"Sou assim, feita de remendos e retalhos.
Às vezes a costura fica a mostra; noutras, a tinta demora a secar, a cola escorre, mas, entre um recorte e outro, preparo os ouvidos para a ordem inevitável:
“Levanta-te e anda”!
E quando abro a porta, coloco as inquietações entre parênteses, e vejo a claridade do dia amanhecer-me para uma nova história."
Aila Sampaio
Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema
Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles
BOAS VINDAS!
Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha
Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As coisas mais simples são os melhores presentes.
Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;
Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;
Harmonia, paz e alegria sempre.
Silvana Mara dias Souza
sábado, 11 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Qual o verdadeiro valor do dinheiro?
Compreenda o verdadeiro valor do dinheiro e valorize as atitudes que podem mudar o mundo
O dinheiro em si não é lá muita coisa: um pedaço de papel. O que conta é o valor que atribuímos a ele. Muito antigamente, quando precisávamos de algum produto ou serviço, saíamos com nosso gado ou nosso trigo para trocar. Dava o maior trabalho. Com o dinheiro, os negócios ficaram mais simples: um tanto de ouro e prata valia pela mercadoria. Mas isso foi muito antigamente, uns dois mil anos antes de Cristo, porque a economia hoje é bem mais sofisticada, o que, no caso, nada tem a ver com elegante: dos seis bilhões de habitantes do planeta, dois bilhões estão excluídos do cres-cimento econômico.
Para muita gente, isso independe de nossas atitudes, mas os fatos apontam no sentido oposto. Vale a pena prestar atenção nas palavras da norte-americana Hazel Henderson, uma das futuristas mais prestigiadas em todo o mundo. Nos livros "Construindo um Mundo Onde Todos Ganhem" e "Além da Globalização" (Cultrix-Amana-Key), ela mostra que a saída para a sinuca planetária está na aplicação de alguns conceitos-chave como cooperação e visão sistêmica (a velha e boa idéia de que neste mundo está tudo conectado).
Como Henderson, economistas ligados ao futuro alertam para a forma perigosa como o dinheiro se descolou da realidade. Comparam a economia global a um cassino onde as apostas diárias envolvem capital virtual, estimado em 80 a 100 trilhões de dólares, para um produto mundial de apenas 25 ou 30 trilhões de dólares. Além de arriscadas, as operações absorvem recursos que poderiam ser investidos em desenvolvimento social.
Cerca de 95% do dinheiro que circula hoje pelos bancos de comércio internacional não são destinados à compra de produtos tangíveis e sim à compra e venda do próprio dinheiro, travestido em mercadoria cara e rara, como aponta Peter Russel, físico, psicólogo e cientista da computação, no livro O Novo Negócio dos Negócios (Cultrix-Amana-Key). Por mais que estejamos distantes das altas folias financeiras, quem alimenta essa máquina em alguma instância somos todos nós, dependentes do dólar e dos arranjos que o favorecem continuamente no mercado mundial.
O que nos diz respeito diretamente é a convivência sustentável com o planeta. O mundo é bom, mas finito. Tudo o que ganhamos e gastamos implica em incontáveis custos ambientais - aqui mais, ali menos. Cabe a cada um a responsabilidade pela captação e pelo destino final do dinheiro.
Como Henderson, economistas ligados ao futuro alertam para a forma perigosa como o dinheiro se descolou da realidade. Comparam a economia global a um cassino onde as apostas diárias envolvem capital virtual, estimado em 80 a 100 trilhões de dólares, para um produto mundial de apenas 25 ou 30 trilhões de dólares. Além de arriscadas, as operações absorvem recursos que poderiam ser investidos em desenvolvimento social.
Cerca de 95% do dinheiro que circula hoje pelos bancos de comércio internacional não são destinados à compra de produtos tangíveis e sim à compra e venda do próprio dinheiro, travestido em mercadoria cara e rara, como aponta Peter Russel, físico, psicólogo e cientista da computação, no livro O Novo Negócio dos Negócios (Cultrix-Amana-Key). Por mais que estejamos distantes das altas folias financeiras, quem alimenta essa máquina em alguma instância somos todos nós, dependentes do dólar e dos arranjos que o favorecem continuamente no mercado mundial.
O que nos diz respeito diretamente é a convivência sustentável com o planeta. O mundo é bom, mas finito. Tudo o que ganhamos e gastamos implica em incontáveis custos ambientais - aqui mais, ali menos. Cabe a cada um a responsabilidade pela captação e pelo destino final do dinheiro.
Resgate da riqueza real
Força fluida que é, o dinheiro agora começa a seguir uma nova tendência, que o faz calar, obedecer e ajudar na transformação de vidas e valores, resgatando uma riqueza real - que não é a do dólar ou a do ouro. Somos levados a acreditar que nossa participação individual no mundo é irrelevante, mas, na prática, nossas ações influem em dimensão planetária.
"O bater de asas de uma borboleta na China pode causar um tornado no Kansas amanhã", na metáfora atribuída ao meteorologista Edward Lorenz, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Vivemos em rede, ligados uns aos outros seres e a toda a natureza, já sabemos disso, e tudo o que temos a fazer é agir de acordo.
Já age assim o consumidor ético, identificado em pesquisas mundiais. Entre os valores dessa tribo emergente, a dos chamados "criativos culturais", estão a crença em uma conexão entre todos os aspectos da realidade, o cultivo da espiritualidade e da conciliação (no lugar da competição), entre culturas, homens e mulheres, homem e natureza e ramos de negócios.
Ao mesmo tempo, a expressão "alma do negócio" ganha significado mais próprio: empresas aderem à espiritua-lidade não mais como modinha "nova era" - até porque de nova não tem nada essa sabedoria que transforma, aos poucos, os jeitos de liderar, os processos de trabalho e os resultados. Pesquisas da empresa de consultoria McKinsey & Co. mostram que quando a dimensão espiritual chega às companhias, a produtividade aumenta, enquanto as demissões e licenças médicas decrescem.
"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre." A sábia frase de Sêneca (c. 4 a.C. - 65), filósofo central do estoicismo romano, não podia ser mais afinada com os estudos dos futuristas contemporâneos.
"O bater de asas de uma borboleta na China pode causar um tornado no Kansas amanhã", na metáfora atribuída ao meteorologista Edward Lorenz, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Vivemos em rede, ligados uns aos outros seres e a toda a natureza, já sabemos disso, e tudo o que temos a fazer é agir de acordo.
Já age assim o consumidor ético, identificado em pesquisas mundiais. Entre os valores dessa tribo emergente, a dos chamados "criativos culturais", estão a crença em uma conexão entre todos os aspectos da realidade, o cultivo da espiritualidade e da conciliação (no lugar da competição), entre culturas, homens e mulheres, homem e natureza e ramos de negócios.
Ao mesmo tempo, a expressão "alma do negócio" ganha significado mais próprio: empresas aderem à espiritua-lidade não mais como modinha "nova era" - até porque de nova não tem nada essa sabedoria que transforma, aos poucos, os jeitos de liderar, os processos de trabalho e os resultados. Pesquisas da empresa de consultoria McKinsey & Co. mostram que quando a dimensão espiritual chega às companhias, a produtividade aumenta, enquanto as demissões e licenças médicas decrescem.
"Se vives de acordo com as leis da natureza, nunca serás pobre." A sábia frase de Sêneca (c. 4 a.C. - 65), filósofo central do estoicismo romano, não podia ser mais afinada com os estudos dos futuristas contemporâneos.
Dê valor real ao dinheiro
Numa exposição recente, a cenógrafa e diretora de teatro Bia Lessa colocou lado a lado uma bala de revólver e duas apostas da megasena: o mesmo valor monetário é atribuído a um sonho de fortuna e à possibilidade da morte. Cada um decide o que fazer com o que tem no bolso: é isso que, no fim das contas, cria o valor que conta.
Da mesma forma, podemos zelar pela ética no nosso trabalho e na organização a que pertencemos. É difícil, porque a sociedade ainda é dependente dos recursos naturais, o que, por sua vez, produz débitos sociais, numa roda louca de causa e efeito. Mas é possível, e recomendável, identificar em que nível a empresa ou o negócio com o qual estamos envolvidos lida com o planeta e a família humana.
Não faz mais sentido acomodar-se na crença de que organizações ou autoridades cuidam disso para a gente: consciência humana é o ingrediente principal da macrotransição que o planeta pede, na análise do filósofo húngaro Ervin Laszlo, presidente do Clube de Budapeste (sociedade humanista internacional que entre seus integrantes conta com o Dalai Lama e o músico-ativista Peter Gabriel).
A tarefa de reestruturação global exige abordagens que transcendam valores monetários. Segundo Hazel Henderson, o PIB e outros indicadores que deixam de fora recursos naturais e humanos estão obsoletos, tanto para medir progresso quanto para orientar as economias do mundo. No cotidiano mais imediato não pode ser diferente: se nossa economia doméstica não é justa com a natureza e as outras pessoas, nosso dinheiro é de pouco valor, por maior que seja o saldo bancário.
Da mesma forma, podemos zelar pela ética no nosso trabalho e na organização a que pertencemos. É difícil, porque a sociedade ainda é dependente dos recursos naturais, o que, por sua vez, produz débitos sociais, numa roda louca de causa e efeito. Mas é possível, e recomendável, identificar em que nível a empresa ou o negócio com o qual estamos envolvidos lida com o planeta e a família humana.
Não faz mais sentido acomodar-se na crença de que organizações ou autoridades cuidam disso para a gente: consciência humana é o ingrediente principal da macrotransição que o planeta pede, na análise do filósofo húngaro Ervin Laszlo, presidente do Clube de Budapeste (sociedade humanista internacional que entre seus integrantes conta com o Dalai Lama e o músico-ativista Peter Gabriel).
A tarefa de reestruturação global exige abordagens que transcendam valores monetários. Segundo Hazel Henderson, o PIB e outros indicadores que deixam de fora recursos naturais e humanos estão obsoletos, tanto para medir progresso quanto para orientar as economias do mundo. No cotidiano mais imediato não pode ser diferente: se nossa economia doméstica não é justa com a natureza e as outras pessoas, nosso dinheiro é de pouco valor, por maior que seja o saldo bancário.
Compre o que não corrompe
Num país como o Brasil, que ainda não atingiu níveis básicos de satisfação material, soa utópico pregar redução de consumo. Mas é urgente, se não consumir menos, consumir de maneira diferente, inteligente, buscando produtos e serviços que não agridam o ambiente, colaborem para a distribuição de renda, não usem mão-de-obra infantil e se alinhem ao conceito geral de sustentabilidade. Não basta ver o preço: por trás de cada mercadoria há outras informações importantes, à disposição de consumidores alertas.
Use os usados e troque o que dá para ser trocado
O homem ocidental médio consome hoje 100 vezes mais recursos que seu antepassado no começo da Revolução Industrial. No período, a população aumentou dez vezes. O resultado do cruzamento desses dois crescimentos é um aumento mil vezes maior do consumo.
