Mais tarde eu saberia que certas experiências se partilham, até mesmo sem palavras, só com gente da mesma raça. O que não significa nem cor, nem formato de olho, nem tipo de cabelo, mas o indefinível parentesco da alma.
"Lya Luft"
Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema
Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles
BOAS VINDAS!
Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha
Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As coisas mais simples são os melhores presentes.
Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;
Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;
Harmonia, paz e alegria sempre.
Silvana Mara dias Souza
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Quando a máscara vira rosto por ELIANE BRUM
Todo
mundo inventa seus personagens, mas alguns acreditam demais no próprio e se
estrepam
Ter
um ou mais personagens para encarar a pedreira do mundo é não só necessário,
como uma questão de sobrevivência. Especialmente se você tiver uma
sensibilidade extremada. Nascemos com uma pelezinha de bebê também na alma (e
aqui não me refiro ao sentido religioso do termo) e precisamos protegê-la. Se
há algo que os outros pressentem é o tamanho da nossa fragilidade. Por isso um
chefe abusivo sempre sabe com quem pode gritar – e com quem é melhor não. Muita
gente é como aqueles cães de caça farejando o flanco mais indefeso para atacar
sua presa. Triste, triste. Mas mais triste é quando, em nome da necessidade de
sobreviver, criamos um personagem que se mostra tão útil que acaba se
confundindo com nossa derme mais profunda. Se criar personagens é preciso,
despir-se deles constantemente é vital.
Como
ando bastante por aí, tanto por razões profissionais quanto por gosto, observo
muito as pessoas. E seus personagens. E, muitas vezes, tenho vontade de dizer,
e em algumas delas, se há um grau de intimidade que me permita falar sem
ofender, eu digo: “Pronto, você já fez o seu show. Agora, por favor, para
jantar comigo enfia a máscara dentro da bolsa e relaxa”.
Ninguém
se iluda de que é absolutamente verdadeiro o tempo todo, até porque somos
muitas verdades ao mesmo tempo e seguidamente elas são contraditórias. Aquelas
pessoas que parecem muito “autênticas” porque são extrovertidas, dizem coisas
chocantes, se arriscam no estilo, estão muito bem cobertas por suas máscaras e
morrem de medo de serem reveladas. A máscara do “autêntico”, “louco” ou
“excêntrico” é uma das mais corriqueiras. Este tipo faz piada com o ponto fraco
dos outros, dando gargalhadas e batendo nas costas da vítima e, quando alguém
reclama, uma meia dúzia de amigos sai em sua defesa dizendo que “é o jeito
dele”. Ahan.
Há
o tipo “bonzinho” que, mesmo fazendo coisas horríveis e muito bem dissimuladas
de vez em quando, é tão convincente no “foi sem querer” ou “ele jamais faria
isso de propósito” que é imediatamente perdoado. Existe a “mulherzinha”, tão
frágil que parece que vai quebrar a qualquer adjetivo mais eloquente. Esta
manipula brilhantemente nossos mais primitivos instintos de proteção e, se você
tem a coragem de dizer para ela tomar jeito e prescindir do diminutivo,
imediatamente é você quem vira uma megera. E há o seu oposto, “a mulher alfa”,
esculpida a navalhadas, que se arma de sapatos de bico fino, terninhos de grife
e cortes de cabelo modernos, mas práticos, para arrasar meio mundo a bordo de
sua armadura como se o melhor produto do feminismo fosse uma mulher se tornar
um clichê de homem.
Enfim,
são muitas as fantasias que vestimos para não sermos engolidos pelo mundo. Em
geral não somos nem mesmo uma máscara definida, como as que acabei de expor
apenas como recurso didático. Não somos Batman, Coringa, Gilda, Bambi ou Madre
Tereza de Calcutá. Somos uma mistura de vários estereótipos. E, se é verdade
que vestimos máscaras, também é verdade que não há um “eu” essencial – mas sim
um “eu” fluido e incapturável, em constante movimento de mutação. E é nesta
fluidez do eu, que não pode ser confundida com ausência de rosto, que residem
nossas verdades mais profundas.
Acho
que nossas máscaras começam a colar no nosso rosto ainda na infância. Uma
mistura entre a necessidade de rotular que os pais em geral têm e o nosso
desejo de satisfazê-los – ou de escapar da prisão que intuímos. Numa família
com mais de um filho é mais fácil perceber. Um é o extrovertido, o outro é o
tímido, outro ainda é o rebelde. Ou um é o estudioso que “não dá trabalho
nenhum”, o outro é o vagabundo que ninguém sabe “por quem puxou”. E há o outro
que tem – socorro! – “transtorno do déficit de atenção e hiperatividade”.
