Procura-se uma alma de criança que foi vista, pela última vez, dentro de nós mesmos, há muitos anos...
Ela pulava, ria e ficava feliz com seus brinquedos velhos... Exultava quando ganhava brinquedos novos, dando vida a latinhas, barbantes, tampinhas de refrigerantes, bonecas, soldadinhos de chumbo e figurinhas...
Batia palmas quando ia ao circo, quando ouvia cantigas de roda, quando seus pais compravam sorvete: "chikabon, eskibon...". Tudo danado de bom!
Ela se emocionava ao ouvir histórias contadas pela mãe ou quando lia aqueles livrinhos de pano que a madrinha lhe dava quando ia visitá-la... Chorava quando arranhavam seus brinquedos: aquele aparelho de chá cheio de xícaras com que servia as bonecas ou os carrinhos de guindaste, tratores e furgões.
Fazia beiço quando a professora a colocava de castigo, mas era feliz com seus amigos, sua pureza, sua inocência, sua esperança, sua enorme vontade de ser uma grande figura humana, que não somente sonhasse, mas que realizasse coisas importantes em um futuro que lhe parecia ainda tão longínquo.
Onde ela está? Para que lado ela foi? Quem a vir, que venha nos falar... Ainda é tempo de fazermos com que ela reviva, retomando um pouco da alegria de nossa infância e deixando a alma dar gargalhadas, pois, afinal, "ainda que as uvas se transformem em passas, o coração é sempre uma criança disposta a pular corda".
Para não deixar morrer a criança que todos temos dentro de nós... Deixe-a sair, brincar e sonhar... Uma das poucas coisas que ainda podemos fazer sem ter de pagar impostos!
ACHE logo sua CRIANÇA...
Autor desconhecido.
Galera
A maior parte dos seres humanos, por preguiça e comodidade, segue o exemplo da maioria. Pertencer à minoria é tornar-se vulnerável, expor-se à critica. Tomar consciência da normose e de suas causa constitui a verdadeira terapia contemporânea. Trata-se, também, do encontro com a liberdade. Seguir cegamente as normas é tornar-se escravo. Roberto Crema
Esse é nosso lema!!
ESSE É NOSSO LEMA!!!! "A amizade é uma alma que habita vários corpos. Um coração que habita várias almas" Aristóteles
BOAS VINDAS!
Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. " Para ser feliz, o ser humano precisa somente de duas coisas: cultivar sementes de paz em seu coração e ter bons amigos. " - Buddha
Espaço da Galera!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As coisas mais simples são os melhores presentes.
Leveza pra conduzir a vida; Beleza, que vai muito além da estética;
Determinação, porque sem ela nada acontece, nada;
Harmonia, paz e alegria sempre.
Silvana Mara dias Souza
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Sábias Palavras!
"Se todos os dias nos analisarmos com cuidado e atenção, verificando nossos pensamentos, nosssas motivações e suas manifestações no comportamento externo, abriremos em nosso íntimo uma boa possibilidade de fazer mudanças e efetuar um aprimoramento pessoal. Embora eu próprio não possa afirmar com toda a confiança que tenha feito algum progresso notável no decorrer dos anos, meu desejo e minha determinação de mudar e melhorar são sempre firmes.
Desde o momento em que acordo até a hora de dormir e em todas as situações da minha vida, sempre tento analisar minhas motivações e ser meticuloso e atento a cada momento. Pessoalmente, acho que isto é de grande utilidade para minha vida."Dalai Lama
quarta-feira, 30 de maio de 2012
A Esperança
"A esperança me chama,
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.
Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.
A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio."
Lya Luft
e eu salto a bordo
como se fosse a primeira viagem.
Se não conheço os mapas,
escolho o imprevisto:
qualquer sinal é um bom presságio.
Seja como for, eu vou,
pois quase sempre acredito:
ando de olhos fechados
feito criança brincando de cega.
Mais de uma vez saio ferida
ou quase afogada,
mas não desisto.
A dor eventual é o preço da vida:
passagem, seguro e pedágio."
Lya Luft
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Novo milênio, novo olhar - Roberto Crema
|
Mudar
o mundo,
é mudar o olhar. Do olhar que estreita e subtrai, para o olhar que amplia e engrandece. Do olhar que julga e condena, para o olhar que compreende e perdoa. Do olhar que teme e se esquiva, para o olhar que confia e atreve. Do olhar que separa e exclui, para o olhar que acolhe e religa. Todos os olhares num só Olhar. O olhar da inocência e o olhar da vigilância. O olhar da justiça e o olhar de misericórdia. Todos os olhares num só Olhar. Olhar de criança que brinca, na Primavera, Olhar do adulto que labora, no verão, Olhar maduro que oferta, no Outono, Olhar de prece e de silêncio, no Inverno. O olhar de quem nasce, o olhar de quem passa, o olhar de quem parte. Olhares da existência no Olhar de Essência. |
Todos
os olhares
num só Olhar. Dançar de roda na órbita do olhar, dançar de guerreiro em volta da fogueira do olhar, dançar de Ser no olhar do Amor. Dançar e brincar de olhar. Olhar o porvir, do instante que nasce, no coração palpitante da transmutação. Viva o novo olhar! Olhe a vida de novo! Novo olhar, novo viver! Mudar o mundo É mudar o olhar. É alto olhar, Altar do olhar. É ousar viver, É viver no ousar. É amar viver, É viver para amar. Só então partir, Para o Grande Olhar. Todos os olhares num só Olhar. Num mesmo Olhar. Supremo Olhar. Olhar. |
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Frase do dia
“Que
possamos amarrar as carroças de nossas existências às estrelas mais altas de
nossos encantamentos, de nossos arrepios, de nossos deslumbramentos.”
