Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos…
E, até que nos encontremos de novo…
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenarem.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!
Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema
Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles
BOAS VINDAS!
Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha
Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As coisas mais simples são os melhores presentes.
Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;
Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;
Harmonia, paz e alegria sempre.
Silvana Mara dias Souza
quarta-feira, 1 de maio de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
Faça um dia das mães diferente!
O Dia das Mães é uma data muito especial, que vai além de presentes caros e do consumismo incentivado pelo comércio. Se você deseja presentear a sua mãe de maneira sustentável, anote algumas dica:
Ao invés de optar pelos shoppings, comércios e presentes caros, faça você mesmo algo inusitado e personalizado. Você pode reutilizar materiais para fazer um porta-retratos ou um vaso.
Caso queira dar um presente pronto, prefira comprar localmente. Uma ideia boa é comprar objetos ou doces feitos manualmente, como obras de artesões ou chocolates artesanais, por exemplo. Não esqueça de escrever um cartão.
Não utilize muita embalagem para embrulhar o presente. Uma opção é reaproveitar embalagens de presentes anteriores que você ganhou, desde que elas estejam em bom estado.
Tente sair da rotina. Pra começar bem o dia, sirva um café da manhã especial para sua mãe, melhor ainda se for na cama, lembre-se de enfeitar a mesa ou a bandeja com alimentos frescos, como frutas e outras opções naturais, e flores.
Domingo é um ótimo dia para fazer passeios tranquilos, como visitas a centros culturais, museus, caminhadas e parques. Passeios simples como esses oferecem um contato com a natureza e são atividades gratuitas. Se a família optar pelo parque, também é possível fazer um piquenique, com alimentos saudáveis, andar de bicicleta e conversar sob a sombra de uma árvore.
Prepare um almoço ou jantar especial, um estilo de vida agitado pode significar momentos em família pouco frequentes. Portanto uma data como essa, serve para atentar à importância da vivência e intimidade familiar.
Uma maneira de deixar a sua mãe feliz, sem custo algum, é dividir as tarefas domésticas entre você e seus familiares e deixar sua mãe ter um “dia de princesa”. Você pode, por exemplo, fazer algo que ela esteja pedindo há muito tempo, como fazer compras no mercado, arrumar o seu quarto, limpar as calhas, entre outras atividades.
Você também pode presentear sua mãe com uma árvore frutífera ou plantar uma flor em um vaso, podendo conservar o presente por muitos outros os dias. Se ela tiver interesse pela terra, outra sugestão é presenteá-la com uma horta caseira, para que ela mesma possa cultivar ervas, legumes, frutas e verduras.
Lembre-se de expressar o seu amor com muitos beijos, abraços e carinhos. É de graça e faz toda a diferença.
"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo" (Gandhi)
Para praticar!
“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” (Amyr Klink)
sexta-feira, 12 de abril de 2013
À DESCOBERTA DO AMOR
"Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol
e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive á sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo."
Mahatma Gandhi
terça-feira, 26 de março de 2013
5 tipos de livros que aumentam a inteligência
Quer ser uma pessoa mais inteligente? Que tal fazer isso mudando os próximos títulos da sua lista de leitura? Confira 5 categorias que podem torná-lo alguém mais inteligente
Publicado no Universia Brasil
1. Ciências
A categoria não inclui apenas os livros científicos, mas todos aqueles que melhoram o nosso conhecimento sobre o mundo “natural”, como estudos sobre a sociedade, etc. O valor desses livros não vem das teorias que eles provam (ou questionam), mas do desenvolvimento da curiosidade que eles despertam, bem como os métodos de aprendizado. Os livros científicos podem ensinar a conduzir uma investigação, confiar na sua intuição e validar temas a partir de evidências.
2. Filosofia
Assim como a ciência, a filosofia cresce a partir do pensamento crítico. Ao contrário das ciências, que nos ajudam a entender o mundo exterior, a filosofia é voltada para dentro, facilitando o processo de entender a si mesmo. A filosofia vai melhorar o seu entendimento das necessidades e desejos humanos, além de aumentar o seu conhecimento sobre as principais prerrogativas do comportamento humano.
3. Ficções científicas
O fato de um livro não ser baseado em uma história real não diminui o seu valor de ensinamentos. Os melhores trabalhos de ficção contêm mais verdade que muitos outros gêneros literários, pois permitem ao seu leitor uma experiência com novas realidades. As ficções criam experiências que elevam o nível de consciência e lidam com questões como a filosofia, a psicologia e até mesmo a história. Lendo ficções você pode desenvolver a sua linguagem e se tornar um melhor escritor, pensador e orador.
4. História
A história pode parecer bastante entediante a princípio, como todos aqueles nomes e datas distantes. Contudo, a história pode ser bastante estimulante se discutida da maneira correta. Ao invés de longos textos explicativos, por exemplo, é possível encarar os fatos como grandes anedotas, cheia de personagens complexos e ideias inovadoras para a época. Aprendendo o passado você se torna mais capaz de interpretar os fatos do seu tempo e consegue reconhecer, inclusive, as heranças deixadas por outras épocas.
5. Poesia
A leitura de grandes poesias produz um sentimento de admiração e reverência com relação ao poder das palavras. Ela aguça suas competências linguísticas e ajuda a desenvolver a sua eloquência. Além disso, você desenvolve o seu vocabulário e compreende melhor o significado das palavras.
sábado, 23 de março de 2013
O papel da mulher contemporânea
O psicanalista Contardo Calligaris entende da alma feminina como poucos. A seguir, ele fala tudo o que pensa sobre o papel da mulher nos dias de hoje
Eduardo Nunomura (redacao.vocesa@abril.com.br) 10/01/2012
É sempre temerário reunir dois homens para
falar de mulheres. Mas o que se lerá nas linhas a seguir, esperamos, é
uma sincera e aguçada leitura do papel da mulher nos dias de hoje a
partir de uma conversa com o psicanalista Contardo Calligaris.
Italiano de Milão radicado no Brasil e cidadão do mundo, Contardo é autor de livros na área da psicologia, já escreveu uma peça teatral e recém-publicou sua segunda obra de ficção literária, A Mulher Vestida de Vermelho e Branco, pela Companhia das Letras.
Nesta entrevista, o psicanalista lembra que, desde os primeiros dias de vida, meninos e meninas são criados de forma diferenciada pela mãe e isso está na origem da distinção e dos papéis que cada um vai assumir na vida adulta. No caso da mulher, papéis que se dividem em três exaustivas missões: ser ao mesmo tempo dona de casa, profissional e amante. "O que permite viver bem entre três jornadas só pode ser uma real dimensão de paixão. É não estar em nenhuma delas por obrigação", diz Contardo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva para o Especial Mulheres:
Especial Mulheres - Comecemos pelas aspirações de homens e mulheres...
Contardo Calligaris - Todo mundo diz que a mulher tem uma jornada dupla, mas ela é tripla. Ser mãe ou dona de casa é diferente de ser amante, que por sua vez é diferente de ter vida profissional. Ela tem o desejo de conquistar um reconhecimento público e, para uma grande maioria, de se realizar como mãe. E sabe que ser amante não é uma sinecura, uma coisa automática, tipo às 23 horas sai uma transa. O homem não tem incumbência do lar, com raras exceções, e não acha que ser amante é uma vocação ou trabalho. Claro que há contradições, porque ele tem desejos aos quais já renunciou. O homem casado, diante da mulher e dos filhos, tem pretensão de ser aquele que se sacrificou pelo bem de todos.