Os
pais costumam botar um rótulo em cada filho, e a escola raramente tem competência
para, em vez de reforçá-los, quebrá-los para que as crianças tenham outras
possibilidades de expressar aquilo que são ou se tornar algo diferente do que
foram levadas a ser. Uma pena, porque quebrar máscaras impingidas ainda na
infância talvez seja a grande função de um educador. É muito difícil
identificar se alguém “é assim” ou se tornou o que sempre ouviu que era. Agora,
que as crianças são medicalizadas cada vez mais cedo e os rótulos ganharam
status de “diagnóstico”, com a entrada do “especialista”, danou-se.
De
fato, ninguém é – todos nós nos tornamos. E este “tornar-se” não é um caminho
linear rumo a um rosto definitivo, que daria conta de nossa essência. Não há
essência, o que existe é construção a partir de um conjunto de genes, de
influências ambientais e experiências as mais variadas, de inscrição no momento
histórico e de livre arbítrio – ainda que o livre arbítrio nunca seja tão livre
assim. Embora possa ser assustador pensar que não há um “eu” essencial a ser
alcançado, de fato é bastante libertador.
Somos
uma constante invenção e reinvenção. E, tão importante quanto, desinvenção.
Vale a pena não esquecer que sempre podemos nos desinventar. Ainda que
carreguemos conosco tudo aquilo que vivemos, a mágica está em dar novos
significados a antigas experiências e ter a sabedoria de nos livrarmos do que
não é nosso, apenas foi impingido a nós como uma roupa de gosto duvidoso. Por
isso, é bom tomarmos muito cuidado para não rotular os outros, como se nossas
sentenças fossem imunes de preconceitos. E mais cuidado ainda se estes outros
forem os nossos filhos, para que nossos rótulos não virem destino.
Acho
que a melhor forma de não impingir máscaras aos outros é não impingi-las a nós
mesmos. É bem fácil cair na tentação de transformar uma de nossas máscaras,
aquela que nos parece mais eficaz no embate cotidiano, em nosso rosto
definitivo. A máscara se torna tão usada que vai se fundindo primeiro à nossa
pele, depois aos nossos ossos. Não é que vire ferro, como no clássico de
Alexandre Dumas. O problema é que vira carne humana, mesmo. E aí, meu amigo,
fica bem difícil de arrancá-la, porque passamos a acreditar que morreremos no
processo. Ou que, por trás dela, não há um ou muitos rostos, mas um vazio
infinito. Muita gente se agarra a seu personagem com medo de que, se a máscara
for arrancada, descubram que não há nada lá. A máscara serviria, neste caso,
para esconder a ausência de face.
Tento
me livrar da tentação de virar personagem, uma máscara só, pela própria
escrita. Parte do ímpeto que me move a inventar outras vozes narrativas para
mim e outras bases para estabelecer o cotidiano se dá pelo meu temor de acabar
gostando demais de alguma máscara conveniente. Tento me quebrar o tempo todo me
jogando em desafios novos sem pensar muito nos riscos para me desgarrar da
tentação das certezas sobre mim. Tem funcionado.
Além
das mudanças mais profundas, que quem me acompanha nesta coluna está cansado de
saber, há pequenas trocas de atitude que podem ser bem divertidas. Eu sempre
fui disciplinadíssima, por exemplo. Estou numa luta feroz comigo mesma para
deixar de ser. No último final de semana consegui um feito inédito em 45 anos
de vida: dormi 16 horas seguidas. Almocei e ainda me entreguei a mais duas
horas de sesta. Vou acabar esta coluna e tomar uma cerveja em comemoração a
isso.
Sempre
fui pontualíssima e, como todas as pessoas pontuais deste país, esperava muito.
A ponto de o garçom ficar com pena e vir conversar comigo. Agora, com exceção
dos compromissos de trabalho, resolvi deixar todo mundo me esperando. É uma
delícia a cara de surpresa dos amigos. Chego e está todo mundo lá. Costumava
comer chocolates aos poucos. E, quando ia comer, antecipando o gosto do bombom
desmanchando na minha boca, alguém lá de casa já tinha dado cabo dele. E ainda
me acusava: “Você faz isso de propósito, para me tentar. Por sua causa, acabo
engordando”. Pronto, além de ficar sem chocolate, ainda era culpada pelo
descontrole alheio. Mudei. Agora devoro compulsivamente meus chocolates e
também o dos outros.
Não,
não parecem mudanças muito salutares, eu sei. Mas elas cumprem, pelo menos por
algum tempo, a função de me desconstruir tanto aos meus olhos como aos olhos
dos outros, que cultivam a pretensão de que a gente seja a mesma até o final
dos tempos. Um peso que, com licença, não pretendo arrastar por aí como se
fosse meu.
