Galera

Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema

Esse é nosso lema!!

Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles

BOAS VINDAS!

Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha

Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!

As coisas mais simples são os melhores presentes.

Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;

Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;

Harmonia, paz e alegria sempre.

Silvana Mara dias Souza

sábado, 30 de novembro de 2013

Um lugar.


Para construir outras relações, precisamos construir outros lugares. Para construir outros lugares, também precisamos construir outras relações.


PORGustavo Gitti


De tempos em tempos, cerca de 60 mil seres humanos se acoplam em roda para observar a movimentação de 22 seres humanos entre linhas brancas. Sob o nome de estádio de futebol, tal estrutura configura um jogo capaz de modular emoções, expressões corporais, conversas, pensamentos, desejos e todo tipo de interação entre os seres. Ou, poderíamos dizer, também, um modo de se relacionar estabelece um jogo, que se materializa em uma arquitetura capaz de sustentar tais mundos internos e convivências. Lugar e relação: processo circular, coemergente, de mútua causalidade, como na clássica litografia de Maurits Cornelis Escher, na qual duas mãos se desenham uma a outra.

Na loja, nos relacionamos como consumidores, na praça como cidadãos, nas casas como parentes, nas empresas como funcionários, nos bares como amigos. Mas quase não há lugar para nos relacionarmos como pessoas, como parceiros que se acompanham na vida. Não é por acaso que temos tanta dificuldade para ser um cidadão consciente ou um bom chefe: antes é preciso se reconhecer como um ser livre. Um pai que é só pai, que se identifica totalmente com a operação mental e corporal de pai, tem poucas chances de ser um bom pai.

Não estamos acostumados com outras relações porque não há espaços que as encorajem. Pior: quase não edificamos lugares de encontro genuíno pois sequer sabemos o que seria isso. Pense como
a dinâmica de uma mesa de bar limita nossas conexões: só ouvimos alguém por 15 minutos sem interrupção quando a pessoa tem a sorte de ser convidada para palestrar em um auditório. Em
qual lugar da cidade conseguimos apenas ficar ali, parados, sem qualquer tipo de entretenimento, só com nós mesmos? Do jeito que nos estruturamos atualmente, as pessoas não param, nunca realmente chegam. Parece até estranho dizer, mas é verdade: a gente quase não se encontra mais.

A cultura da programação nos leva a tratar a cidade como uma tv. Pela internet escolhemos filmes, viagens. Saímos de casa, nos entretemos e voltamos. Nossa premissa: pessoas não são interessantes. Convide alguém para um lugar com pessoas e ouvirá algo como "Mas vai ter música?". Sonho com um lugar que seja somente um espaço de encontro não definido para quem quiser ouvir e ser ouvido, dançar, meditar, oferecer uma aula improvisada... Por que não deixar um lugar ser apenas um lugar? É tudo o que desejamos quando nos abarrotamos em cafés por aí. Vai ficar rica a pessoa que abrir um lugar.


Gustavo Gitti 
é professor de TaKeTiN

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A busca pela onda perfeita.

A  felicidade não está apenas na conquista, mas na jornada e nos aprendizados e experiências que acumulamos pelo caminho.


PORRodrigo Vieira da Cunha
Sentei para escrever esta coluna já com o título na cabeça e, quando me dei conta, estava absorto em imagens de surfe na internet. Ondas perfeitas na Indonésia. Olho para a televisão e lá estava: outra   , desta vez em Fernando de Noronha. Me deu uma vontade súbita de surfar e automaticamente fechei os olhos e me lembrei de uma sensação que tenho após deslizar em algumas ondas. É um sentimento estranho, que não chega a ser de infelicidade, mas é quase um vazio. Sempre lutava contra isso, ao pensar que não era possível que eu não estivesse completamente feliz fazendo uma das coisas que mais gostava. Até há pouco tempo, isso me causava um enorme desconforto.

Um dia percebi que a origem do desconforto talvez pudesse estar, justamente, no fato de ter chegado lá. A espera de dias, semanas e até meses para ter uma boa sessão de surfe é parte fundamental do processo. A expectativa que alimenta o caminho para chegar àquele momento de prazer é naturalmente apagada no momento em si. Não vou dizer que não tenha mais esta sensação de vazio, mas ela é rapidamente preenchida pela próxima onda. A vontade de repetir a experiência de prazer é a força mobilizadora.

No dia em que consegui racionalizar esta sensação, ficou claro para mim que mais importante do que a conquista é a busca. Mais importante que surfar a é a consciência de que esta procura nunca termina. Talvez a não exista. Mas é a busca por ela que faz a vida valer a pena. É outro jeito de encarar a busca pela felicidade. O sentimento de vazio que emerge logo depois de saciada a vontade de surfar, mesmo estando completamente rodeado pela natureza, com as pernas dentro da água, sentindo a luz do sol e a brisa no rosto, é a mesma que vem depois da conquista de uma meta qualquer, seja de trabalho, esportiva ou pessoal.