Roberto
Crema
terça-feira, 22 de maio de 2012
VOCÊ É O POEMA (Reflexão)
Ouça a sabedoria do seu corpo que se manifesta por sinais de conforto e desconforto. Ao escolher um determinado comportamento, pergunte ao seu corpo para se sentir sobre ele. Se o seu corpo envia um sinal de violência física ou emocional, seja cuidadoso. Se o seu corpo envia um sinal de conforto e entusiasmo, prosseguir.
Viva no presente, que é o único tempo que você tem. Mantenha sua atenção no que existe aqui e agora busca a plenitude de cada momento.
Aceite o que chega até você total e completamente, para que possam apreciar e aprender com ele, em seguida, deixá-lo ir. Isto é como deveria ser.
Reflete leis infinitas da natureza que trouxeram-lhe este pensamento exato, essa reação física precisa.
Este momento é como é porque o universo é como é. Não lutar contra o sistema de infinito de coisas, pelo contrário, ser um com ele.
Tire um tempo para ficar em silêncio, para meditar, para acalmar o diálogo interno. Em momentos de silêncio, perceber que você está Reconectando com a sua fonte de pura consciência.
Preste atenção à sua vida interior, de modo que você pode ser guiado por sua intuição, em vez de interpretações impostas externamente do que é adequado ou não para você.
Renuncie a sua necessidade de aprovação externa. Só Tu és o juiz de seu valor.
Seu objetivo é descobrir um valor infinito em si mesmo, sem levar em conta que os outros pensam. Compreender isso é feito uma grande liberdade.
Quando você encontrar-se reagir com raiva ou oposição a qualquer pessoa ou circunstância, lembre-se você só está lutando consigo mesmo. Resistência é a resposta de defesas criadas por velhas mágoas. Quando você abandonar essa raiva, você vai ser curado e cooperando com o fluxo do universo.
Lembre-se que o mundo lá fora reflete a sua realidade aqui. Pessoas a quem a sua reação é mais forte, se o amor eo ódio, são projeções do seu mundo interior.
O que você odeia é o que mais nega em si mesmo. O que eu mais gosto é o que você quer mais em você. Use o espelho dos relacionamentos para orientar a sua evolução.
O objetivo é total auto-conhecimento. Quando o fizer, o que você mais deseja estará automaticamente lá, o que você menos gosta desaparecerá.
Derramado a carga de ensaios. Julgamento impõe o certo eo errado em situações que só são. Tudo pode ser compreendido e perdoado, mas quando você julga, você cortou o entendimento e encerrar o processo de aprender a amar. Ao julgar os outros, você reflete sua falta de auto-aceitação. Lembre-se que cada pessoa que você perdoar acrescenta ao seu amor por si mesmo.
Não contamine seu corpo com toxinas, seja comida, bebida, ou emoções tóxicas. Seu corpo não é apenas um sistema de suporte de vida. É o veículo que leva você na jornada de sua evolução.
A saúde de cada célula contribui diretamente para o seu estado de bem-estar, porque cada célula é um ponto de consciência dentro do campo da consciência que é você.
Substitui o comportamento motiva medo por uma conduta que é motivado pelo amor. O medo é um produto da memória, que habita no passado. Lembrando que antes de nos machucar, dedicamos nossas energias para garantir que a antiga mágoa não se repetirá. Mas tentar impor o passado ao presente nunca vai acabar com a ameaça do sofrimento. Isso só acontece quando você encontra a segurança do seu próprio ser, que é o amor. Motivado pela verdade dentro, elas podem enfrentar qualquer ameaça porque sua força interior é invulnerável ao medo.
Entenda que o mundo físico é apenas o espelho de uma inteligência mais profunda. Inteligência é o organizador invisível de toda a matéria e toda a energia. Como parte dessa inteligência reside em você, você participa do poder organizador do cosmos.
Porque você está inseparavelmente ligado a tudo, você não pode dar ao luxo de poluir o ar e da água no planeta. Mas em um nível mais profundo, você não pode dar ao luxo de viver com uma mente tóxico, porque cada pensamento deixa uma impressão em todo o campo da inteligência. Viver em equilíbrio e pureza é o bem maior para você e para a Terra.
Deepak Chopra
segunda-feira, 21 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Hoje é Quinta Feliz!!!!!!!!!!!!
Certos Amigos - Expresso Rural
Quando esse trem
De alegria vara
A vida da gente
Sempre que a estação
Mais perto é o nosso coração
Dificil é saber na hora
O que a gente sente
Se certos amigos não mostram
Que o mundo ainda
É bom... pra saber
Que tenho você
Do meu lado
Me sinto mais forte
Quero beijar o teu rosto
E pegar tua mão
Se cada estrela do céu
É um amigo na terra
A força do acaso
Do encontro
É uma constelação lumiar
De que planeta você é
Eu faço o que você quiser
Em troca do teu amor
Posso te dar o que eu sou
Amigo é o cobertor
Bordado de estrelas, estrelas
Constelação nave louca
A vida é pouca
E o que vale é se querer
Mais e mais que mais
quarta-feira, 16 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Pra começar bem a semana!
