Gosto daquilo que me desafia. O fácil nunca me interessou, já o obviamente impossível sempre me atraiu e muito. Clarice Lispector
Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema
Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles
BOAS VINDAS!
Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha
Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As coisas mais simples são os melhores presentes.
Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;
Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;
Harmonia, paz e alegria sempre.
Silvana Mara dias Souza
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Hoje é Quinta Feliz!!!!!!!!!!!!
Certos Amigos - Expresso Rural
Quando esse trem
De alegria vara
A vida da gente
Sempre que a estação
Mais perto é o nosso coração
Dificil é saber na hora
O que a gente sente
Se certos amigos não mostram
Que o mundo ainda
É bom... pra saber
Que tenho você
Do meu lado
Me sinto mais forte
Quero beijar o teu rosto
E pegar tua mão
Se cada estrela do céu
É um amigo na terra
A força do acaso
Do encontro
É uma constelação lumiar
De que planeta você é
Eu faço o que você quiser
Em troca do teu amor
Posso te dar o que eu sou
Amigo é o cobertor
Bordado de estrelas, estrelas
Constelação nave louca
A vida é pouca
E o que vale é se querer
Mais e mais que mais
quarta-feira, 16 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Pra começar bem a semana!
PERDONARSE
A UNO MISMO (Reflexión)
Me
gusta la sensación de libertad que siento cuando me quito la pesada capa de
críticas, miedo, culpa, resentimiento y vergüenza.
Entonces
puedo perdonarme a mi y perdonar a los demás.
Eso
nos deja libres a todos....
Renuncio
a darle vueltas y más vueltas a los viejos problemas.
Me
niego a seguir viviendo en el pasado.
Me
perdono por haber llevado esa carga durante tanto tiempo, por no haber sabido
amarme a mí ni amar a los demás.
Cada
persona es responsable de su comportamiento, y lo que da, la vida se lo
devuelve.
Así
pues, no necesito castigar a nadie, todos estamos
sometidos
a las leyes de nuestra propia conciencia, yo también.
Continúo
con mi trabajo de limpiar las partes negativas de mi mente y dar entrada al
amor.
Entonces
me curo.
No
hace falta saber cómo perdonar. Basta estar dispuesto a hacerlo, del cómo ya se
ocupará el universo.
LOUISE
L. HAY
terça-feira, 8 de maio de 2012
Quero manter o meu Direito de Delirar!
O Direito ao Delírio - Eduardo Galeano
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."
quarta-feira, 28 de março de 2012
Mais um motivo pra termos Quintas Felizes!!!!!!!!!!!
Canibalismo
emocional
O
que acontece quando nos fechamos num mundo a dois
IVAN
MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)
Às
vezes eu sinto que vivemos numa bolha.
Não
é o mundo-quitinete da classe média paulistana (ou carioca, ou brasiliense, ou
recifense...), em que as pessoas se esbarram o tempo todo na porta do cinema e
do restaurante. Tampouco é o mundo virtual da internet, no qual passamos horas
mergulhados, entre caras conhecidas, no Facebook, no Twitter, no Instagran...
Não,
a bolha a que eu me refiro é um espaço ainda menor, no qual só cabem dois
corpos que decidem, em comum acordo, dividir juntos o espaço e o tempo. Falo de
relacionamento, namoro, casamento. Falo da vida de casal.
Vocês
já repararam como esse negócio tem uma tendência espetacular a nos confinar? Em
torno de duas pessoas felizes vai se criando uma película invisível que as
separa do mundo e, paradoxalmente, tende a asfixiar a felicidade.
No
início, ficam de fora desse habitat restrito os amigos mais íntimos, justamente
aqueles que costumavam estar mais próximos na vida do solteiro ou da solteira.
Depois, vão sendo afastados, sem que a gente perceba, os amigos e colegas do
segundo círculo de relações, aqueles com quem a gente costumava sair para tomar
cerveja, viajar e ter conversas de valor inestimável sobre o trabalho e a vida.
Por fim, e simultaneamente a isso tudo, a gente se afasta também da família,
que vai sendo sutilmente negligenciada em nome dos planos e da preguiça do
casal.
Ao
final desse processo, um belo dia, a gente percebe que ficou sozinho numa bolha
com a pessoa de quem gosta – e que entre nós e o resto do mundo existe agora
uma grossa camada de indiferença.
Dentro
dessa bolha, claro, ocorrem coisas maravilhosas. A intimidade física e
psicológica do casal floresce, o autoconhecimento de cada uma das partes se
amplia enormemente e cresce, no interior da vida a dois, uma deliciosa sensação
de afeto, amparo e segurança. Dentro da bolha jamais estamos sós. Falamos com o
outro o tempo inteiro ao telefone. Trocamos emails ao longo dia. E, se
acordamos assustados no meio da noite, a outra metade está lá, respirando firme
e tranquila ao nosso lado.