A felicidade não está na conquista, mas no que o percurso até ela significou em aprendizados e experiência, e no que ainda vai significar. "A vida vem em ondas, como o mar": Lulu Santos acertou em cheio. Ou "A vida é uma jornada, não um destino", disse o filósofo americano Ralph Emerson. Para mim, a vida é um eterno deslizar em busca da onda perfeita.


Rodrigo Vieira da Cunha é jornalista e embaixador do TEDx na América Latina. O blog dele é o afichacaiu.wordpress.com

TED é uma conferência criada na Califórnia para espalhar ideias que valem a pena. TEDx é um programa que reúne eventos no espírito do TED organizados de forma independente. Para mais informações sobre o programa TEDx, visite ted.com/tedx.

domingo, 17 de novembro de 2013

O verdadeiro luxo.

Não tem a ver com roupas de grife, mansões e diamantes. Muito menos é algo para poucos afortunados. Surpresa: o mapa dessa mina está mais próximo do que você imagina


Momentos que trazem uma sensação de felicidade são luxuosos
Foto: Iara Venanzi
Sabe quando você faz algo que lhe dá um prazer danado, mas que acontece aqui e ali, bem raramente, e que por isso mesmo traz uma sensação de felicidade que transborda só de pensar? Pois a experiência única, que evoca esse estado de espírito, é o tal luxo para chamar de seu. Ele ganhou um conceito mais flexível, que se desvincula do valor das cifras dos produtos e se aproxima das experiências subjetivas, um luxo emocional, afirma o psicanalista Jorge Forbes.
Objetos de luz

Essa não é a primeira vez que o luxo deixa de ser sinônimo de riqueza e outros frufrus. Ele é tão antigo quanto a própria história da humanidade e em sua origem estava ligado aos rituais que as sociedades primitivas faziam para suas divindades. Acreditavam que iriam comover os deuses com coisas que não eram costumeiras, e que através dessas oferendas, danças e comidas especiais conseguiriam a luz para se orientar. Esses objetos que extrapolavam o cotidiano, veja só, passaram a se chamar objetos de luz, objetos de luxo. Antes de ser uma marca da civilização material, o luxo foi uma característica do ser humano em busca da transcendência, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky, co-autor do livro O Luxo Eterno.

E foi assim até o fim da Idade Média. No início do Renascimento o luxo perde sua aura sagrada, ganhando ares materialistas. Surgem os objetos de luxo suntuosos para as cortes aristocratas. Com a revolução burguesa e o início da sociedade de consumo, os objetos de luxo servem para distinguir as classes sociais. Um tipo de luxo que se acentuou na era industrial e serviu de estímulo para as empresas se desenvolverem com produtos cada vez mais sofisticados. Então veio a recente globalização, que botou tudo de cabeça para baixo. E as pessoas ficaram mais autônomas para gerir sua vida a partir de valores pessoais. Se hoje não existe mais um padrão de gostos, perde o sentido ter objetos de luxo para impressionar os outros, diz Dario Caldas, da agência de tendências Observatório de Sinais.

Mas como descobrir esse novíssimo luxo? Faça este exercício: anote tudo que tem alto valor emocional e que lhe é raro. Pode se sair do trabalho com o sol ainda raiando no céu, lagartear sem fazer absolutamente nada. Bem, o tesouro é este: recuperar o luxo que nos eleva do ter para o ser, da aparência para a essência, trazendo de volta seu antigo valor, de sacralizar momentos, torná-los divinos.

E para você? O que é um luxo? Selecionamos cinco segmentos do luxo tradicional, mas vistos pelo prisma desse novo luxo, para ampliar sua reflexão. E para ajudá-la a viver a dolce vita.

Roupas de grife

O corpo sempre foi a vitrine do luxo. E os trajes funcionaram, no decorrer da história, para demarcar posições sociais. Mas hoje, não há um tipo de roupa que faça a diferenciação social, e sim as marcas de roupas, com seus precinhos salgados a tiracolo.

Atualmente, existe uma democratização da moda e ela não tem mais esse papel forte de distinção social. E a responsabilidade social está incluída no repertório das preciosidades. "O feito a mão é valorizado pela exclusividade da pequena produção", diz a professora Kathia Castilho, organizadora do livro O Novo Luxo. São tecidos pela criatividade da mão humana e não pela precisão da máquina, e suas tramas vêm com história.