PERDONARSE
A UNO MISMO (Reflexión)
Me
gusta la sensación de libertad que siento cuando me quito la pesada capa de
críticas, miedo, culpa, resentimiento y vergüenza.
Entonces
puedo perdonarme a mi y perdonar a los demás.
Eso
nos deja libres a todos....
Renuncio
a darle vueltas y más vueltas a los viejos problemas.
Me
niego a seguir viviendo en el pasado.
Me
perdono por haber llevado esa carga durante tanto tiempo, por no haber sabido
amarme a mí ni amar a los demás.
Cada
persona es responsable de su comportamiento, y lo que da, la vida se lo
devuelve.
Así
pues, no necesito castigar a nadie, todos estamos
sometidos
a las leyes de nuestra propia conciencia, yo también.
Continúo
con mi trabajo de limpiar las partes negativas de mi mente y dar entrada al
amor.
Entonces
me curo.
No
hace falta saber cómo perdonar. Basta estar dispuesto a hacerlo, del cómo ya se
ocupará el universo.
LOUISE
L. HAY
terça-feira, 8 de maio de 2012
Quero manter o meu Direito de Delirar!
O Direito ao Delírio - Eduardo Galeano
"Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que virá, temos ao menos o direito de imaginar o que queremos que seja.
As Nações Unidas tem proclamado extensas listas de Direitos Humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem mais que os direitos de: ver, ouvir, calar.
Que tal começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirarmos por um momentinho?
Ao fim do milênio vamos fixar os olhos mais para lá da infâmia para adivinhar outro mundo possível.
O ar vai estar limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das paixões humanas.
As pessoas não serão dirigidas pelo automóvel, nem serão programadas pelo computador, nem serão compradas pelo supermercado, nem serão assistidas pela televisão.
A televisão deixará de ser o membro mais importante da família.
As pessoas trabalharão para viver em lugar de viver para trabalhar.
Se incorporará aos Códigos Penais o delito de estupidez que cometem os que vivem por ter ou ganhar ao invés de viver por viver somente, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca.
Em nenhum país serão presos os rapazes que se neguem a cumprir serviço militar, mas sim os que queiram cumprir.
Os economistas não chamarão de nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas.
Os cozinheiros não pensarão que as lagostas gostam de ser fervidas vivas.
Os historiadores não acreditarão que os países adoram ser invadidos.
O mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza.
E a indústria militar não terá outro remédio senão declarar-se quebrada.
A comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos.
Ninguém morrerá de fome, porque ninguém morrerá de indigestão.
As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua.
As crianças ricas não serão tratadas como se fossem dinheiro, porque não haverá crianças ricas.
A educação não será um privilégio de quem possa pagá-la e a polícia não será a maldição de quem não possa comprá-la.
A justiça e a liberdade, irmãs siamesas, condenadas a viver separadas, voltarão a juntar-se, voltarão a juntar-se bem de perto, costas com costas.
Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque elas se negaram a esquecer nos tempos de amnésia obrigatória.
A perfeição seguirá sendo o privilégio tedioso dos deuses, mas neste mundo, neste mundo avacalhado e maldito, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro."
quarta-feira, 28 de março de 2012
Mais um motivo pra termos Quintas Felizes!!!!!!!!!!!
Canibalismo
emocional
O
que acontece quando nos fechamos num mundo a dois
IVAN
MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)
Às
vezes eu sinto que vivemos numa bolha.
Não
é o mundo-quitinete da classe média paulistana (ou carioca, ou brasiliense, ou
recifense...), em que as pessoas se esbarram o tempo todo na porta do cinema e
do restaurante. Tampouco é o mundo virtual da internet, no qual passamos horas
mergulhados, entre caras conhecidas, no Facebook, no Twitter, no Instagran...
Não,
a bolha a que eu me refiro é um espaço ainda menor, no qual só cabem dois
corpos que decidem, em comum acordo, dividir juntos o espaço e o tempo. Falo de
relacionamento, namoro, casamento. Falo da vida de casal.
Vocês
já repararam como esse negócio tem uma tendência espetacular a nos confinar? Em
torno de duas pessoas felizes vai se criando uma película invisível que as
separa do mundo e, paradoxalmente, tende a asfixiar a felicidade.
No
início, ficam de fora desse habitat restrito os amigos mais íntimos, justamente
aqueles que costumavam estar mais próximos na vida do solteiro ou da solteira.
Depois, vão sendo afastados, sem que a gente perceba, os amigos e colegas do
segundo círculo de relações, aqueles com quem a gente costumava sair para tomar
cerveja, viajar e ter conversas de valor inestimável sobre o trabalho e a vida.
Por fim, e simultaneamente a isso tudo, a gente se afasta também da família,
que vai sendo sutilmente negligenciada em nome dos planos e da preguiça do
casal.
Ao
final desse processo, um belo dia, a gente percebe que ficou sozinho numa bolha
com a pessoa de quem gosta – e que entre nós e o resto do mundo existe agora
uma grossa camada de indiferença.
