas ajuda a diminuir o ritmo do envelhecimento. A ideia nunca é ter 50 parecendo 20”, afirma a dermatologista Bruna Felix Bravo, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Rio de Janeiro. Mas, como a decisão obedece a uma vontade estética, exageros são comuns mesmo com orientação médica. “Não gostaria de ser uma dessas pessoas que lutam com força contra os anos”, afirma a cantora Céu. “Elas não ficam com cara de mais novas. Só ficam com cara de quem está lutando.”
Essas senhoras da revolução botulínica de que Céu fala são um elemento novo no cenário urbano brasileiro. Mas, se as injeções semestrais podem trazer satisfação pessoal a mulheres desgostosas de suas rugas, elas são vistas com ressalvas por quem estuda o assunto.
É o caso da antropóloga Andrea Lopes, doutora em gerontologia e coordenadora do grupo Envelhecimento, Aparência, Imagem e Significativo, da Universidade de São Paulo (USP). “Faltam imagens reais e, principalmente, diferentes umas das outras”, pontua. Em vez de diversidade, temos uma bipolarização. Até a década de 70, ser velho era sinônimo de decadência, doença, asilo. Aí, no final do século 20, surge uma imagem superpositivada, dos velhinhos que podem tudo. São duas inverdades cruéis com quem tem de envelhecer”, diz.
Essas pessoas que têm de envelhecer, no caso, são todas. Você, eu, todo mundo. Por mais difícil que pareça. Num encontro de amigas, a jogadora Jaqueline quase jogou um celular longe quando uma delas incluiu sua foto em um aplicativo que envelhece retratos. “Eu aparecia grisalha, cheia de rugas. Saí gritando ‘tira isso da minha frente!’.” Por mais que recuse essa imagem, Jaque não sabe ao certo como vai encarar a mudança no rosto. Se espelha em Luiza Brunet (leia a entrevista nas Páginas Vermelhas), mas reconhece que ela é exceção. 
“Temos duas imagens irreais: a da decadência e a dos velhinhos que podem tudo”, Andrea Lopes, antropóloga
De fato, o modelo da maturidade é algo que precisa ser reinventado. “Inclusive porque as pessoas que estão entrando nos 60 anos cresceram num mundo que exaltou a juventude. Elas não são um bom exemplo de como lidar com o tempo”, lembra Andrea. A exaltação a que se refere é a de ícones como os Beatles e Elvis Presley, de bordões como “Não confie em ninguém com mais de 30”, “O Brasil é o país do futuro” e da revolução dos costumes, movimentos em que os jovens encamparam o poder e transformaram pais e avós em imagens a não ser seguidas.
Alex Batista

Nome: Jaqueline Carvalho - Idade: 28 anos - Profissão: jogadora de vôlei - Medo de envelhecer: “Perder a mobilidade” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Pintei”
Novas velhas
Uma maneira de encarar a questão, para muitas mulheres jovens, é procurar uma nova relação com a passagem do tempo. “Penso muito no assunto”, diz Céu. “Será que vou entender a hora de parar de fazer música? Será que vou querer curtir meus netos? Torço pela sabedoria de enxergar o melhor foco para o momento”, afirma. Mesmo assim, os receios vêm junto. “Tenho medo de ficar surda, porque uso o fone in-ear e, quando o técnico erra, o som estoura dentro do ouvido. Também tenho medo de ter vícios de comportamento, de me tornar ainda mais esquecida do que sou.” Para Isabel Wilker, a aflição é profissional. “Tenho medo de chegar aos 50 e ver que não fui a boa atriz que quero ser.” 
O receio tem a ver com a fase atual da carreira. Há dois anos, ela decidiu seguir a profissão dos pais, os atores José Wilker e Mônica Torres. Está feliz com a decisão, mas se pergunta se não veio atrasada. “Bati o martelo com 25 anos, enquanto colegas estão na profissão desde os 18. Para alguns papéis, já sou velha”, conclui ela, que se formou em letras, iniciou um mestrado na área, foi modelo e apresentadora e fez cursos de interpretação em Londres. Aos 27, vê que o tempo de indefinições está chegando ao fim. “É como se você passasse a ter menos espaço de manobra”, afirma. E, ao mesmo tempo, sem poder olhar para trás e enxergar realizações importantes. “Fico nervosa”, solta, cerrando os dentes. 
“Para alguns papéis, já sou velha demais. Às vezes me sinto atrasada”, Isabel Wilker, atriz 
Sentir-se velha bem antes de sê-lo é algo que Jaque conhece bem. Por causa da carreira curta que o vôlei proporciona, a atleta precisa pensar, antes dos 30, na sua aposentadoria. “Estou mais perto do fim do que do início. Se sofresse uma contusão agora, teria que repensar o esporte”, pondera. 
A antropóloga Mirian Goldenberg aprofunda seus estudos no intervalo que existe entre a “era de ouro” dos 20 anos e a morte. E, se tudo der certo, ele pode ser grande. “Minha próxima pesquisa é sobre os aspectos positivos do envelhecimento. Os negativos existem, mas já foram muito abordados”, conta. Ela identificou que a fase dos 30 aos 50 é a mais sofrida para a mulher, nesse quesito. “Se ela tem 35 e quer ter filhos, sofre muito. Depois, aos 40, vê que passou a vida investindo no corpo e, de repente, se sente invisível. Já depois dos 50, vejo uma queda grande na frustração”, explica. Um dado inédito dessa pesquisa, no entanto, surpreende. “Quando pergunto para homens e mulheres de todas as idades quem envelhece melhor, todos respondem: ‘Os homens’. Mas hoje um grupo está discordando disso: são as mulheres de 60! Elas chegam lá e veem que estão ótimas, bem cuidadas, ativas, felizes, olham para o cara do lado e não o acham tão bem assim. Esse dado é revolucionário!” Estudando o tema há seis anos, a antropóloga criou uma espécie de manifesto pessoal contra a neura de envelhecer. “Se você vai viver até os 90 e começa a sofrer aos 20, pense bem...”
Alex Batista