Viagens cinco estrelas

No fim das contas, o que realmente faz com que uma viagem seja única? "O que faz com que uma viagem fique na memória são os momentos emocionantes que ela proporciona, e isso independe de seu valor comercial", diz Edgar Werblowsky, que trabalha com ecoturismo há mais de 20 anos. "Acredito que o valor da vida será medido pelas emoções vividas, o que será uma revolução", diz.

Cardápio sofisticado

O que é um alimento sofisticado hoje? Mais que restaurantes badalados, pense nos produtos regionais, feitos de maneira artesanal, sem conservantes - estes sim, uma raridade, diz a culinarista Cênia Salles, coordenadora do movimento Slow Food no Brasil. O princípio básico do movimento é trazer o prazer de volta à mesa, ao degustar com calma alimentos frescos, orgânicos, produzidos de forma que respeite o meio ambiente.

Morada dos sonhos

"Quando você imagina a casa dos sonhos, a primeira pergunta que tem que fazer é: o que faz bem a minha alma? Pode ser uma vista deslumbrante, uma árvore no quintal, morar num prédio que tenha importância histórica, um espaço para desfrutar do sol, enfim, esse será o seu luxo", diz José Eduardo Cazarin, fundador da Axpe, imobiliária de imóveis especiais. Não se trata de exibir um ambiente exterior de riqueza, mas sim de criar um espaço que se pareça conosco, um lugar personalizado. E arremata: "O importante é que sua morada proporcione uma experiência sensorial de bem estar".

Jóias preciosas

São o ícone do luxo. Não foi à toa que Audrey Hepburn imortalizou-se no clássico filme Bonequinha de Luxo. Nele, sua personagem pobretona, mas cheia de classe, suspira ao tomar café da manhã em frente à joalheria Tiffany e sonha que um dia será tão rica que terá todas aquelas preciosidades, e para tanto procura magnatas para casar. Até encontrar a jóia mais preciosa no relacionamento com seu vizinho pé-rapado por quem acaba se apaixonando.

Pois é. Se o novo luxo é emocional, vale lembrar que os relacionamentos são como o ouro do mais puro quilate. Um estudo conduzido pelo Instituto de Educação da Universidade de Londres demonstrou que uma pessoa que ganha 3 mil reais e encontra com frequência os amigos é tão feliz quanto outra que tem o salário dez vezes mais alto, mas sacrifica sua vida social. A pesquisa feita com 8 mil britânicos se propôs a colocar etiquetas de preços em amigos e parentes. Os resultados mostraram claramente que um aumento no nível de envolvimento social equivale a muitas libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida, afirmou o autor da pesquisa, Nick Powdthavee, especialista em economia aplicada a temas de felicidade.

Livros
O Luxo, Jean Castarède, Barcarolla
O Luxo Eterno,Gilles Lipovestky e Eliette Roux, Companhia das Letras
O Novo Luxo, Kathia Castilho e Nízia Villaça (orgs.), Anhembi Morumbi
A Felicidade Paradoxal, Gilles Lipovestky, Companhia das Letras

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

SIMPLICIDADE COMO SOFISTICAÇÃO!

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“Parece que nascemos apenas para consumir e consumir e, quando não podemos, nos enchemos de frustração, pobreza e até autoexclusão.” As palavras pinçadas do discurso feito há pouco mais de um mês pelo presidente uruguaio José Mujica na 68.º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, caracterizam, sem querer, um estilo de vida “do contra”.  Seja por ideologia política ou até mesmo para simplificar a vida, há pessoas  que passam longe de shopping centers, consertam o que estraga em vez de substituir por um novo e só compram o que precisam.