Dentro
dessa bolha, claro, ocorrem coisas maravilhosas. A intimidade física e
psicológica do casal floresce, o autoconhecimento de cada uma das partes se
amplia enormemente e cresce, no interior da vida a dois, uma deliciosa sensação
de afeto, amparo e segurança. Dentro da bolha jamais estamos sós. Falamos com o
outro o tempo inteiro ao telefone. Trocamos emails ao longo dia. E, se
acordamos assustados no meio da noite, a outra metade está lá, respirando firme
e tranquila ao nosso lado.
De
muitas maneiras, essa é a situação com que sempre sonhamos. Quando fantasiamos
romanticamente sobre uma relação, ela acontece em cenário fechado – somos nós,
nosso amor, nossos planos e nossas realizações, com uma vida social que permita
partilhar, de vez em quando, a nossa radiante felicidade privada. Assim são os
casais nos filmes, assim acontece nos romances baratos. Assim pode ser a nossa
vida, se quisermos.
A
questão é, deveríamos desejar apenas isso?
Eu
suspeito que não. Uma parte de mim, que já passou por isso, percebe uma
armadilha na bolha da felicidade. Ela cria um ambiente que não se renova. Ela
fomenta o canibalismo emocional – eu me alimento de você e você de mim – e
encurta as nossas dimensões existenciais. Ao mesmo tempo em que crescemos para
dentro da relação, corremos o risco de encolher para o resto do mundo – e
reduzir, drasticamente, o alcance potencial da nossa vida. A felicidade
hermética dos casais é autocomplacente e, lá na frente, pode ser frustrante.
Bem frustrante.
Minha sensação é que casais não são
auto-sustentáveis, no sentido ecológico da palavra.
Os
casais precisam de energia de fora para se renovar. Precisam da presença
constante e questionadora dos amigos. Precisam das raízes e do compromisso da
família. Precisam de uma vida social que inclua desafios e não apenas
entretenimento. Os casais precisam encontrar, fora da bolha, motivos reais para
sonhar e existir. E precisam, desesperadamente, da individualidade vigorosa de
suas partes, que não se desenvolve sem o contato com o mundo.
Quando
eu era garoto, as utopias estavam na moda. Imaginava-se, imaginávamos, que o
mundo mudaria rapidamente, e de uma forma radical. Casais seriam parte
essencial da grande e harmoniosa cumplicidade humana. Não se admitia que as
pessoas pudessem se isolar egoisticamente dentro do seu amor. Era preciso
participar do mundo. Transformá-lo.
Frequentemente,
eu tenho a sensação de que esse impulso generoso nos faz falta. Na ausência
dele, depositamos uma parcela exagerada das nossas expectativas no projeto
privado das relações afetivas. Quando estamos sozinhos, somos tomados pela
urgência de achar alguém e construir um universo de casal. Quando achamos
pessoa certa, nos pomos a trabalhar, laboriosamente, às vezes de olhos
fechados, na tarefa de nos fechar ao mundo junto dela. Temos medo.
Mas,
viver assim, eu suspeito, não é boa ideia. No interior da bolha, mesmo das mais
felizes, acaba faltando ar. Dentro dela, somos tentados a nos curvar sob as
dimensões cada vez menores do mundo que criamos. Assim, quando a bolha explode
- como é da natureza das bolhas explodir -, expõe ao mundo duas pessoas
surpresas e desamparadas, que se sentem infinitamente sozinhas. E de mãos
vazias.
Eu
sugiro, portanto, que os casais não façam bolhas duradouras. Ou, pelo menos,
que abram na parede delas portas e janelas por onde possam circular pessoas e
ideias - passagens por onde a vida exterior possa entrar não apenas como mera
decoração da felicidade, mas como ar, como água, como coisa vital e renovadora
que a vida é.
(Ivan
Martins escreve às quartas-feiras)
segunda-feira, 26 de março de 2012
Espírito de Quinta Feliz!
"Aqui
estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos
redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente.
Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los,
discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não
pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana
para a frente. E, enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como
geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o
mundo, são as que o mudam." Jack Kerouac
quinta-feira, 22 de março de 2012
Navegar é preciso...
"É sempre tempo de mudanças.
E aqui estou eu mais uma vez revendo rotas, observando a posição das estrelas, virando o leme e traçando um novo rumo...
Nas incertezas de minhas entranhas vou descobrindo novos mares.
Não, não é volubilidade. É questão de adaptação, sobrevivência.
Sou fiel aos meus princípios. Minhas inquietudes é que me movem.
Antigamente me culpava por não seguir até o fim um caminho que havia traçado. Mas entendi que isso pode não ser um defeito, mas uma qualidade. Nem sempre o caminho mais curto é uma reta. Os desvios podem ser enriquecedores...
Covardia é não ter a coragem de mudar. Burrice é continuar andando por uma rua sem saída.
É necessário rever as rotas de tempos em tempos, pois só o que está morto não pode mudar.
Até o tempo não para..."
quinta-feira, 15 de março de 2012
Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Família de Quinta!
Pq somos o resultado de muitas famílias!