Especialmente
nas questões mais profundas, desmascarar a si mesmo é uma prática importante do
cotidiano. E também um ato que precisa ser constantemente recriado. Nosso
instinto de sobrevivência engendra armadilhas e argumentos bem convincentes
para absorver este “duvidar de si mesmo”, que nos mantêm alertas com relação a
nossos próprios ardis, e acaba por torná-lo mais um penduricalho que tem apenas
um efeito placebo. O que o mercado faz com a contestação ao mercado,
transformando-a em um produto, nós fazemos com relação à nossa porção
contestadora, ao transformá-la em nossa versão de mercado. De tal forma que, um
dia, sem perceber, paramos de tirar a maquiagem no fim da noite e dormimos
acreditando que a máscara é a nossa cara.
Dias
atrás encontrei um conhecido muito talentoso. É brilhante mais vezes do que a
maioria. Arrasta com ele uma legião de fãs. E, principalmente, tem o que dizer
porque é um grande criador. Fazia algum tempo que não o encontrava pessoalmente
e fiquei estarrecida ao perceber que ele tinha virado um personagem, um bufão.
Não mais um bufão como forma de contestar a hipocrisia, mas um bufão como forma
de não ser contestado em sua hipocrisia.
Torço
para que ele perceba a tempo que a máscara é uma versão bem pobre dele mesmo,
já que não tenho intimidade para dizer a ele eu mesma. Enquanto isso, ao
testemunhar a figura triste em que ele se transformou, tratei de aprimorar meus
próprios alarmes antimáscaras. E escrevi esta coluna na esperança de que ela
possa ajudar a acionar a sirene em cada leitor. As máscaras têm sua função,
desde que não nos apeguemos a elas a ponto de fazer da mais confortável um
rosto que agrada a todos – menos a nós mesmos.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Com medo da liberdade, preferimos aderir à manada
A doença de ser normal
ELIANE
BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Na semana passada, li uma
entrevista do professor José Hermógenes de Andrade Filho, uma lenda no mundo da
ioga no Brasil. No texto, ele conta ter criado uma palavra – “normose” – para
dar conta daquele que talvez seja o grande mal do homem contemporâneo. “Normose”
seria a “doença de ser normal”. O professor explica: “Como diz o título de um
documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na
dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos
aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida,
deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (...) Essa
normalidade nunca esteve tão distante da verdade”.
A entrevista faz parte de uma
coletânea de boas conversas com pessoas ligadas ao universo da espiritualidade
– não necessariamente religiosa – no Brasil e no mundo, escrito em dois volumes
pelo jornalista mineiro Lauro Henriques Jr., com o título “Palavras de poder”
(LeYa, 2011). Ganhei os dois livros de uma pessoa especial na minha vida e por
isso comecei a ler com curiosidade. Me deparei com a “normose” do professor
Hermógenes. E fiquei instigada a pensar sobre ela.
No mesmo período, o psicanalista e romancista Contardo Calligaris fez na Flip, em Paraty, um comentário bem provocador: "Quando desistimos da nossa singularidade para descansar no comportamento de grupo, aí está a origem do mal. O grupo, para mim, é o mal."
Acredito que, por caminhos diferentes, Hermógenes e Calligaris nos estimulam a pensar em algo que vale a pena, que um chamou de “normose” e o outro de “comportamento de grupo”. Daqui em diante, enveredo pelas minhas reflexões a partir das provocações de ambos – que possivelmente sejam diversas do que eles pensaram ao propô-las. A responsabilidade, portanto, é minha.
No passado, a vida no Ocidente era determinada pela tradição. O destino de cada um era imutável, definido pela sua origem, pela categoria social a qual pertencia, e não havia dilemas sobre o que seria a sua passagem pelo mundo: se você fosse homem, seguiria os passos do pai; se fosse mulher, os da mãe. De todos era esperado o cumprimento de um roteiro previsível, que, se você nascesse homem, consistia em dar sequência aos negócios ou ao ócio da família, ou trabalhar para o mesmo patrão ou senhor do pai; e, se nascesse mulher, casar-se com alguém do mesmo nível social, em contratos arranjados previamente, reproduzir-se e cuidar da sua própria casa ou servir na casa em que a mãe serviu. Além disso, esperava-se que cada novo núcleo familiar seguisse a religião dos pais e participasse da comunidade do jeito de sempre, cada um no seu lugar determinado pelo estrato social.
A modernidade embaralhou tudo isso. E fomos, como disse Sartre, “condenados a ser livres”. É o preço que o indivíduo paga para ser indivíduo. Ainda que, em países desiguais como o Brasil, a classe social na qual se nasce influencie as chances que cada um vai ter, mesmo aqui estamos muito longe de ter o lugar cimentado da tradição do mundo de ontem. E cada governo democrático, se quiser garantir a continuidade de seu projeto no poder, precisa agora prometer trabalhar para igualar as bases de onde cada cidadão partirá para construir sua história. No mundo contemporâneo, cada um é o principal responsável pelas suas escolhas, pelos seus desejos e pelas suas desistências.