Estilo de vida é para quem pode
Quem opta por ser menos consumista não faz voto de pobreza, muito menos poderia fazer escolha sendo pobre. Essa é a opinião do filósofo Jelson Oliveira, autor de “Simplicidade” – livro final de uma trilogia sobre valores publicada pela Editora Champagnat. O professor da PUCPR avalia que comprar menos, por exemplo, só faz sentido para as classes sociais que podem fazer escolhas.
“O problema é o excesso. Pobreza é não ter condições básicas para sobreviver. Já ser simples é usar de forma mais saudável o que é preciso para sobreviver”, argumenta. Essa versão brasileira do anticonsumismo ainda aparece pouco, em movimento como o freeganismo. Comum na Europa e nos EUA, a ideologia é adotada por ativistas contrários ao desperdício de alimentos considerado típico do capitalismo – o objetivo, então, é viver do que vai para o lixo, por exemplo.
Um fator que alavanca as iniciativas anticonsumo, lembra Oliveira, é a preocupação com a preservação do meio ambiente. Para o economista do IBRE/FGV Aloísio Campelo, é injusto hoje exigir das classes mais baixas participação no consumo de produtos verdes, por exemplo. “Os países com mais renda em geral têm mais escolaridade e mostram preocupação com os alimentos que consomem. Para quem está no dia a dia, correndo atrás de renda, o verde é caro. Enquanto não for para todos, acaba sendo uma escolha de quem tem poder aquisitivo para isso”.
 Dicas
 Saiba como começar a reduzir o consumo no dia a dia:
• Esqueça o conceito de “casa ideal”, adapte onde você vive a você. Exemplo: se não faz bolos, não precisa de batedeira; se não se importa em esquentar comida no fogão, não há necessidade de micro-ondas.
• Compre o que tem certeza de que usará muito. Se um dia precisar de algo incomum, você pode pedir emprestado ou alugar.
• Se não pretende viajar para o exterior tão cedo, talvez não precise ter cartão de crédito. Hoje, boletos bancários são aceitos até por lojas virtuais internacionais.
• Reflita sempre: se tivesse que se mudar agora, quanto tempo passaria encaixotando coisas? Se a resposta é ‘uma semana’, pode ser a hora de se desfazer do que é inútil.
• Busque consertar ao invés de comprar um novo. Informe-se antes de comprar eletros, carros e eletrônicos.
• A publicidade voltada a crianças é uma das mais agressivas que existem. Para deixar seu filho menos vulnerável a ela, apresente a ele o prazer de doar e trocar brinquedos. O ideal é mostrar que a convivência importa mais do que posses.
Fonte: Gazeta do Povo

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

FELICIDADE REALISTA!

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A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Mario Quintana

sábado, 9 de novembro de 2013

O que estamos fazendo com nosso tempo?


:: Rosemeire Zago :: 
Nossa!!! Como o tempo passa... e rápido! Isso todos nós já estamos habituados a falar e ouvir, mas estive pensando a respeito quando me deparei com o tempo em que estive distante do STUM. Não bem distante... apenas não estava escrevendo os artigos, pois de uma forma ou de outra, estamos sempre interligados e assim nos mantemos perto. Mas neste tempo que se passou muitas coisas aconteceram, mudanças de casa, consultório, pessoas faleceram em minha família, e tudo isso me fez refletir: como avaliamos o que é prioridade em nossa vida? Prioridade é pagar nossas contas? Claro! É trabalharmos pelo dinheiro, para que este possa nos trazer conforto e conquistas? Também, mas será só isso?

Por que deixamos que a rotina diária, os afazeres domésticos, os compromissos profissionais, sociais, serem mais importantes do que estarmos ao lado de quem amamos? Por que ainda carregamos orgulho, vaidade, culpa, remorso, mágoas, diante de tantos valores mais nobres como amizade, verdade, amor? O que é a vida diante de tanta pequenez com a qual vivemos? Por que, ainda, negligenciamos os sinais que o Universo, com sua maestria e sabedoria nos contempla?

Como é viver sob os seus valores? Será que você tem essa resposta? Quantas decisões não são tomadas apenas para agradar a outras pessoas? Ou para evitar desagradá-las? São os outros que nos impedem de viver de acordo com o que acreditamos, ou somos nós mesmos que nos aprisionamos com verdadeiros grilhões, os quais podemos chamar de carência, dependência, vergonha, culpa, medo, entre outros?

O que você faria se alguém que você ama ligasse neste momento pedindo sua ajuda, seu colo? Ou se fosse para te contar algo muito bom que lhe aconteceu, qual seria sua reação? Você poderia largar o que está fazendo, inclusive deixar de ler este artigo, e ir ao seu encontro? Ou você diria que tem muito a fazer, mas quem sabe outro dia, outro horário, outro momento? Provavelmente, seria essa sua resposta, e a minha também, afinal aquilo que estamos fazendo sempre é mais importante.
É evidente que não podemos largar nosso trabalho a toda e qualquer solicitação. Mas e se fosse um telefonema avisando que a pessoa citada acima está na UTI ou que acabara de falecer, qual seria sua atitude? Eu, você, todos nós, largaríamos tudo e iríamos até lá. O que faz com que tenhamos reações tão extremas?
Pensei sobre isso quando estava no velório de um tio... era uma quarta-feira, 10hs da manhã, e todos estavam lá reunidos, pessoas que não se viam há anos, pois até então não tiveram tempo para ser ver... mas neste dia, todos haviam deixado tudo que estavam fazendo para estarem presentes naquele momento. Por que em geral, só em situações extremas podemos nos fazer presentes? Por que não conseguimos o mesmo tempo disponível em outros momentos para ver aqueles que nos são caros? Por que somos tão egoístas em privarmos aqueles a quem amamos de nossa presença e de nossa demonstração constante de amor, e fazemos isso com tanta facilidade? Pare por alguns segundos e pense nas pessoas que marcaram positivamente de alguma maneira sua vida. Não importa quantas sejam. Uma, duas, dez? Para quantas você verbalizou o quanto eram, ou lhe são, importantes? Você demonstra seu amor para todos a quem você ama? Se não, o que acha de começar hoje?