"Ter uma família me deu tudo. Um razão para viver. Uma razão para não ser um estúpido silencioso. Uma razão para aprender, razão para respirar, uma razão para cuidar. Deu-me tudo." Johnny Depp
"Ter uma família me deu tudo. Um razão para viver. Uma razão para não ser um estúpido silencioso. Uma razão para aprender, razão para respirar, uma razão para cuidar. Deu-me tudo." Johnny Depp
sexta-feira, 9 de março de 2012
Desejo
Desejo
Fartas colheitas chegando em seus campos e belas flores surgindo em seus jardins, perfumando suas vidas no exalar das fragrâncias que não se compra em mercados: Paz, Amor e Prosperidade muita luz . "Existe uma luz que brilha além de todas as coisas na terra,
além dos mais altos, dos mais altíssimos céus.
É a luz que brilha em teu coração
Eu amo borboletas porque humildemente elas carregam o polém Para nos oferecer lindos buquês de flores.
Que você seja como uma borboleta nos oferecendo sempre a beleza, a alegria, o perfume e a humildade.
A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
Rubem Alves.
Fartas colheitas chegando em seus campos e belas flores surgindo em seus jardins, perfumando suas vidas no exalar das fragrâncias que não se compra em mercados: Paz, Amor e Prosperidade muita luz . "Existe uma luz que brilha além de todas as coisas na terra,
além dos mais altos, dos mais altíssimos céus.
É a luz que brilha em teu coração
Eu amo borboletas porque humildemente elas carregam o polém Para nos oferecer lindos buquês de flores.
Que você seja como uma borboleta nos oferecendo sempre a beleza, a alegria, o perfume e a humildade.
A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
Rubem Alves.
Tenham todos um ótimo final de semana
quarta-feira, 7 de março de 2012
Tenho consciência..........
“Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes. O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade. Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende!”
— Cora Coralina
— Cora Coralina
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O que eu aprendi com meus amigos!
Mais tarde eu saberia que certas experiências se partilham, até mesmo sem palavras, só com gente da mesma raça. O que não significa nem cor, nem formato de olho, nem tipo de cabelo, mas o indefinível parentesco da alma.
"Lya Luft"
"Lya Luft"
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Quando a máscara vira rosto por ELIANE BRUM
Todo
mundo inventa seus personagens, mas alguns acreditam demais no próprio e se
estrepam
Ter
um ou mais personagens para encarar a pedreira do mundo é não só necessário,
como uma questão de sobrevivência. Especialmente se você tiver uma
sensibilidade extremada. Nascemos com uma pelezinha de bebê também na alma (e
aqui não me refiro ao sentido religioso do termo) e precisamos protegê-la. Se
há algo que os outros pressentem é o tamanho da nossa fragilidade. Por isso um
chefe abusivo sempre sabe com quem pode gritar – e com quem é melhor não. Muita
gente é como aqueles cães de caça farejando o flanco mais indefeso para atacar
sua presa. Triste, triste. Mas mais triste é quando, em nome da necessidade de
sobreviver, criamos um personagem que se mostra tão útil que acaba se
confundindo com nossa derme mais profunda. Se criar personagens é preciso,
despir-se deles constantemente é vital.
Como
ando bastante por aí, tanto por razões profissionais quanto por gosto, observo
muito as pessoas. E seus personagens. E, muitas vezes, tenho vontade de dizer,
e em algumas delas, se há um grau de intimidade que me permita falar sem
ofender, eu digo: “Pronto, você já fez o seu show. Agora, por favor, para
jantar comigo enfia a máscara dentro da bolsa e relaxa”.
Ninguém
se iluda de que é absolutamente verdadeiro o tempo todo, até porque somos
muitas verdades ao mesmo tempo e seguidamente elas são contraditórias. Aquelas
pessoas que parecem muito “autênticas” porque são extrovertidas, dizem coisas
chocantes, se arriscam no estilo, estão muito bem cobertas por suas máscaras e
morrem de medo de serem reveladas. A máscara do “autêntico”, “louco” ou
“excêntrico” é uma das mais corriqueiras. Este tipo faz piada com o ponto fraco
dos outros, dando gargalhadas e batendo nas costas da vítima e, quando alguém
reclama, uma meia dúzia de amigos sai em sua defesa dizendo que “é o jeito
dele”. Ahan.
Há
o tipo “bonzinho” que, mesmo fazendo coisas horríveis e muito bem dissimuladas
de vez em quando, é tão convincente no “foi sem querer” ou “ele jamais faria
isso de propósito” que é imediatamente perdoado. Existe a “mulherzinha”, tão
frágil que parece que vai quebrar a qualquer adjetivo mais eloquente. Esta
manipula brilhantemente nossos mais primitivos instintos de proteção e, se você
tem a coragem de dizer para ela tomar jeito e prescindir do diminutivo,
imediatamente é você quem vira uma megera. E há o seu oposto, “a mulher alfa”,
esculpida a navalhadas, que se arma de sapatos de bico fino, terninhos de grife
e cortes de cabelo modernos, mas práticos, para arrasar meio mundo a bordo de
sua armadura como se o melhor produto do feminismo fosse uma mulher se tornar
um clichê de homem.
Enfim,
são muitas as fantasias que vestimos para não sermos engolidos pelo mundo. Em
geral não somos nem mesmo uma máscara definida, como as que acabei de expor
apenas como recurso didático. Não somos Batman, Coringa, Gilda, Bambi ou Madre
Tereza de Calcutá. Somos uma mistura de vários estereótipos. E, se é verdade
que vestimos máscaras, também é verdade que não há um “eu” essencial – mas sim
um “eu” fluido e incapturável, em constante movimento de mutação. E é nesta
fluidez do eu, que não pode ser confundida com ausência de rosto, que residem
nossas verdades mais profundas.