De
muitas maneiras, essa é a situação com que sempre sonhamos. Quando fantasiamos
romanticamente sobre uma relação, ela acontece em cenário fechado – somos nós,
nosso amor, nossos planos e nossas realizações, com uma vida social que permita
partilhar, de vez em quando, a nossa radiante felicidade privada. Assim são os
casais nos filmes, assim acontece nos romances baratos. Assim pode ser a nossa
vida, se quisermos.
A
questão é, deveríamos desejar apenas isso?
Eu
suspeito que não. Uma parte de mim, que já passou por isso, percebe uma
armadilha na bolha da felicidade. Ela cria um ambiente que não se renova. Ela
fomenta o canibalismo emocional – eu me alimento de você e você de mim – e
encurta as nossas dimensões existenciais. Ao mesmo tempo em que crescemos para
dentro da relação, corremos o risco de encolher para o resto do mundo – e
reduzir, drasticamente, o alcance potencial da nossa vida. A felicidade
hermética dos casais é autocomplacente e, lá na frente, pode ser frustrante.
Bem frustrante.
Minha sensação é que casais não são
auto-sustentáveis, no sentido ecológico da palavra.
Os
casais precisam de energia de fora para se renovar. Precisam da presença
constante e questionadora dos amigos. Precisam das raízes e do compromisso da
família. Precisam de uma vida social que inclua desafios e não apenas
entretenimento. Os casais precisam encontrar, fora da bolha, motivos reais para
sonhar e existir. E precisam, desesperadamente, da individualidade vigorosa de
suas partes, que não se desenvolve sem o contato com o mundo.
Quando
eu era garoto, as utopias estavam na moda. Imaginava-se, imaginávamos, que o
mundo mudaria rapidamente, e de uma forma radical. Casais seriam parte
essencial da grande e harmoniosa cumplicidade humana. Não se admitia que as
pessoas pudessem se isolar egoisticamente dentro do seu amor. Era preciso
participar do mundo. Transformá-lo.
Frequentemente,
eu tenho a sensação de que esse impulso generoso nos faz falta. Na ausência
dele, depositamos uma parcela exagerada das nossas expectativas no projeto
privado das relações afetivas. Quando estamos sozinhos, somos tomados pela
urgência de achar alguém e construir um universo de casal. Quando achamos
pessoa certa, nos pomos a trabalhar, laboriosamente, às vezes de olhos
fechados, na tarefa de nos fechar ao mundo junto dela. Temos medo.
Mas,
viver assim, eu suspeito, não é boa ideia. No interior da bolha, mesmo das mais
felizes, acaba faltando ar. Dentro dela, somos tentados a nos curvar sob as
dimensões cada vez menores do mundo que criamos. Assim, quando a bolha explode
- como é da natureza das bolhas explodir -, expõe ao mundo duas pessoas
surpresas e desamparadas, que se sentem infinitamente sozinhas. E de mãos
vazias.
Eu
sugiro, portanto, que os casais não façam bolhas duradouras. Ou, pelo menos,
que abram na parede delas portas e janelas por onde possam circular pessoas e
ideias - passagens por onde a vida exterior possa entrar não apenas como mera
decoração da felicidade, mas como ar, como água, como coisa vital e renovadora
que a vida é.
(Ivan
Martins escreve às quartas-feiras)
segunda-feira, 26 de março de 2012
Espírito de Quinta Feliz!
"Aqui
estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos
redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente.
Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los,
discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não
pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana
para a frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como
geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o
mundo, são as que o mudam." Jack Kerouac
quinta-feira, 22 de março de 2012
Navegar é preciso...
"É sempre tempo de mudanças.
E aqui estou eu mais uma vez revendo rotas, observando a posição das estrelas, virando o leme e traçando um novo rumo...
Nas incertezas de minhas entranhas vou descobrindo novos mares.
Não, não é volubilidade. É questão de adaptação, sobrevivência.
Sou fiel aos meus princípios. Minhas inquietudes é que me movem.
Antigamente me culpava por não seguir até o fim um caminho que havia traçado. Mas entendi que isso pode não ser um defeito, mas uma qualidade. Nem sempre o caminho mais curto é uma reta. Os desvios podem ser enriquecedores...
Covardia é não ter a coragem de mudar. Burrice é continuar andando por uma rua sem saída.
É necessário rever as rotas de tempos em tempos, pois só o que está morto não pode mudar.
Até o tempo não para..."
quinta-feira, 15 de março de 2012
Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Família de Quinta!
Pq somos o resultado de muitas famílias!