O que temos de mais valioso na vida? A casa que compramos, roupas, o carro, o sucesso profissional? Creio que não. Com certeza nosso maior tesouro está guardado bem dentro de nós, são nossos sentimentos, nossos amores eternos, e só podemos doar, dividir, perante nossas atitudes, palavras e, principalmente, nossa presença. É importante sempre nos lembrarmos que aquilo que o dinheiro pode comprar, qualquer pessoa que o tenha poderá nos dar; mas o amor, este sentimento tão nobre e valioso, só pessoas especiais podem nos oferecê-lo e isso, penso eu, é o que deveria fazer toda a diferença! E nem sempre faz. Deixamos sim, e com muita freqüência, de estarmos juntos de quem nos é importante, seja para rir, chorar, apoiar, trocar, e lamentavelmente, nos aproximamos em momentos de extrema urgência. Não que nestes momentos nossa presença não seja necessária, longe disso, mas que tal dedicarmos um pouco mais do nosso tempo para estarmos ao lado de quem amamos e que verdadeiramente nos ama? E você, o que está fazendo com seu tempo?...

Tem uma frase de Buda que representa um pouco isso que estou dizendo, da qual gosto muito e deixo para sua reflexão:
O que mais me surpreende na natureza humana é o homem que perde
a saúde em busca de riqueza material e depois
gasta toda a riqueza material para recuperar a saúde.
Vive uma vida como se nunca fosse morrer e morre como se nunca tivesse vivido.
Buda


Não viva como se fosse imortal, nenhum de nós o é, por isso, valorize e, acima de tudo, conviva com aqueles que lhes são caros, eles podem não estar amanhã para receber sua visita!
Até o próximo artigo!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O que é mais importante: SER ou TER?

  

Postado por: Solange Quintanilha | Em: Diversos
Imagem: ShutterstockImagem: Shutterstock
 Num primeiro momento, todos concordariam que é o SER. Na prática, porém, num mundo cada vez mais capitalista e competitivo, o sistema nos empurra para valorizarmos bastante o aspecto material. Os meios de comunicação em massa estimulam absurdamente o consumo, com imagens e propagandas a cada segundo. Os valores estão sendo invertidos, e o TER tem cada vez mais sido prioridade para a população.
Ter uma vida confortável e sem preocupações financeiras é um desejo quase universal. É claro que é necessário ter dinheiro para sustentar as necessidades essenciais da vida e ter uma qualidade de vida como: acesso à moradia, saúde, alimento, estudos, conforto, segurança, bons meios de transporte, possibilidades de acesso a cursos de aprimoramento, diversões… Uma das causas, porém, do consumismo desenfreado é a nossa necessidade de ganhar mais, de ter mais posses, mais bens materiais do que os vizinhos ou amigos, numa competição nada saudável. É como se o nosso valor estivesse totalmente atrelado ao que possuímos, à fama, ao que ostentamos… Essa busca costuma trazer muita ansiedade, estresse, problemas sociais, dificuldades de relacionamentos familiares e amorosos, pois vivemos na correria para adquirir cada vez mais, atropelando muitas vezes os que estão à nossa frente.
Aquilo que fazemos para ganhar a vida é diferente daquilo que fazemos para ter uma vida. Trabalhamos pelo sustento, porém para ter uma vida com qualidade, devemos amar, nos conectar, servir a um propósito e encontrar um real significado.
Na verdade, dinheiro algum será capaz de fazer recuperar o tempo perdido e mal utilizado por nós. Quando o dinheiro vira sinônimo de amor, a vida torna-se uma grande confusão. Ele seduz porque alimenta a ilusão de suprir as faltas e as necessidades emocionais, de estar a salvo de contratempos da vida , de ser possível aumentar de verdade a nossa autoestima e de tentar cobrir um grande vazio afetivo. Sabemos, porém, que nada substitui o afeto.
A maneira de dar, receber, gastar ou acumular dinheiro revela frustrações emocionais que se arrastam desde a nossa infância. O dinheiro assume uma função de expressão de força, de poder, para compensar a nossa fragilidade interna e nossas inseguranças. Precisamos valorizar tudo aquilo que possuímos, e não só os bens materiais.
Na realidade, precisamos descobrir outros valores, que de verdade tragam mais autoconfiança, segurança e satisfação interna. É com a nossa saúde psíquica e física, bons relacionamentos familiares e sociais, qualidade de trabalho, uma tranquilidade financeira ( sem necessidade de luxo e riqueza ), que podemos conquistar uma vida mais plena e mais feliz. Vamos administrar melhor o nosso tempo, procurando utilizá-lo da forma mais saudável sem esquecer as nossas reais prioridades, visando uma boa qualidade de vida e uma vida mais prazerosa.
Quando somos, ficamos mais felizes do que quando temos, além de que o SER não se acaba com o tempo, é eterno, mas o TER pode terminar a qualquer momento. Vamos correr atrás do SER: ser gente, ser íntegro, ser amigo, amar e ser amado, ser solidário…, pois assim teremos mais paz e felicidade.
Texto de Solange Quintaniha

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Viver melhor!