A mulher tem mais chances de se realizar no trabalho?
Não necessariamente, até porque ainda tem uma série de obstáculos para ela. Estamos longe de um mundo no qual homens e mulheres são iguais no trabalho. Mas a mulher tem menos a sensação de ver renegado um desejo para fazer uma escolha profissional. Elas são mais próximas da vida concreta. Os homens vivem a metade do tempo em fantasias, às vezes inconfessáveis, tipo "o que vou fazer quando ganhar na loteria". Isso pode ocupar 30% do tempo deles, e não estou exagerando. A mulher pode até jogar na loteria, mas não vai perder tempo pensando em como gastar aquele dinheiro.
De onde vem essa diferença de mundos?
A causa é feminina. O homem é investido pela mãe da tarefa de ser a realização de todas as aspirações maternas. Essa é uma razão por que ele não para de sonhar. A mulher pode ter outros desejos, mas o fato de sonhar uma vida totalmente diferente não é uma coisa pela qual ela vá perder muito tempo. Ainda hoje as mães tratam meninos e meninas, desde bebê, de forma diferente. Não é porque ela não amaria sua filha, claro que não. Mas com a filha há um registro de rivalidade, que não existe com o menino. Uma das coisas mais complicadas na vida de qualquer mulher é a sua relação com a mãe. Ela não espera da filha que esta seja a realização de todas as suas frustrações.
Esse registro de rivalidade se reflete no trabalho?
Isso reflete entre as mulheres. Os homens também têm forte rivalidade no trabalho, mas o ciúme entre elas é fortíssimo. Só que é possível fazer disso um tema de reflexão. Acredito nesse suporte cognitivo, pois fará você pegar leve, pensar que não é bem assim. Tudo isso ajuda no convívio. A grande maioria das mulheres dirá que prefere um chefe homem a uma chefe mulher. Em geral, sabe por experiência que vai ser tratada melhor, com mais equanimidade.
Dá para equacionar a tríplice jornada?
O segredo para se dar bem é não estar em nenhuma das jornadas por obrigação. Ter vontade de ser amante, ter desejos sexuais fortes. Ter satisfação nas coisas do lar, na função de mãe. E no trabalho também. Não que a conciliação fique mais fácil só agindo assim. É muito difícil quando uma ou ainda duas das três jornadas são vividas num registro de chantagem. "Ó, meu Deus, esqueci de fazer aquilo." Mas há uma cobrança constante por ser feliz... Acho que não precisa ser feliz nunca. A felicidade é um conceito de marketing, que não corresponde a nada na vida real.
O senhor já definiu que a mulher do século 21 é aquela que é sem a culpa de ser mulher.
Durante muito tempo a mulher foi culpada de ser mulher. É como se carregasse uma imperfeição. Freud foi muito criticado nos anos 1960, mas, quando você o lê afirmando como se formam psiquicamente os dois sexos, tem-se a impressão de que o sexo feminino foi descrito negativamente, como aquele sexo ao qual falta um pênis. Muitas psicanalistas fizeram essa crítica, mas no fundo, e não que Freud adote essa visão, expõe um ponto de vista majoritário durante muito tempo. O movimento feminino dos anos 1960 teve uma função muito grande para mudar essa percepção. Porém isso não acabou.
Por que a mulher se cobra por ser mais competente?
Ela ainda sofre com a herança maldita, por ser "imperfeita". O tempo inteiro tem que mostrar que pode e é capaz. Já o homem, por ser homem, seria aquela coisa maravilhosa da mãe. No meu último livro, a personagem mulher de vermelho e branco, é brasileira que casou com um marroquino de ascendência libanesa, muçulmano. Durante a vida nunca tiveram problemas, porque não eram verdadeiramente religiosos. Mas com os filhos surgem os conflitos. Na tradição muçulmana, você amamenta todos os filhos, mas é importante que os varões sejam amamentados mais. Isso traduz a relação materna com o menino e a menina. A gente esquece de quanto isso é profundamente enraizado. Os homens continuam profundamente machistas, achando que a mulher não pode fazer tudo. E elas têm uma certa condescendência com esse comportamento, porque deixam os homens acreditarem nisso.
É conveniente por parte delas?
É cortesia, gentileza. Ela quer que os homens se sintam felizes. Os homens têm tanto medo de um rato quanto as mulheres.
Quais as expectativas em relação à mulher hoje?
Há uma expectativa de uma convivência de igualdade entre gêneros. Mas quem tem uma visão mais apurada poderia esperar que as mulheres aproveitassem melhor a diferença entre homens e mulheres. Ela é objetiva e concreta na visão do mundo. Elas são mais ricas como pessoas, corajosas, malucas. O fato de viver três jornadas faz delas pessoas mais interessantes. Em cada jornada, têm a sensação de que não está dando tudo de si nas outras duas. Ela inventa artes de viver que são mais fascinantes.
No mundo em que a novidade se impõe, a mulher está mais pronta para o novo?
Acho que sim. O homem está inserido em boa parte de sua vida numa fantasia, que, em geral, é repetitiva. A mulher é mais plástica e tem mais facilidade de enfrentar situações diferentes, se adaptar a elas e mudar rapidamente. Isso pode ser uma vantagem muito grande.
O que não se espera mais da mulher?
Pois é, isso qualquer mulher gostaria de saber (risos). A minha impressão é de que as coisas só se acrescentam. Os papéis delas crescem, se multiplicam sem que saiam os anteriores. Mas não se pode olhar essa tripla jornada como se fosse uma cruel imposição da sociedade e, em particular, dos homens. No fundo, a maioria das mulheres não quer renunciar a nenhuma dessas funções. Entre 1994 a 2004, trabalhei em Nova York e meus pacientes eram homens e mulheres do mercado financeiro. A exigência de trabalho era monstruosa e eu ouvia que aquele era o momento da vida delas em que fariam uma pequena fortuna, e aí se permitiriam formar uma família. Mas isso foi dramático porque chegaram num flash aos 40 anos para descobrir que já era tarde.
A sociedade pode vir, um dia, a perder o viés machista?
Gradualmente é o que está acontecendo. Ao mesmo tempo persiste uma desigualdade, que não tem a ver com a questão de salários, mas é uma desigualdade dos sexos. Seria triste imaginar uma sociedade isonômica. Desde a adolescência, eu nunca imaginava que o mundo mudaria tanto. Se alguém, nos anos 1960, me dissesse que as mulheres estariam no Exército, no comando de empresas ou governando países, eu diria que estaria maluco.
Italiano de Milão radicado no Brasil e cidadão do mundo, Contardo é autor de livros na área da psicologia, já escreveu uma peça teatral e recém-publicou sua segunda obra de ficção literária, A Mulher Vestida de Vermelho e Branco, pela Companhia das Letras.