"Ter uma família me deu tudo. Um razão para viver. Uma razão para não ser um estúpido silencioso. Uma razão para aprender, razão para respirar, uma razão para cuidar. Deu-me tudo." Johnny Depp
"Ter uma família me deu tudo. Um razão para viver. Uma razão para não ser um estúpido silencioso. Uma razão para aprender, razão para respirar, uma razão para cuidar. Deu-me tudo." Johnny Depp
sexta-feira, 9 de março de 2012
Desejo
Desejo
Fartas colheitas chegando em seus campos e belas flores surgindo em seus jardins, perfumando suas vidas no exalar das fragrâncias que não se compra em mercados: Paz, Amor e Prosperidade muita luz . "Existe uma luz que brilha além de todas as coisas na terra,
além dos mais altos, dos mais altíssimos céus.
É a luz que brilha em teu coração
Eu amo borboletas porque humildemente elas carregam o polém Para nos oferecer lindos buquês de flores.
Que você seja como uma borboleta nos oferecendo sempre a beleza, a alegria, o perfume e a humildade.
A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
Rubem Alves.
Fartas colheitas chegando em seus campos e belas flores surgindo em seus jardins, perfumando suas vidas no exalar das fragrâncias que não se compra em mercados: Paz, Amor e Prosperidade muita luz . "Existe uma luz que brilha além de todas as coisas na terra,
além dos mais altos, dos mais altíssimos céus.
É a luz que brilha em teu coração
Eu amo borboletas porque humildemente elas carregam o polém Para nos oferecer lindos buquês de flores.
Que você seja como uma borboleta nos oferecendo sempre a beleza, a alegria, o perfume e a humildade.
A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
Rubem Alves.
Tenham todos um ótimo final de semana
quarta-feira, 7 de março de 2012
Tenho consciência..........
“Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!”
— Cora Coralina
— Cora Coralina
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O que eu aprendi com meus amigos!
Mais tarde eu saberia que certas experiências se partilham, até mesmo sem palavras, só com gente da mesma raça. O que não significa nem cor, nem formato de olho, nem tipo de cabelo, mas o indefinível parentesco da alma.
"Lya Luft"
"Lya Luft"
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Quando a máscara vira rosto por ELIANE BRUM
Todo
mundo inventa seus personagens, mas alguns acreditam demais no próprio e se
estrepam
Ter
um ou mais personagens para encarar a pedreira do mundo é não só necessário,
como uma questão de sobrevivência. Especialmente se você tiver uma
sensibilidade extremada. Nascemos com uma pelezinha de bebê também na alma (e
aqui não me refiro ao sentido religioso do termo) e precisamos protegê-la. Se
há algo que os outros pressentem é o tamanho da nossa fragilidade. Por isso um
chefe abusivo sempre sabe com quem pode gritar – e com quem é melhor não. Muita
gente é como aqueles cães de caça farejando o flanco mais indefeso para atacar
sua presa. Triste, triste. Mas mais triste é quando, em nome da necessidade de
sobreviver, criamos um personagem que se mostra tão útil que acaba se
confundindo com nossa derme mais profunda. Se criar personagens é preciso,
despir-se deles constantemente é vital.
Como
ando bastante por aí, tanto por razões profissionais quanto por gosto, observo
muito as pessoas. E seus personagens. E, muitas vezes, tenho vontade de dizer,
e em algumas delas, se há um grau de intimidade que me permita falar sem
ofender, eu digo: “Pronto, você já fez o seu show. Agora, por favor, para
jantar comigo enfia a máscara dentro da bolsa e relaxa”.
Ninguém
se iluda de que é absolutamente verdadeiro o tempo todo, até porque somos
muitas verdades ao mesmo tempo e seguidamente elas são contraditórias. Aquelas
pessoas que parecem muito “autênticas” porque são extrovertidas, dizem coisas
chocantes, se arriscam no estilo, estão muito bem cobertas por suas máscaras e
morrem de medo de serem reveladas. A máscara do “autêntico”, “louco” ou
“excêntrico” é uma das mais corriqueiras. Este tipo faz piada com o ponto fraco
dos outros, dando gargalhadas e batendo nas costas da vítima e, quando alguém
reclama, uma meia dúzia de amigos sai em sua defesa dizendo que “é o jeito
dele”. Ahan.
Há
o tipo “bonzinho” que, mesmo fazendo coisas horríveis e muito bem dissimuladas
de vez em quando, é tão convincente no “foi sem querer” ou “ele jamais faria
isso de propósito” que é imediatamente perdoado. Existe a “mulherzinha”, tão
frágil que parece que vai quebrar a qualquer adjetivo mais eloquente. Esta
manipula brilhantemente nossos mais primitivos instintos de proteção e, se você
tem a coragem de dizer para ela tomar jeito e prescindir do diminutivo,
imediatamente é você quem vira uma megera. E há o seu oposto, “a mulher alfa”,
esculpida a navalhadas, que se arma de sapatos de bico fino, terninhos de grife
e cortes de cabelo modernos, mas práticos, para arrasar meio mundo a bordo de
sua armadura como se o melhor produto do feminismo fosse uma mulher se tornar
um clichê de homem.