Chique, hoje, é economizar matéria-prima para o mundo e contrariar a obsolescência planejada garimpando utilidades nos mercados de usados. Na última festa de entrega do Oscar, celebridades exibiram autênticos modelos vintage - ou roupa de segunda mão, em linguagem menos afetada. Faça como Hollywood: troque o shopping pelo brechó. E condicione-se desde já ao recondicionado, porque "a única economia realmente sustentável é aquela com crescimento material zero", como diz o economista Richard Douthwaite, no livro The Growth Illusion.
Enquanto isso, a incerta economia argentina fomentou a propagação das feiras de escambo de produtos, serviços e saberes, que, à margem dos problemas da moeda, vêm melhorando a vida das hordas de confiscados, desempregados e excluídos em geral. O primeiro clube surgiu em 1995 em Bernal, província de Buenos Aires, com 20 pessoas trocando comida, roupa, artesanato, tratamentos e consertos domésticos. Hoje, há 15 mil clubes desse tipo no país, envolvendo diretamente seis milhões de pessoas e beneficiando 40% da população.
Já ouviu falar em "tupi", "zumbi", "chê" ou "pinhão"? São moedas sociais e circulam em feiras de trocas de várias regiões brasileiras. O Brasil tem 25 clubes de escambo solidário. "Sem assistencialismo, as pessoas resgatam sua dignidade", explica o contador Carlos de Castro, organizador dos clubes paulistas.
Dicas para montar um clube de trocas, passadas pelo agrônomo Fábio Luiz Burigo que organiza as feiras em Florianópolis: limitar o número de participantes (60 a 80 pessoas), para fortalecer a convivência; extrapolar a simples troca de bens e serviços, criando atividades que ampliem a qualidade de vida dos integrantes; valorizar novas idéias; evitar controle, cultivar um clima em que a incerteza faça parte do processo."Isso é vital no gerenciamento de mudanças evolutivas", diz ele.
Chique, hoje, é economizar matéria-prima para o mundo e contrariar a obsolescência planejada garimpando utilidades nos mercados de usados. Na última festa de entrega do Oscar, celebridades exibiram autênticos modelos vintage - ou roupa de segunda mão, em linguagem menos afetada. Faça como Hollywood: troque o shopping pelo brechó. E condicione-se desde já ao recondicionado, porque "a única economia realmente sustentável é aquela com crescimento material zero", como diz o economista Richard Douthwaite, no livro The Growth Illusion.
Enquanto isso, a incerta economia argentina fomentou a propagação das feiras de escambo de produtos, serviços e saberes, que, à margem dos problemas da moeda, vêm melhorando a vida das hordas de confiscados, desempregados e excluídos em geral. O primeiro clube surgiu em 1995 em Bernal, província de Buenos Aires, com 20 pessoas trocando comida, roupa, artesanato, tratamentos e consertos domésticos. Hoje, há 15 mil clubes desse tipo no país, envolvendo diretamente seis milhões de pessoas e beneficiando 40% da população.
Já ouviu falar em "tupi", "zumbi", "chê" ou "pinhão"? São moedas sociais e circulam em feiras de trocas de várias regiões brasileiras. O Brasil tem 25 clubes de escambo solidário. "Sem assistencialismo, as pessoas resgatam sua dignidade", explica o contador Carlos de Castro, organizador dos clubes paulistas.
Dicas para montar um clube de trocas, passadas pelo agrônomo Fábio Luiz Burigo que organiza as feiras em Florianópolis: limitar o número de participantes (60 a 80 pessoas), para fortalecer a convivência; extrapolar a simples troca de bens e serviços, criando atividades que ampliem a qualidade de vida dos integrantes; valorizar novas idéias; evitar controle, cultivar um clima em que a incerteza faça parte do processo."Isso é vital no gerenciamento de mudanças evolutivas", diz ele.
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Os cabalistas ensinam que o melhor jeito de ganhar dinheiro é deixar parte dele ir. Segundo essa tradição, o ato de doar cria um circuito dinâmico, sem o qual a energia monetária fica bloqueada. Como em qualquer circuito sobrecarregado, o resultado da acumulação é colapso e caos. Isso porque dinheiro, na Cabala, é manifestação material de energia divina. É uma bênção, ou uma espécie de empréstimo.
"Estamos todos no mesmo barco. Cada vez mais empresas se preocupam em canalizar o dinheiro como energia positiva, para ajudar terceiros", diz o professor Shmuel Lemle, do Centro de Cabala do Rio de Janeiro. Lemle lembra que abrir mão de parte do que chega às nossas mãos é trabalhar em benefício de todos e em benefício próprio.
Faça sua parte com fé
Exemplo máximo de atitude pessoal com a economia global, o pacifista Mahatma Ghandi escreveu que ninguém precisa entrar para a história para fazer o mundo melhor: "Seja você a mudança que quer ver no mundo". Hoje, uma ação individual mais comprometida com o conhecimento e a abundância conta com vento a favor, porque há uma conspiração universal fazendo o dinheiro mudar de mãos. A conspiração visível é o milagre da multiplicação das ONGs, de um lado, e a nova transdisciplinaridade, de outro. Só mesmo ciências cooperadas podem desfragmentar este mundo e fazer frente aos complexos problemas globais.
O que é mesmo que manda no mundo?
Alguns sinais de que o homem e o meio falam mais alto, enquanto o culto ao dinheiro arrefece Cooperação - A rede brasileira de socioeconomia solidária foi criada em 2000, com 80 entidades. Hoje, reúne 400 associadas envolvidas na construção de cadeias cooperativas, na divulgação e comercialização de produtos e na educação para um consumo mais ético (www.redesolidaria.com.br).
Simplicidade - Gastar menos é viver mais, crêem os militantes da Simplicidade Voluntária, um movimento que cresce nos Estados Unidos pregando vida frugal, combate ao consumo desprovido de significado e volta a valores essenciais - 28% da população americana já navega na contramão do consumo exagerado.
Criatividade - Está chegando ao mercado uma máquina que lava louça em três minutos e consome 2 litros de água, contra 18 litros dos modelos tradicionais. O gasto de energia é 80% menor, garante a empresa gaúcha Luxia, que investiu 500 mil dólares no projeto.
Solidariedade - O ex-beatle Paul McCartney cobrou 1 milhão de dólares para fazer um show exclusivo na festa de aniversário de Wendy Whitworth, produtora executiva do canal de TV CNN (presente-surpresa do marido). O cachê foi doado à Adopt-a-Minefield, uma instituição que ajuda vítimas de minas terrestres.
Escolha - Um refrigerador de ar a partir da evaporação da água foi desenvolvido em Campinas como alternativa ecológica ao ar-condicionado. O Ecobrisa é produzido pela empresa Vida e tem a chancela do Greenpeace. O consumo de energia é dez vezes menor que o de um aparelho tradicional.
Ética - O Fundo Ethical é o primeiro criado no país com base em critérios de responsabilidade ambiental, social e corporativa. Foi lançado no ano passado pelo Banco Real ABN AMRO Bank, valorizando práticas éticas. As empresas são selecionadas por um conselho multidisciplinar, formado por gente especializada em meio ambiente e gestão corporativa e financeira.
Valores - Pesquisa da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais de São Paulo mostrou que 84% dos analistas consideram as informações sociais em mais da metade de suas avaliações. A maioria (79%) diz que informações de natureza social, ambiental, cultural ou comunitária podem alterar o preço dos papéis de uma companhia.
Transparência - A adoção de boas práticas de governança corporativa se traduz em ganhos para as empresas: valorização de preço das ações, aumento do volume negociado e queda de volatilidade. É o que atesta estudo recente (março) feito pelo professor Antonio Gledson de Carvalho, da USP, a pedido da Bovespa.
Parcimônia - A Ong Água e Cidade desenvolveu metodologia para avaliar e quantificar o compromisso de empresas com o uso racional da água. O grupo já formou 1 046 "gestores da água" - funcionários preparados para coordenar ações dentro de seus locais de trabalho e medir resultados (www.aguaecidade.org.br).
Troca - A fábrica de papel Ripasa vem melhorando a vida de catadores de lixo - e vice-versa. Depois de dar treinamento aos 30 integrantes da cooperativa de reciclagem do município de Embu, SP, a empresa passou a comprar deles todo o material de papel e cartão arrecadado. O trabalho de separação e venda rende a cada catador cerca de dois salários por mês.
Consciência - A Companhia Suzano desenvolveu o primeiro papel offset reciclado em escala industrial, disponível para o segmento gráfico. O Reciclato vem quebrando preconceitos em toda a cadeia de produção. Ao produzir 400 toneladas/mês de papel, a empresa retira 100 toneladas de lixo das ruas por mês.
Limpeza - A ThyssenKrupp Elevadores já recicla 100% dos resíduos da sua fábrica. O programa de autogestão ambiental da múlti alemã incluiu a despoluição de um lago na área da empresa, em Guaíba, RS.
Simplicidade - Gastar menos é viver mais, crêem os militantes da Simplicidade Voluntária, um movimento que cresce nos Estados Unidos pregando vida frugal, combate ao consumo desprovido de significado e volta a valores essenciais - 28% da população americana já navega na contramão do consumo exagerado.
Criatividade - Está chegando ao mercado uma máquina que lava louça em três minutos e consome 2 litros de água, contra 18 litros dos modelos tradicionais. O gasto de energia é 80% menor, garante a empresa gaúcha Luxia, que investiu 500 mil dólares no projeto.
Solidariedade - O ex-beatle Paul McCartney cobrou 1 milhão de dólares para fazer um show exclusivo na festa de aniversário de Wendy Whitworth, produtora executiva do canal de TV CNN (presente-surpresa do marido). O cachê foi doado à Adopt-a-Minefield, uma instituição que ajuda vítimas de minas terrestres.
Escolha - Um refrigerador de ar a partir da evaporação da água foi desenvolvido em Campinas como alternativa ecológica ao ar-condicionado. O Ecobrisa é produzido pela empresa Vida e tem a chancela do Greenpeace. O consumo de energia é dez vezes menor que o de um aparelho tradicional.
Ética - O Fundo Ethical é o primeiro criado no país com base em critérios de responsabilidade ambiental, social e corporativa. Foi lançado no ano passado pelo Banco Real ABN AMRO Bank, valorizando práticas éticas. As empresas são selecionadas por um conselho multidisciplinar, formado por gente especializada em meio ambiente e gestão corporativa e financeira.
Valores - Pesquisa da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais de São Paulo mostrou que 84% dos analistas consideram as informações sociais em mais da metade de suas avaliações. A maioria (79%) diz que informações de natureza social, ambiental, cultural ou comunitária podem alterar o preço dos papéis de uma companhia.
Transparência - A adoção de boas práticas de governança corporativa se traduz em ganhos para as empresas: valorização de preço das ações, aumento do volume negociado e queda de volatilidade. É o que atesta estudo recente (março) feito pelo professor Antonio Gledson de Carvalho, da USP, a pedido da Bovespa.
Parcimônia - A Ong Água e Cidade desenvolveu metodologia para avaliar e quantificar o compromisso de empresas com o uso racional da água. O grupo já formou 1 046 "gestores da água" - funcionários preparados para coordenar ações dentro de seus locais de trabalho e medir resultados (www.aguaecidade.org.br).