Nesta entrevista, o psicanalista lembra que, desde os primeiros dias de vida, meninos e meninas são criados de forma diferenciada pela mãe e isso está na origem da distinção e dos papéis que cada um vai assumir na vida adulta. No caso da mulher, papéis que se dividem em três exaustivas missões: ser ao mesmo tempo dona de casa, profissional e amante. "O que permite viver bem entre três jornadas só pode ser uma real dimensão de paixão. É não estar em nenhuma delas por obrigação", diz Contardo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista exclusiva para o Especial Mulheres:
Especial Mulheres - Comecemos pelas aspirações de homens e mulheres...
Contardo Calligaris - Todo mundo diz que a mulher tem uma jornada dupla, mas ela é tripla. Ser mãe ou dona de casa é diferente de ser amante, que por sua vez é diferente de ter vida profissional. Ela tem o desejo de conquistar um reconhecimento público e, para uma grande maioria, de se realizar como mãe. E sabe que ser amante não é uma sinecura, uma coisa automática, tipo às 23 horas sai uma transa. O homem não tem incumbência do lar, com raras exceções, e não acha que ser amante é uma vocação ou trabalho. Claro que há contradições, porque ele tem desejos aos quais já renunciou. O homem casado, diante da mulher e dos filhos, tem pretensão de ser aquele que se sacrificou pelo bem de todos.
A mulher tem mais chances de se realizar no trabalho?
Não necessariamente, até porque ainda tem uma série de obstáculos para ela. Estamos longe de um mundo no qual homens e mulheres são iguais no trabalho. Mas a mulher tem menos a sensação de ver renegado um desejo para fazer uma escolha profissional. Elas são mais próximas da vida concreta. Os homens vivem a metade do tempo em fantasias, às vezes inconfessáveis, tipo "o que vou fazer quando ganhar na loteria". Isso pode ocupar 30% do tempo deles, e não estou exagerando. A mulher pode até jogar na loteria, mas não vai perder tempo pensando em como gastar aquele dinheiro.
De onde vem essa diferença de mundos?
A causa é feminina. O homem é investido pela mãe da tarefa de ser a realização de todas as aspirações maternas. Essa é uma razão por que ele não para de sonhar. A mulher pode ter outros desejos, mas o fato de sonhar uma vida totalmente diferente não é uma coisa pela qual ela vá perder muito tempo. Ainda hoje as mães tratam meninos e meninas, desde bebê, de forma diferente. Não é porque ela não amaria sua filha, claro que não. Mas com a filha há um registro de rivalidade, que não existe com o menino. Uma das coisas mais complicadas na vida de qualquer mulher é a sua relação com a mãe. Ela não espera da filha que esta seja a realização de todas as suas frustrações.
Esse registro de rivalidade se reflete no trabalho?
Isso reflete entre as mulheres. Os homens também têm forte rivalidade no trabalho, mas o ciúme entre elas é fortíssimo. Só que é possível fazer disso um tema de reflexão. Acredito nesse suporte cognitivo, pois fará você pegar leve, pensar que não é bem assim. Tudo isso ajuda no convívio. A grande maioria das mulheres dirá que prefere um chefe homem a uma chefe mulher. Em geral, sabe por experiência que vai ser tratada melhor, com mais equanimidade.
Dá para equacionar a tríplice jornada?
O segredo para se dar bem é não estar em nenhuma das jornadas por obrigação. Ter vontade de ser amante, ter desejos sexuais fortes. Ter satisfação nas coisas do lar, na função de mãe. E no trabalho também. Não que a conciliação fique mais fácil só agindo assim. É muito difícil quando uma ou ainda duas das três jornadas são vividas num registro de chantagem. "Ó, meu Deus, esqueci de fazer aquilo." Mas há uma cobrança constante por ser feliz... Acho que não precisa ser feliz nunca. A felicidade é um conceito de marketing, que não corresponde a nada na vida real.
O senhor já definiu que a mulher do século 21 é aquela que é sem a culpa de ser mulher.
Durante muito tempo a mulher foi culpada de ser mulher. É como se carregasse uma imperfeição. Freud foi muito criticado nos anos 1960, mas, quando você o lê afirmando como se formam psiquicamente os dois sexos, tem-se a impressão de que o sexo feminino foi descrito negativamente, como aquele sexo ao qual falta um pênis. Muitas psicanalistas fizeram essa crítica, mas no fundo, e não que Freud adote essa visão, expõe um ponto de vista majoritário durante muito tempo. O movimento feminino dos anos 1960 teve uma função muito grande para mudar essa percepção. Porém isso não acabou.
Por que a mulher se cobra por ser mais competente?
Ela ainda sofre com a herança maldita, por ser "imperfeita". O tempo inteiro tem que mostrar que pode e é capaz. Já o homem, por ser homem, seria aquela coisa maravilhosa da mãe. No meu último livro, a personagem mulher de vermelho e branco, é brasileira que casou com um marroquino de ascendência libanesa, muçulmano. Durante a vida nunca tiveram problemas, porque não eram verdadeiramente religiosos. Mas com os filhos surgem os conflitos. Na tradição muçulmana, você amamenta todos os filhos, mas é importante que os varões sejam amamentados mais. Isso traduz a relação materna com o menino e a menina. A gente esquece de quanto isso é profundamente enraizado. Os homens continuam profundamente machistas, achando que a mulher não pode fazer tudo. E elas têm uma certa condescendência com esse comportamento, porque deixam os homens acreditarem nisso.
É conveniente por parte delas?
É cortesia, gentileza. Ela quer que os homens se sintam felizes. Os homens têm tanto medo de um rato quanto as mulheres.
Quais as expectativas em relação à mulher hoje?
Há uma expectativa de uma convivência de igualdade entre gêneros. Mas quem tem uma visão mais apurada poderia esperar que as mulheres aproveitassem melhor a diferença entre homens e mulheres. Ela é objetiva e concreta na visão do mundo. Elas são mais ricas como pessoas, corajosas, malucas. O fato de viver três jornadas faz delas pessoas mais interessantes. Em cada jornada, têm a sensação de que não está dando tudo de si nas outras duas. Ela inventa artes de viver que são mais fascinantes.
No mundo em que a novidade se impõe, a mulher está mais pronta para o novo?
Acho que sim. O homem está inserido em boa parte de sua vida numa fantasia, que, em geral, é repetitiva. A mulher é mais plástica e tem mais facilidade de enfrentar situações diferentes, se adaptar a elas e mudar rapidamente. Isso pode ser uma vantagem muito grande.
O que não se espera mais da mulher?
Pois é, isso qualquer mulher gostaria de saber (risos). A minha impressão é de que as coisas só se acrescentam. Os papéis delas crescem, se multiplicam sem que saiam os anteriores. Mas não se pode olhar essa tripla jornada como se fosse uma cruel imposição da sociedade e, em particular, dos homens. No fundo, a maioria das mulheres não quer renunciar a nenhuma dessas funções. Entre 1994 a 2004, trabalhei em Nova York e meus pacientes eram homens e mulheres do mercado financeiro. A exigência de trabalho era monstruosa e eu ouvia que aquele era o momento da vida delas em que fariam uma pequena fortuna, e aí se permitiriam formar uma família. Mas isso foi dramático porque chegaram num flash aos 40 anos para descobrir que já era tarde.
A sociedade pode vir, um dia, a perder o viés machista?