Enfim,
são muitas as fantasias que vestimos para não sermos engolidos pelo mundo. Em
geral não somos nem mesmo uma máscara definida, como as que acabei de expor
apenas como recurso didático. Não somos Batman, Coringa, Gilda, Bambi ou Madre
Tereza de Calcutá. Somos uma mistura de vários estereótipos. E, se é verdade
que vestimos máscaras, também é verdade que não há um “eu” essencial – mas sim
um “eu” fluido e incapturável, em constante movimento de mutação. E é nesta
fluidez do eu, que não pode ser confundida com ausência de rosto, que residem
nossas verdades mais profundas.
Acho
que nossas máscaras começam a colar no nosso rosto ainda na infância. Uma
mistura entre a necessidade de rotular que os pais em geral têm e o nosso
desejo de satisfazê-los – ou de escapar da prisão que intuímos. Numa família
com mais de um filho é mais fácil perceber. Um é o extrovertido, o outro é o
tímido, outro ainda é o rebelde. Ou um é o estudioso que “não dá trabalho
nenhum”, o outro é o vagabundo que ninguém sabe “por quem puxou”. E há o outro
que tem – socorro! – “transtorno do déficit de atenção e hiperatividade”.
Os
pais costumam botar um rótulo em cada filho, e a escola raramente tem competência
para, em vez de reforçá-los, quebrá-los para que as crianças tenham outras
possibilidades de expressar aquilo que são ou se tornar algo diferente do que
foram levadas a ser. Uma pena, porque quebrar máscaras impingidas ainda na
infância talvez seja a grande função de um educador. É muito difícil
identificar se alguém “é assim” ou se tornou o que sempre ouviu que era. Agora,
que as crianças são medicalizadas cada vez mais cedo e os rótulos ganharam
status de “diagnóstico”, com a entrada do “especialista”, danou-se.
De
fato, ninguém é – todos nós nos tornamos. E este “tornar-se” não é um caminho
linear rumo a um rosto definitivo, que daria conta de nossa essência. Não há
essência, o que existe é construção a partir de um conjunto de genes, de
influências ambientais e experiências as mais variadas, de inscrição no momento
histórico e de livre arbítrio – ainda que o livre arbítrio nunca seja tão livre
assim. Embora possa ser assustador pensar que não há um “eu” essencial a ser
alcançado, de fato é bastante libertador.
Somos
uma constante invenção e reinvenção. E, tão importante quanto, desinvenção.
Vale a pena não esquecer que sempre podemos nos desinventar. Ainda que
carreguemos conosco tudo aquilo que vivemos, a mágica está em dar novos
significados a antigas experiências e ter a sabedoria de nos livrarmos do que
não é nosso, apenas foi impingido a nós como uma roupa de gosto duvidoso. Por
isso, é bom tomarmos muito cuidado para não rotular os outros, como se nossas
sentenças fossem imunes de preconceitos. E mais cuidado ainda se estes outros
forem os nossos filhos, para que nossos rótulos não virem destino.
Acho
que a melhor forma de não impingir máscaras aos outros é não impingi-las a nós
mesmos. É bem fácil cair na tentação de transformar uma de nossas máscaras,
aquela que nos parece mais eficaz no embate cotidiano, em nosso rosto
definitivo. A máscara se torna tão usada que vai se fundindo primeiro à nossa
pele, depois aos nossos ossos. Não é que vire ferro, como no clássico de
Alexandre Dumas. O problema é que vira carne humana, mesmo. E aí, meu amigo,
fica bem difícil de arrancá-la, porque passamos a acreditar que morreremos no
processo. Ou que, por trás dela, não há um ou muitos rostos, mas um vazio
infinito. Muita gente se agarra a seu personagem com medo de que, se a máscara
for arrancada, descubram que não há nada lá. A máscara serviria, neste caso,
para esconder a ausência de face.
Tento
me livrar da tentação de virar personagem, uma máscara só, pela própria
escrita. Parte do ímpeto que me move a inventar outras vozes narrativas para
mim e outras bases para estabelecer o cotidiano se dá pelo meu temor de acabar
gostando demais de alguma máscara conveniente. Tento me quebrar o tempo todo me
jogando em desafios novos sem pensar muito nos riscos para me desgarrar da
tentação das certezas sobre mim. Tem funcionado.
Além
das mudanças mais profundas, que quem me acompanha nesta coluna está cansado de
saber, há pequenas trocas de atitude que podem ser bem divertidas. Eu sempre
fui disciplinadíssima, por exemplo. Estou numa luta feroz comigo mesma para
deixar de ser. No último final de semana consegui um feito inédito em 45 anos
de vida: dormi 16 horas seguidas. Almocei e ainda me entreguei a mais duas
horas de sesta. Vou acabar esta coluna e tomar uma cerveja em comemoração a
isso.
Sempre
fui pontualíssima e, como todas as pessoas pontuais deste país, esperava muito.