Troca - A fábrica de papel Ripasa vem melhorando a vida de catadores de lixo - e vice-versa. Depois de dar treinamento aos 30 integrantes da cooperativa de reciclagem do município de Embu, SP, a empresa passou a comprar deles todo o material de papel e cartão arrecadado. O trabalho de separação e venda rende a cada catador cerca de dois salários por mês.
Consciência - A Companhia Suzano desenvolveu o primeiro papel offset reciclado em escala industrial, disponível para o segmento gráfico. O Reciclato vem quebrando preconceitos em toda a cadeia de produção. Ao produzir 400 toneladas/mês de papel, a empresa retira 100 toneladas de lixo das ruas por mês.
Limpeza - A ThyssenKrupp Elevadores já recicla 100% dos resíduos da sua fábrica. O programa de autogestão ambiental da múlti alemã incluiu a despoluição de um lago na área da empresa, em Guaíba, RS.
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Pensando as avessas!
"Por que carrego doçura na alma e asas nos pés?
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!"
- Lígia Guerra -
Porque sinto a vida além do óbvio.
Porque enxergo sol em dias de chuva.
Porque amo até mesmo o desamor.
Porque acolho cada gesto com os braços do coração.
Porque perfumo o caminho das estrelas.
Porque componho alegria na poesia da tristeza.
Porque desejo colorir a vida com olhos de fé!"
- Lígia Guerra -
domingo, 5 de janeiro de 2014
Viviane Mosé
Gente é mais ou menos como rio:
Tem os que gostam de perigo e se lançam de grandes alturas
Tem os de muitos braços que atiram pra todos os lados
Tem os de muitos redemoinhos que comem bois e gente
Tem os que gostam demais de si e viram lago
Tem os que só sabem correr parados
São os empoçados os pantaneiros os alagados
Tem os que transam com a terra formando ilhas
O fundo de alguns é de pedra. Tem os de peixes coloridos
Outros têm água clarinha. E tem gente córrego seco
E tem gente riacho escuro. Alguns a terra engole vivos
E tem até rio que corre pra trás
O rio que eu sou nasceu em janeiro
Tem gente que tem o costume de vazar pelos cantos.
No começo vaza calada. Aos poucos. Aos pingos.
Mas se pega gosto principia o derrame.
Escorre quando fala. Escorre quando anda.
Não tem mais braço nem cabelo que segure.
Parece que vicia em ficar transbordada.
Mas tem gente que quando transborda é pra dentro
E corre o risco de ficar represada. E represa, você sabe.
Se aumenta muito arrebenta.
Mas se a pessoa ensaia um jeito de derramar pra fora
Aí vai fazendo leito. Vai abrindo seu caminho na terra
E a terra parece que se abre para ela passar. Às vezes não.
Tem os que gostam de perigo e se lançam de grandes alturas
Tem os de muitos braços que atiram pra todos os lados
Tem os de muitos redemoinhos que comem bois e gente
Tem os que gostam demais de si e viram lago
Tem os que só sabem correr parados
São os empoçados os pantaneiros os alagados
Tem os que transam com a terra formando ilhas
O fundo de alguns é de pedra. Tem os de peixes coloridos
Outros têm água clarinha. E tem gente córrego seco
E tem gente riacho escuro. Alguns a terra engole vivos
E tem até rio que corre pra trás
O rio que eu sou nasceu em janeiro
Tem gente que tem o costume de vazar pelos cantos.
No começo vaza calada. Aos poucos. Aos pingos.
Mas se pega gosto principia o derrame.
Escorre quando fala. Escorre quando anda.
Não tem mais braço nem cabelo que segure.
Parece que vicia em ficar transbordada.
Mas tem gente que quando transborda é pra dentro
E corre o risco de ficar represada. E represa, você sabe.
Se aumenta muito arrebenta.
Mas se a pessoa ensaia um jeito de derramar pra fora
Aí vai fazendo leito. Vai abrindo seu caminho na terra
E a terra parece que se abre para ela passar. Às vezes não.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Arte de viver!
14 Maneiras de dar as boas vindas a 2014 por Sri Sri Ravi Shankar:
1. Resolva ser feliz;
2. Sonhe o impossível;
3. Cultive o hábito de ouvir;
4. Faça da meditação uma parte da vida;
5. Siga a Verdade;
6. Compartilhe sua alegria;
7. Renove seus pensamentos;
8. Seja Sincero;
9. Aprenda a perdoar;
10. Pare de se preocupar;
11. Tenha senso de humor ;
12. Tome responsabilidade ;
13. Seja sempre um estudante;
14. Espalhe a felicidade.
Vamos praticar!
1. Resolva ser feliz;
2. Sonhe o impossível;
3. Cultive o hábito de ouvir;
4. Faça da meditação uma parte da vida;
5. Siga a Verdade;
6. Compartilhe sua alegria;
7. Renove seus pensamentos;
8. Seja Sincero;
9. Aprenda a perdoar;
10. Pare de se preocupar;
11. Tenha senso de humor ;
12. Tome responsabilidade ;
13. Seja sempre um estudante;
14. Espalhe a felicidade.
Vamos praticar!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
DESEJO DE ANO NOVO!
"...Quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
Que não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
Não foge de sua mortalidade,
Defende a dignidade dos marginalizados,
E deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.''
Rubem Alves
muito humana; que sabe rir de seus tropeços,
Que não se encanta com triunfos,
não se considera eleita antes da hora,
Não foge de sua mortalidade,
Defende a dignidade dos marginalizados,
E deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.''
Rubem Alves
domingo, 29 de dezembro de 2013
Em 2014 planeje-se para ajudar o lugar onde você vive e quem vive nele!
Confira sete atitudes que podem fazer a diferença no novo ano
Além das listinhas de metas pessoais, planeje-se para ajudar o outroFoto: Arte Valquíria Ortiz / Agência RBS
Doe sangue
Todos os dias do ano pacientes precisam de transfusão - sejam vítimas de acidente, durante uma cirurgia ou portadores de doenças como hemofilia, leucemia e anemias. Doar sangue é um ato simples, seguro e que não provoca risco ou prejuízo à saúde. Segundo o Ministério da Saúde, se cada pessoa saudável doasse sangue pelo menos duas vezes ao ano, os hemocentros teriam hemocomponentes suficientes para atender a toda população. Segundo Thayse Molinari, da captação de doadores da Hemosc de Blumenau, em 2013 mais de 20 mil pessoas fizeram sua doação.
- A nossa meta mensal de 1,6 mil bolsas foi atingida e superada, mas mesmo assim não é o suficiente. Muitas vezes uma tipagem específica termina antes e é preciso reforçar as campanhas e pedidos de doação. São 24 mil doadores cadastrados, mas as doações não são periódicas - revela.
Ficou interessado em doar? No fim de ano o Hemosc estará fechado apenas nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. Nos demais dias o atendimento segue de segunda a sexta, das 7h15min às 18h30min, e aos sábados, das 8h às 11h.
Voluntarie-se
A palavra doação não precisa ser sinônimo de dinheiro. Dedicar um espaço na agenda para fazer o bem ao outro é uma das atitudes simples que podem fazer de 2014 um ano melhor. Ensinar algo, auxiliar em um evento beneficente ou simplesmente ir até uma associação para saber do que as pessoas precisam pode enriquecer a vida de quem ajuda e de quem recebe.
A presidente da Fundação Pró-Família e diretora geral da Secretaria de Desenvolvimento Social de Blumenau, Karin Zadrosny Gouvêa da Costa, destaca que há diferentes formas de doar seu tempo para ajudar alguém:
- Só na Fundação temos 105 núcleos para crianças e adolescentes, 114 núcleos dedicados aos idosos em 32 bairros de Blumenau, além do Clube de Mães e demais ações que precisam de voluntários. O indivíduo não faz o bem apenas para o outro, ele acaba se sentindo bem ao ser útil e ajudar ao próximo - ressalta.
Desperdice menos comida
De acordo com dados do relatório de 2013 da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 13,6 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil. Esta realidade parece um dado distante, mas o desperdício dos brasileiros bem alimentados seria suficiente para zerar este número.
Pequenas atitudes na hora da alimentação podem ajudar a diminuir o extravio. A engenheira química da AFK Consultoria e Assessoria de Blumenau, Andressa Fabiana Kammers, dá algumas dicas:
- Com a couve, por exemplo, é possível fazer sopa com o talo e sucos com as folhas. Tudo pode ser reaproveitado. O importante é não comer com os olhos. O almoço representa 40% da dieta diária, mas é importante não exagerar na hora da refeição - ressalta.
Use menos copinhos plásticos
Você já parou para pensar no monte de resíduo descartado no fim de um ano se você usar um copinho descartável todo dia? Segundo a Associação Brasileira de Limpeza Pública, a Abrelpe, hoje 720 milhões de copos são descartados diariamente pelos brasileiros (ou seja, você provavelmente usa uns três por dia). O número pode ser reduzido com ações simples como o uso de uma caneca ou um copo reutilizável.
Segundo o gerente de Resíduos Sólidos da Samae, João Carlos Franceschi, estima-se que 25% do volume total de resíduos de Blumenau sejam de plástico, aproximadamente 1,7 mil toneladas mensais. E jogar o copinho na cesta destinada à reciclagem não é a solução do problema.
- Numa estimativa, acreditamos que por mês 2,4 mil toneladas de material potencialmente reciclável são descartadas no aterro sanitário.
Viva menos no plano virtual
Estar superconectado e atento aos alertas dos aplicativos e às atualizações das redes sociais pode fazer de você um bom usuário - mas talvez não seja muito bacana com seus amigos reais. Na opinião do especialista em Novas Mídias Moisés Cardoso, as pessoas estão praticamente 24 horas conectadas através do celular, seja no 3G ou em locais com wi-fi:
- Antes as pessoas ficavam presas à mesa do computador, mas hoje tudo está disponível em um toque de celular. Els tiram fotos na praia, fazem check-in em todos os lugares, parecem marcar território, e deixam de aproveitar o momento. É preciso deixar de compartilhar postagens e começar a compartilhar a presença mesmo - alerta.
Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o percentual de brasileiros com telefone celular subiu de 36,6%, em 2005, para 69%, em 2011. Diminuir o tempo online pode ajudar a ter contatos pessoais. Em vez de ficar horas conversando com os amigos via Facebook, que tal marcar um café?
Use menos o carro
Os veículos são responsáveis por grande parte da poluição (e do estresse também). Que tal deixar o seu mais vezes na garagem? Proponha a amigos e vizinhos o rodízio de carona, use mais o transporte público e vá a pé ou de bicicleta sempre que possível.
Os dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que em Blumenau o número de carros já passa de 150 mil, uma média de um a cada dois habitantes. Que tal pensar melhor na hora de tirar o carro da garagem? Deixar o carro uma vez por semana em casa pode fazer a diferença no número de veículos circulando por aí.
Seja mais gentil
Ceder lugar para o idoso, dar a preferência para alguém no trânsito ou abrir a porta do elevador para um vizinho não custa nada e ainda pode deixar o dia de outra pessoa melhor. Vale um esforço fazer com que a rotina, o estresse e os compromissos não deixem palavras como bom dia, por favor e obrigado de fora do dia a dia.