Embora existam muitos órfãos da tradição, suspirosos de nostalgia, penso que a prisão daquela vida determinada desde antes do nascimento era mais assustadora do que a liberdade de se estrepar que a modernidade nos deu. É verdade, porém, que para viver hoje é necessário um outro tipo de coragem, já que cada homem ou mulher virou em si um projeto em constante construção e desconstrução. Não é que não exista mais chão, mas ele é pantanoso, e cada um precisa escolher diante de um emaranhado de trilhas. E, se cada uma delas leva a lugares diferentes, é fato que nenhuma é segura.
É aí que a “normose” ou o “comportamento de grupo” se encaixa. Qual é o desafio de cada um de nós hoje? Desde que você não esteja na faixa da população em que toda energia e talentos são gastos na luta pela sobrevivência mais básica, o desafio que se impõe diante de cada um é a busca da sua singularidade. E esta é a busca de uma vida inteira. Não como se você tivesse uma essência que precisasse encontrar e, tão logo encontrada, estivesse tudo resolvido. Pelo contrário, esta procura leva à invenção de nós mesmos – e nunca está nada resolvido, já que sempre podemos nos reinventar. Não sem limites, mas às voltas com eles.
A proposta da modernidade e da ideia de indivíduo, muito mais libertária do que nossos antepassados amarrados pela tradição jamais sonharam, parece ótima. O problema é que dá uma angústia danada, já que, a rigor, não haveria ninguém para culpar por uma escolha equivocada ou porque o enredo que inventamos para a nossa vida saiu diferente do nosso desejo. Então, com medo de nos “enforcarmos nas cordas da liberdade”, como diz o ator Antônio Abujamra no programa “Provocações” (TV Cultura), em vez de nos arriscarmos a criar uma vida, nos responsabilizando por ela, aderimos à manada. E aqui, é importante deixar bem claro, não estou me referindo a lutas coletivas movidas por indivíduos unidos por suas singularidades, mas à adesão que implica se deixar possuir pelo grupo para não se arriscar a ser possuído por si mesmo.
Nesta adesão à manada, a “normose” ou o “comportamento de grupo” substituiria ilusoriamente o vazio deixado pela tradição. Com medo da liberdade e dos riscos inerentes a ela, muitos de nós colam no grupo. Seja ele do tipo que for: religioso, corporativo, profissional, cultural, intelectual, político, de orientação sexual ou até esportivo. Cada um deles garante, ainda que de forma muito mais frágil do que a tradição, um certo jeito de se comportar e de se vestir, um tipo de ambiente a frequentar, temas que merecem ser debatidos, gêneros de lazer e de viagens para as férias e para os fins de semana, crenças para compartilhar e até bens para adquirir. Um tipo de “normose” – que, paradoxalmente, mas com muita lógica, dentro do grupo é tratada como “diferentose”, já que, como coletivo, contrapõe as suas verdades a dos outros grupos, em geral vistos como inferiores ou limitados.
E como estas são as pessoas com quem se convive, torna-se meio inevitável namorar e ter filhos com gente da mesma turma. Assim como a tendência é reproduzir mais e mais os mesmos padrões e visão de mundo. Sem questionar, porque questionar possivelmente levaria a uma ação. E todos nós conhecemos gente, quando não nós mesmos, que prefere deixar tudo como está, ainda que doa, para não se arriscar ao desconhecido. É assim que muitos de nós abrem mão da época histórica mais rica de possibilidades de ser em troca de uma mercadoria bem ordinária: a ilusão de segurança. Mas, como sabemos, lá no fundo sentimos que algo está bem errado. Especialmente quando fica difícil levantar da cama pela manhã para seguir o roteiro programado.
Suspeito que o mal-estar contemporâneo tem muito a ver com não estarmos à altura do nosso tempo. No passado, havia “outsiders”, gente que desafiava a tradição para inventar uma outra história para si. Hoje, com a (bendita) falência da tradição, talvez o que se exija de nós seja que todos sejamos “outsiders” à nossa própria maneira – não no sentido de contrariar o mundo inteiro, mas de encontrar o que faz sentido para cada um, arriscando-se ao percurso tortuoso do desejo. Ciente de que, logo adiante, vamos perder o sentido mais uma vez e teremos de nos reinventar de novo e de novo, num processo contínuo de construção e desconstrução movido pela dúvida – e não pelas certezas.
Vivemos numa época de intenso movimento interno, em que se perder seja talvez o melhor caminho para se achar, mas nos agarramos à primeira falsa promessa como desculpa para permanecermos imóveis. Voltados sempre para fora e cada vez com mais pressa, porque olhar para dentro com a calma e a honestidade necessárias seria perigoso. Queremos garantia onde não há nenhuma, sem perceber que o imprevisível pode nos levar a um lugar mais interessante. Podemos finalmente andar por aí desencaixotados, mas na primeira oportunidade nos jogamos de cabeça numa gaveta com rótulo. Ainda que disfarçada de vanguarda.