A ponto de o garçom ficar com pena e vir conversar comigo. Agora, com exceção
dos compromissos de trabalho, resolvi deixar todo mundo me esperando. É uma
delícia a cara de surpresa dos amigos. Chego e está todo mundo lá. Costumava
comer chocolates aos poucos. E, quando ia comer, antecipando o gosto do bombom
desmanchando na minha boca, alguém lá de casa já tinha dado cabo dele. E ainda
me acusava: “Você faz isso de propósito, para me tentar. Por sua causa, acabo
engordando”. Pronto, além de ficar sem chocolate, ainda era culpada pelo
descontrole alheio. Mudei. Agora devoro compulsivamente meus chocolates e
também o dos outros.
Não,
não parecem mudanças muito salutares, eu sei. Mas elas cumprem, pelo menos por
algum tempo, a função de me desconstruir tanto aos meus olhos como aos olhos
dos outros, que cultivam a pretensão de que a gente seja a mesma até o final
dos tempos. Um peso que, com licença, não pretendo arrastar por aí como se
fosse meu.
Especialmente
nas questões mais profundas, desmascarar a si mesmo é uma prática importante do
cotidiano. E também um ato que precisa ser constantemente recriado. Nosso
instinto de sobrevivência engendra armadilhas e argumentos bem convincentes
para absorver este “duvidar de si mesmo”, que nos mantêm alertas com relação a
nossos próprios ardis, e acaba por torná-lo mais um penduricalho que tem apenas
um efeito placebo. O que o mercado faz com a contestação ao mercado,
transformando-a em um produto, nós fazemos com relação à nossa porção
contestadora, ao transformá-la em nossa versão de mercado. De tal forma que, um
dia, sem perceber, paramos de tirar a maquiagem no fim da noite e dormimos
acreditando que a máscara é a nossa cara.
Dias
atrás encontrei um conhecido muito talentoso. É brilhante mais vezes do que a
maioria. Arrasta com ele uma legião de fãs. E, principalmente, tem o que dizer
porque é um grande criador. Fazia algum tempo que não o encontrava pessoalmente
e fiquei estarrecida ao perceber que ele tinha virado um personagem, um bufão.
Não mais um bufão como forma de contestar a hipocrisia, mas um bufão como forma
de não ser contestado em sua hipocrisia.
Torço
para que ele perceba a tempo que a máscara é uma versão bem pobre dele mesmo,
já que não tenho intimidade para dizer a ele eu mesma. Enquanto isso, ao
testemunhar a figura triste em que ele se transformou, tratei de aprimorar meus
próprios alarmes antimáscaras. E escrevi esta coluna na esperança de que ela
possa ajudar a acionar a sirene em cada leitor. As máscaras têm sua função,
desde que não nos apeguemos a elas a ponto de fazer da mais confortável um
rosto que agrada a todos – menos a nós mesmos.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Com medo da liberdade, preferimos aderir à manada
A doença de ser normal
ELIANE
BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Na semana passada, li uma
entrevista do professor José Hermógenes de Andrade Filho, uma lenda no mundo da
ioga no Brasil. No texto, ele conta ter criado uma palavra – “normose” – para
dar conta daquele que talvez seja o grande mal do homem contemporâneo. “Normose”
seria a “doença de ser normal”. O professor explica: “Como diz o título de um
documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na
dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos
aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida,
deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (...) Essa
normalidade nunca esteve tão distante da verdade”.
A entrevista faz parte de uma
coletânea de boas conversas com pessoas ligadas ao universo da espiritualidade
– não necessariamente religiosa – no Brasil e no mundo, escrito em dois volumes
pelo jornalista mineiro Lauro Henriques Jr., com o título “Palavras de poder”
(LeYa, 2011). Ganhei os dois livros de uma pessoa especial na minha vida e por
isso comecei a ler com curiosidade. Me deparei com a “normose” do professor
Hermógenes. E fiquei instigada a pensar sobre ela.
No mesmo período, o psicanalista e romancista Contardo Calligaris fez na Flip, em Paraty, um comentário bem provocador: "Quando desistimos da nossa singularidade para descansar no comportamento de grupo, aí está a origem do mal. O grupo, para mim, é o mal."
Acredito que, por caminhos diferentes, Hermógenes e Calligaris nos estimulam a pensar em algo que vale a pena, que um chamou de “normose” e o outro de “comportamento de grupo”. Daqui em diante, enveredo pelas minhas reflexões a partir das provocações de ambos – que possivelmente sejam diversas do que eles pensaram ao propô-las. A responsabilidade, portanto, é minha.