Convém buscar todos os recursos disponíveis para quem quer viver com menos stress: quando possível, evitar as situações em que ele surgiria.

Quem consegue "domesticar", ainda que parcialmente, sua mente passa a pensar menos no futuro e para de sofrer pelo que ainda não aconteceu.

As atividades físicas, a dança, música, os filmes, leituras... Tudo o que prende nossa atenção nos afasta dos pensamentos que geram stress.

Ter controle sobre os próprios pensamentos e dirigi-los apenas ao que é útil e produtivo deveria ser um dos maiores objetivos de todos nós.

Um modo de pensar que pode nos afastar do stress foi sugerido por Epíteto (há 2000 anos): deveríamos nos ocupar apenas do que depende de nós.

A meditação transcendental, estratégia oriental que ensina a controlar a mente, também é um bom recurso a ser usado para a redução do stress.

Sofremos com os perigos externos e esses nos pedem docilidade (ou fé). Cabe a nós minimizar os sofrimentos gerados por nossa própria mente.


Flávio Gikovate

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Alimentação e os costumes dos povos mediterrâneos - "Comer e partilhar são atos inseparáveis"


Mesa saudável, farta e diversa, boa companhia e tempo para poder desfrutar. Assim se vive mais no Mediterrâneo

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A amizade!

Na amizade existe enorme prazer que se renova a cada encontro. Porém, não existe a dor forte da saudade tão típica das relações sentimentais.

Entre amigos existe um enorme cuidado em não criticar a não ser quando se é solicitado a isso: os que se amam deveriam aprender essa lição!

O amor determina um tipo de prazer que chamo de negativo: a alegria derivada do fim da dor do desamparo próprio do que corresponde à solidão....

O amor corresponde a uma espécie de "remédio" que preenche um vazio e atenua o sofrimento que costumamos sentir quando estamos sozinhos.

O prazer da amizade não depende da existência de sofrimento prévio: estamos bem e ficamos melhor ainda quando cruzamos com um amigo querido!

As amizades não são exclusivas e nem possessivas demais: quase todos nós temos um "melhor amigo" e alguns amigos muito queridos e íntimos.

Pessoas mais autossuficientes tendem a ter com seu parceiro sentimental uma relação mais próxima da amizade, na qual a dependência é menor.

Como as diferenças culturais entre homens e mulheres vêm diminuindo muito, é mais fácil encontrar cônjuges que sejam seus melhores amigos!
Flávio Gikovate
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Você sabe o que é simplicidade voluntária?


Conheça a simplicidade voluntária, um estilo de vida que perverte velhos conceitos, e descubra de uma vez por todas como simplificar sua vida

sábado, 12 de outubro de 2013

A crise moral contemporânea.


 Clóvis de Barros Filho no café filosófico faz um apanhado histórico da ética nas civilizações grega, medieval e moderna. Em que lugar estamos?


http://youtu.be/RBWH9_xZLlI

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dez atitudes que devemos aprender com as crianças!