Mas o que pode ser mais extraordinário do que inventar uma vida, ainda que com todas as limitações do existir? E que utopia pode ser maior do que nos igualarmos pela singularidade do que cada um é?
Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, “Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!”.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
A CRENÇA DE QUE A FELICIDADE É UM DIREITO
|
Ao conviver
com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com
aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos
diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.
Preparada do ponto de vista das habilidades,
despreparada porque não sabe lidar com frustrações.
Preparada porque é capaz de usar as ferramentas
da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço.
Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida.
E por tudo
isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o
patrimônio da felicidade.
E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia.
Uma geração que teve muito mais do que seus
pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de
que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo
reconhecesse a sua genialidade. Tenho me
deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de
suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo
concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram.
E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se
traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. Por que boa parte dessa nova geração é assim?
Penso que este é um questionamento importante
para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje.
Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que
a felicidade é uma espécie de direito. E
tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos
sejam “felizes”.
Pais que
fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os
perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os
pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é
sinônimo de fracasso pessoal.
Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço?
Ou a falta e
a busca, duas faces de um mesmo movimento?
Existe alguém que viva sem se confrontar dia
após dia com os limites tanto de sua condição
humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade.
O valor está no dom, naquilo que já nasce
pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa.
Ter de dar duro para conquistar algo parece já
vir assinalado com o carimbo de perdedor.
Bacana é o cara que não estudou, passou a noite
na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina.
Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer.
De que as dores inerentes a toda vida são uma
anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro
que deveria estar garantido.
Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que
a felicidade é um direito. E a frustração um
fracasso.
Talvez aí esteja uma pista para compreender a
geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente.
Porque possuem muitas habilidades e ferramentas,
mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções.
Nem imaginam que viver é também ter de aceitar
limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que
quer.
A questão, como poderia formular o filósofo
Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria
fácil”?
É no passar dos dias que a conta não fecha e o
projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão.
Ninguém descobre que viver é complicado quando
cresce ou deveria crescer – este momento é
apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no
confronto com os muros da realidade.
Desde sempre
sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem
mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado?
Não há espaço para nada que seja da vida, que
pertença aos espasmos de crescer duvidando de
seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do
projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar.
E não por acaso se cala com medicamentos e cada
vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o
manual.
Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que
ninguém precise olhar de verdade par a ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter?
Como seria possível estabelecer um vínculo
genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas
estão previamente fora dele?
Se a relação está construída sobre uma ilusão,
só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia.
É pelos objetos de consumo que a novela familiar
tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber
o que só eles podem buscar.
E por isso logo é preciso criar uma nova demanda
para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo.
E acreditar que se pode tudo é o atalho mais
rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade.
Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a
narrativa da própria vida é para quem tem
coragem.
Não é complicado porque você vai ter
competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é
escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada.
É viver com
dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas
é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito
bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa
escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira,
meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga
é tua”.
Assim como sentar para jantar e falar da vida
como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou
“Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer,
mas estou tentando descobrir”.
Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode
significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que
o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência.
É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o
suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser
dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um
direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência.
De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao
descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia.
O melhor a fazer é ter a coragem de escolher.
Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou
para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele.
E não culpar ninguém porque eventualmente não
deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes.
Ou transferir para o outro a responsabilidade
pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
Eliane Brum Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de
reportagem.
É autora de
*Coluna Prestes – O Avesso da Lenda*,
*A Vida Que
Ninguém Vê*
*O Olho da
Rua*
Prêmio
Jabuti 2007
E-mail: elianebrum@uol.com.br
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
"O homem que sabe"
“Pensar o múltiplo e o móvel é o desafio, ser capaz de lidar ao mesmo tempo com diversas interpretações e perspectivas. Não mais pensar de modo sucessivo, mas simultâneo, compor ao invés de excluir, e retomar a difícil complexidade que é viver, pensar, criar, conhecer, querer, sentir... Todas as coisas se relacionam, não há nada realmente isolado, todo gesto produz desdobramentos incalculáveis; um saber, uma escola, uma pessoa não existe sem um contexto: talvez este seja o aprendizado social, a maturidade política que precisamos. Somos ao mesmo tempo o indivíduo e o todo, o apolíneo e o dionisíaco, a lei e a transgressão.” Fragmento do livro " O homem que sabe" de Viviane Mosé
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
A Crise
“Como avestruzes,
parecemos querer fingir que os problemas não nos atingem ou não existem,
esperando que alguém ou alguma coisa (sagrada ou profana) intervenha evitando
que as terríveis catástrofes anunciadas não se concretizem.