A psicóloga especialista em comportamento organizacional Luciane Gobbo Brandão ressalta que pessoas cordiais tem bom relacionamento interpessoal:
- O indivíduo gentil se coloca no lugar do outro, busca ver a ótica do próximo. O outro não consegue ser hostil quando você o trata bem. O ato também estimula a recíprocidade.
JORNAL DE SANTA CATARINA
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Almas Perfumadas (Carlos Drummond de Andrade)
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro
Carlos Drummond de Andrade
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado.
E a gente ri grande que nem menino arteiro
domingo, 22 de dezembro de 2013
DESEJO DE NATAL!
"Meu desejo, nesse Natal, é que os amigos estejam sempre por perto. Que compartilhem comigo da alegria de viver com curiosidade, que seja crescente a vontade de se assombrar e de se surpreender com as pequenas coisas do cotidiano.
Desejo mais: que nos brindemos com mais generosidade; que erremos mais e que julguemos menos. Que tenhamos a clareza de nos perceber como seres errantes, contraditórios, com vontade de acordar melhores todos os dias.
Que os nossos desejos sejam pedestres e os nossos sonhos alucinados e que, no momento em que comemoramos a vida, nos enxerguemos parte desse mistério de almas que geram almas e movimentam o mundo.
Um Natal de muita paz para todos nós!" Andréa Pachá
Desejo mais: que nos brindemos com mais generosidade; que erremos mais e que julguemos menos. Que tenhamos a clareza de nos perceber como seres errantes, contraditórios, com vontade de acordar melhores todos os dias.
Que os nossos desejos sejam pedestres e os nossos sonhos alucinados e que, no momento em que comemoramos a vida, nos enxerguemos parte desse mistério de almas que geram almas e movimentam o mundo.
Um Natal de muita paz para todos nós!" Andréa Pachá
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
O que é amorosidade?
Saiba mais sobre a amorosidade, essa característica que garante amor e liberdade para tornar as relações mais agradáveis
A amorosidade é companheira a liberdade e do querer bem sem posses
Pessoas amorosas são amadas porque são amorosas e são amorosas porque não têm medo de ser amadas. Mas é importante esclarecer que ser digno de amor não é ser bonzinho para fazer amigos e influenciar pessoas. Isso é ser polido, amável. "A polidez é um simulacro da moral", afirma o filósofo André Comte-Sponville, que se deu ao trabalho de escrever o Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.
Para melhor entendimento, podemos beber da fonte do mundo grego antigo, simples e coerente, e reduzir a essência do amor a três tons primários: Eros, Philia e Ágape.
O mais primitivo tipo de amor seria erótico. Egoísta, incompleto, é uma espécie de desejo pela falta. A palavra vem de Eros, deus do amor, fruto da união de Pênia, a penúria, com Poros, o faustoso. Filho pobre e sempre faminto, herda do pai a atração pelo belo e pelo bom; é sagaz, caçador, e está sempre a maquinar planos e a desejar mais e mais.
Mas a amorosidade só começa a se manifestar através do segundo modelo, o amor Philia, que é fraternal, companheiro. Menos estimulado pela posse, esse tipo de sentimento cristaliza- se pela amizade, e seu prazer deriva do simples ato de estar junto, de compartilhar momentos. É generoso, mas tem lá seu lado egoísta, que deriva do fato de que ao servir ao amigo se sente prazer, por isso serve.
Bem acima dessas coisas mundanas, encontramos o amor Ágape, que eleva o amor a um estado divino, imaculado. Na verdade, ele vai além do amor, é universal, sem predileção nem eleição, é inteiramente desinteressado. É a aceitação invariável do outro, seja ele quem for, amigo, inimigo ou indiferente.
Quem vive em estado de amor e tem amorosidade como filosofia experimenta o amor Ágape todos os dias. "Na essência, todos os seres humanos são idênticos. Na verdade, somos todos parte do Um", conclui Erich Fromm, para explicar a amorosidade. "Ser amado precede a graça de amar e prepara o estado de amor", pensa Comte para explicar a origem de tudo.
Platão, em O Banquete, põe à mesa duas soluções para explicar a amorosidade: como não podemos fugir de nossa incompletude, temos que direcionar nosso amor para outros corpos e gerar filhos. Ou então expressá-lo por meio da arte, política, poética, ciências, filosofias, sempre dando prioridade ao belo.
A amorosidade é libertária. Ela é uma condição humana elevada que aproxima as pessoas do conjunto de virtudes, pois nela estão incluídos o cuidado, o respeito, a confiança. Se Eros, Philia e Ágape são deuses que personificam o amor, a amorosidade é a qualidade que eleva os humanos à condição de deuses.
Para melhor entendimento, podemos beber da fonte do mundo grego antigo, simples e coerente, e reduzir a essência do amor a três tons primários: Eros, Philia e Ágape.
O mais primitivo tipo de amor seria erótico. Egoísta, incompleto, é uma espécie de desejo pela falta. A palavra vem de Eros, deus do amor, fruto da união de Pênia, a penúria, com Poros, o faustoso. Filho pobre e sempre faminto, herda do pai a atração pelo belo e pelo bom; é sagaz, caçador, e está sempre a maquinar planos e a desejar mais e mais.
Mas a amorosidade só começa a se manifestar através do segundo modelo, o amor Philia, que é fraternal, companheiro. Menos estimulado pela posse, esse tipo de sentimento cristaliza- se pela amizade, e seu prazer deriva do simples ato de estar junto, de compartilhar momentos. É generoso, mas tem lá seu lado egoísta, que deriva do fato de que ao servir ao amigo se sente prazer, por isso serve.
Bem acima dessas coisas mundanas, encontramos o amor Ágape, que eleva o amor a um estado divino, imaculado. Na verdade, ele vai além do amor, é universal, sem predileção nem eleição, é inteiramente desinteressado. É a aceitação invariável do outro, seja ele quem for, amigo, inimigo ou indiferente.
Quem vive em estado de amor e tem amorosidade como filosofia experimenta o amor Ágape todos os dias. "Na essência, todos os seres humanos são idênticos. Na verdade, somos todos parte do Um", conclui Erich Fromm, para explicar a amorosidade. "Ser amado precede a graça de amar e prepara o estado de amor", pensa Comte para explicar a origem de tudo.
Platão, em O Banquete, põe à mesa duas soluções para explicar a amorosidade: como não podemos fugir de nossa incompletude, temos que direcionar nosso amor para outros corpos e gerar filhos. Ou então expressá-lo por meio da arte, política, poética, ciências, filosofias, sempre dando prioridade ao belo.
A amorosidade é libertária. Ela é uma condição humana elevada que aproxima as pessoas do conjunto de virtudes, pois nela estão incluídos o cuidado, o respeito, a confiança. Se Eros, Philia e Ágape são deuses que personificam o amor, a amorosidade é a qualidade que eleva os humanos à condição de deuses.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
A preocupação excessiva com a aparência física.
Há nas sociedades contemporâneas uma intensificação do culto ao corpo, onde os indivíduos experimentam uma crescente preocupação com a imagem e a estética.Vivemos numa busca desenfreada da beleza, com uma vaidade excessiva, sob influência da televisão, de revistas, filmes, propagandas… que veiculam imagens de corpos perfeitos.
Aimagem da “eterna” juventude, associada ao corpo perfeito e ideal, atravessa todas as faixas etárias e classes sociais, compondo de maneiras diferentes diversos estilos de vida. O ideal de beleza cria um desejo de perfeição, introjetado e imperativo. Ansiedade, inadequação e baixa autoestima são os primeiros efeitos colaterais desse mecanismo. A exacerbação dessa forma de pensar e sentir, pode trazer consequências muito grandes, como transtornos alimentares ( anorexia, bulimia… ),inseguranças e muito sofrimento quando a pessoa deixa de ser admirada fisicamente ou envelhece.
A preocupação excessiva com a aparência é fruto de uma sociedade que valoriza em excesso as aparências. A quantidade de exercícios físicos, o tempo gasto para embelezar o corpo, o número crescente de cirurgias plásticas, o vale tudo para emagrecer, embelezar, rejuvenescer, bronzear, esticar, aumentar ou diminuir. E por que essa “neura” com a beleza? No fundo, acreditamos que se tivermos um corpo bonito iremos atrair e conservar o amor de alguém.
Cada vez mais, meninas e mulheres se submetem a tratamentos diversos para emagrecer, alisar os cabelos e perder peso. Na busca incessante pela “beleza ideal”, vale qualquer sacrifício. Importante lembrar que essa obsessão pela beleza, vem se tornando cada vez mais frequente nos homens também.
Vivemos a era do corpo perfeito, da estética sem ética. Para muitas pessoas, sustentar o mito da beleza é o mais importante, e mesmo assim nunca ficam totalmente satisfeitas. Assim pensamos mais no corpo do que na saúde, mais nas roupas do que na sabedoria, porque as aparências não revelam o que a pessoa é de verdade.
Parece que, para as criaturas portadoras desse dote inato (que todas se esforçam ao máximo para aprimorar), estão escancaradas as portas do sucesso, do amor e do dinheiro.
Parece que, para as criaturas portadoras desse dote inato (que todas se esforçam ao máximo para aprimorar), estão escancaradas as portas do sucesso, do amor e do dinheiro.
É profundamente necessária uma tomadade consciência, de que os cuidados com o corpo não devem ser dessa forma tão intensa e ditatorial como se tem apresentado nas últimas décadas, pois devemos sempre respeitar os limites do nosso corpo e a nós mesmos.
Essas buscas atendem muito mais às nossas necessidades de relacionamento e as nossas necessidades profundas. Qualquer relação que supervaloriza o físico cria uma insegurança profunda nos parceiros.
O cuidado com o corpo, seu embelezamento, sua higiene, os perfumes, as roupas e seus enfeites podem ser importantes, mas a relação humana vai, além disso. O único fator de aproximação entre as pessoas não é a beleza física, ela pode até contribuir num primeiro momento para a atração, mas há outros fatores mais importantes que devem ser cultivados para a possibilidade de êxito nos relacionamentos.
Acreditamos que o amor acontece na superficialidade estética e nos esquecemos que o companheirismo, a aceitação das diferenças, a alegria, o dom de admirar o outro, a capacidade de diálogo, o interesse pelo outro, o bom humor, o entusiasmo, o respeito e o apoio à felicidade do outro, a amabilidade, o afeto, o acolhimento, a ternura, são laços muito fortes, e meios muito mais intensos e definitivos na construção de um verdadeiro relacionamento.
Texto de Solange Quintaniha
Psicóloga Médico-Hospitalar, Psicanalista e Psicóloga Motivaciona
Psicóloga Médico-Hospitalar, Psicanalista e Psicóloga Motivaciona
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Pare de querer controlar tudo!
Que tal para de querer controlar tudo o que acontece ao seu redor e soltar as rédeas da sua vida?
Liane Alves
O controle rígido está baseado no desejo de manipulação em benefício próprio
Foto: Marcos Lima
Foto: Marcos Lima
O preço do controle é a eterna vigilância. E esse estado de atenção tenso e preocupado causa um enorme desgaste emocional. Uma vida assim engessada também pode ficar cinza e monótona, e se tornar um grande convite à depressão e ao desânimo.