Gradualmente é o que está acontecendo. Ao mesmo tempo persiste uma desigualdade, que não tem a ver com a questão de salários, mas é uma desigualdade dos sexos. Seria triste imaginar uma sociedade isonômica. Desde a adolescência, eu nunca imaginava que o mundo mudaria tanto. Se alguém, nos anos 1960, me dissesse que as mulheres estariam no Exército, no comando de empresas ou governando países, eu diria que estaria maluco.
sexta-feira, 22 de março de 2013
HOOPONOPONO...Perdão!
Oração ao Criador
Divino Criador Pai, Mãe, Filho, todos em Um,
Se eu, minha família, meus parentes e antepassados
Ofendemos tua família, parentes e antepassados
Em pensamentos, palavras, fatos ou ações
Desde o inicio de nossa criação até o presente;
Nós pedimos teu perdão
Deixe que isto se limpe, purifique, libere
E corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas
Transmuta essas energias indesejáveis em pura luz. E assim é.
Para limpar meu subconsciente
De toda a carga emocional armazenado nele,
Digo uma e outra vez durante meu dia
As palavras chaves do Hooponopono
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Me declaro em paz com todas as pessoas da Terra
E com quem tenho dívidas pendentes
Por esse instante em seu tempo
Por tudo o que não me agrada de minha presente vida
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Eu libero todos aqueles de quem acredito
Estar recebendo danos e mal tratos
Porque simplesmente me devolvem
O que eu os fiz antes
Em alguma vida passada
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Ainda que me seja difícil perdoar alguém
Eu sou quem pede perdão a esse alguém agora
Por esse instante em todo tempo
Por tudo o que não me agrada de minha vida presente
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Por este espaço sagrado que habito dia a dia
E com o qual não me sinto confortável com isto
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Pelas difíceis relações das quais guardo somente lembranças ruins
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Por tudo o que não me agrada na minha vida presente
De minha vida passada, de meu trabalho
Ou o que está ao meu redor
Divindade, limpa em mim o que está contribuindo com minha escassez
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Se meu corpo físico experimenta
Ansiedade, preocupação, culpa, medo, tristeza, dor...
Pronuncio e penso: minhas memórias, eu te amo
Estou agradecida pela oportunidade de libertá-los a voces e a mim
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Neste momento afirmo que ...eu te amo.
Penso em minha saúde emocional
E na de todos os meus seres amados...te amo
Para minhas necessidades e para aprender a esperar sem ansiedade, sem medo
Reconheço as memórias aqui.....sinto muito, te amo.
Minha contribuição para a cura da Terra
Amada Mãe Terra, que és quem Eu sou
Se eu, minha família, meus parentes e antepassados
Te maltratamos com pensamentos, palavras, fatos e ações
Desde o inicio de nossa Criação até o presente
Eu peço teu perdão
Deixa que isto se limpe, purifique, libere e corte todas
as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas.
Transmuta estas energias indesejáveis em pura luz. E assim é.
Para concluir, faço de teu conhecimento
Que este áudio é minha contribuição
À tua saúde emocional
Que é a mesma minha
Então esteja bem.
E na medida que tu vais te curando, eu te digo que
Eu sinto muito pelas memórias de dor que comparto contigo.
Te peço perdão por unir meu caminho a ti para curar
Te dou as graças porque estás aqui por mim
E eu te amo por ser quem és
sexta-feira, 15 de março de 2013
Cuide bem da sua saúde!
l
Há um ditado que diz que cada pessoa escolhe a sua própria droga: seja ela café, açúcar, sal, gorduras, esporte em excesso, adrenalina, sexo, cigarro, ou todas as outras do time das ilícitas. Acredita-se que dificilmente alguém sai ileso quando o quesito é adotar algo que contribua para algum tipo de efeito positivo no organismo. Concordamos com o fato de que esse é um direito do qual as pessoas não deveriam abrir mão: cada um sabe da sua existência e cuida dela como acha melhor. Acontece que, muitas vezes, estamos tão distraídos com outras coisas que acabamos nosenvenenando inconscientemente. Muitas vezes até sabemos dos danos, mas não queremos nos aprofundar muito nesse conhecimento.
Uma das formas de “entorpecimento alienado” costuma se dar nas escolhas do que colocamos nos nossos pratos todos os dias. Sem dúvida, os alimentos industrializados foram um passo sensacional na evolução de uma sociedade que não tem tempo/vontade para cozinhar a comida em casa. Por isso, antes que você ache que lá vem mais um discurso ecochato, avisamos: odiamos ecochatice. O que a gente quer com esse post é fazer um alerta sobre o fato que estamos nos envenenando, e que a maioria das pessoas não tem consciência desse fato.
Confiamos nas marcas/governo e nem paramos para dar uma olhada nos rótulos das comidas que muitas vezes são tudo, menos alimento. Assim engordamos, ficamos doentes, perdemos vitalidade por falta de consciência. Vale lembrar que nosso objetivo aqui também não é atacar nenhuma marca de produto industrializado; eles não estão fazendo nada de ilegal – errado somos nós que compramos sem pensar. A ideia é questionar: por que tantos químicos e conservantes? Se algumas marcas utilizam produtos mais naturais, por que as outras não seguem o exemplo? Pra que colocar tanto açúcar disfarçado nas comidas? (muitos produtos tem na lista o açúcar como primeiro ingrediente – e os ingredientes são organizados por quantidade, ou seja, se o açúcar está em primeiro, significa que a base do produto é açúcar.)
Em meio a itens disfarçados de comida, há uma infinidade de substâncias químicas como aromatizantes, corantes, antioxidantes, conservantes, estabilizantes e acidulantes que, com consumo exagerado, causam os mais diversos danos aos nossos corpos – desde obesidade, passando por câncer, até enxaquecas e Alzheimer . Esses inimigos são identificados nos rótulos, muitas vezes em letras miúdas, para desmotivar a leitura.
No entanto, se abdicar dos alimentos industrializados não é algo a se considerar, o que fazer para minimizar esse problema? A mudança de hábito é simples: começar a ler a tabela de ingredientes que obrigatoriamente vem em todos os alimentos que compramos. Com esse hábito, você vai perceber que nem todas as marcas/produtos são ruins; algumas delas, conseguem produzir alimentos gostosos sem forçar a barra nas substâncias químicas. Uma regra super básica que funciona na hora de escolher é pensar: se você não sabe o que é aquele ingrediente, seu corpo também não vai saber. Ou seja, privilegiar ingredientes reais/naturais é sempre a melhor decisão.
Para você entender melhor, fomos ao supermercado e saímos fotografando alguns rótulos. Para cada alimento que qualquer pessoa em sã consciência deveria evitar, mostramos que há sim escolhas mais inteligentes e que nem sempre são mais caras. Veja só: (obs: a ideia desse post não é fazer uma análise nutricional complexa dos alimentos, e sim despertar as pessoas para a importância de ler rótulos. Há muito mais coisas que devem ser analisadas além dos ingredientes, como níveis de gordura saturada, sódio, entre outros, mas essa abordagem fica para um próximo post.)
1. Margarina X Manteiga
A mídia em geral tenta passar a imagem de que a margarina é mais saudável mas, basta uma rápida olhada no rótulo para se assustar: a “inocente” margarina é formada basicamente por ingredientes químicos que não conhecemos. A manteiga da marca fotografada é totalmente diferente: leva dois ingredientes e ambos são conhecidos pela gente.