Preferimos acreditar
que ela não existe (a grave crise econômica, social, ambiental, etc., que por
que passa a nossa civilização). Talvez para não termos que responder o
que vamos fazer para evitá-la ou ao menos minorá-la, preferindo os temas de
somenos importância ou as fofocas político/policias/sociais de nosso dia-a-dia.
Sei da necessidade
que todos temos de tocar nossas vidas e sermos felizes, apesar das mazelas da
vida. Mas também acredito na ação coletiva do homem e na sua capacidade de
intervir em seus destinos, construindo a cada dia um mundo melhor. Por isso,
apesar da aparente apatia de uma maioria (?) alegro-me de saber que em várias
partes do mundo há pessoas se mobilizando e lutando para reverter essa
ameaçadora perspectiva, apenas gostaria que fosse mais e mais gente se
mobilizando e se organizando para que finalmente possamos fazer desde as
pequenas mudanças de comportamento individual até as grande modificações.
Posso estar sendo
piegas com toda essa lenga-lenga, mas gostaria de ver na cidade que eu moro
poderosos e organizados movimentos de contestação e de construção da eterna
utopia humana, tão bem traduzida pelos franceses na consigna “Igualdade,
Fraternidade e Liberdade”.
ANTÔNIO
FERNANDO DE SOUZA
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Um mundo doente *por Tom Coelho
"A
educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a
vida, é a própria vida." (John Dewey)
Crise
na Europa e nos Estados Unidos, queda de governos árabes, discussões sobre o
aquecimento global. As doenças que acometem o mundo não são de ordem econômica,
política ou ambiental. Nossas mazelas são de caráter social. A sociedade está
enferma.
As
pessoas estão fisicamente doentes. Caminhe por uma praia e observe a condição
dos banhistas para constatar a falta de cuidados com o próprio corpo, fruto de
vida sedentária, alimentação desregrada, ausência de atividade física. Não é à
toa que obesidade, hipertensão arterial e doenças coronarianas crescem
vertiginosamente.
As
pessoas estão mentalmente doentes. Ansiedade, angústia, transtornos de humor.
Como prova do que digo, observe a proliferação de drogarias por todo o país. E
mais do que o número de novos estabelecimentos, a frequência maciça de
consumidores. Não importam dia e horário, invariavelmente você encontrará filas
nos caixas. Gente comprando de medicamentos para as dores do corpo, a
ansiolíticos e antidepressivos.
As
relações sociais estão doentes. Temos cada vez mais amigos virtuais, mas
continuamos sem conhecer o vizinho que reside há anos na porta ao lado.
Familiares não comungam de uma mesma refeição, pais e filhos pouco conversam,
casais de amigos em um encontro pessoal trocam a autenticidade de um diálogo
pela efemeridade de tuitadas em seus smartphones.
As
empresas estão doentes. Mesmo quando lucrativas, sofrem com crises de
liderança, dificuldades para engajar seus funcionários e reter talentos,
dilemas morais para alinhar discursos institucionais às práticas corporativas.
Valores
e virtudes estão doentes. Intolerância, egoísmo e cupidez suplantam
condescendência, generosidade e gentileza. Prevalece a ética do interesse
pessoal em detrimento do coletivo.
Amigos
em um encontro pessoal trocam a
autenticidade de um diálogo pela efemeridade de tuitadas em seus smartphones.
No
dia seguinte ao réveillon, na praia, no campo ou nas ruas das cidades, o
cenário era de guerra. Lixo por todos os lados. Garrafas despedaçadas, deixando
cacos de vidros infiltrados na mesma areia onde crianças inocentemente iriam brincar
ao raiar do dia.
Nossos
problemas não são conjunturais, mas estruturais. E a solução passa por
reflexão, educação e cultura.
Saudações,
Silvana Souza
"O que nos condena é nossa resignação." Eduardo Galeano
Silvana Souza
"O que nos condena é nossa resignação." Eduardo Galeano
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
A Idade e a mudança - Lya Luft
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Reflexões Sobre as Oportunidades e as Características do Tempo
A Transitoriedade do Tempo
Nada como um dia após o outro para acalmar os ânimos e reanimar aqueles que sofreram frustrações.
Nada como atentar para a importância do tempo e reaprender lições já vistas anteriormente.
Nada como o tempo para nos ensinar que o branco dos cabelos fala-nos da urgência de transferirmos os conhecimentos acumulados durante os anos.
O tempo ensina, o tempo acalma, o tempo impõe verdades que não queríamos entender.
A duração de um tempo é subjetiva. Um minuto pode ser tão pouco e insignificante quanto pode ser decisivo para a sobrevivência de alguém.
A intensidade de cada momento também não pode ser medida com precisão, pois para cada um é revelada de uma forma.