Para o controlador, não há espaço para que as coisas se modifiquem. Nem criatividade para buscar novas soluções diante do inesperado. Segundo a psicoterapeuta Irene Cardotti, "o controle vivenciado dessa maneira, rígida, férrea, está baseado apenas no desejo de manipular pessoas e situações em nosso próprio benefício", avalia a psicoterapeuta Irene Cardotti.
Uma boa maneira de se deter é enxergar nas atitudes de uma pessoa próxima o próprio jeito de ser e reagir. Enxergar as manias, o amor a detalhes, o perfeccionismo e a eterna tensão num outro controlador ajuda a nos conscientizar de nossas próprias características. A aparência física também dá pistas preciosas: músculos tensos e rígidos, peito projetado para a frente, maxilar travado ou corpo muito denso podem igualmente indicar sinais de um controlador contumaz, avalia Irene, que também é especialista em bioenergética.
Mas por que será que somos assim?
Duas emoções básicas movem o comportamento humano: o medo da dor e o prazer. E elas também alicerçam o nosso desejo de controlar. "Queremos manipular por medo de que as coisas fujam do nosso controle e nos causem sofrimento. O que não percebemos é que esse desejo nos aflige tanto ou mais do que o sofrimento que teríamos se deixássemos as coisas tomarem seu próprio rumo", diz Irene.
Ao mesmo tempo, desde os primórdios da psicanálise, seu criador, Sigmund Freud, afirmava que o controle também tinha a ver com o prazer em exercer poder. E alguém que domina e controla uma situação pode obter muita satisfação com isso.
A questão é que essa sensação que nos alivia se baseia numa ilusão: a de que realmente conseguimos controlar a vida. A existência, porém, se revela bem mais indomável e resistente do que podemos imaginar.
Uma boa maneira de se deter é enxergar nas atitudes de uma pessoa próxima o próprio jeito de ser e reagir. Enxergar as manias, o amor a detalhes, o perfeccionismo e a eterna tensão num outro controlador ajuda a nos conscientizar de nossas próprias características. A aparência física também dá pistas preciosas: músculos tensos e rígidos, peito projetado para a frente, maxilar travado ou corpo muito denso podem igualmente indicar sinais de um controlador contumaz, avalia Irene, que também é especialista em bioenergética.
Mas por que será que somos assim?
Duas emoções básicas movem o comportamento humano: o medo da dor e o prazer. E elas também alicerçam o nosso desejo de controlar. "Queremos manipular por medo de que as coisas fujam do nosso controle e nos causem sofrimento. O que não percebemos é que esse desejo nos aflige tanto ou mais do que o sofrimento que teríamos se deixássemos as coisas tomarem seu próprio rumo", diz Irene.
Ao mesmo tempo, desde os primórdios da psicanálise, seu criador, Sigmund Freud, afirmava que o controle também tinha a ver com o prazer em exercer poder. E alguém que domina e controla uma situação pode obter muita satisfação com isso.
A questão é que essa sensação que nos alivia se baseia numa ilusão: a de que realmente conseguimos controlar a vida. A existência, porém, se revela bem mais indomável e resistente do que podemos imaginar.
Devemos reconhecer os eventos aleatórios que contribuem para o sucesso
Foto: Marcos Lima
Foto: Marcos Lima
O jogo do acaso
É possível que estejamos sob o jugo de forças e leis capazes de tirar o controle de nossas mãos, especialmente quando não as conhecemos direito. "Acredito que seja importante planejar a vida, se o fizermos de olhos bem abertos. Devemos identificar e agradecer a sorte que temos e reconhecer os eventos aleatórios que contribuem para o nosso sucesso", diz o professor e matemático norte-americano Leonard Mlodinow, que escreveu um livro, O Andar do Bêbado, onde analisa algumas das leis pouco conhecidas que atuam na nossa vida, como a da aleatoriedade.
Se engessamos a existência na maneira como achamos que as coisas devem acontecer, diminuímos as chances da aleatoriedade, ou o acaso, se manifestar - uma perda lastimável, de acordo com Mlodinow. "Acho que o universo é bem mais criativo do que eu. Planejo, organizo, faço cálculos mas, se observo uma mudança de rumo, não a descarto imediatamente. Primeiro vejo se o quadro geral pode se beneficiar com ela. O engraçado é que na maioria dos casos a interferência se revela positiva", afirma o analista de sistemas Celso Ayres.
Outra lei que é a maior casca de banana em nossos desejos de manipulação é a polêmica Lei de Murphy. Pode anotar no seu caderninho: quando o controle é excessivo, o tiro sai pela culatra.
Perdemos a sabedoria de que existe o momento de assumir responsabilidades, planejar, organizar e realizar. Mas que também pode haver outros para soltar as rédeas, relaxar, criar e aprender com o que se apresenta. E que é saudável ter essa possibilidade bem presente e viva nas nossas escolhas e decisões. Deixe acontecer - pelo menos de vez em quando, claro.
Se engessamos a existência na maneira como achamos que as coisas devem acontecer, diminuímos as chances da aleatoriedade, ou o acaso, se manifestar - uma perda lastimável, de acordo com Mlodinow. "Acho que o universo é bem mais criativo do que eu. Planejo, organizo, faço cálculos mas, se observo uma mudança de rumo, não a descarto imediatamente. Primeiro vejo se o quadro geral pode se beneficiar com ela. O engraçado é que na maioria dos casos a interferência se revela positiva", afirma o analista de sistemas Celso Ayres.
Outra lei que é a maior casca de banana em nossos desejos de manipulação é a polêmica Lei de Murphy. Pode anotar no seu caderninho: quando o controle é excessivo, o tiro sai pela culatra.
Perdemos a sabedoria de que existe o momento de assumir responsabilidades, planejar, organizar e realizar. Mas que também pode haver outros para soltar as rédeas, relaxar, criar e aprender com o que se apresenta. E que é saudável ter essa possibilidade bem presente e viva nas nossas escolhas e decisões. Deixe acontecer - pelo menos de vez em quando, claro.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
IMAGINE.
Nossa capacidade de imaginar, por mais simples que pareça, pode mudar toda uma realidade. É só não perdê-la de vista.
Eugenio Mussak
Fui assistir à conferência do Mario Vargas Llosa no Teatro Geo, em São Paulo. Era a abertura do Fronteiras do Pensamento e o auditório estava lotado. E Llosa não decepcionou. Falou sobre seu novo livro, ainda inédito no Brasil, cujo título é Sociedade do Espetáculo. Contou que foi estimulado a escrevê-lo depois de visitar a Bienal de Veneza, onde percebeu que as obras expostas pareciam ter menos compromisso com a arte, e mais com o espetáculo. "Eu não levaria nada daquilo para casa", disse. E começou um bem organizado discurso a favor da cultura, como elemento transformador, ao mesmo tempo em que questionava o espetáculo pelo espetáculo, aquele sem compromisso com a qualidade, com o belo ou com a densidade artística, cuja missão é a de elevar a qualidade do humano.
O discurso dele foi ótimo, e concordo com ele, pois também não gosto da banalização de qualquer coisa, quanto mais da arte e da cultura. Obras de todas as áreas da arte podem até chocar - aliás, essa é uma de suas funções. Mas, por favor, que choquem pelo motivo e da maneira certa, pelo incômodo da mensagem, pelo inesperado da forma, pelo inusitado da estética. Que o choque venha daí, e não do mau gosto, da ofensa aos sentidos, da falta total de significado, do apenas querer ser diferente. A verdade pode ser confrontada, pois não é absoluta, mas a inteligência não aceita ser ofendida. Llosa preocupa-se que a sociedade contemporânea esteja sendo mais atraída pela superficialidade do espetáculo que nos entretém do que pela profundidade da cultura que nos faz pensar. Eu também.
Mas, apesar de toda a erudição, foi uma frase, dita no meio de um longo discurso e perdida entre tantos pensamentos, que ficou reverberando em minha cabeça quando voltava para casa: "Que pequeno e medíocre é o mundo real quando comparado com o que nossa imaginação pode criar".
O escritor me deixou pensando seriamente sobre o valor da imaginação, sobre como podemos fazer para enriquecê-la e, mais ainda, como utilizá-la para melhorar a realidade, essa que nos cerca, nos protege e nos atormenta. Será possível melhorar a "qualidade" da imaginação humana? Será que, com o tempo, paramos de imaginar e nos tornamos prisioneiros desse mundo pequeno e medíocre? Naquela noite, dormi tarde.
Um pequeno esforço
Enquanto tentava dormir, entre outras memórias, lembrei-me da emoção que senti certa vez, quando cruzei a Central Park West na altura da W 72nd St. e entrei no Central Park de Nova York pelo portão que leva a um jardim chamado Strawberry Fields. A primeira coisa que vi foi um círculo na calçada, uma mandala com raios concêntricos, desenhados com pequenos mosaicos portugueses brancos e pretos, em cujo centro está escrita apenas a palavra Imagine!. Esse jardim fica quase em frente ao Dakota Apartments, famoso por ter sido o último lar de John Lennon, e também o local de sua morte. Alguns anos antes, Lennon havia lançado um disco solo, que trazia a música Imagine, que também dava nome ao álbum. Consta que ele, no começo, não acreditava muito no sucesso do disco, mas a canção foi eleita pela revista Rolling Stone a terceira maior música de todos os tempos, e até hoje é reconhecida como uma espécie de hino à paz.
Sua mensagem propõe que imaginemos que as fronteiras, as posses, a ganância e a religião - os grandes causadores de conflitos - não existem, e por isso o mundo vive em paz.
Essa música é realmente belíssima, não há quem não se emocione com sua letra e sua melodia, simples e profundas. Até porque é difícil ser contra o que ela defende - a paz. Entretanto, a música é portadora de uma segunda mensagem, que passa despercebida: imagine. Antes de ser uma ode à paz, Imagine poderia também ser vista como um tributo à maravilhosa qualidade excessivamente humana, que é a capacidade de imaginar. "É fácil se você se esforçar", diz o ex-beatle, e acerta em cheio. Às vezes não nos esforçamos para imaginar nossas infinitas possibilidades, e perdemos uma parte importante de nós.
Para que serve imaginar
No filme À Procura da Felicidade, Will Smith representa Chris Gardner, um homem que atravessa um período turbulento, em que é abandonado pela esposa e enfrenta uma grave crise financeira. Chega ao ponto de ser despejado e ter de dormir com o filho Christopher de cinco anos em abrigos e estações de trem. Como muitos dos filmes do gênero "superação", este é baseado em uma história real, e o herói vira o jogo e, após ser aprovado para trabalhar em uma corretora de valores, torna-se um milionário.
Mas o fato relevante é como ele usava a imaginação para fazer duas coisas: convencer-se da possibilidade de mudança da situação, e conseguir sobreviver às dificuldades pelas quais estava passando. Na primeira noite em que dormiu no banheiro público do metrô, criou uma brincadeira com o filho, na qual eles imaginavam que fugiam de dinossauros e se salvavam protegendo-se em uma pequena caverna. A imaginação o salvou do dinossauro da desesperança e manteve intacta a relação pai/filho.