Nome: Renata Vanzetto - Idade: 24 anos - Profissão: chef de cozinha - Medo de envelhecer: “Engordar” - O que fez com o 1º cabelo branco: “Não apareceu ainda”
A proximidade do fim
Isabel cresceu ouvindo a mãe dizer que envelhecer era uma droga, mas que a alternativa (morrer) era bem pior. Mesmo assim, só começou a pensar no assunto depois que a ideia da morte deu uma trégua. “Quando tinha 4 anos, um amiguinho morreu num acidente de carro. A partir dali, por anos, achei que fosse morrer a qualquer hora. Estava convencida de que não ia dar tempo de envelhecer”, lembra. Só depois de muita psicanálise, iniciada na infância, ela passou a entender que tem mais tempo para viver. E precisa, agora, lidar com ele.
Na vida da chef Renata, ao contrário, a morte entrou de supetão. Ela não pensava muito na finitude até que, em abril deste ano, perdeu o namorado, o italiano Luigi Nemi, em um acidente de mergulho no litoral paulista. Renata e Luigi moravam juntos havia um mês. “Ainda não sei que conclusões estou tirando dessa história, que me arrasou. Penso muito mais na fragilidade da vida, na morte e, às vezes, penso que ele vai ser o forever young, o cara que ficará sempre igual.” Em julho, ela incluiu uma menção a ele no cardápio de sobremesas de seu restaurante, o Marakuthai, onde se lê: “Os doces são uma homenagem a Luigi Maria Ucelli Di Nemi, que gostava de fazer doces porque, ao ver as pessoas comendo, elas sorriam... A vida é curta, comece pela sobremesa!”. 
“As mulheres de 60 são as únicas a dizer: os homens não envelhecem melhor, não”, Mirian Goldenberg, antropóloga
Depois do drama, Renata entende mais ainda que a vida depende do ângulo de visão. “Eu poderia ter me afundado, mas tentei encarar de forma natural. Agora, fiquei mais alerta, com mais medo. Ao mesmo tempo, comecei a entender que isso faz parte da vida, que muitas pessoas morrem todos os dias.” É essa mesma posição que ela decidiu adotar em relação ao envelhecimento: “Não tenho como fugir. Basta aceitar”.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Você é livre? Mesmo?