2. Iogurte com sabor X Iogurte natural
Os dois iogurtes que fotografamos são da mesma marca. O primeiro, porém, tem uma lista de componentes químicos gigantescas – tudo para dar um sabor de cenoura e mel – enquanto o outro é basicamente leite e fermento. Ok, você quer seu iogurte docinho? Compra mel natural e mistura uma colherona. Vale também colocar frutas e granola. Você vai deixar de ingerir um monte de coisas artificiais somente nessa mudança básica.
3. Suco de laranja de marcas diferentes
Nesse caso, analisamos 2 sucos de laranjas de marcas diferentes (o primeiro de soja, e o segundo não). No primeiro caso, além de ter um monte de conservantes químicos, o primeiro ingrediente é açúcar: ou seja, açúcar é a base desse produto – diferente do segundo, cuja água, suco concentrado e polpa de laranja vêm antes do açúcar, ou seja, são os ingredientes principais. O sabor dos dois é praticamente o mesmo, mas o seu corpo com certeza percebe a diferença no primeiro gole.
4. Macarrão instantâneo normal X Macarrão instantâneo orgânico
Quem nunca recorreu a um macarrão instantâneo numa hora crítica de fome? Não, não queremos que você pare com esse hábito. Apenas queremos mostrar que há opções mais inteligentes. Os ingredientes do primeiro produto estavam numa fonte tão pequena, que mal apareceram na foto (será que é proposital?). Não importa – o importante é perceber a diferença entre o mesmo produto de marcas diferentes. No segundo, apesar de conter diversos ingredientes, eles são 99% naturais e sabemos do que se trata – bom sinal.
5. Chocolate em pó de marcas diferentes
Como dissemos, os ingredientes dos alimentos são listados conforme a quantidade existente. Então obviamente, quando queremos comprar um achocolatado em pó, o ingrediente em maior quantidade tem que ser açúcar. OH WAIT! Açúcar? Isso mesmo. O primeiro chocolate analisado na foto tem açúcar como base – ou seja, você está comprando açúcar com um pouco de chocolate, e não o contrário. Diferente do segundo que tem em sua maioria cacau em pó solúvel.
6. Ketchup de marcas diferentes
Mesmo alimentos como o ketchup, que não escondem de ninguém que fazem parte das junk foods, têm opções mais saudáveis. Analisamos essas duas marcas e a primeira contém muito mais substâncias químicas do que a segunda.
7. Barra de Cereal de marcas diferentes
E então você vai no mercado e escolhe uma barrinha crente que está fazendo uma escolha super saudável. Mas se lesse o rótulo teria uma surpresa. O primeiro produto da foto já começa mal: o ingrediente que ela tem em maior quantidade é o xarope de glicose, que nada mais é do que um xarope de milho rico em frutose. Extraído do amido, é um adoçante potente e ainda mais barato do que o açúcar tradicional, e aumenta o nível de triglicerídeos no sangue e estimula a obesidade. Ou seja, você compra uma barrinha achando que está dentro da dieta, mas na verdade é uma armadilha. Tirando isso, basta correr os olhos na lista para identificar mais um monte de ingredientes químicos. A segunda marca é muito diferente: tem como base aveia laminada integral e mais um monte de grãos, como toda barra de cereal deveria ser.
8. Tempero artificial X tempero natural
Daí você decide que quer seu arroz um pouco mais temperado, e investe seu dinheiro nesses temperos prontos. Além de terem como base sal, eles contém um vilão que se esconde por trás de muitos alimentos nas gôndolas do mercado: um realçador de sabor chamado Glutamato Monossódico, tradicional da culinária chinesa. O glutamato é considerado uma excitotoxina, ou seja, ele superexcita as células nervosas, pois é utilizado como um transmissor de impulsos nervosos. O consumo excessivo e/ou frequente desta substância tem sido associado à certas doenças neurológicas como: Alzheimer, Parkinson, dificuldade de aprendizado, hiperatividade e enxaquecas. Na dúvida, vá nos ingredientes que sua mãe e avó sempre usaram: a cebola e o alho.
Esses são apenas alguns exemplos diante da imensidão de escolhas que o supermercado oferece todos os dias. Agora a escolha é sua – vai querer investir o seu dinheiro em qual marca? Precisamos incentivar a compra dos produtos que são mais conscientes e naturais e deixar de comprar aqueles que apelam nas substâncias químicas, pois só assim a mudança será gerada. Se deixarmos de comprar produtos de marcas que não estão nem um pouco interessadas na saúde dos seus consumidores, eles terão que correr atrás para acompanhar as exigências dos consumidores.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Pra comemorar o Dia da Poesia!
Benditas
Zélia Duncan
Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas
A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma
quarta-feira, 13 de março de 2013
Lazer e qualidade de vida
ARTIGOS, QUALIDADE DE VIDA BY LUIZ ROBERTO FAVA
Ogata & de Marchi, em seu livro Wellness – Seu guia de bem-estar e qualidade de vida(2008), ensinam que o bem-estar depende diretamente de nosso estilo de vida, sendo que cinco fatores tem uma grande significância:
1º – carga genética – representa 30% de nossa capacidade de estar saudável e representa a predisposição para a saúde ou a doença;
2º – circunstâncias sociais – representam 15% e estão relacionadas à educação, emprego, moradia, renda e coesão social;
3º – condições ambientais – relacionados com os riscos dos locais onde se vive e trabalha: representam 5%;
4º – escolhas comportamentais – são as mais importantes e correspondem a 40% do total e se relacionam às nossas práticas de comportamento e ao nosso estilo de vida; e,
5º – cuidados médicos – correspondem aos 10% restantes.
A análise destas porcentagens, ainda segundo os autores, significa: o ser humano tem o poder de controlar mais de 50% da sua qualidade de vida, bem-estar e saúde.
Convém lembrar que todo ser humano tem oito áreas para administrar em sua vida: física, emocional, intelectual, profissional, financeira, lazer, relacionamentos (inclusive a família) e espiritual.
Com as atribulações de um mundo globalizado, as pessoas estão cada vez mais preocupadas com o trabalho e a manutenção de suas atividades laborais e em busca de mais e melhores qualificações e acabam se esquecendo do equilíbrio que deve haver entre aquelas oito áreas.
E o lazer é uma delas.
Infelizmente, muitas pessoas acreditem que o lazer se resume, simplesmente, a tirar férias ou gastar dinheiro indo para locais paradisíacos ou frequentando restaurantes estrelados pelo guia Michelin.
Se formos consultar a literatura, vamos perceber que lazer é muito mais do que isso.
Talvez a melhor descrição seja a de Joffre Dumazedier, que afirma: o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se e entreter-se ou, ainda, para desenvolver a sua informação ou formação desinteressada, sua participação social ou a sua livre capacidade criadora depois de se livrar ou se desembaraçar das suas obrigações profissionais, familiares e sociais.
A prática de uma atividade de lazer leva o ser humano a um estado de satisfação, prazer e felicidade e contribui para o seu desenvolvimento pessoal e social.