E não é só Hollywood que enaltece a . A frase mais conhecida de Einstein é aquela em que diz: "A é mais importante que o conhecimento". O físico estava se referindo à limitação do conhecimento científico, enquanto declarava que a imaginação seria um território ilimitado. Nada mais certo. De certa forma, podemos dizer que tudo o que existe de concreto no mundo, e que foi feito pelo homem, é descendente direto daimaginação humana. Sem imaginação a arte seria manca e monótona, a ciência seria primitiva e pequena, e até as relações humanas seriam previsíveis e insatisfatórias. Se é que essas coisas existiriam.
Por isso, imagine. Liberte a criatividade da mesmice, da impossibilidade e do limite. Todos são inimigos da imaginação, e também do progresso e da felicidade. Imaginar é usar a faculdade mental de criar imagens com as quais não se teve uma experiência direta. E isso tem uma imensa virtude. A de gerar a energia necessária para que a transformação da imagem mental em algo real aconteça. Não existe nada feito pelo homem que não tenha começado com uma imagem mental.
A imaginação, junto com a curiosidade e a transgressão, é uma qualidade infantil. Como as crianças ainda não foram apresentadas inteiramente à realidade, só lhes resta imaginar. Elas criam seu universo imaginário e vivem nele a aventura da felicidade. Sim, precisamos da imaginação para sermos felizes, pois este é o antídoto para a dureza da tal realidade. Mas o tempo passa e trata de nos fazer íntimos da realidade. Isso não é ruim, mas tem seu lado perverso: passamos a acreditar que a realidade é mais poderosa que a imaginação. O resultado é o calo da alma, que nos enrijece e limita nossos movimentos.
No dia em que paramos de acreditar na possibilidade da criação de um mundo melhor, começamos a morrer. Convença-se que a vida é injusta e ela assim será, e sempre contra você. Imagine um mundo mais justo e ele começará a existir. Eu me nego a me conformar com o mundo pequeno e medíocre a que Vargas Llosa se refere. Prefiro imaginar algo melhor, em que as pessoas têm oportunidades equivalentes, os mesmos direitos, e exercem seu direito de aproveitá-los ou não. Alguns dirão que sou ingênuo. Outros, que sou visionário.
Na verdade, estou sempre disposto a imaginar que a vida vale a pena, e que se existe a tristeza é só para que possamos entender a alegria. Imagino que a intolerância, a arrogância, o orgulho e a maldade são sintomas da fase evolutiva inferior em que ainda nos encontramos. E imagino que vamos evoluir. Prefiro imaginar que um mundo melhor é, sim, possível, e assumo minha parcela de responsabilidade para ajudar a construí-lo. Imagine, e você se arrisca a conseguir. Não imagine, conforme-se, e você estará condenado à mesmice. Imagine e organize-se para tornar a imaginação realidade, e algumas coisas fantásticas começarão a acontecer. "Você pode achar que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único e você ainda vai se juntar a nós".
Eugenio Mussak escreve aqui desde a primeira edição. E nos ajuda, todos os meses, a nunca parar de imaginar.
O discurso dele foi ótimo, e concordo com ele, pois também não gosto da banalização de qualquer coisa, quanto mais da arte e da cultura. Obras de todas as áreas da arte podem até chocar - aliás, essa é uma de suas funções. Mas, por favor, que choquem pelo motivo e da maneira certa, pelo incômodo da mensagem, pelo inesperado da forma, pelo inusitado da estética. Que o choque venha daí, e não do mau gosto, da ofensa aos sentidos, da falta total de significado, do apenas querer ser diferente. A verdade pode ser confrontada, pois não é absoluta, mas a inteligência não aceita ser ofendida. Llosa preocupa-se que a sociedade contemporânea esteja sendo mais atraída pela superficialidade do espetáculo que nos entretém do que pela profundidade da cultura que nos faz pensar. Eu também.
Mas, apesar de toda a erudição, foi uma frase, dita no meio de um longo discurso e perdida entre tantos pensamentos, que ficou reverberando em minha cabeça quando voltava para casa: "Que pequeno e medíocre é o mundo real quando comparado com o que nossa imaginação pode criar".
O escritor me deixou pensando seriamente sobre o valor da imaginação, sobre como podemos fazer para enriquecê-la e, mais ainda, como utilizá-la para melhorar a realidade, essa que nos cerca, nos protege e nos atormenta. Será possível melhorar a "qualidade" da imaginação humana? Será que, com o tempo, paramos de imaginar e nos tornamos prisioneiros desse mundo pequeno e medíocre? Naquela noite, dormi tarde.
Um pequeno esforço
Enquanto tentava dormir, entre outras memórias, lembrei-me da emoção que senti certa vez, quando cruzei a Central Park West na altura da W 72nd St. e entrei no Central Park de Nova York pelo portão que leva a um jardim chamado Strawberry Fields. A primeira coisa que vi foi um círculo na calçada, uma mandala com raios concêntricos, desenhados com pequenos mosaicos portugueses brancos e pretos, em cujo centro está escrita apenas a palavra Imagine!. Esse jardim fica quase em frente ao Dakota Apartments, famoso por ter sido o último lar de John Lennon, e também o local de sua morte. Alguns anos antes, Lennon havia lançado um disco solo, que trazia a música Imagine, que também dava nome ao álbum. Consta que ele, no começo, não acreditava muito no sucesso do disco, mas a canção foi eleita pela revista Rolling Stone a terceira maior música de todos os tempos, e até hoje é reconhecida como uma espécie de hino à paz.
Sua mensagem propõe que imaginemos que as fronteiras, as posses, a ganância e a religião - os grandes causadores de conflitos - não existem, e por isso o mundo vive em paz.
Essa música é realmente belíssima, não há quem não se emocione com sua letra e sua melodia, simples e profundas. Até porque é difícil ser contra o que ela defende - a paz. Entretanto, a música é portadora de uma segunda mensagem, que passa despercebida: imagine. Antes de ser uma ode à paz, Imagine poderia também ser vista como um tributo à maravilhosa qualidade excessivamente humana, que é a capacidade de imaginar. "É fácil se você se esforçar", diz o ex-beatle, e acerta em cheio. Às vezes não nos esforçamos para imaginar nossas infinitas possibilidades, e perdemos uma parte importante de nós.
Para que serve imaginar
No filme À Procura da Felicidade, Will Smith representa Chris Gardner, um homem que atravessa um período turbulento, em que é abandonado pela esposa e enfrenta uma grave crise financeira. Chega ao ponto de ser despejado e ter de dormir com o filho Christopher de cinco anos em abrigos e estações de trem. Como muitos dos filmes do gênero "superação", este é baseado em uma história real, e o herói vira o jogo e, após ser aprovado para trabalhar em uma corretora de valores, torna-se um milionário.
Mas o fato relevante é como ele usava a imaginação para fazer duas coisas: convencer-se da possibilidade de mudança da situação, e conseguir sobreviver às dificuldades pelas quais estava passando. Na primeira noite em que dormiu no banheiro público do metrô, criou uma brincadeira com o filho, na qual eles imaginavam que fugiam de dinossauros e se salvavam protegendo-se em uma pequena caverna. A imaginação o salvou do dinossauro da desesperança e manteve intacta a relação pai/filho.
E não é só Hollywood que enaltece a . A frase mais conhecida de Einstein é aquela em que diz: "A é mais importante que o conhecimento". O físico estava se referindo à limitação do conhecimento científico, enquanto declarava que a imaginação seria um território ilimitado. Nada mais certo. De certa forma, podemos dizer que tudo o que existe de concreto no mundo, e que foi feito pelo homem, é descendente direto daimaginação humana. Sem imaginação a arte seria manca e monótona, a ciência seria primitiva e pequena, e até as relações humanas seriam previsíveis e insatisfatórias. Se é que essas coisas existiriam.
Por isso, imagine. Liberte a criatividade da mesmice, da impossibilidade e do limite. Todos são inimigos da imaginação, e também do progresso e da felicidade. Imaginar é usar a faculdade mental de criar imagens com as quais não se teve uma experiência direta. E isso tem uma imensa virtude. A de gerar a energia necessária para que a transformação da imagem mental em algo real aconteça. Não existe nada feito pelo homem que não tenha começado com uma imagem mental.
A imaginação, junto com a curiosidade e a transgressão, é uma qualidade infantil. Como as crianças ainda não foram apresentadas inteiramente à realidade, só lhes resta imaginar. Elas criam seu universo imaginário e vivem nele a aventura da felicidade. Sim, precisamos da imaginação para sermos felizes, pois este é o antídoto para a dureza da tal realidade. Mas o tempo passa e trata de nos fazer íntimos da realidade. Isso não é ruim, mas tem seu lado perverso: passamos a acreditar que a realidade é mais poderosa que a imaginação. O resultado é o calo da alma, que nos enrijece e limita nossos movimentos.
No dia em que paramos de acreditar na possibilidade da criação de um mundo melhor, começamos a morrer. Convença-se que a vida é injusta e ela assim será, e sempre contra você. Imagine um mundo mais justo e ele começará a existir. Eu me nego a me conformar com o mundo pequeno e medíocre a que Vargas Llosa se refere. Prefiro imaginar algo melhor, em que as pessoas têm oportunidades equivalentes, os mesmos direitos, e exercem seu direito de aproveitá-los ou não. Alguns dirão que sou ingênuo. Outros, que sou visionário.
Na verdade, estou sempre disposto a imaginar que a vida vale a pena, e que se existe a tristeza é só para que possamos entender a alegria. Imagino que a intolerância, a arrogância, o orgulho e a maldade são sintomas da fase evolutiva inferior em que ainda nos encontramos. E imagino que vamos evoluir. Prefiro imaginar que um mundo melhor é, sim, possível, e assumo minha parcela de responsabilidade para ajudar a construí-lo. Imagine, e você se arrisca a conseguir. Não imagine, conforme-se, e você estará condenado à mesmice. Imagine e organize-se para tornar a imaginação realidade, e algumas coisas fantásticas começarão a acontecer. "Você pode achar que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único e você ainda vai se juntar a nós".
Eugenio Mussak escreve aqui desde a primeira edição. E nos ajuda, todos os meses, a nunca parar de imaginar.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Os Moralistas e a 'Negação do Mundo'— Basta de Delírios!
Consideremos, por último, quanta candura há em dizer: o homem deveria ser desta maneira. A realidade nos mostra uma maravilhosa riqueza de tipos, uma verdadeira exuberância na variedade' e na profusão das formas. Todavia, surge qualquer moralista de praça e afirma: "Não, o homem deveria ser de outra maneira". Sabe sequer como deveria ser ele mesmo, esse santarrão que faz seu retrato na parede e diz: "Ecce homo"? Até quando um moralista se dirige só a um indivíduo para dizer-lhe: "Deve ser assim!" põe-se no ridículo. De qualquer modo que o consideremos, o indivíduo faz parte da fatalidade, constitui uma lei a mais, uma necessidade a mais para tudo o que está por vir.