Se alguém acredita que vai encontrar numa revista, qualquer revista, a fórmula para:
·         1) ficar jovem para sempre,
·         2) botar silicone sem risco,
·         3) barriga zerada com aula de 8 minutos,
·         4) ser linda, poderosa e feliz, aos 20, 30 e 40 anos,
·         5) looks certeiros para ter sucesso no trabalho,
·         6) pílulas que vão deixar cabelo, pele e corpo perfeitos,
·         7) feitiço do tempo: tudo para adiar (e muito) sua plástica,
·         8) ler nas cartas como despertar sua força interior,
·         9) ter qualquer homem, um superemprego, todo o tempo do mundo,
·         10) alcançar sucesso, dinheiro, glamour... e todos os homens a seus pés,
·         11) fazer qualquer homem se comprometer,
·         12) a plástica light,
·         13) desvendar 100 dilemas amorosos,
·         14) superar a ex dele na cama,
·         15) etc. etc. etc.
Enfim, se alguém acredita mesmo que isso tudo seja possível ou ao menos razoável, não precisa de uma revista. Precisa de ajuda profissional. Urgente. Então por que, com uma ou outra exceção, se insiste nessa cantilena? Pois é, todos os desatinos acima, absolutamente todos, estamparam capas recentes de publicações femininas. Inclusive a "plástica light" – que certamente engorda menos que a "plástica regular" e talvez mais que a "plástica zero".
Olhando por outro ângulo: se uma empresa decidisse usar uma dessas frases para vender seu produto, o Procon entraria em ação. Propaganda enganosa. Essas promessas funcionam como uma versão cor-de-rosa daqueles anúncios antigos, em que médicos defendiam os benefícios do cigarro à saúde do fumante.
Se você está aqui (ótimo, teria sido estranho falar sozinho até agora), é porque quer ficar longe dessa conversa de comadres. Prefere ser tratada como mulher, não como mulherzinha. E você não está sozinha. Só de Tpm são 49 mil exemplares impressos, mais 40 mil seguidores no Twitter, 18 mil no Facebook e 230 mil visitantes no site.
Uma turma que se espanta quando lê "operação biquíni" na caixa de cereais (você só queria tomar seu café da manhã sossegada). Que quer autonomia para decidir o que fazer com o próprio corpo. Não se conforma em ganhar menos que o cara na mesma função. E ainda estranha tanta mulher meio pelada fazendo o papel de cenário em programas de TV. Daí o Manifesto Tpm, escrito a muitas mãos aqui na redação dirigida pela Carol Sganzerla, com participação especial de Paulo Lima, Ciça Pinheiro, Nina Lemos, Rafaela Ranzani, Ana Paula Wheba e Denise Gallo.
Contra os novos clichês femininos e os velhos estereótipos, que cismam em se reinventar desde o tempo de nossas avós (aliás, devidamente homenageadas nas fotos do manifesto). Contra qualquer tentativa de enquadrar a mulher em um padrão, cercar seu desejo e diminuir suas possibilidades. Essas ideias dão o tom a uma série de eventos, açães e reportagens pelas próximas edições.
Se liberdade é ser a mulher que você quer ser, diz aí: você é livre?
Fernando Luna  diretor editorial


http://revistatpm.uol.com.br/manifesto/index.php

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Quer mudar? Desequilibre-se!



Tenho a convicção, e já a expressei diversas vezes em meus textos, que mudanças estão sempre ocorrendo, seja no nosso corpo, no ambiente do lar, do trabalho, etc.
Contudo, muito do não mudar está diretamente relacionado aos nossos modelos mentais.
Fredy Kofman afirma que nossos modelos mentais possuem um mecanismo interno de autopreservação. Da mesma forma que o corpo possuem sistemas que conservam a temperatura corpórea ou o pH (equilíbrio entre acidez e alcalinidade), nossa mente possui dispositivos que mantem nossas crenças, opiniões e condutas.
É este “sistema imunológico” o responsável para que as mudanças não ocorram. E isto é feito como uma tentativa de conservar, por todos os meios, este equilíbrio. Como se fosse um termostato que liga a calefação ou o ar condicionado, de forma automática, quando a temperatura ambiental se desequilibra, o ser humano também age de forma automática (ou inconsciente) para manter certas constantes em sua vida.
Talvez por isso existam pessoas que se estressam apenas ao ouvir um “você precisa mudar”. Consciente ou inconscientemente, sua mente gera “forças antagônicas” (mudar/não mudar) que tendem a manter a coisa em equilíbrio.
Robert Kegan & Lisa L. Lahey, em seu livro How the way we talk can change the way we work. Seven languages for transformations Afirmam: “se quisermos entender o desenvolvimento da mudança, devemos prestar mais atenção às nossas poderosas inclinações para NÃO mudar. Essa atenção nos ajuda a descobrir dentro de nós mesmos a força e a baleza de um sistema imunológico oculto, o processo dinâmico por meio do qual tendemos a impedir a mudança, por meio do qual fabricamos continuamente os antígenos da mudança. Se conseguirmos destravar este sistema, liberaremos novas energias para apoiar as novas formas de ver e de ser.”
Estamos no mês de fevereiro de 2013. Tenho dois netos que, no período de dois meses, completam um ano de idade. Nesta altura da vida deles, estão descobrindo como se manter em pé e dar os primeiros passos, até então se apoiando em cadeiras, mesas, paredes, etc.
Eles irão, como nós, aprender a andar sem apoios, apenas mantendo o equilíbrio. Irão mudar, embora de forma inconsciente, a sair do engatinhar para o andar.
Mas nós, agora adultos, podemos conscientemente entender que o andar exige uma mudança do sentido de equilíbrio.
Faça a seguinte experiência: abra ligeiramente as pernas e distribua seu peso sobre os dois pés de forma equitativa. O que acontece? Você percebe que é impossível dar um passo à frente, atrás ou para os lados.
Se você quiser se movimentar e avançar em qualquer direção você precisa se “desequilibrar”, isto é, sair daquela, posição estável, colocar todo o seu peso sobre um de seus pés para “destravar” o outro pé, ou seja, tirá-lo do chão para que o movimento se inicie. A Física chama isso de sair da inércia e colocar-se em movimento.
Em resumo: para que eu me movimente, necessito abandonar o equilíbrio, sair daquela “zona de segurança” que me mantem “travado”.
Para mim, o exemplo acima reflete bem a ideia do porquê qualquer mudança é difícil na vida das pessoas.
Talvez isto faça com que entendamos que não basta apenas ter vontade de mudar. Talvez seja muito mais importante procurarmos, primeiro, as razões pelas quais não mudamos e, a partir daí, busquemos o “botão” do desequilíbrio que nos fará mudar.
Como tenho por hábito caminhar, procuro aplicar sempre este tipo exemplo quando necessito mudar algo, seja em mim ou nas minhas atividades.
Não queira negar o fato que as mudanças estão ocorrendo continuamente e que elas fazem parte constante do nosso viver. Aliás, Darwin, o famoso naturalista britânico, afirmava: “não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor corresponde às mudanças.”
O mundo muda com tanta rapidez que o mundo em que nascemos não é o mundo em que vivemos e não será o mesmo quando morrermos.
Fava Consulting – Para viver com muito mais Qualidade