“Você não é mais criança para isso!”, diziam nossos pais quando fazíamos alguma malcriação fora de época. Se por um lado esses bem vindos puxões de orelha nos prepararam para o mundo dos adultos, por outro, esses padrões sociais levaram da gente algumas atitudes típicas da nossa infância e que hoje fazem muita falta - para a gente e para o planeta.
crianca.jpg
Clarinha versão rata de praia, detentora de metade das pocinhas da orla de Salvador e futura veterinária de cachorro de rua
Relembre alguns desses hábitos e veja quantas coisas especiais podem fazer parte da nossa vida em qualquer idade:
1 - Ande mais de bicicleta
Poucas coisas remetem tanto à infância quanto andar de bicicleta. Andar “sem rodinhas” é uma das nossas primeiras grandes conquistas e suas histórias ficam gravadas na memória e algumas vezes também na pele! Voltar a andar de bike, além de contribuir com o ar e com o trânsito de nossas cidades, também pode proporcionar a alegria e o bem estar que sentíamos quando éramos criança. E o melhor: emagrece, é de graça e dizem por aí que quem aprende a andar de bicicleta, nunca mais esquece. ;)
2 - Aprenda a desmontar e consertar suas coisas
Toda criança tem uma curiosidade nata. Tanto que é comum encontrar brinquedos totalmente desmontados simplesmente porque o pequeno queria saber como ele era por dentro. O resultado (além de alguns brinquedos permanentemente inutilizados, claro) é o conhecimento de como as coisas funcionam e do que é preciso para consertá-los. No mundo de hoje, onde tudo é descartável e com toneladas de lixo sendo despejadas em aterros todos os dias, fuçar e consertar alguns objetos quebrados pode ser a sua chance de deixar a criança que existe em você salvar o planeta de mais um pedaço de lixo.
3 - Raspe o prato
“Só sai da mesa quando raspar o prato”, insistiam nossas mães. Apesar de soar com tortura naquela época, nossas mães estavam na verdade nos dando uma grande lição: jogar comida fora tem um impacto gigantesco no planeta! A frase “tem tanta criança passando fome na África e você aí querendo desperdiçar comida” continua sendo mais atual do que nunca, já que 30% de todos os alimentos produzidos no mundo viram lixo, enquanto um bilhão de pessoas passam fome diariamente. Por isso, na hora de fazer o seu prato, coloque apenas o que vai comer, e nada de jogar comida fora!
4 - Visite museus, zoológicos e parques
Programação típica de criança, visitar museus, zoológicos e parques costuma deixar de fazer parte da nossa rotina conforme a gente vai crescendo - o que é uma pena. Esse universo cheio de cultura, contato com a natureza e atividades físicas é um grande aliado de um estilo de vida mais saudável e rico. Portanto, no próximo fim de semana, escolha um museu que nunca foi ou um parque onde já não vai há alguns anos e faça uma visita - o melhor, a maioria deles são gratuitos!
5 - Aprenda com os bons exemplos
Quando somos crianças, os adultos que nos rodeiam são os principais exemplos das atitudes que reproduzimos - tanto as boas quanto as ruins. As crianças têm uma enorme capacidade de aprender com os outros e de imitar o que está sendo feito. Apesar de algumas das atitudes que presenciamos ao nosso redor não serem dignas de cópia, muitas outras merecem ser repetidas muitas e muitas vezes. Por isso, quando ver alguém fazendo alguma coisa boa, aprenda e siga aquele exemplo - certamente outras crianças estarão te observando e fazendo igual.
6 - Doe as coisas que você não usa mais
O sapato já não cabe no pé? O brinquedo já deixou de ter graça? O livro do ano passado não vai servir para a próxima série? "Vamos doar tudo para alguém que precise!" Uma prática tão simples, bonita e eficaz não pode ser esquecida depois de adulto. Você pode fazer o mesmo hoje com as roupas que já não usa, os livros que já leu ou os objetos que já não cabem em casa.
7 - Aja com o coração
Quando uma criança vê um cachorrinho abandonado na rua ou um mendigo passando fome, ela instantaneamente se sensibiliza com aquela situação. O coração de uma criança está à prova de qualquer medo ou preconceito enraizados na nossa sociedade e ela está sempre disposta a ajudar e a fazer o que, no fundo, sabe que é o certo. Portanto, da próxima vez que ver alguém precisando de amparo ou não souber que atitude tomar diante de outra pessoa, deixe a criança que existe em você falar mais alto - ela provavelmente já sabe o que fazer.
8 - Questione sempre
Todo mundo já teve a fase do “mas, por quê?”. A curiosidade típica da infância nos faz questionar tudo ao nosso redor em uma busca incessante por compreender o mundo ao nosso redor. Com o passar dos anos, seja por comodismo ou por receio do que os outros irão pensar, deixamos os “porquês” de lado e simplesmente aceitamos as coisas “como elas são”. Mas por que tem que ser assim? Como já dizia minha professora, perguntar não tira pedaço e questionar o porquê de certas coisas serem do jeito que são pode ser o primeiro passo para transformar uma realidade.
9 - Tenha a mente aberta para o novo
Uma criança é como um papel em branco que vai sendo preenchido com as referências e experiências que ela adquire ao longo da vida. Em certo ponto, porém, nos tornamos céticos e definimos nossas verdades como únicas, bloqueando qualquer tipo de novo ponto de vista ou forma de pensar. Apesar da aparente segurança, essa atitude nos cega, nos para no tempo e impede que a gente evolua. Não deixe isso acontecer com você! Abra sua mente e deixe seu papel em branco se transformar em um quadro rico, cheio de cores e desenhos diferentes!
10 - Acredite em um futuro melhor
Ahh, a inocência das crianças... Elas acreditam que podem voar, criar raios com a energia das águas e salvar o mundo. Quando viram adultos, algumas esquecem essas “maluquices”, e outras criam aviões, sistemas de energias renováveis e pactos globais pelo fim do aquecimento global. Acreditem amigos, aqueles sonhos de criança ainda podem virar realidade, o poder é de vocês. “Vai Planetaaa!!” :p

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Alma é Erótica!