No passado, a vida no Ocidente era determinada pela tradição. O destino de cada um era imutável, definido pela sua origem, pela categoria social a qual pertencia, e não havia dilemas sobre o que seria a sua passagem pelo mundo: se você fosse homem, seguiria os passos do pai; se fosse mulher, os da mãe. De todos era esperado o cumprimento de um roteiro previsível, que, se você nascesse homem, consistia em dar sequência aos negócios ou ao ócio da família, ou trabalhar para o mesmo patrão ou senhor do pai; e, se nascesse mulher, casar-se com alguém do mesmo nível social, em contratos arranjados previamente, reproduzir-se e cuidar da sua própria casa ou servir na casa em que a mãe serviu. Além disso, esperava-se que cada novo núcleo familiar seguisse a religião dos pais e participasse da comunidade do jeito de sempre, cada um no seu lugar determinado pelo estrato social.
A modernidade embaralhou tudo isso. E fomos, como disse Sartre, “condenados a ser livres”. É o preço que o indivíduo paga para ser indivíduo. Ainda que, em países desiguais como o Brasil, a classe social na qual se nasce influencie as chances que cada um vai ter, mesmo aqui estamos muito longe de ter o lugar cimentado da tradição do mundo de ontem. E cada governo democrático, se quiser garantir a continuidade de seu projeto no poder, precisa agora prometer trabalhar para igualar as bases de onde cada cidadão partirá para construir sua história. No mundo contemporâneo, cada um é o principal responsável pelas suas escolhas, pelos seus desejos e pelas suas desistências.
Embora existam muitos órfãos da tradição, suspirosos de nostalgia, penso que a prisão daquela vida determinada desde antes do nascimento era mais assustadora do que a liberdade de se estrepar que a modernidade nos deu. É verdade, porém, que para viver hoje é necessário um outro tipo de coragem, já que cada homem ou mulher virou em si um projeto em constante construção e desconstrução. Não é que não exista mais chão, mas ele é pantanoso, e cada um precisa escolher diante de um emaranhado de trilhas. E, se cada uma delas leva a lugares diferentes, é fato que nenhuma é segura.
É aí que a “normose” ou o “comportamento de grupo” se encaixa. Qual é o desafio de cada um de nós hoje? Desde que você não esteja na faixa da população em que toda energia e talentos são gastos na luta pela sobrevivência mais básica, o desafio que se impõe diante de cada um é a busca da sua singularidade. E esta é a busca de uma vida inteira. Não como se você tivesse uma essência que precisasse encontrar e, tão logo encontrada, estivesse tudo resolvido. Pelo contrário, esta procura leva à invenção de nós mesmos – e nunca está nada resolvido, já que sempre podemos nos reinventar. Não sem limites, mas às voltas com eles.
A proposta da modernidade e da ideia de indivíduo, muito mais libertária do que nossos antepassados amarrados pela tradição jamais sonharam, parece ótima. O problema é que dá uma angústia danada, já que, a rigor, não haveria ninguém para culpar por uma escolha equivocada ou porque o enredo que inventamos para a nossa vida saiu diferente do nosso desejo. Então, com medo de nos “enforcarmos nas cordas da liberdade”, como diz o ator Antônio Abujamra no programa “Provocações” (TV Cultura), em vez de nos arriscarmos a criar uma vida, nos responsabilizando por ela, aderimos à manada. E aqui, é importante deixar bem claro, não estou me referindo a lutas coletivas movidas por indivíduos unidos por suas singularidades, mas à adesão que implica se deixar possuir pelo grupo para não se arriscar a ser possuído por si mesmo.
Nesta adesão à manada, a “normose” ou o “comportamento de grupo” substituiria ilusoriamente o vazio deixado pela tradição. Com medo da liberdade e dos riscos inerentes a ela, muitos de nós colam no grupo. Seja ele do tipo que for: religioso, corporativo, profissional, cultural, intelectual, político, de orientação sexual ou até esportivo. Cada um deles garante, ainda que de forma muito mais frágil do que a tradição, um certo jeito de se comportar e de se vestir, um tipo de ambiente a frequentar, temas que merecem ser debatidos, gêneros de lazer e de viagens para as férias e para os fins de semana, crenças para compartilhar e até bens para adquirir. Um tipo de “normose” – que, paradoxalmente, mas com muita lógica, dentro do grupo é tratada como “diferentose”, já que, como coletivo, contrapõe as suas verdades a dos outros grupos, em geral vistos como inferiores ou limitados.
E como estas são as pessoas com quem se convive, torna-se meio inevitável namorar e ter filhos com gente da mesma turma. Assim como a tendência é reproduzir mais e mais os mesmos padrões e visão de mundo. Sem questionar, porque questionar possivelmente levaria a uma ação. E todos nós conhecemos gente, quando não nós mesmos, que prefere deixar tudo como está, ainda que doa, para não se arriscar ao desconhecido. É assim que muitos de nós abrem mão da época histórica mais rica de possibilidades de ser em troca de uma mercadoria bem ordinária: a ilusão de segurança. Mas, como sabemos, lá no fundo sentimos que algo está bem errado. Especialmente quando fica difícil levantar da cama pela manhã para seguir o roteiro programado.