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O bom uso da rede

Fuja do lugar-comum, evite a informação fast-food. Prefira textos longos que ampliam o repertório e aumentam o seu conhecimento

Gil Giardelli (redacao.vocesa@abril.com.br)  10/07/2012
Crédito: Ilustrações: Thales Molina
Apesar da notável facilidade com que o brasileiro se apropria das mídias sociais, é triste ver como o comportamento das pessoas na web é infantil. Como criancinhas peraltas, xingamos, baixamos o nível e ofendemos a tudo e a todos.

Como adolescentes baderneiros, pichamos as paredes digitais com um conteúdo de quinta categoria. Muitas vezes, nos comportamos como chipanzés replicadores. As pessoas se viciaram em compartilhar e a se deter em conteúdos “vazios”.

Falam de tudo, mas não sabem de nada. É o conteúdo fast-food requentado da web. As pessoas estão preguiçosas, acomodadas e imediatistas na grande rede. Vai uma foto fofinha ou a última moda em tintas para unhas? Quando foi concebida, a internet era o sonho da democracia, das pessoas conectadas em rede para receber educação. Paira uma sensação de fracasso.

Há indícios de que o mau uso da rede prejudica as pessoas. A Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, fez uma pesquisa usando como base 1 000 universitários de 37 países. O grupo foi impedido de usar tecnologia.

Ao final do estudo, 79% dos estudantes mostraram sintomas análogos aos das síndromes de abstinência química: desespero, “esvaziamento”, ansiedade e isolamento. Considere ainda que o conteúdo disponível na internet está longe de ser livre. Gigantes como Facebook e Google utilizam algoritmos para selecionar o seu conteúdo. Suas buscas são dirigidas.

Bem-vindos ao efeito túnel: só interagimos com pessoas parecidas, que compartilham opiniões semelhantes. Na ditadura digital, quando você não curte uma opinião discordante, o unfollow é a serventia da casa. Como profissional, você não deve perder a chance de interagir com pessoas diferentes. Das ideias opostas nasce a inovação. Dos questionamentos, criam-se soluções. Da insatisfação, surge a mudança. A descoberta é a base do crescimento.


Fuja do lugar-comum. Evite a informação fastfood. Leia textos longos que acrescentem ao seu conhecimento, que tragam reflexões. Fuja das toneladas de informações sem sentido que o sufocam a cada segundo. Faça uma coisa de cada vez. Dê atenção total às tarefas para concluí-las o quanto antes. Você vai ter mais tempo para ver a vida lá fora. Porque neste mundo você pode ser um chipanzé ferramenteiro ou um pensador estrategista. Um curador de conhecimento do século 21 ou um fanfarrão das redes com cabeça de século 20.