Dumazedier também ensina os interesses das pessoas em praticar o lazer, os quais podem ser de cinco naturezas:
1ª – interesse físico
Representado pela prática de alguma atividade física independentemente de sua natureza: caminhada, corrida, tênis, squash, patinação, dança, atividade de aventura, esportes coletivos (vôlei, futebol), etc.
2ª – interesse artístico
A pessoa se dedica à prática de alguma manifestação artística, como cinema, teatro, etc.
3ª – interesse manual
Neste caso o prazer está ligado ao uso das mãos, como tocar algum instrumento musical (violão, harpa, bateria, instrumentos de sopro), pintura em suas diferentes manifestações, escultura, confecção de roupas, objetos, etc.
4ª – interesse intelectual
O prazer é alinhado ao uso do pensamento. Neste grupo de atividades incluem-se o xadrez, palavras cruzadas, sudoku, escrever artigos, livros, crônicas, ou ainda, ministrar palestras, cursos e workshops.
5ª – interesses sociais
Festas, encontros, celebrações, constituem interesse onde as pessoas aumentam sua satisfação prazer e felicidade através de sua plena capacidade de relacionamentos e sociabilização.
A prática de uma atividade de lazer traz inúmeros benefícios para as pessoas, tais como:
- melhora do bom humor;
- aumenta o entusiasmo pela vida;
- fortalece o sistema imunológico;
- eleva a autoestima;
- reduz a obesidade;
- combate o estresse ruim;
- aumenta a longevidade;
- reduz os riscos de desenvolver doenças, como a depressão;
- estimula a sociabilização;
- desenvolve a criatividade;
- contribui para o bem-estar geral;
- necessário para a manutenção e promoção da saúde; e,
- contribui para a recuperação de pacientes que sofreram derrames cerebrais, pacientes internados em UTIs e no tratamento de crianças com problemas psiquiátricos.
Cada pessoa deve procurar alguma atividade que lhe faça bem. Por exemplo: se você é um atleta de final de semana e vai jogar futebol com os amigos por duas horas, pode ser que você passe o resto da semana sofrendo de dores musculares. Será que isso é lazer?
Por isso cada um deve estar ciente que a escolha de uma atividade de lazer é individual; a minha escolha pode não ser a sua escolha.
O importante é que esta escolha esteja sempre sustentada pelo tripé satisfação, prazer e felicidade.
Repito, nossa qualidade de vida está em saber equilibrar nossas oito áreas. E a prática de uma atividade de lazer contribui para que este equilíbrio seja alcançado.
sexta-feira, 8 de março de 2013
As heroínas anônimas: 8 de março, Dia Internacional da Mulher
Posted: 07 Mar 2013 04:51 PM PST
Para o Dia Internacional da Mulher: Há tantas mulheres anônimas, sem registro nos livros ou na Wikipédia, tantas heroínas em silêncio, que agem como se fosse próprio do agir humano a doação
Urariano Mota, Direto da RedaçãoBusco no google informações sobre o dia 8 de março. Entre 3.440.000 resultados recolho informações que não se harmonizam. No primeiro endereço, na wikipédia, leio que “O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917”.
No segundo endereço, me dizem que “no Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas”.
Ela segue curvada, silenciosa empurrando a cadeira de rodas entre buracos e obstáculos. O filho velho acha tão natural o esforço da mãe, que está sempre a sorrir olhando o oceano. Essa velhinha, que digo?, essa magnífica senhora comove a tal ponto, que viro o rosto para o outro lado, para o mar, como a me dizer eu não posso vê-la, não posso nem devo, porque não conseguirei segurar a frase: “minha senhora, por favor, de onde retira tanta força? Me dê o seu lugar”. E sei que se assim eu fizesse, eu a incomodaria, porque é próprio dos heróis a discrição, o anonimato.
Sei que muita gente há de estranhar o sentido que extraio para heroína, herói. Para um quadro de amor do cotidiano, chamar uma velhinha de heroína parece exagero e inadequado. Pois o dicionário Aulete nos fala que herói é “homem notável por sua coragem, feitos incríveis, generosidade e altruísmo… Ver semideus”. Já o Houaiss delimita: “filho da união de um deus ou uma deusa com um ser humano; semideus .. indivíduo capaz de suportar exemplarmente uma sorte incomum (p.ex., infortúnios, sofrimentos) ou que arrisca a vida pelo dever ou em benefício de outrem”.
Suportar uma sorte incomum… o que os dicionários registram está mais para mitologia e extraordinários, para indivíduos raros, distantes todos de todas as tardes na praia. Se mantenho o sangue-frio, digo que herói nessas definições é um conceito miserável de conteúdo de vida. Enquanto escrevo não me sai da cabeça o Noturno número 5 de Chopin para a visão dessa senhora a carregar o filho velho na praia. Aqui ( Veja o vídeo ) a música toca para a sua penitência oculta e contente. Não lhe tirem o fardo! ela não quer. Então eu sei que sem humanidade é um conceito de herói que não fala da entrega pessoal, de todos os dias, em silêncio, para que outros tenham a felicidade. Pois a sua, a desta senhora, é carregar o seu doce e suave fardo. Somente Chopin lhe fala, porque toca para que ela deslize entre pedras a carregar o maduro ex-feto, que não ganha independência, porque depende das velhas mãos. E tudo sem clarins ou trombetas.
Então me vem uma certa mulher do meu próximo romance, “O filho renegado de Deus”. Nele há uma página em que a personagem Maria consola o filho menino, que sofria ao ver a namorada sair com outros meninos:
“Ela lhe tocou nos cabelos e lhe deu um magnífico lanche de pão com açúcar. Assim mesmo, um sanduíche de bolachão aberto com açúcar espalhado dentro, logo ela, que o corrigia sempre quando ele reclamava do café aguado, ‘o seu pai não é usineiro’. Sim, mas para matar a dor a mãe era dona de usina, uma usineira próspera, e pouco lhe importava que mais tarde o café fosse mais amargo.
- Tome, foi feitinho agora pra você”.
segunda-feira, 4 de março de 2013
MILHO DE PIPOCA
"Milho de pipoca que não passa pelo fogo
Continua a ser milho para sempre."
Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem
... Quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo, fica do
Mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice e uma
Dureza assombrosa.
Só que elas não percebem e acham que
Seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.
Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo é quando a vida nos lança numa
Situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora:
Perder um amor, perder um filho, o pai,
a Mãe, perder o emprego ou ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro:
Pânico, medo, ansiedade, depressão ou
Sofrimento, cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio:
Apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento
Diminui. Com isso, a possibilidade da
Grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada
Dentro da panela, lá dentro cada vez
Mais quente, pensa que sua hora chegou:
Vai morrer. Dentro de sua casca dura,
Fechada em si mesma, ela não pode
Imaginar um destino diferente para si.
Não pode imaginar a transformação que
Está sendo preparada para ela.
A Pipoca não imagina aquilo de que ela é
Capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder
Do fogo a grande transformação acontece:
BUM!
E ela aparece como uma outra coisa
Completamente diferente, algo que ela
Mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o
Milho de Pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais
Que o fogo esquente, se recusam a mudar.
Elas acham que não pode existir
Coisa mais maravilhosa do que o jeito
Delas serem.