Dizer-lhe: "Muda tua natureza" é desejar a transformação do todo, ainda que seja uma transformação no passado. E efetivamente houve moralistas consequentes que queria que os homens fossem distintos, isto é, virtuosos. Queriam homens a sua imagem; para isso 'negaram o mundo'. Basta de delírios! Basta de formas modestas da imodéstia! A moral, por pouco que condene, é em si mesma, e não em relação à vida, um erro específico com o qual não se deve ter compaixão, uma idiossincrasia de degenerados que causou muito dano. Em contrapartida, nós, os imoralistas, abrimos de par a par nossos corações a toda classe de compreensão, de inteligibilidade, e de aprovação. Não negamos facilmente, nos honramos de ser 'afirmativos'. Nossos olhos estão bem descerrados para essa economia que necessita e sabe aproveitar-se de tudo que a santa sem-razão despreza na razão enferma do sacerdote, para essa economia da lei vital que aproveita até as mais repugnantes demonstrações de beatos, curas e corifeus da virtude. Que vantagens obtém? Nós mesmos, nós, os imoralistas, somos uma resposta vivente.
(Friedrich Wilhelm Nietzsche, in " O Crepúsculo dos Ídolos")
sábado, 30 de novembro de 2013
Um lugar.
Para construir outras relações, precisamos construir outros lugares. Para construir outros lugares, também precisamos construir outras relações.
PORGustavo Gitti
De tempos em tempos, cerca de 60 mil seres humanos se acoplam em roda para observar a movimentação de 22 seres humanos entre linhas brancas. Sob o nome de estádio de futebol, tal estrutura configura um jogo capaz de modular emoções, expressões corporais, conversas, pensamentos, desejos e todo tipo de interação entre os seres. Ou, poderíamos dizer, também, um modo de se relacionar estabelece um jogo, que se materializa em uma arquitetura capaz de sustentar tais mundos internos e convivências. Lugar e relação: processo circular, coemergente, de mútua causalidade, como na clássica litografia de Maurits Cornelis Escher, na qual duas mãos se desenham uma a outra.
Na loja, nos relacionamos como consumidores, na praça como cidadãos, nas casas como parentes, nas empresas como funcionários, nos bares como amigos. Mas quase não há lugar para nos relacionarmos como pessoas, como parceiros que se acompanham na vida. Não é por acaso que temos tanta dificuldade para ser um cidadão consciente ou um bom chefe: antes é preciso se reconhecer como um ser livre. Um pai que é só pai, que se identifica totalmente com a operação mental e corporal de pai, tem poucas chances de ser um bom pai.
Não estamos acostumados com outras relações porque não há espaços que as encorajem. Pior: quase não edificamos lugares de encontro genuíno pois sequer sabemos o que seria isso. Pense como
a dinâmica de uma mesa de bar limita nossas conexões: só ouvimos alguém por 15 minutos sem interrupção quando a pessoa tem a sorte de ser convidada para palestrar em um auditório. Em
qual lugar da cidade conseguimos apenas ficar ali, parados, sem qualquer tipo de entretenimento, só com nós mesmos? Do jeito que nos estruturamos atualmente, as pessoas não param, nunca realmente chegam. Parece até estranho dizer, mas é verdade: a gente quase não se encontra mais.
A cultura da programação nos leva a tratar a cidade como uma tv. Pela internet escolhemos filmes, viagens. Saímos de casa, nos entretemos e voltamos. Nossa premissa: pessoas não são interessantes. Convide alguém para um lugar com pessoas e ouvirá algo como "Mas vai ter música?". Sonho com um lugar que seja somente um espaço de encontro não definido para quem quiser ouvir e ser ouvido, dançar, meditar, oferecer uma aula improvisada... Por que não deixar um lugar ser apenas um lugar? É tudo o que desejamos quando nos abarrotamos em cafés por aí. Vai ficar rica a pessoa que abrir um lugar.
Gustavo Gitti é professor de TaKeTiN
Na loja, nos relacionamos como consumidores, na praça como cidadãos, nas casas como parentes, nas empresas como funcionários, nos bares como amigos. Mas quase não há lugar para nos relacionarmos como pessoas, como parceiros que se acompanham na vida. Não é por acaso que temos tanta dificuldade para ser um cidadão consciente ou um bom chefe: antes é preciso se reconhecer como um ser livre. Um pai que é só pai, que se identifica totalmente com a operação mental e corporal de pai, tem poucas chances de ser um bom pai.
Não estamos acostumados com outras relações porque não há espaços que as encorajem. Pior: quase não edificamos lugares de encontro genuíno pois sequer sabemos o que seria isso. Pense como
a dinâmica de uma mesa de bar limita nossas conexões: só ouvimos alguém por 15 minutos sem interrupção quando a pessoa tem a sorte de ser convidada para palestrar em um auditório. Em
qual lugar da cidade conseguimos apenas ficar ali, parados, sem qualquer tipo de entretenimento, só com nós mesmos? Do jeito que nos estruturamos atualmente, as pessoas não param, nunca realmente chegam. Parece até estranho dizer, mas é verdade: a gente quase não se encontra mais.
A cultura da programação nos leva a tratar a cidade como uma tv. Pela internet escolhemos filmes, viagens. Saímos de casa, nos entretemos e voltamos. Nossa premissa: pessoas não são interessantes. Convide alguém para um lugar com pessoas e ouvirá algo como "Mas vai ter música?". Sonho com um lugar que seja somente um espaço de encontro não definido para quem quiser ouvir e ser ouvido, dançar, meditar, oferecer uma aula improvisada... Por que não deixar um lugar ser apenas um lugar? É tudo o que desejamos quando nos abarrotamos em cafés por aí. Vai ficar rica a pessoa que abrir um lugar.
Gustavo Gitti é professor de TaKeTiN
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
A busca pela onda perfeita.
A felicidade não está apenas na conquista, mas na jornada e nos aprendizados e experiências que acumulamos pelo caminho.
PORRodrigo Vieira da Cunha
Sentei para escrever esta coluna já com o título na cabeça e, quando me dei conta, estava absorto em imagens de surfe na internet. Ondas perfeitas na Indonésia. Olho para a televisão e lá estava: outra   , desta vez em Fernando de Noronha. Me deu uma vontade súbita de surfar e automaticamente fechei os olhos e me lembrei de uma sensação que tenho após deslizar em algumas ondas. É um sentimento estranho, que não chega a ser de infelicidade, mas é quase um vazio. Sempre lutava contra isso, ao pensar que não era possível que eu não estivesse completamente feliz fazendo uma das coisas que mais gostava. Até há pouco tempo, isso me causava um enorme desconforto.
Um dia percebi que a origem do desconforto talvez pudesse estar, justamente, no fato de ter chegado lá. A espera de dias, semanas e até meses para ter uma boa sessão de surfe é parte fundamental do processo. A expectativa que alimenta o caminho para chegar àquele momento de prazer é naturalmente apagada no momento em si. Não vou dizer que não tenha mais esta sensação de vazio, mas ela é rapidamente preenchida pela próxima onda. A vontade de repetir a experiência de prazer é a força mobilizadora.
No dia em que consegui racionalizar esta sensação, ficou claro para mim que mais importante do que a conquista é a busca. Mais importante que surfar a é a consciência de que esta procura nunca termina. Talvez a não exista. Mas é a busca por ela que faz a vida valer a pena. É outro jeito de encarar a busca pela felicidade. O sentimento de vazio que emerge logo depois de saciada a vontade de surfar, mesmo estando completamente rodeado pela natureza, com as pernas dentro da água, sentindo a luz do sol e a brisa no rosto, é a mesma que vem depois da conquista de uma meta qualquer, seja de trabalho, esportiva ou pessoal.
A felicidade não está na conquista, mas no que o percurso até ela significou em aprendizados e experiência, e no que ainda vai significar. "A vida vem em ondas, como o mar": Lulu Santos acertou em cheio. Ou "A vida é uma jornada, não um destino", disse o filósofo americano Ralph Emerson. Para mim, a vida é um eterno deslizar em busca da onda perfeita.
Rodrigo Vieira da Cunha é jornalista e embaixador do TEDx na América Latina. O blog dele é o afichacaiu.wordpress.com
O TED é uma conferência criada na Califórnia para espalhar ideias que valem a pena. TEDx é um programa que reúne eventos no espírito do TED organizados de forma independente. Para mais informações sobre o programa TEDx, visite ted.com/tedx.
Um dia percebi que a origem do desconforto talvez pudesse estar, justamente, no fato de ter chegado lá. A espera de dias, semanas e até meses para ter uma boa sessão de surfe é parte fundamental do processo. A expectativa que alimenta o caminho para chegar àquele momento de prazer é naturalmente apagada no momento em si. Não vou dizer que não tenha mais esta sensação de vazio, mas ela é rapidamente preenchida pela próxima onda. A vontade de repetir a experiência de prazer é a força mobilizadora.
No dia em que consegui racionalizar esta sensação, ficou claro para mim que mais importante do que a conquista é a busca. Mais importante que surfar a é a consciência de que esta procura nunca termina. Talvez a não exista. Mas é a busca por ela que faz a vida valer a pena. É outro jeito de encarar a busca pela felicidade. O sentimento de vazio que emerge logo depois de saciada a vontade de surfar, mesmo estando completamente rodeado pela natureza, com as pernas dentro da água, sentindo a luz do sol e a brisa no rosto, é a mesma que vem depois da conquista de uma meta qualquer, seja de trabalho, esportiva ou pessoal.
A felicidade não está na conquista, mas no que o percurso até ela significou em aprendizados e experiência, e no que ainda vai significar. "A vida vem em ondas, como o mar": Lulu Santos acertou em cheio. Ou "A vida é uma jornada, não um destino", disse o filósofo americano Ralph Emerson. Para mim, a vida é um eterno deslizar em busca da onda perfeita.
Rodrigo Vieira da Cunha é jornalista e embaixador do TEDx na América Latina. O blog dele é o afichacaiu.wordpress.com
O TED é uma conferência criada na Califórnia para espalhar ideias que valem a pena. TEDx é um programa que reúne eventos no espírito do TED organizados de forma independente. Para mais informações sobre o programa TEDx, visite ted.com/tedx.
domingo, 17 de novembro de 2013
O verdadeiro luxo.
Não tem a ver com roupas de grife, mansões e diamantes. Muito menos é algo para poucos afortunados. Surpresa: o mapa dessa mina está mais próximo do que você imagina
Momentos que trazem uma sensação de felicidade são luxuosos
Foto: Iara Venanzi
Foto: Iara Venanzi
Sabe quando você faz algo que lhe dá um prazer danado, mas que acontece aqui e ali, bem raramente, e que por isso mesmo traz uma sensação de felicidade que transborda só de pensar? Pois a experiência única, que evoca esse estado de espírito, é o tal luxo para chamar de seu. Ele ganhou um conceito mais flexível, que se desvincula do valor das cifras dos produtos e se aproxima das experiências subjetivas, um luxo emocional, afirma o psicanalista Jorge Forbes.