Acho
que nossas máscaras começam a colar no nosso rosto ainda na infância. Uma
mistura entre a necessidade de rotular que os pais em geral têm e o nosso
desejo de satisfazê-los – ou de escapar da prisão que intuímos. Numa família
com mais de um filho é mais fácil perceber. Um é o extrovertido, o outro é o
tímido, outro ainda é o rebelde. Ou um é o estudioso que “não dá trabalho
nenhum”, o outro é o vagabundo que ninguém sabe “por quem puxou”. E há o outro
que tem – socorro! – “transtorno do déficit de atenção e hiperatividade”.
Os
pais costumam botar um rótulo em cada filho, e a escola raramente tem competência
para, em vez de reforçá-los, quebrá-los para que as crianças tenham outras
possibilidades de expressar aquilo que são ou se tornar algo diferente do que
foram levadas a ser. Uma pena, porque quebrar máscaras impingidas ainda na
infância talvez seja a grande função de um educador. É muito difícil
identificar se alguém “é assim” ou se tornou o que sempre ouviu que era. Agora,
que as crianças são medicalizadas cada vez mais cedo e os rótulos ganharam
status de “diagnóstico”, com a entrada do “especialista”, danou-se.
De
fato, ninguém é – todos nós nos tornamos. E este “tornar-se” não é um caminho
linear rumo a um rosto definitivo, que daria conta de nossa essência. Não há
essência, o que existe é construção a partir de um conjunto de genes, de
influências ambientais e experiências as mais variadas, de inscrição no momento
histórico e de livre arbítrio – ainda que o livre arbítrio nunca seja tão livre
assim. Embora possa ser assustador pensar que não há um “eu” essencial a ser
alcançado, de fato é bastante libertador.
Somos
uma constante invenção e reinvenção. E, tão importante quanto, desinvenção.
Vale a pena não esquecer que sempre podemos nos desinventar. Ainda que
carreguemos conosco tudo aquilo que vivemos, a mágica está em dar novos
significados a antigas experiências e ter a sabedoria de nos livrarmos do que
não é nosso, apenas foi impingido a nós como uma roupa de gosto duvidoso. Por
isso, é bom tomarmos muito cuidado para não rotular os outros, como se nossas
sentenças fossem imunes de preconceitos. E mais cuidado ainda se estes outros
forem os nossos filhos, para que nossos rótulos não virem destino.
Acho
que a melhor forma de não impingir máscaras aos outros é não impingi-las a nós
mesmos. É bem fácil cair na tentação de transformar uma de nossas máscaras,
aquela que nos parece mais eficaz no embate cotidiano, em nosso rosto
definitivo. A máscara se torna tão usada que vai se fundindo primeiro à nossa
pele, depois aos nossos ossos. Não é que vire ferro, como no clássico de
Alexandre Dumas. O problema é que vira carne humana, mesmo. E aí, meu amigo,
fica bem difícil de arrancá-la, porque passamos a acreditar que morreremos no
processo. Ou que, por trás dela, não há um ou muitos rostos, mas um vazio
infinito. Muita gente se agarra a seu personagem com medo de que, se a máscara
for arrancada, descubram que não há nada lá. A máscara serviria, neste caso,
para esconder a ausência de face.
Tento
me livrar da tentação de virar personagem, uma máscara só, pela própria
escrita. Parte do ímpeto que me move a inventar outras vozes narrativas para
mim e outras bases para estabelecer o cotidiano se dá pelo meu temor de acabar
gostando demais de alguma máscara conveniente. Tento me quebrar o tempo todo me
jogando em desafios novos sem pensar muito nos riscos para me desgarrar da
tentação das certezas sobre mim. Tem funcionado.
Além
das mudanças mais profundas, que quem me acompanha nesta coluna está cansado de
saber, há pequenas trocas de atitude que podem ser bem divertidas. Eu sempre
fui disciplinadíssima, por exemplo. Estou numa luta feroz comigo mesma para
deixar de ser. No último final de semana consegui um feito inédito em 45 anos
de vida: dormi 16 horas seguidas. Almocei e ainda me entreguei a mais duas
horas de sesta. Vou acabar esta coluna e tomar uma cerveja em comemoração a
isso.
Sempre
fui pontualíssima e, como todas as pessoas pontuais deste país, esperava muito.
A ponto de o garçom ficar com pena e vir conversar comigo. Agora, com exceção
dos compromissos de trabalho, resolvi deixar todo mundo me esperando. É uma
delícia a cara de surpresa dos amigos. Chego e está todo mundo lá. Costumava
comer chocolates aos poucos. E, quando ia comer, antecipando o gosto do bombom
desmanchando na minha boca, alguém lá de casa já tinha dado cabo dele. E ainda
me acusava: “Você faz isso de propósito, para me tentar. Por sua causa, acabo
engordando”. Pronto, além de ficar sem chocolate, ainda era culpada pelo
descontrole alheio. Mudei. Agora devoro compulsivamente meus chocolates e
também o dos outros.