Suspeito que o mal-estar contemporâneo tem muito a ver com não estarmos à altura do nosso tempo. No passado, havia “outsiders”, gente que desafiava a tradição para inventar uma outra história para si. Hoje, com a (bendita) falência da tradição, talvez o que se exija de nós seja que todos sejamos “outsiders” à nossa própria maneira – não no sentido de contrariar o mundo inteiro, mas de encontrar o que faz sentido para cada um, arriscando-se ao percurso tortuoso do desejo. Ciente de que, logo adiante, vamos perder o sentido mais uma vez e teremos de nos reinventar de novo e de novo, num processo contínuo de construção e desconstrução movido pela dúvida – e não pelas certezas.
Vivemos numa época de intenso movimento interno, em que se perder seja talvez o melhor caminho para se achar, mas nos agarramos à primeira falsa promessa como desculpa para permanecermos imóveis. Voltados sempre para fora e cada vez com mais pressa, porque olhar para dentro com a calma e a honestidade necessárias seria perigoso. Queremos garantia onde não há nenhuma, sem perceber que o imprevisível pode nos levar a um lugar mais interessante. Podemos finalmente andar por aí desencaixotados, mas na primeira oportunidade nos jogamos de cabeça numa gaveta com rótulo. Ainda que disfarçada de vanguarda.
Mas o que pode ser mais extraordinário do que inventar uma vida, ainda que com todas as limitações do existir? E que utopia pode ser maior do que nos igualarmos pela singularidade do que cada um é?
Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, “Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!”.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A CRENÇA DE QUE A FELICIDADE É UM DIREITO
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Ao conviver
com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com
aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos
diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.
Preparada do ponto de vista das habilidades,
despreparada porque não sabe lidar com frustrações.
Preparada porque é capaz de usar as ferramentas
da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.
Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida.
E por tudo
isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o
patrimônio da felicidade.
E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia.
Uma geração que teve muito mais do que seus
pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de
que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo
reconhecesse a sua genialidade. Tenho me
deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de
suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo
concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram.
E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se
traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. Por que boa parte dessa nova geração é assim?
Penso que este é um questionamento importante
para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje.
Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que
a felicidade é uma espécie de direito. E
tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos
sejam “felizes”.
Pais que
fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os
perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os
pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é
sinônimo de fracasso pessoal.
Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço?
Ou a falta e
a busca, duas faces de um mesmo movimento?
Existe alguém que viva sem se confrontar dia
após dia com os limites tanto de sua condição
humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade.
O valor está no dom, naquilo que já nasce
pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa.
Ter de dar duro para conquistar algo parece já
vir assinalado com o carimbo de perdedor.
Bacana é o cara que não estudou, passou a noite
na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina.
Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer.
De que as dores inerentes a toda vida são uma
anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro
que deveria estar garantido.
Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que
a felicidade é um direito. E a frustração um
fracasso.
Talvez aí esteja uma pista para compreender a
geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente.
Porque possuem muitas habilidades e ferramentas,
mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções.
Nem imaginam que viver é também ter de aceitar
limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que
quer.
A questão, como poderia formular o filósofo
Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria
fácil”?
É no passar dos dias que a conta não fecha e o
projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão.
Ninguém descobre que viver é complicado quando
cresce ou deveria crescer – este momento é
apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no
confronto com os muros da realidade.
Desde sempre
sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem
mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?
Não há espaço para nada que seja da vida, que
pertença aos espasmos de crescer duvidando de
seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do
projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.
E não por acaso se cala com medicamentos e cada
vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o
manual.
Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que
ninguém precise olhar de verdade par a ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter?
Como seria possível estabelecer um vínculo
genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas
estão previamente fora dele?
Se a relação está construída sobre uma ilusão,
só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia.
É pelos objetos de consumo que a novela familiar
tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber
o que só eles podem buscar.
E por isso logo é preciso criar uma nova demanda
para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo.
E acreditar que se pode tudo é o atalho mais
rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade.
Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a
narrativa da própria vida é para quem tem
coragem.
Não é complicado porque você vai ter
competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é
escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada.
É viver com
dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas
é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito
bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa
escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira,
meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga
é tua”.
Assim como sentar para jantar e falar da vida
como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou
“Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer,
mas estou tentando descobrir”.
Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode
significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que
o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência.
É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o
suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser
dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um
direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência.
De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao
descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia.
O melhor a fazer é ter a coragem de escolher.
Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou
para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele.
E não culpar ninguém porque eventualmente não
deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes.
Ou transferir para o outro a responsabilidade
pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
Eliane Brum Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de
reportagem.