Objetos de luz
Essa não é a primeira vez que o luxo deixa de ser sinônimo de riqueza e outros frufrus. Ele é tão antigo quanto a própria história da humanidade e em sua origem estava ligado aos rituais que as sociedades primitivas faziam para suas divindades. Acreditavam que iriam comover os deuses com coisas que não eram costumeiras, e que através dessas oferendas, danças e comidas especiais conseguiriam a luz para se orientar. Esses objetos que extrapolavam o cotidiano, veja só, passaram a se chamar objetos de luz, objetos de luxo. Antes de ser uma marca da civilização material, o luxo foi uma característica do ser humano em busca da transcendência, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky, co-autor do livro O Luxo Eterno.
E foi assim até o fim da Idade Média. No início do Renascimento o luxo perde sua aura sagrada, ganhando ares materialistas. Surgem os objetos de luxo suntuosos para as cortes aristocratas. Com a revolução burguesa e o início da sociedade de consumo, os objetos de luxo servem para distinguir as classes sociais. Um tipo de luxo que se acentuou na era industrial e serviu de estímulo para as empresas se desenvolverem com produtos cada vez mais sofisticados. Então veio a recente globalização, que botou tudo de cabeça para baixo. E as pessoas ficaram mais autônomas para gerir sua vida a partir de valores pessoais. Se hoje não existe mais um padrão de gostos, perde o sentido ter objetos de luxo para impressionar os outros, diz Dario Caldas, da agência de tendências Observatório de Sinais.
Mas como descobrir esse novíssimo luxo? Faça este exercício: anote tudo que tem alto valor emocional e que lhe é raro. Pode se sair do trabalho com o sol ainda raiando no céu, lagartear sem fazer absolutamente nada. Bem, o tesouro é este: recuperar o luxo que nos eleva do ter para o ser, da aparência para a essência, trazendo de volta seu antigo valor, de sacralizar momentos, torná-los divinos.
E para você? O que é um luxo? Selecionamos cinco segmentos do luxo tradicional, mas vistos pelo prisma desse novo luxo, para ampliar sua reflexão. E para ajudá-la a viver a dolce vita.
Roupas de grife
O corpo sempre foi a vitrine do luxo. E os trajes funcionaram, no decorrer da história, para demarcar posições sociais. Mas hoje, não há um tipo de roupa que faça a diferenciação social, e sim as marcas de roupas, com seus precinhos salgados a tiracolo.
Atualmente, existe uma democratização da moda e ela não tem mais esse papel forte de distinção social. E a responsabilidade social está incluída no repertório das preciosidades. "O feito a mão é valorizado pela exclusividade da pequena produção", diz a professora Kathia Castilho, organizadora do livro O Novo Luxo. São tecidos pela criatividade da mão humana e não pela precisão da máquina, e suas tramas vêm com história.
Viagens cinco estrelas
No fim das contas, o que realmente faz com que uma viagem seja única? "O que faz com que uma viagem fique na memória são os momentos emocionantes que ela proporciona, e isso independe de seu valor comercial", diz Edgar Werblowsky, que trabalha com ecoturismo há mais de 20 anos. "Acredito que o valor da vida será medido pelas emoções vividas, o que será uma revolução", diz.
Cardápio sofisticado
O que é um alimento sofisticado hoje? Mais que restaurantes badalados, pense nos produtos regionais, feitos de maneira artesanal, sem conservantes - estes sim, uma raridade, diz a culinarista Cênia Salles, coordenadora do movimento Slow Food no Brasil. O princípio básico do movimento é trazer o prazer de volta à mesa, ao degustar com calma alimentos frescos, orgânicos, produzidos de forma que respeite o meio ambiente.
Morada dos sonhos
"Quando você imagina a casa dos sonhos, a primeira pergunta que tem que fazer é: o que faz bem a minha alma? Pode ser uma vista deslumbrante, uma árvore no quintal, morar num prédio que tenha importância histórica, um espaço para desfrutar do sol, enfim, esse será o seu luxo", diz José Eduardo Cazarin, fundador da Axpe, imobiliária de imóveis especiais. Não se trata de exibir um ambiente exterior de riqueza, mas sim de criar um espaço que se pareça conosco, um lugar personalizado. E arremata: "O importante é que sua morada proporcione uma experiência sensorial de bem estar".
Jóias preciosas
São o ícone do luxo. Não foi à toa que Audrey Hepburn imortalizou-se no clássico filme Bonequinha de Luxo. Nele, sua personagem pobretona, mas cheia de classe, suspira ao tomar café da manhã em frente à joalheria Tiffany e sonha que um dia será tão rica que terá todas aquelas preciosidades, e para tanto procura magnatas para casar. Até encontrar a jóia mais preciosa no relacionamento com seu vizinho pé-rapado por quem acaba se apaixonando.
Pois é. Se o novo luxo é emocional, vale lembrar que os relacionamentos são como o ouro do mais puro quilate. Um estudo conduzido pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres demonstrou que uma pessoa que ganha 3 mil reais e encontra com frequência os amigos é tão feliz quanto outra que tem o salário dez vezes mais alto, mas sacrifica sua vida social. A pesquisa feita com 8 mil britânicos se propôs a colocar etiquetas de preços em amigos e parentes. Os resultados mostraram claramente que um aumento no nível de envolvimento social equivale a muitas libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida, afirmou o autor da pesquisa, Nick Powdthavee, especialista em economia aplicada a temas de felicidade.
Livros
O Luxo, Jean Castarède, Barcarolla
O Luxo Eterno,Gilles Lipovestky e Eliette Roux, Companhia das Letras
O Novo Luxo, Kathia Castilho e Nízia Villaça (orgs.), Anhembi Morumbi
A Felicidade Paradoxal, Gilles Lipovestky, Companhia das Letras
Essa não é a primeira vez que o luxo deixa de ser sinônimo de riqueza e outros frufrus. Ele é tão antigo quanto a própria história da humanidade e em sua origem estava ligado aos rituais que as sociedades primitivas faziam para suas divindades. Acreditavam que iriam comover os deuses com coisas que não eram costumeiras, e que através dessas oferendas, danças e comidas especiais conseguiriam a luz para se orientar. Esses objetos que extrapolavam o cotidiano, veja só, passaram a se chamar objetos de luz, objetos de luxo. Antes de ser uma marca da civilização material, o luxo foi uma característica do ser humano em busca da transcendência, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky, co-autor do livro O Luxo Eterno.
E foi assim até o fim da Idade Média. No início do Renascimento o luxo perde sua aura sagrada, ganhando ares materialistas. Surgem os objetos de luxo suntuosos para as cortes aristocratas. Com a revolução burguesa e o início da sociedade de consumo, os objetos de luxo servem para distinguir as classes sociais. Um tipo de luxo que se acentuou na era industrial e serviu de estímulo para as empresas se desenvolverem com produtos cada vez mais sofisticados. Então veio a recente globalização, que botou tudo de cabeça para baixo. E as pessoas ficaram mais autônomas para gerir sua vida a partir de valores pessoais. Se hoje não existe mais um padrão de gostos, perde o sentido ter objetos de luxo para impressionar os outros, diz Dario Caldas, da agência de tendências Observatório de Sinais.
Mas como descobrir esse novíssimo luxo? Faça este exercício: anote tudo que tem alto valor emocional e que lhe é raro. Pode se sair do trabalho com o sol ainda raiando no céu, lagartear sem fazer absolutamente nada. Bem, o tesouro é este: recuperar o luxo que nos eleva do ter para o ser, da aparência para a essência, trazendo de volta seu antigo valor, de sacralizar momentos, torná-los divinos.
E para você? O que é um luxo? Selecionamos cinco segmentos do luxo tradicional, mas vistos pelo prisma desse novo luxo, para ampliar sua reflexão. E para ajudá-la a viver a dolce vita.
Roupas de grife
O corpo sempre foi a vitrine do luxo. E os trajes funcionaram, no decorrer da história, para demarcar posições sociais. Mas hoje, não há um tipo de roupa que faça a diferenciação social, e sim as marcas de roupas, com seus precinhos salgados a tiracolo.
Atualmente, existe uma democratização da moda e ela não tem mais esse papel forte de distinção social. E a responsabilidade social está incluída no repertório das preciosidades. "O feito a mão é valorizado pela exclusividade da pequena produção", diz a professora Kathia Castilho, organizadora do livro O Novo Luxo. São tecidos pela criatividade da mão humana e não pela precisão da máquina, e suas tramas vêm com história.
Viagens cinco estrelas
No fim das contas, o que realmente faz com que uma viagem seja única? "O que faz com que uma viagem fique na memória são os momentos emocionantes que ela proporciona, e isso independe de seu valor comercial", diz Edgar Werblowsky, que trabalha com ecoturismo há mais de 20 anos. "Acredito que o valor da vida será medido pelas emoções vividas, o que será uma revolução", diz.
Cardápio sofisticado
O que é um alimento sofisticado hoje? Mais que restaurantes badalados, pense nos produtos regionais, feitos de maneira artesanal, sem conservantes - estes sim, uma raridade, diz a culinarista Cênia Salles, coordenadora do movimento Slow Food no Brasil. O princípio básico do movimento é trazer o prazer de volta à mesa, ao degustar com calma alimentos frescos, orgânicos, produzidos de forma que respeite o meio ambiente.
Morada dos sonhos
"Quando você imagina a casa dos sonhos, a primeira pergunta que tem que fazer é: o que faz bem a minha alma? Pode ser uma vista deslumbrante, uma árvore no quintal, morar num prédio que tenha importância histórica, um espaço para desfrutar do sol, enfim, esse será o seu luxo", diz José Eduardo Cazarin, fundador da Axpe, imobiliária de imóveis especiais. Não se trata de exibir um ambiente exterior de riqueza, mas sim de criar um espaço que se pareça conosco, um lugar personalizado. E arremata: "O importante é que sua morada proporcione uma experiência sensorial de bem estar".
Jóias preciosas
São o ícone do luxo. Não foi à toa que Audrey Hepburn imortalizou-se no clássico filme Bonequinha de Luxo. Nele, sua personagem pobretona, mas cheia de classe, suspira ao tomar café da manhã em frente à joalheria Tiffany e sonha que um dia será tão rica que terá todas aquelas preciosidades, e para tanto procura magnatas para casar. Até encontrar a jóia mais preciosa no relacionamento com seu vizinho pé-rapado por quem acaba se apaixonando.
Pois é. Se o novo luxo é emocional, vale lembrar que os relacionamentos são como o ouro do mais puro quilate. Um estudo conduzido pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres demonstrou que uma pessoa que ganha 3 mil reais e encontra com frequência os amigos é tão feliz quanto outra que tem o salário dez vezes mais alto, mas sacrifica sua vida social. A pesquisa feita com 8 mil britânicos se propôs a colocar etiquetas de preços em amigos e parentes. Os resultados mostraram claramente que um aumento no nível de envolvimento social equivale a muitas libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida, afirmou o autor da pesquisa, Nick Powdthavee, especialista em economia aplicada a temas de felicidade.
Livros
O Luxo, Jean Castarède, Barcarolla
O Luxo Eterno,Gilles Lipovestky e Eliette Roux, Companhia das Letras
O Novo Luxo, Kathia Castilho e Nízia Villaça (orgs.), Anhembi Morumbi
A Felicidade Paradoxal, Gilles Lipovestky, Companhia das Letras
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