Não,
não parecem mudanças muito salutares, eu sei. Mas elas cumprem, pelo menos por
algum tempo, a função de me desconstruir tanto aos meus olhos como aos olhos
dos outros, que cultivam a pretensão de que a gente seja a mesma até o final
dos tempos. Um peso que, com licença, não pretendo arrastar por aí como se
fosse meu.
Especialmente
nas questões mais profundas, desmascarar a si mesmo é uma prática importante do
cotidiano. E também um ato que precisa ser constantemente recriado. Nosso
instinto de sobrevivência engendra armadilhas e argumentos bem convincentes
para absorver este “duvidar de si mesmo”, que nos mantêm alertas com relação a
nossos próprios ardis, e acaba por torná-lo mais um penduricalho que tem apenas
um efeito placebo. O que o mercado faz com a contestação ao mercado,
transformando-a em um produto, nós fazemos com relação à nossa porção
contestadora, ao transformá-la em nossa versão de mercado. De tal forma que, um
dia, sem perceber, paramos de tirar a maquiagem no fim da noite e dormimos
acreditando que a máscara é a nossa cara.
Dias
atrás encontrei um conhecido muito talentoso. É brilhante mais vezes do que a
maioria. Arrasta com ele uma legião de fãs. E, principalmente, tem o que dizer
porque é um grande criador. Fazia algum tempo que não o encontrava pessoalmente
e fiquei estarrecida ao perceber que ele tinha virado um personagem, um bufão.
Não mais um bufão como forma de contestar a hipocrisia, mas um bufão como forma
de não ser contestado em sua hipocrisia.
Torço
para que ele perceba a tempo que a máscara é uma versão bem pobre dele mesmo,
já que não tenho intimidade para dizer a ele eu mesma. Enquanto isso, ao
testemunhar a figura triste em que ele se transformou, tratei de aprimorar meus
próprios alarmes antimáscaras. E escrevi esta coluna na esperança de que ela
possa ajudar a acionar a sirene em cada leitor. As máscaras têm sua função,
desde que não nos apeguemos a elas a ponto de fazer da mais confortável um
rosto que agrada a todos – menos a nós mesmos.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Com medo da liberdade, preferimos aderir à manada
A doença de ser normal
ELIANE
BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê(Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua(Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Na semana passada, li uma
entrevista do professor José Hermógenes de Andrade Filho, uma lenda no mundo da
ioga no Brasil. No texto, ele conta ter criado uma palavra – “normose” – para
dar conta daquele que talvez seja o grande mal do homem contemporâneo. “Normose”
seria a “doença de ser normal”. O professor explica: “Como diz o título de um
documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na
dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos
aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida,
deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (...) Essa
normalidade nunca esteve tão distante da verdade”.
A entrevista faz parte de uma
coletânea de boas conversas com pessoas ligadas ao universo da espiritualidade
– não necessariamente religiosa – no Brasil e no mundo, escrito em dois volumes
pelo jornalista mineiro Lauro Henriques Jr., com o título “Palavras de poder”
(LeYa, 2011). Ganhei os dois livros de uma pessoa especial na minha vida e por
isso comecei a ler com curiosidade. Me deparei com a “normose” do professor
Hermógenes. E fiquei instigada a pensar sobre ela.
No mesmo período, o psicanalista e romancista Contardo Calligaris fez na Flip, em Paraty, um comentário bem provocador: "Quando desistimos da nossa singularidade para descansar no comportamento de grupo, aí está a origem do mal. O grupo, para mim, é o mal."
Acredito que, por caminhos diferentes, Hermógenes e Calligaris nos estimulam a pensar em algo que vale a pena, que um chamou de “normose” e o outro de “comportamento de grupo”. Daqui em diante, enveredo pelas minhas reflexões a partir das provocações de ambos – que possivelmente sejam diversas do que eles pensaram ao propô-las. A responsabilidade, portanto, é minha.
No passado, a vida no Ocidente era determinada pela tradição. O destino de cada um era imutável, definido pela sua origem, pela categoria social a qual pertencia, e não havia dilemas sobre o que seria a sua passagem pelo mundo: se você fosse homem, seguiria os passos do pai; se fosse mulher, os da mãe. De todos era esperado o cumprimento de um roteiro previsível, que, se você nascesse homem, consistia em dar sequência aos negócios ou ao ócio da família, ou trabalhar para o mesmo patrão ou senhor do pai; e, se nascesse mulher, casar-se com alguém do mesmo nível social, em contratos arranjados previamente, reproduzir-se e cuidar da sua própria casa ou servir na casa em que a mãe serviu. Além disso, esperava-se que cada novo núcleo familiar seguisse a religião dos pais e participasse da comunidade do jeito de sempre, cada um no seu lugar determinado pelo estrato social.
A modernidade embaralhou tudo isso. E fomos, como disse Sartre, “condenados a ser livres”. É o preço que o indivíduo paga para ser indivíduo. Ainda que, em países desiguais como o Brasil, a classe social na qual se nasce influencie as chances que cada um vai ter, mesmo aqui estamos muito longe de ter o lugar cimentado da tradição do mundo de ontem. E cada governo democrático, se quiser garantir a continuidade de seu projeto no poder, precisa agora prometer trabalhar para igualar as bases de onde cada cidadão partirá para construir sua história. No mundo contemporâneo, cada um é o principal responsável pelas suas escolhas, pelos seus desejos e pelas suas desistências.