A presunção e o medo são a dura
casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já
Que ficarão duras a vida Inteira.
Não vão se transformar na flor branca,
Macia e nutritiva.
Não vão Dar alegria para ninguém.
(Extraído do livro: O Amor que Acende a Lua de Rubem Alves.)
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Eu não visto 38. E daí?
Não importa que corpo você tenha, insistem em fazer com que você se sinta infeliz com ele
Como reagir a um mundo que insiste em fazer com que você se sinta infeliz com seu corpo, não importa que corpo você tenha!
As mulheres
de proporções “perfeitas” estão em todas as revistas, anúncios,
catálogos, comerciais de TV: 90 de busto, 60 de cintura, 90 de quadril,
todas vestindo o desejadíssimo manequim 38. Elas não são nem tão magras
quanto as modelos de passarela nem tão voluptuosas como as mulheres
fruta. Elas são equilibradas. Elas são inatingíveis. Elas vendem saúde, o
sorriso é branquíssimo, o bronzeado vive em dia, uma pele sem manchas,
uma bunda durinha e curvas perfeitas. Elas são um sonho. Elas são o que
você não é. Elas são, aliás, algo ainda pior: elas são o que você
poderia ser. A mulher ideal.
Bastava
só um remedinho a mais, uma dieta um pouco mais forte, horas e dias
extras na academia, um tratamento estético especial. Porque o que elas
fazem é deixar as garotas “reais”, nós, com água na boca, famintas por
todos aqueles atributos estampados ou projetados na tela. Ah, como elas
fazem a gente viver de mal com a gente, não é? Você não se sente assim?
Um pouco? Muito?
Por que isso é tão comum?
De acordo com um levantamento da antropóloga norte-americana Jean Kilbourne, que analisa a imagem do corpo feminino na publicidade há mais de duas décadas, somos bombardeadas a cada semana por cerca de 3 mil anúncios publicitários que trazem modelos (mulheres ou homens) extremamente manipulados por programas de edição de imagem. Gente sem uma ruga, cicatriz ou imperfeição – além de serem quase sempre pessoas brancas e extremamente magras, cujo biotipo “small” (pequeno) diz respeito geneticamente a apenas 5% da população. Depois disso, como é que os outros 95% vão se sentir normais?
Eles não se sentem. Quando tinha 20 e poucos anos, a cantora paraense Gaby Amarantos,
33, vivia às turras com o espelho. “Só me vestia de preto”, diz.
“Achava que menina gordinha devia usar preto porque fazia parecer mais
magra.” Na época, teve depressão e desenvolveu bulimia. “Eu achava que
não tinha nenhuma chance, que, para ser cantora, ter namorado e uma vida
legal, uma mulher tinha que ser magra.”
Insatisfação crônica
Com toda essa pressão social, a preocupação com o corpo não é, nem de longe, privilégio de meninas gordinhas. A designer Julia Rocha, 28 anos, uma das garotas que ilustram estas páginas, é um exemplo disso. “Uso manequim 40, 42, mas definitivamente não me sinto bem resolvida com o meu corpo.” O que a incomoda: “Tenho quadril demais, culote. Às vezes me sinto flácida. Nunca usei um vestido tubinho na vida”.
Apesar
de muitas vezes ficar brigando com o espelho, Julia sabe que sua
paranoia tem raízes culturais e psicológicas. “A gente lida com muita
pressão, ainda mais aqui no Rio de Janeiro. Você está sempre na praia,
cercada de pessoas lindas. Tem dias em que me sinto um lixo. Mas sei que
tem a ver com a minha cabeça. Quando estou bem, não me sinto mal com
meu corpo.” Na busca por esse acordo com a autoestima, a designer
decidiu reencontrar a própria beleza e topou ser retratada nua pelo
fotógrafoJorge Bispo no projeto Apartamento 302 [leia box abaixo].
Em vez de encarar a câmera fotográfica, a socióloga Kjerstin Gruys escolheu
outra estratégia: não olhar. Nem para o espelho. Faltavam seis meses
para o dia do seu casamento e ela vivia um roteiro clássico de
preocupações: queria emagrecer e não conseguia. A pele tinha marcas e
não deveria ter marcas. O cabelo podia ser outro, o mundo era injusto, o
universo era uma praga. Era março de 2011 e Kjerstin tinha acabado de
tirar um dia para provar o vestido de noiva. Na loja, viu um desastre em
tecido branco e forma de mulher. Nada cabia, nada ficava bom, por que
tudo estava sempre tão errado?
Na
manhã seguinte, a norte-americana, uma ex-vendedora de butique,
acordou, olhou para o espelho e tomou uma decisão: não olhar mais para o
espelho. Por um ano. Ela iniciou, então, um mês de treinamento.
Aprendeu a escovar os dentes sem deixar marca de pasta na bochecha, a
pentear os cabelos, a botar a lente de contato, a passar maquiagem, a
ajustar a roupa. E criou um blog para registrar o desafio, o Mirror
Mirror, Off the Wall.
A
experiência transformou a vida de Kjerstin. A blogueira casou, manteve o
site, ganhou atenção da imprensa mundial, prepara um livro relatando
suas memórias do projeto e, acima de tudo, encontrou um sentido na vida:
alertar contra a paranoia da beleza perfeita. Tornou-se, por fim, uma
investigadora desse inimigo com que você, eu e metade do mundo
convivemos centenas de vezes, todos os dias: o nosso reflexo.
“No
dia em que eu olhei um espelho pela primeira vez depois de um ano longe
deles”, escreve Kjerstin em seu site, “a coisa que mais me surpreendeu
agradavelmente foi descobrir que as minhas primeiras observações não
foram sobre o tamanho do meu corpo. Foram sobre a cor da minha pele!”
Ela tinha percebido, após atravessar sua missão pessoal, que não havia
ficado mais magra, mais loira, mais alta, mais bonita ou mais feia. Sem
espelho, sem vaidade desequilibrada e sem pressão social, Kjerstin ficou
mais... leve.
A cantora Preta Gil,
37 anos, é um símbolo de quem já passou por esse processo de intenso
sofrimento e inadequação para chegar à reafirmação de um físico natural.
“Sofri todo tipo de bullying por ser negra e gordinha”, diz. “Mas há
sete anos estou em paz com meu corpo.” A moça, que hoje veste um mais
que assumido manequim 46, lançou mês passado uma coleção de roupas plus
size para a marca C&A. “Percebi que era amada pelos meus fãs, pelo
meu marido, pelo meu filho. Por que só eu não ia me amar?”
Nesse meio-tempo, em 2010, Preta ganhou um processo contra o programa Pânico na TV!,
que exibiu imagens em que ela tomava um caldo na praia de Ipanema. A
piada mostrava uma sósia “encalhada” na areia, sendo retirada por um
trator. Os humoristas foram condenados a pagar R$ 100 mil por danos
morais. Dois anos antes, Preta já havia acionado o Google na Justiça. O
motivo: o buscador associava seu nome a “atriz gorda”. Assim, virou uma
espécie de ícone de mulher que briga para ser o que é. “Sei que tenho um
papel político nessa luta e isso me deixa feliz”, afirma.