O tempo pode ser recordado, mas não adiantado. Por ele, as mais diversas circunstâncias vividas por alguém podem ser trazidas à memória em quaisquer lugares.
Para alguns, o tempo tem poder de curar máculas causadas pela ausência física e/ou psicológica de alguém que queríamos que participasse de nossa história.
Se não fosse a divisão do tempo em segundos, minutos, hora, dia, meses e anos, seria muito difícil fazermos uma reflexão sobre o que poderia ser mudado, melhorado em nós.
A cada minuto que passa, a cada dia que termina, temos a oportunidade de parar e repensar as ações e reações causadas por nós e em nós.
O tempo é uma das oportunidades que Deus nos dá para entendermos a brevidade dos nossos dias e a consequente urgência de nos voltarmos a Ele.
Envolvidos com algumas notórias rotinas da vida, muitos pais perdem a oportunidade de atentarem para as necessidades emocionais de seus filhos, não esclarecendo, em tempo oportuno, as dúvidas que nossas crianças sempre têm.
Há quem diga, inclusive, que os netos são a nova oportunidade que a vida dá aos pais de pagarem aos filhos o tempo que não tiveram para eles.
O tempo nos evidencia a urgência e a importância do agora, ou seja, do único momento que é nosso e que temos a oportunidade de corrigirmos as falhas que nem mesmo os anos foram capazes de consertar.
Valorize cada momento de sua vida, valorizando as pessoas que fazem parte dela.
Não deixe de fora de sua história nem mesmo as pessoas que, por desconhecimento e clareza da importância de se cultivar amigos e familiares, insistem em cultivar instabilidades.
Ensine-as que o tempo passa e que a oportunidade para ser feliz e fazer alguém feliz ainda está sendo oferecida a nós, basta que nossos “olhos” não estejam tão enfadados a ponto de não conseguirem mais enxergar.
Erika de Souza Bueno
Boa semana a todos!!!!!!!!!!!!!
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Aos meus amigos!
"Que os meus instantes de egoísmo se
desmanchem cada vez mais rápido. Que as minhas expectativas não sejam maiores
do que a intenção de que o outro esteja tranquilo. Que a paz que ele possa
experimentar seja sempre um perfume que acenda a minha alegria. Que o seu
conforto seja também um motivo que continue inspirando os meus gestos mais
doces e amigos. Que nenhum gesto meu aperte o seu coração, intimide o seu riso,
acorde o seu medo, machuque a sua espontaneidade. Que as minhas vontades pequenas
sejam dissipadas pela lembrança do quanto a sua felicidade me importa.
Que ele saiba que, invariavelmente, pode contar comigo, nos tempos de
celebração e na travessia das longas noites escuras. É dele também a minha mão.
É dele também o meu abraço. É dele também a minha escuta. É dele também o meu
olhar amoroso. É dele também os meus melhores sorrisos. Que ele entenda que eu
não me desapontarei com a sua humanidade, com as suas dificuldades, com os seus
territórios feridos, como, com o mesmo acolhimento, não me desaponto com os
meus. Que tenha certeza de que eu quero muito que seja livre, saudável,
contente; que seja. Que tudo aquilo que o preocupa, o desassossega, o faz
sofrer, seja logo transformado, assim como tudo o que o torna feliz seja mais e
mais abençoado. Que alcance toda expansão que busca, todo voo que vislumbra, e
possa sempre se lembrar de que é capaz de vencer os mais assustadores e
impermanentes limites. Que, não importa o tamanho da distância, nunca esqueça
que o fato de existir mudou pra sempre a minha vida e que o mundo me pareceu
muito mais bacana depois que descobri que existia. Que se saiba amado muito
além do de
vez em quando, do por causa de, do se. Que se sinta amado como é, não interessa com que
cara a circunstância esteja. Que se sinta amado simplesmente porque é. Que
tenha paz. Que tenha paz. Que tenha paz. Ah, é claro, que tenha paz e
acesso à alegria mais sincera também". Ana Jácomo
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
PRESENTE
Procuro viver sempre a eternidade infinita do agora! Sem pensar muito no amanhã que ainda não existe, e até então é uma 'ilusão' porque não aconteceu, esquecer o passado que sendo bom ou ruim, já passou. Tudo o que temos é o agora, agora esse que por algum motivo se chama presente, presente que temos que viver, desfrutar esquecendo do resto. Utopia? Talvez, mas como disse Lispector eu não quero a limitação de quem vive apenas o possível, quero mesmo é uma verdade inventada! por Rodrigo Brower
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Brinde Quinta Secreta 22.12.2001
Pra encerrar o ano com chave de ouro, nos reunimos ontem pra comemorar a "Quinta Feliz" como sempre e comemorar os aniversários da Perla e do Fafá. Festa boa, comida maravilhosa, muitas gargalhadas, papo descontraido e diversão a valer.