Embora existam muitos órfãos da tradição, suspirosos de nostalgia, penso que a prisão daquela vida determinada desde antes do nascimento era mais assustadora do que a liberdade de se estrepar que a modernidade nos deu. É verdade, porém, que para viver hoje é necessário um outro tipo de coragem, já que cada homem ou mulher virou em si um projeto em constante construção e desconstrução. Não é que não exista mais chão, mas ele é pantanoso, e cada um precisa escolher diante de um emaranhado de trilhas. E, se cada uma delas leva a lugares diferentes, é fato que nenhuma é segura.
É aí que a “normose” ou o “comportamento de grupo” se encaixa. Qual é o desafio de cada um de nós hoje? Desde que você não esteja na faixa da população em que toda energia e talentos são gastos na luta pela sobrevivência mais básica, o desafio que se impõe diante de cada um é a busca da sua singularidade. E esta é a busca de uma vida inteira. Não como se você tivesse uma essência que precisasse encontrar e, tão logo encontrada, estivesse tudo resolvido. Pelo contrário, esta procura leva à invenção de nós mesmos – e nunca está nada resolvido, já que sempre podemos nos reinventar. Não sem limites, mas às voltas com eles.
A proposta da modernidade e da ideia de indivíduo, muito mais libertária do que nossos antepassados amarrados pela tradição jamais sonharam, parece ótima. O problema é que dá uma angústia danada, já que, a rigor, não haveria ninguém para culpar por uma escolha equivocada ou porque o enredo que inventamos para a nossa vida saiu diferente do nosso desejo. Então, com medo de nos “enforcarmos nas cordas da liberdade”, como diz o ator Antônio Abujamra no programa “Provocações” (TV Cultura), em vez de nos arriscarmos a criar uma vida, nos responsabilizando por ela, aderimos à manada. E aqui, é importante deixar bem claro, não estou me referindo a lutas coletivas movidas por indivíduos unidos por suas singularidades, mas à adesão que implica se deixar possuir pelo grupo para não se arriscar a ser possuído por si mesmo.
Nesta adesão à manada, a “normose” ou o “comportamento de grupo” substituiria ilusoriamente o vazio deixado pela tradição. Com medo da liberdade e dos riscos inerentes a ela, muitos de nós colam no grupo. Seja ele do tipo que for: religioso, corporativo, profissional, cultural, intelectual, político, de orientação sexual ou até esportivo. Cada um deles garante, ainda que de forma muito mais frágil do que a tradição, um certo jeito de se comportar e de se vestir, um tipo de ambiente a frequentar, temas que merecem ser debatidos, gêneros de lazer e de viagens para as férias e para os fins de semana, crenças para compartilhar e até bens para adquirir. Um tipo de “normose” – que, paradoxalmente, mas com muita lógica, dentro do grupo é tratada como “diferentose”, já que, como coletivo, contrapõe as suas verdades a dos outros grupos, em geral vistos como inferiores ou limitados.
E como estas são as pessoas com quem se convive, torna-se meio inevitável namorar e ter filhos com gente da mesma turma. Assim como a tendência é reproduzir mais e mais os mesmos padrões e visão de mundo. Sem questionar, porque questionar possivelmente levaria a uma ação. E todos nós conhecemos gente, quando não nós mesmos, que prefere deixar tudo como está, ainda que doa, para não se arriscar ao desconhecido. É assim que muitos de nós abrem mão da época histórica mais rica de possibilidades de ser em troca de uma mercadoria bem ordinária: a ilusão de segurança. Mas, como sabemos, lá no fundo sentimos que algo está bem errado. Especialmente quando fica difícil levantar da cama pela manhã para seguir o roteiro programado.
Suspeito que o mal-estar contemporâneo tem muito a ver com não estarmos à altura do nosso tempo. No passado, havia “outsiders”, gente que desafiava a tradição para inventar uma outra história para si. Hoje, com a (bendita) falência da tradição, talvez o que se exija de nós seja que todos sejamos “outsiders” à nossa própria maneira – não no sentido de contrariar o mundo inteiro, mas de encontrar o que faz sentido para cada um, arriscando-se ao percurso tortuoso do desejo. Ciente de que, logo adiante, vamos perder o sentido mais uma vez e teremos de nos reinventar de novo e de novo, num processo contínuo de construção e desconstrução movido pela dúvida – e não pelas certezas.
Vivemos numa época de intenso movimento interno, em que se perder seja talvez o melhor caminho para se achar, mas nos agarramos à primeira falsa promessa como desculpa para permanecermos imóveis. Voltados sempre para fora e cada vez com mais pressa, porque olhar para dentro com a calma e a honestidade necessárias seria perigoso. Queremos garantia onde não há nenhuma, sem perceber que o imprevisível pode nos levar a um lugar mais interessante. Podemos finalmente andar por aí desencaixotados, mas na primeira oportunidade nos jogamos de cabeça numa gaveta com rótulo. Ainda que disfarçada de vanguarda.
Mas o que pode ser mais extraordinário do que inventar uma vida, ainda que com todas as limitações do existir? E que utopia pode ser maior do que nos igualarmos pela singularidade do que cada um é?
Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, “Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!”.
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