“Existe uma espécie de complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus corpos” Marle Alvarenga, nutricionista
O
que não quer dizer que ela não tenha sofrido, e muito, em busca do tal
manequim perfeito. “Vestia 38. Depois que engravidei, aos 20 anos,
passei por uma operação de vesícula, engordei 30 quilos e fiquei anos
lutando contra isso. Fiz duas lipos e me arrependo. Tomei remédios, um
absurdo”, conta. Preta se prepara para lançar um disco este mês, em que
reforça sua bandeira da aceitação. Vai se chamar Sou como sou.
Não
é difícil entender como Preta Gil entrou nessa. “Existe uma espécie de
complô que faz com que as mulheres não se sintam felizes com os seus
corpos”, afirma a nutricionista Marle Alvarenga,
diretora do Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares
(Genta). “O número de revistas e livros de dietas cresceu
exponencialmente desde os anos 80. Existe um mercado que vive dessa
insatisfação feminina. Até médicos. Muitos lucram com promessas de
milagre.”
Um
dos “remédios da moda” para surrupiar uns quilos da balança é uma
injeção indicada para quem tem diabetes. “É melhor nem colocar o nome da
substância na revista”, diz Marle. “A paranoia é tão grande que, mesmo
não aprovado pela Anvisa, a agência que regula os medicamentos no país, e
mesmo sem saber exatamente quais são seus efeitos colaterais, algumas
pessoas arriscam. É absurdo.”
Aviso
sério. Quem quer realmente entrar em uma calça 38 não vai conseguir
fazendo uma dieta atrás da outra. “Todo mundo precisa comer de forma
saudável. Fazer regimes de abstinência e depois compensar comendo tudo o
que não comeu no dia seguinte causa problemas graves”, explica a
nutricionista. “Entre outras coisas, isso faz com que seu corpo não
emagreça. E é preciso entender que ser magra não tem nenhuma ligação com
ser saudável.” A afirmação pode parecer óbvia, ou escandalosa. Afinal,
estamos acostumadas a associar magreza com saúde desde que nascemos. “O
que mede a saúde de alguém não é o peso”, prossegue Marle. “Mas a taxa
de açúcar no sangue, a hereditariedade, uma série de fatores que não
podem ser medidos pelo peso. Muitas vezes emagrecer pode ser tudo, menos
saudável.”
Atenção
para as palavras da nutricionista: “Não existe nenhum remédio que vá te
fazer entrar em uma calça 38 se esse não for o seu biotipo”. Ela disse
nenhum, percebeu?
“Vivemos a era da esteticomania”, afirma a filósofa Marcia Tiburi.
Uma época em que o que importa é o corpo que você vai exibir, seja em
uma coluna social ou no Facebook. “E não é só o corpo. É tudo o que pode
ser transformado em imagem. Você precisa exibir um corpo perfeito, um
carrão, tudo que forme um conjunto de imagens considerado poderoso”,
explica.
Esteticomania e gordofobia
Marcia acredita que o corpo é visto como uma religião. E, como em toda religião, o sacrifício é valorizado. “Por isso, uma mulher que não faça dieta é vista como ‘desleixada’. Se ela não se sacrifica, é como se fosse infiel. A gordura é vista como excesso. O sacrifício, seja na academia ou para fazer dietas bizarras, é muito valorizado. Se você não faz esse sacrifício, é visto como um ser menor.”
A
cantora Gaby Amarantos lembra que, além de ter tido bulimia, tomou
remédios e até se submeteu a uma cirurgia de lipoaspiração para tentar
se livrar da culpa de ter o corpo “fora de forma”. “Fazer essa plástica é
uma das coisas das quais mais me arrependo”, conta. “Fiquei cheia de
cicatrizes, doeu. Foi muito violento.” Hoje, aos 33 anos, depois de ter
um filho, conta que finalmente se libertou. “Vi que perdi muito tempo da
minha vida sendo infeliz e me aceitei completamente. Uso a roupa que
quero, mesmo que tenha que mandar fazer. Rebolo no palco, me sinto
sensual. As pessoas acham que se você não é magra você tem que ser
infeliz. Eu não sou infeliz.”
“É
como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai
medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo
por uma medição” Marcia Tiburi, filósofa
O
problema é que ser chamada de gorda continua sendo um insulto. E
daqueles. “Não sei te dizer quantas vezes por dia sou xingada na
internet”, conta Lola Aronovich, autora do blog Escreva Lola Escreva.
“E, quando querem me ofender, o que eles escrevem? Escrevem que sou
horrorosa e gorda.” O preconceito físico é um dos assuntos preferidos de
Lola, uma professora universitária especialista em literatura inglesa
que também já foi sugada pela paranoia dos regimes. “Tomei inibidores de
apetite dos 22 aos 29 anos, entrava e saía de regime e não conseguia
emagrecer.” Hoje, ela não sabe quanto veste e dedica parte do seu tempo a
estudar o tema. “Se eu, que tenho 45 anos, me sinto oprimida, imagina
uma adolescente? Recebo cartas de meninas que se sentem cobradas e
excluídas por não terem o corpo que imaginam ser o ideal.”
Para
Marcia Tiburi, esse olhar cheio de crueldade – e com uma fita métrica
embutida – sobre o corpo feminino é uma espécie de negação da vida. “É
como se o corpo da mulher fosse visto com os óculos de alguém que vai
medir um caixão. Parece pesado falar isso, mas as pessoas julgam o corpo
por uma medição”, explica. “Como um vendedor de caixão que quer saber
‘se esse corpo cabe’ naquela caixa. É um corpo cadáver, então, já que só
se valoriza o peso, o tamanho. Dentro dessa esteticomania, a mulher
valorizada é aquela que consegue controlar o seu corpo. Um caixão é uma
calça 38.”
No início da adolescência, lá pelos seus 13 anos, a atriz Gabriela Haviaras vestia
manequim 34. Rapidamente, com o crescimento precoce, passou a usar 40.
“Morria de vergonha de ir à praia”, conta a carioca. Aos 20 anos, seu
comportamento começou a mudar. A aceitação do tipo físico chegou com o
esporte. “Comecei a fazer ioga. Vi que o meu corpo era bonito, que tinha
elasticidade. Quando você está saudável, você fica naturalmente bonita,
independentemente do seu peso”, diz. “Acho um absurdo essa imposição
para que a gente tenha que vestir 36 e 38. Isso não faz parte da nossa
cultura. Sou uma brasileira típica. Tenho quadril largo.”
A artista plástica Nathalie,
francesa que mora no Brasil há dois anos e que também ilustra esta
reportagem, tem 30 anos. E já percebeu que tentar entrar em uma calça 38
é bobagem. “Nem sei quanto visto. Acho que é 42... Mas fico chocada ao
ver a obsessão pelo corpo que existe no Brasil. Talvez nos Estados
Unidos, onde já morei, seja igual. Mas é seguramente pior do que na
Europa.” Faz sentido, já que Brasil e Estados Unidos são os campeões
mundiais de cirurgia plástica. “As pessoas procuram perfeição. Mas, se
você procura perfeição, nunca vai estar feliz”, diz. “A perfeição não
existe.” Nem se você vestir 38.Publicado por: http://revistatpm.uol.com.br/revista/123/reportagens/eu-nao-visto-38-e-dai.html
* Colaborou Gabriela Sá Pessoa
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