Foi a última Quinta do ano. Não fiquem tristes com certeza, ano que vem tem mais!
Fernando Pessoa escreveu: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." E vocês são assim!
Boas festas a todos!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
FELIZ OLHAR NOVO
O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho? Quero viver bem.O ano que passou foi um ano cheio.Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal.Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor machucou. Normal.O próximo ano não vai ser diferente.Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?O que eu desejo para todos nós é sabedoria!E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria três, a dos colegas. Ou mude de classe, transforme-o em conhecido. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.Desejo para todo mundo esse olhar especial.O próximo ano pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar.Somos egoístas, mas podemos entender o outro.O próximo ano pode ser o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou...Pode ser puro orgulho!Depende de mim, de você!Pode ser.E que seja!!!Feliz olhar novo!!!Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!compartilhamos este texto do Drumond, com nossos amigos, desejando 2012 muito especial. É muito bom podermos estar todos juntos.Mery e Roberto
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Frase Dalai Lama
Em um mundo cada vez mais interdependente nosso próprio bem-estar e felicidade dependem de muitas outras pessoas. Outros seres humanos têm direito à paz e felicidade que é igual à nossa, por isso temos a responsabilidade de ajudar os necessitados. Muitos dos problemas do nosso mundo e os conflitos surgem porque perdemos de vista a humanidade básica que nos liga todos juntos como uma família humana.
Dalai lama
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Hoje é Quinta Feliz!
Os Sentimentos Humanos certo dia se reuniram para brincar. Depois que o Tédio bocejou três vezes porque a Indecisão não chegava a conclusão nenhuma e a Desconfiança estava tomando conta, a Loucura propôs que brincassem de esconde-esconde. A Curiosidade quis saber todos os detalhes do jogo, e a Intriga começou a cochichar com os outros que certamente alguém ali iria trapacear.
O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: “Ah, gente, vamos deixar tudo como esta”, e como sempre perder a oportunidade de ser feliz.
A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma arvore estava odiando tudo aquilo.
A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande, e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem frígida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.
A Mentira disse para Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estava fazendo ali.
Depois de contar 99 a Loucura começou a procurar.
Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.
A loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.
Juntos fazem a vida valer a pena.
Lya Luft
O Entusiasmo saltou de contentamento e convenceu a Dúvida e Apatia, ainda sentadas num canto, a entrarem no jogo. A Verdade achou que isso de esconder não estava com nada, a Arrogância fez cara de desdém pois a idéia não tinha sido dela, e o Medo preferiu não se arriscar: “Ah, gente, vamos deixar tudo como esta”, e como sempre perder a oportunidade de ser feliz.
A primeira a se esconder foi a Preguiça, deixando-se cair no chão atrás de uma pedra, ali mesmo onde estava. O Otimismo escondeu-se no arco-íris, e a Inveja se ocultou junto a Hipocrisia, que sorrindo fingidamente atrás de uma arvore estava odiando tudo aquilo.
A Generosidade quase não conseguia se esconder porque era grande, e ainda queria abrigar meio mundo, a Culpa ficou paralisada pois já estava mais do que escondida em si mesma, a Sensualidade se estendeu ao sol num lugar bonito e secreto para saborear o que a vida lhe oferecia, porque não era nem boba nem frígida; o Egoísmo achou um lugar perfeito onde não cabia ninguém mais.
A Mentira disse para Inocência que ia se esconder no fundo do oceano, onde a inocente acabou afogada, a Paixão meteu-se na cratera de um vulcão ativo, e o Esquecimento já nem sabia o que estava fazendo ali.
Depois de contar 99 a Loucura começou a procurar.
Achou um, achou outro, mas ao remexer num arbusto espesso ouviu um gemido: era o Amor, com os olhos furados pelos espinhos.
A loucura o tomou pelo braço e seguiu com ele, espalhando beleza pelo mundo. Desde então o Amor é cego e a Loucura o acompanha.
Juntos fazem a vida valer a pena.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Pobreza
Pobreza
Pobres, realmente pobres, são aqueles que não têm tempo para perder tempo.
Pobres, realmente pobres, são aqueles que não são silenciosos, nem podem comprá-lo. Pobres, realmente pobres, são aqueles que se esqueceram de pernas para andar, como as asas das galinhas se esqueceram de voar.
Pobres, realmente pobres, são aqueles que comem lixo e pagam por ele como se fosse alimento.
Pobres, realmente pobres, são aqueles que têm o direito de respirar merda, como o ar, sem pagar nada por isso.
Pobres, realmente pobres, são aqueles cuja liberdade não vai além do que a liberdade de escolher entre um e outro canal de TV.
Pobres, muito pobres, vivem dramas passionais com as máquinas.
Pobres, realmente pobres, são aqueles que tem sempre muito e estão sempre sozinhos.
Pobres, muito pobres, não sabem que são pobres.
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