É autora de
*Coluna Prestes – O Avesso da Lenda*,
*A Vida Que
Ninguém Vê*
*O Olho da
Rua*
Prêmio
Jabuti 2007
E-mail: elianebrum@uol.com.br
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
"O homem que sabe"
“Pensar o múltiplo e o móvel é o desafio, ser capaz de lidar ao mesmo tempo com diversas interpretações e perspectivas. Não mais pensar de modo sucessivo, mas simultâneo, compor ao invés de excluir, e retomar a difícil complexidade que é viver, pensar, criar, conhecer, querer, sentir... Todas as coisas se relacionam, não há nada realmente isolado, todo gesto produz desdobramentos incalculáveis; um saber, uma escola, uma pessoa não existe sem um contexto: talvez este seja o aprendizado social, a maturidade política que precisamos. Somos ao mesmo tempo o indivíduo e o todo, o apolíneo e o dionisíaco, a lei e a transgressão.” Fragmento do livro " O homem que sabe" de Viviane Mosé
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A Crise
“Como avestruzes,
parecemos querer fingir que os problemas não nos atingem ou não existem,
esperando que alguém ou alguma coisa (sagrada ou profana) intervenha evitando
que as terríveis catástrofes anunciadas não se concretizem.
Preferimos acreditar
que ela não existe (a grave crise econômica, social, ambiental, etc., que por
que passa a nossa civilização). Talvez para não termos que responder o
que vamos fazer para evitá-la ou ao menos minorá-la, preferindo os temas de
somenos importância ou as fofocas político/policias/sociais de nosso dia-a-dia.
Sei da necessidade
que todos temos de tocar nossas vidas e sermos felizes, apesar das mazelas da
vida. Mas também acredito na ação coletiva do homem e na sua capacidade de
intervir em seus destinos, construindo a cada dia um mundo melhor. Por isso,
apesar da aparente apatia de uma maioria (?) alegro-me de saber que em várias
partes do mundo há pessoas se mobilizando e lutando para reverter essa
ameaçadora perspectiva, apenas gostaria que fosse mais e mais gente se
mobilizando e se organizando para que finalmente possamos fazer desde as
pequenas mudanças de comportamento individual até as grande modificações.
Posso estar sendo
piegas com toda essa lenga-lenga, mas gostaria de ver na cidade que eu moro
poderosos e organizados movimentos de contestação e de construção da eterna
utopia humana, tão bem traduzida pelos franceses na consigna “Igualdade,
Fraternidade e Liberdade”.
ANTÔNIO
FERNANDO DE SOUZA
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Um mundo doente *por Tom Coelho
"A
educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a
vida, é a própria vida." (John Dewey)
Crise
na Europa e nos Estados Unidos, queda de governos árabes, discussões sobre o
aquecimento global. As doenças que acometem o mundo não são de ordem econômica,
política ou ambiental. Nossas mazelas são de caráter social. A sociedade está
enferma.
As
pessoas estão fisicamente doentes. Caminhe por uma praia e observe a condição
dos banhistas para constatar a falta de cuidados com o próprio corpo, fruto de
vida sedentária, alimentação desregrada, ausência de atividade física. Não é à
toa que obesidade, hipertensão arterial e doenças coronarianas crescem
vertiginosamente.
As
pessoas estão mentalmente doentes. Ansiedade, angústia, transtornos de humor.
Como prova do que digo, observe a proliferação de drogarias por todo o país. E
mais do que o número de novos estabelecimentos, a frequência maciça de
consumidores. Não importam dia e horário, invariavelmente você encontrará filas
nos caixas. Gente comprando de medicamentos para as dores do corpo, a
ansiolíticos e antidepressivos.
As
relações sociais estão doentes. Temos cada vez mais amigos virtuais, mas
continuamos sem conhecer o vizinho que reside há anos na porta ao lado.
Familiares não comungam de uma mesma refeição, pais e filhos pouco conversam,
casais de amigos em um encontro pessoal trocam a autenticidade de um diálogo
pela efemeridade de tuitadas em seus smartphones.
As
empresas estão doentes. Mesmo quando lucrativas, sofrem com crises de
liderança, dificuldades para engajar seus funcionários e reter talentos,
dilemas morais para alinhar discursos institucionais às práticas corporativas.
Valores
e virtudes estão doentes. Intolerância, egoísmo e cupidez suplantam
condescendência, generosidade e gentileza. Prevalece a ética do interesse
pessoal em detrimento do coletivo.
Amigos
em um encontro pessoal trocam a
autenticidade de um diálogo pela efemeridade de tuitadas em seus smartphones.
No
dia seguinte ao réveillon, na praia, no campo ou nas ruas das cidades, o
cenário era de guerra. Lixo por todos os lados. Garrafas despedaçadas, deixando
cacos de vidros infiltrados na mesma areia onde crianças inocentemente iriam brincar
ao raiar do dia.
Nossos
problemas não são conjunturais, mas estruturais. E a solução passa por
reflexão, educação e cultura.
Saudações,
Silvana Souza
"O que nos condena é nossa resignação." Eduardo Galeano
Silvana Souza
"O que nos condena é nossa resignação." Eduardo Galeano
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