"Querendo ou não, iremos todos envelhecer.
As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar.
A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos. ...
A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história.
Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios;
Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo.
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores."

Fabíola Simões

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Prosear!

Prosear é um jeito de falar. Fala sem objetivo definido, como o voo dos urubus - indo ao sabor do vento. Palavras fluindo. Um jeito taoista de ser. Para prosa não existe 'ordem do dia', não há conclusões, não há decisões. A prosa não quer chegar a nenhum lugar. A prosa encontra sua felicidade em prosear. Como andar de barco a vela em que o bom não é chegar mas o 'estar indo'. 'A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia', Guimarães Rosa. Prosear é brincar com as palavras. Saber prosear, jogar conversa fora, é o segredo das relações amorosas. Nessa sala estaremos proseando. Falar sobre o que der na telha. Pensamentos avulsos. Dicas. Informações sobre as coisas novas. Apareça sempre para prosear!


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Bem assim mesmo!

“Uma vez, um turista viajou para conhecer um grande sábio. Quando chegou, disse a ele que queria conhecer seus móveis. O sábio, muito tranquilo, mostrou que só tinha uma cama e uma cadeira e o convidou a entrar. O homem não aceitou, disse estar só de passagem. O sábio respondeu: ‘Eu também’.”

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Estatuto do homem

Artigo 1
Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira;

Artigo 2
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, tem direito a converter-se em manhãs de domingo;

Artigo 3
Fica decretado que a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra e que as janelas devem permanecer o dia inteiro abertas para o verde onde cresce a esperança;

Artigo 4
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem, que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu; parágrafo único, o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino;

Artigo 5
Fica decretado que os homens estão livres do julgo da mentira, nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem armadura de palavras, o homem se sentará a mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa;

Artigo 6
Fica estabelecida durante dez séculos a pratica sonhada por Isaías que o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora;

Artigo 7
Decreta e revogada, fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre defraudada da alma do povo;

Artigo 8
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá a planta o milagre da flor;

Artigo 9
Fica permitido que o pão de cada dia que é do homem o sinal de seu suor, mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura;

Artigo 10
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida o urro do trai branco;

Artigo 11
Fica decretado por definição que o homem é o animal que ama, e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã;

Artigo 12
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com imensa begônia na lapela; parágrafo único, só uma coisa fica proibida, amar sem amor;

Artigo 13
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar um sol das manhãs de todas, expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de tentar e a festa do dia que chegou;

Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso da dor, a partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
Thiago de Mello

sábado, 5 de outubro de 2013

O encantamento com o fundamental.


"Agora há pouco, peguei uma fruta na cozinha. Uma ameixa. De tão suculenta, em segundos me vi apenas com o caroço na boca. E percebi, por acaso, que ele estava rachado. Abri o caroço com os dentes e me deparei com outro caroço dentro, o caroço do caroço.
Isso me fez pensar: a gente chega na essência das coisas por acaso?
Como saber se a gente esbarrou naquilo que há de mais fundamental?
Certos períodos da vida nos deixam assim, como que esbarrando nos caroços do mundo. Estou agora num desses instantes, muito permeável ao que acontece à minha volta.
Agora, mordendo o caroço dentro do caroço da ameixa, me deparei com um gosto difícil de descrever, o mesmo gosto que senti visitando os novos amigos, Mari e Dani – o gosto do encantamento com a realidade.
Quando valorizamos os encontros com as pessoas e, mais, com o mundo, um encantamento quase sublime nos arrebata, respingam sorrisos na boca, saltam arrepios na pele, espantos doces faíscam.
E do que é feita a educação senão da matéria dos encontros?
Ontem, relendo um livro do Paulo Freire, encontrei uma frase bem emblemática: Se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode.

Retomar o espanto e a contemplação atenta diante dos caroços dos caroços. E o encantamento não é deslumbre, vai além do verniz das coisas. Um encantamento genuíno não é ingênuo, é poético.
Como diz uma educadora que encontramos na jornada, a dona Maria Vilani, “meu maior objetivo é escrever um verso em cada vida que passa por mim”. Escrevendo versos uns nos outros, nos encantamos mutuamente, nos educamos interdependentemente.
Como não canso de repetir, obrigado a todos que compartilham essa jornada. Nesse caso, aliás, a palavra obrigado é eufemismo. Por isso, criei uma palavra nova para apreender melhor essa minha gratidão, à la Guimarães Rosa: obrigadimenso."

Adaptação do texto do Coletivo Educ-Ação.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

EU SEI, MAS NÃO DEVIA” [trecho]

Por Marina Colassanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.